• O volume de vendas do comércio varejista cresceu 13,9% m/m em maio na comparação com abril (acima do teto das projeções, que era de 11% – Broadcast).  Foi a maior alta da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2000. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior o volume de vendas apresentou variação de -7,2% a/a.
  • O volume de vendas no varejo ampliado (inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção) cresceu 19,6% m/m e variou -14,9% a/a na comparação interanual.
  • O crescimento mensal foi grande, mas a base de comparação é baixa. Abril foi o mês de maior impacto das medidas de isolamento social. Com o resultado de maio, o varejo acumula queda de 3,9% no ano.
  • Para junho, os indicadores antecedentes de faturamento de empresas apontam novamente crescimento na margem, mas recuo na comparação interanual.
Vendas no varejo, MoM
Vendas no Varejo, YoY
Vendas no varejo ampliado, YoY
Vendas no varejo - Bens duráveis YoY
Vendas no varejo sazonalmente ajustado

Evolução Recente

Após a maior queda da série histórica em abril, o mês de maio apresentou o maior crescimento da série histórica. O resultado de maio veio bem acima das expectativas tanto na variação mensal quanto na interanual. Contudo, o volume de vendas no varejo ainda recua 3,9% no ano.

O resultado acima das expectativas ocorreu sob um forte estímulo fiscal no período. No mês de maio o Governo Federal transferiu R$ 41,1 bilhões através do programa de Auxílio Emergencial, o que representa cerca de 18% da massa de rendimentos (do trabalho) mensal anterior ao surto de Covid-19. Através dos dados do IBGE, estimamos que a massa de rendimentos tenha recuado entre R$ 20-30 bilhões entre abril e maio, o que significa que, provavelmente, os recursos do Auxílio Emergencial foram superiores a queda da massa salarial no mês.*

Além disso, maio teve uma parcela de antecipação do 13º salário dos aposentados, o que também favorece a demanda no período. Também houve maior abertura do comercio entre abril e maio. Ou seja, vários fatores influenciaram no resultado acima da mediana das expectativas.

Para junho, os indicadores antecedentes de faturamento de empresas apontam novamente crescimento na margem, mas recuo na comparação interanual. Em junho o Governo Federal transferiu R$ 46,6 bilhões através do programa de Auxílio Emergencial. Esse volume de recursos tem potencial de compensar a queda na massa de rendimentos do período.

Adicionalmente, a prorrogação do Auxílio Emergencial para mais duas parcelas de R$ 600 (além do cronograma de 3 parcelas que vem sendo executado no momento) terá impacto significativo na manutenção da renda das famílias e auxiliará a retomada do varejo no segundo semestre. Essa prorrogação tem potencial de transferir cerca R$ 50 bi/mês.

Diante do forte estímulo fiscal corrente, a retomada nos primeiros meses pós-pandemia pode ser mais rápida do que previamente esperado. Contudo, a rigidez no mercado de trabalho e o impacto do Covid-19 na sobrevivência das empresas implicarão em retomada mais gradual após o fim dos efeitos do estímulo fiscal.

* Os dados da PnadC são médias móveis trimestrais, portanto as variações mensais precisam ser estimadas. Nossa estimativa aponta para uma queda entre R$ 20-30 bilhões na massa de rendimentos habitual entre abril e maio.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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