• A taxa de desemprego foi de 13,8% no trimestre encerrado em julho (frente 13,3% em junho), a maior taxa da série histórica, representando um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado (a/a).
  • A população ocupada recuou para 82 milhões, o menor contingente da série, recuo de 12,3% a/a. Uma perda de 11,6 milhões na população ocupada.
  • Já o número de pessoas na força de trabalho recuou 10,4% na mesma base de comparação. Com essa forte queda na força de trabalho, a taxa de participação recuou ao menor nível da série histórica (54,7% em julho, frente média de 61,9% em 2019).
  • O emprego no setor privado com carteira assinada (ex-domésticos) ficou em 29,4 milhões, o que significa uma queda de 3,7 milhões de empregos em relação ao mesmo período do ano passado. Contudo o mercado de trabalho informal tem sido mais atingido e destruiu cerca de 8 milhões de empregos na mesma base de comparação.
  • Para os próximos meses, esperamos aumento na taxa de desemprego e mantemos nossa projeção de taxa de desemprego encerrando o ano ao redor de 15%.
taxa de desemprego, %
Taxa de Desemprego, % - PNAD vs PNAD Dessazonalizada
Diferencial anual do desemprego
Variação Interanual da Ocupação (em mil)
Taxa de participação, %
Rendimentos Real e Normal YoY
Massa de Rendimento Real

Obs.: Nos últimos três meses, houve um aumento significativo do rendimento médio do trabalho, tanto nominal quanto em termos reais. Porém esse ganho é apenas um efeito estatístico (efeito composição), já que o desemprego atingiu os trabalhadores que ganham menos, o que fez a média subir. (Efeito descrito no report da PnadC do mês passado).

Com a forte queda da população ocupada, houve um recuo substancial de 13,3% a/a na massa de rendimentos do trabalho no trimestre abril-junho (o rendimento efetivo é divulgado sempre com um mês de defasagem em relação à data de referência da PnadC). Isso significou uma queda de cerca de R$ 28 bilhões na massa de rendimentos, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, e de R$ 24 bilhões em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Estimamos que, entre março e setembro deste ano, a massa de rendimentos efetiva tenha recuado cerca de R$ 80 bilhões (na comparação com o mesmo período do ano passado). Contudo o Auxílio Emergencial (AE) já transferiu R$ 217 bilhões desde abril (apenas entre julho e agosto foram transferidos R$ 45 bi). Um volume de recursos bem acima da queda da massa de rendimentos no período.

O AE tem sido uma injeção significativa na demanda agregada (os resultados positivos no comércio varejista indicam isso). Parte desses recursos deve ser poupada e consumida após o fim do AE. Os efeitos positivos do auxílio devem ter efeito direto na economia até o primeiro trimestre do ano que vem.

Para os próximos meses, a população ocupada deve apresentar nova queda, enquanto a força de trabalho deve crescer aos poucos à medida que as pessoas voltem a procurar emprego. Portanto, esperamos aumento na taxa de desemprego nos próximos meses e mantemos nossa projeção de taxa de desemprego encerrando o ano ao redor de 15%.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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