Bem-vindo(a) à sua jornada de aprendizado sobre análise técnica. Esse material será seu maior aliado em seus investimentos na bolsa de valores. 

Aqui você vai descobrir como os traders interpretam os gráficos dos ativos e identificam tendências, além de conhecer os principais indicadores que levam a conclusões sobre o momento ideal para comprar ou vender um ativo. 

Veja só o que você vai aprender no nosso Guia de análise técnica de ações para iniciantes:

  1. Como funciona a dinâmica do mercado?
  2. O que é análise técnica
  3. Aprendendo a interpretar os gráficos
  4. Conhecendo os indicadores
  5. Como identificar tendências?

Chegou a hora de começar. Vamos lá?

1. Como funciona a dinâmica do mercado?

O primeiro passo para entender a análise técnica é saber como funciona a dinâmica do mercado. A regra que está por trás de todas as negociações é a famosa lei da oferta e da procura. Se muitas pessoas quiserem comprar um ativo e poucas quiserem vender, o preço sobe. Por outro lado, se muitas pessoas quiserem vender e poucas estiverem interessadas em comprar, o preço cai.

Dessa forma, o preço dos ativos é formado pela relação entre compradores e vendedores que demonstram seus interesses de compra e venda através do book de ofertas, localizado no home broker.

O book de ofertas é formado pela intenção dos investidores em vender ou comprar um ativo. Ofertas mais próximas ao preço de mercado, ou seja, valor da última negociação, ganham prioridade e aparecem primeiro,  ou seja, na primeira posição aparece a melhor oferta. Você pode ver que nos preços de compra, os maiores estão no topo da lista. Já nos preços de venda, aparecem os menores primeiro. 

No mercado, milhares de ordens são enviadas por minuto, então o book de ofertas serve para organizar tudo isso. Ele agrupa as ordens e mostra para o investidor a quantidade de ações que estão disponíveis para compra e venda, e qual o preço que estão sendo ofertadas, seguindo uma ordem. 

Suponhamos que o investidor Paulo, quer vender 100 ações da Vale por R$20, já uma outra investidora chamada Deise, quer comprar 100 ações da Vale, pelo mesmo valor: R$20. Quando Paulo envia uma ordem de venda a R$20 e Deise envia uma ordem de compra pelo mesmo valor, a transação é realizada. 

Essa dinâmica de oferta e procura que acontece no book de ofertas não é aleatória. O comportamento humano costuma seguir alguns padrões e, como o mercado é formado por pessoas, teria que existir uma forma de identificar tendências através desses padrões.

A boa notícia é que essa forma existe e é chamada de análise técnica. Ela utiliza indicadores, análise de gráficos e probabilidade para te ajudar a chegar a conclusões sobre o que vem pela frente.

A análise técnica pode ser sua grande aliada na hora de investir na bolsa de valores. 

2. O que é análise técnica

A análise técnica, também conhecida como análise gráfica, estuda o mercado utilizando os gráficos como sua ferramenta principal. A partir dos movimentos das ações representados nos gráficos, são identificados os melhores momentos para se comprar e vender ativos.  

Além disso, a análise técnica possui várias teorias relacionadas aos preços dos ativos e como eles se comportam no mercado. 

Teoria de Dow

A teoria que é a base da análise técnica moderna é a Teoria de Dow. Desenvolvida por Charles Henry Dow há mais de um século, ela aborda a movimentação dos preços de ações e também a filosofia do mercado.

Os métodos utilizados por Dow se tornaram amplamente utilizados por analistas do mundo todo. Mesmo com tantos avanços tecnológicos, a teoria de Dow continua fazendo sentido nos dias de hoje. Ela influencia como investidores do mundo inteiro enxergam o mercado e fazem suas operações.

Características da análise técnica

As características principais da análise técnica são:

  • Utiliza sempre um gráfico em busca de padrões técnicos.
  • Analisa a tendência dos ativos utilizando indicadores estatísticos, em busca de operações.
  • Avalia os dados a partir de informações como volume e preço dos ativos. 
  • Acompanha não só os preços, mas também componentes emocionais que são observados no mercado.

