Quando se fala que um investimento é isento de imposto de renda, os olhos dos investidores brilham. Mas talvez nem sempre pelos motivos certos. A isenção é sim uma vantagem, mas é bom entender umas coisinhas.

A poupança não é o único investimento isento de imposto de renda no mundo

Se for para olhar apenas para esse critério, há uma série de outros investimentos isentos de imposto de renda para as pessoas físicas.

Na renda fixa, os rendimentos de uma série de títulos emitidos por bancos e empresas contam com isenção. O emissor capta recursos para as suas atividades por meio desses papéis, e os investidores tornam-se seus credores.

Os mais conhecidos são as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), emitidos por bancos para financiar, respectivamente, empreendimentos imobiliários e do agronegócio.

Mas também são isentos os rendimentos de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e debêntures de infraestrutura (as chamadas debêntures incentivadas).

A renda variável também conta com algumas isenções: são isentos os rendimentos pagos por fundos imobiliários negociados em bolsa e os dividendos pagos pelas empresas aos seus acionistas.

Até mesmo o lucro auferido com a venda de ações e ouro no mercado à vista da bolsa de valores pode ser isento. A condição é que esse ganho seja fruto de uma venda de valor inferior a 20 mil reais em um único mês. Operações de day trade não contam com isenção.

Dicas:

– Não use a isenção de IR como desculpa para manter todo o seu dinheiro na poupança. Se a questão é não pagar o IR, o mercado tem uma série de outras opções.

– Se sua preocupação é o risco, há alternativas de renda fixa mais rentáveis que a poupança e com o mesmo nível de risco, sejam elas isentas (LCI e LCA) ou tributadas (títulos públicos, CDBs e fundos de renda fixa conservadores).

Isenção de IR não é sinônimo de rentabilidade mais alta

O que importa para o investidor é o rendimento líquido de impostos e taxas. Não se pode assumir que, só porque um investimento é isento de IR, ele vai necessariamente ser mais rentável que um investimento que tenha incidência de IR.

Um bom exemplo disso é a comparação entre as LCIs e LCAs e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Os três títulos são bem parecidos: são emitidos por bancos, têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e não sofrem cobrança de taxas de administração. Só que as primeiras são isentas de IR, e os CDBs não.

Suponha que você tenha acesso a uma LCI que pague 85% do CDI (taxa de juros que serve de referência para as aplicações de renda fixa). Como ela é isenta de IR, 85% do CDI é exatamente o que você vai receber.

Para ter a mesma rentabilidade em um CDB, ele deve pagar entre 99% e 109% do CDI, dependendo do prazo da aplicação.

Para uma aplicação de mais de dois anos, 99% do CDI bastam, já que a alíquota de IR nesse prazo é de 15%. Para investimentos de até seis meses, é necessário um rendimento mínimo de 109% do CDI, pois a alíquota de IR no curto prazo é de 22,5%.

Ou seja, se você conseguir um CDB que pague 110% do CDI, ele será mais rentável que a referida LCI em qualquer prazo, mesmo com cobrança de imposto de renda.

Dica:

– Não se preocupe apenas com a rentabilidade. Mas ao analisar investimentos de risco similar, olhe para a rentabilidade líquida, depois de impostos e taxas. Esse é o rendimento que realmente entra no seu bolso.

Investir em aplicações tributadas não significa “ter trabalho com a Receita”

Muita gente acredita, erroneamente, que vai ter algum tipo de trabalho extra se investir em uma aplicação que sofre cobrança de imposto de renda. Por exemplo, ter de recolher o imposto de renda por conta própria.

Mas não é bem assim. Boa parte dos investimentos financeiros tem tributação na fonte, isto é, o responsável por recolher o IR aos cofres do Leão é a instituição financeira, não o investidor.

É assim com CDBs, títulos públicos (Tesouro Direto), fundos de investimento e debêntures que não são isentas. Assim, praticamente nada muda na vida do investidor. Ele já recebe em sua conta a rentabilidade líquida de impostos.

Investir diretamente em renda variável é que dá mais trabalho. Ao comprar e vender ações e cotas de fundos na bolsa, o investidor deve manter controle dos preços, fazer contas, recolher o IR na data certa e abater prejuízos da base de cálculo do imposto.

Outro erro comum dos investidores é achar que investimentos isentos de IR não precisam ser declarados à Receita. Essas pessoas acreditam que vão ter mais trabalho ao investir em aplicações tributadas, pois terão de declará-las.

Todos os investimentos precisam ser declarados, isentos ou não. Seu saldo deve ser informado como bem na ficha de Bens e Direitos, e os rendimentos devem ser declarados em fichas próprias. Há fichas para rendimentos tributáveis e uma ficha para rendimentos isentos.

Não declarar investimentos isentos de IR pode levar o contribuinte à malha fina quando ele usar o dinheiro para compras, investimentos ou doações. Nesses casos, a Receita entenderá que o contribuinte não declarou a origem dos seus recursos.

Dicas:

– Você não vai ter mais trabalho só porque passou a investir em uma aplicação tributada. Se ela for tributada na fonte, como papéis de renda fixa e fundos de investimento abertos, você receberá o rendimento já líquido de impostos e taxas.

– Todos os investimentos precisam ser declarados, até a caderneta de poupança e outros investimentos isentos. No caso da poupança, contas que terminarem o ano positivas em mais de 140 reais precisam ser informadas na declaração.

– Se não quiser ter trabalho algum com imposto de renda ao investir em renda variável, prefira fundos de investimento em ações.

Publicado por Genial

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