• O volume de vendas do comércio varejista variou -1% mom em janeiro frente a dezembro do ano passado (abaixo da mediana de -0,4% das projeções – Broadcast). Na comparação com o mesmo mês do ano anterior o volume de vendas apresentou crescimento de 1,3% YoY.
  • Foi o recuo mais intenso para o mês de janeiro desde 2016. Apesar da taxa de crescimento positiva na comparação interanual, há uma perda de ritmo nos últimos 2 meses. Além disso, a divulgação tornou-se pouco informativa pois os meses de janeiro e fevereiro não captam o impacto do coronavírus.
  • O volume de vendas no varejo ampliado (inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção) cresceu 0.6% mom frente dezembro e avançou 3.5% na comparação interanual.
  • Para 2020, esperamos queda no volume de vendas no varejo restrito (ex-hipermercados e supermercados) devido à disseminação do coronavírus. O setor deve encerrar 2020 com um recuo no volume de vendas entre 5%-8% em relação a 2019.
Vendas no Varejo, MoM
Vendas no Varejo, YoY
Vendas no Varejo Ampliado, YoY
Vendas no varejo - Bens duráveis, YoY

Evolução Recente

A perspectiva para o setor mudou drasticamente com o surto de coronavírus no Brasil. Vários municípios já decretaram a paralização do comércio varejista não-essencial visando intensificar a política pública de isolamentos. Com isso, o setor sofrerá retração na geração de receita e no volume de vendas este ano.

Alguns itens, principalmente bens duráveis, devem retomar as vendas acima do normal no período pós-surto, devido ao efeito de demanda deprimida. Adicionalmente, devemos observar maior volume de vendas na categoria de hipermercados e supermercados durante as semanas de evolução do surto. Contudo, tomando o setor como um todo, o impacto negativo do coronavírus será significativo.

Além disso, muitos varejistas de pequeno e médio porte correm o risco de reduzir de tamanho ou até mesmo fechar devido à queda de receita que ocorrerá em março e abril. Os pequenos varejistas devem sofrer mais pois possuem acesso limitado à linhas de crédito de capital de giro.

Nosso cenário base é que o pico de contaminação do vírus será atingido na primeira semana de maio (em 7 semanas após o centésimo caso). A partir da primeira semana de maio a atividade começa a retomar normalidade e a economia econômica apresentará uma recuperação em forma de U. Nesse cenário, o setor de varejo deve encerrar 2020 com um recuo no volume de vendas entre 5%-8% em relação a 2019.

Medidas anunciadas pelo BNDES

O BNDES anunciou medidas para reforçar o caixa de empresas e amenizar o impacto econômico do coronavírus. As mediads do banco são direcionadas a vários setores, inclusive o varejo. Dentre as medidas, destacam-se:

  1. Suspensão de pagamentos (R$ 30 bilhões): O BNDES aprovou a suspensão temporária (até seis meses) de amortização de empréstimos contratados junto ao BNDES. A medida vale tanto os empréstimos diretos e indiretos (via bancos parceiros). Essa medida é positiva e deve ter um impacto significativo nas empresas que possuem operações em aberto já que amortização de operações de crédito é uma obrigação significativa no fluxo de caixa das empresas.
  2. Ampliação do crédito para micro, pequenas e médias empresas (R$ 5 bilhões): Linhas de crédito serão através de operações indiretas. As linhas estão disponíveis para empresas com faturamento anual até R$ 300 milhões com carência de até 24 meses para serem pagos em até 5 anos.

É difícil avaliar a efetividade dessas medidas. Primeiro, o volume de recursos anunciado é baixo em relação ao faturamento do universo de pequenas e médias empresas no Brasil. Além disso, a concessão crédito e suspensão de pagamentos precisa ser rápida e pouco burocrática, já que poucos dias de atraso nas concessões podem fazer enorme diferença para a maioria das pequenas empresas. Contudo, entendemos que as medidas são positivas e devem auxiliar a sobrevivência das empresas e a manutenção do emprego.

Equipe Macro

José Márcio Camargo
Tiago Tristão
Eduardo Ferman

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Publicado por Tiago Tristão

Doutor em economia pela PUC-RJ é analista de atividade econômica na Genial Investimentos.

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