Para realizar a análise técnica, o primeiro passo é aprender a interpretar os gráficos das ações, e é isso que você vai aprender agora.

3. Aprendendo a interpretar os gráficos

Como você viu acima, a análise técnica é baseada na interpretação de gráficos. Vamos entender melhor como isso funciona. 

Um gráfico de cotações é uma maneira de ilustrar como se comportou o preço de um ativo ao longo de um determinado período de tempo. O tempo é representado no eixo horizontal e o preço no eixo vertical.

A linha de oscilações é formada por alguns retângulos verdes e vermelhos como você pode ver abaixo:

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Exemplo: Gráfico candlestick

3.1- Candles

Como você viu acima, os candles são os retângulos que compõe os gráficos. Veja na imagem abaixo alguns exemplos de candle:

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Dependendo da periodicidade do gráfico que você for utilizar um candle pode representar um minuto, uma hora, uma semana, um mês ou até mesmo um ano. Você vai ver mais sobre isso no tópico sobre periodicidade.

Existem dois tipos de candles: o candle de alta e o candle de baixa. O candle de alta tem a cor verde, enquanto o de baixa apresenta a cor vermelha.

Candle de alta

O candle de alta é formado  quando o preço de fechamento de um ativo superou o preço de abertura. Ou seja, quando o ativo encerrou o período com um preço superior ao que começou. Mesmo que tenham ocorrido outras oscilações ao longo do período, o candle de alta representa que o preço subiu.

Por exemplo: Suponhamos que ontem, quando o mercado abriu, as ações da Petrobras estavam em R$45. Durante o horário de negociação, o preço passou por R$40, voltou para R$45, mas encerrou o dia em R$55. Então, teremos aqui um candle de alta, porque a ação começou o dia valendo R$45 e terminou em R$50.

Candle de baixa

O candle de baixa aparece quando ocorre a situação inversa, quando o preço de um ativo encerrou o período com o preço menor do que o de abertura.

Por exemplo: Suponhamos que ontem, as ações do Itaú começaram o dia custando R$30. Mas, quando o mercado fechou, o preço dos papéis estavam em R$29,80. Com o preço de fechamento menor do que o preço de abertura, temos um candle de baixa.

3.2- Sombras

Você deve ter percebido nas imagens acima que os candles possuem uma linha em cada uma de suas extremidades, certo? Será que elas possuem algum significado? Sim! 

Essas linhas são chamadas de “sombras” e representam o valor que aquele ativo alcançou durante o período, mas que não foi o preço de fechamento. 

As sombras dão sinais importantes para a montagem de operações. Quando um candle possui sombra na parte inferior, quer dizer que o preço formou uma mínima, ou seja, atingiu o mas a oferta de compra começou a ser maior que a de venda e o preço subiu. Se a sombra é na parte superior, o preço alcançou uma máxima, mas a força de venda foi maior que a de compra e o preço caiu.

Veja um exemplo:

As ações da Vale começaram o dia a R$20. Durante o pregão, chegaram a valer R$25, depois caíram para R$21 e fecharam o dia valendo R$18.

Nesse caso, o candle das ações da Vale ficaria assim:

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Os candles dizem muito sobre a oscilação de um ativo. Vamos ver agora quanto tempo um candle pode representar.

3.3- Periodicidade gráfica 

A periodicidade gráfica vai dizer qual a representatividade de cada candle no gráfico, e essa escolha vai depender de cada investidor e do tipo de operação.

  • No gráfico de um dia, cada candle mostra o histórico dos preços de um dia;
  • No gráfico de uma hora, cada candle mostra o histórico dos preços em uma hora.

Tradicionalmente, os gráficos de periodicidade semanal e diária são utilizados para posições mais longas, e os gráficos intraday (mesmo dia) são mais usados para operações mais curtas como o day trade, por exemplo.

4. Conhecendo os indicadores

A construção de uma análise se dá a partir da interpretação de indicadores. Dessa forma, é fundamental entender os indicadores envolvidos para interpretar os gráficos de ativos da bolsa de valores. Vamos conhecer alguns deles agora!

4.1- Médias móveis

A média móvel é um indicador técnico extremamente disseminado no mercado. Sendo assim, não importa se você é um investidor iniciante ou se já possui muita experiência, as médias irão auxiliá-lo de maneira frequente em suas operações e análises no mercado. 

Vamos entender qual a finalidade da média móvel na análise técnica.

Quando analisamos um gráfico, podemos perceber que o preço dos ativos oscilam para cima e para baixo. Nenhum ativo sobe em linha reta ou cai em linha reta, eles sempre negociam em forma de tendências. 

Assim, os pequenos movimentos no preço não nos trazem muita informação utilizando as médias móveis. Porém, a formação de tendência com movimentos mais longos traz informações importantes para a tomada de decisão do investidor. 

Uma forma encontrada pelos analistas para se identificar a formação das tendências foi a utilização de médias móveis com o preço dos ativos. Dessa forma, as tendências são suavizadas e os movimentos mais curtos são “eliminados”, restando apenas os movimentos mais extensos e claros de formação da tendência.

Existem dois tipos de médias móveis: simples e exponenciais.

  • Médias móveis simples: é a média de preço no período analisado. Esse indicador dá o mesmo peso para todos os preços analisados.
  • Médias móveis exponenciais: mesmo considerando todos os preço do período escolhido para análise, as médias exponenciais dão mais importância para os preços mais recentes.

Agora que já conhecemos as médias e sabemos como elas funcionam devemos padronizar uma periodicidade para que elas possam ser utilizadas nas análises. 

De forma geral, o padrão de tempo utilizado nas médias é:

  • Curto prazo: de 5 a 20 períodos
  • Médio prazo: de 20 a 60 períodos
  • Longo prazo: mais de 100 períodos
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Exemplo: Médias móveis acompanhando o preço

4.2- Topos e fundos

Assim como as médias móveis, os topos e fundos são indicadores técnicos utilizados para identificar a tendência dos ativos. Como vimos anteriormente, as ações e os preços se movem em tendências e assim os ativos vão formando topos e fundos ao longo do tempo. 

De maneira simples, os topos e fundos são pontos extremos no gráfico de um ativo.  Dessa forma, eles podem ser interpretados de três maneiras diferentes:

1. Topos e fundos sequenciais e ASCENDENTES trazem uma perspectiva positiva para o ativo do ponto de vista de tendência predominante. 

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2. Topos e fundos sequenciais DESCENDENTES trazem uma perspectiva mais negativa para a tendência do ativo. 

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3. A formação de topos e fundos de forma LATERAL ou em mesmo nível, descaracteriza qualquer tipo de tendência predominante para o ativo. 

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4.3- Suportes e resistências

O mercado se move em tendências e sempre faz correções ao longo do tempo, assim os topos e fundos são regiões onde tradicionalmente se formam os suportes e as resistências. 

Os suportes e as resistências são pontos no gráfico onde os movimentos tendem a acontecer na direção oposta, revertendo a tendência que o ativo vinha negociando. Vamos entender melhor esse conceito.

A essência dessa interpretação passa por dois pontos: o histórico passado do ativo e a oferta e demanda naquele momento.

Como o padrão de comportamento do investidor tende a se repetir quando exposto à situações semelhantes motivadas pelo fator psicológico, as suas atitudes se traduzem em tendências de movimento nos preço dos ativos, seja para cima ou para baixo. 

O histórico de preços de um ativo tem total relação com o histórico psicológico do investidor.

Vamos ver a definição de suporte e resistência separadamente.

Suporte

As regiões de suporte encontradas nos gráficos são níveis de preço onde muitos investidores estão dispostos a comprar o ativo. Essas são regiões onde o preço raramente cai.

Vamos ver um exemplo:

Exemplo: Suporte 

As ações da MRV nos últimos meses chegaram a R$11,70 por 3 vezes, e sempre que chegaram nesse preço voltaram a subir rapidamente, formando uma região de suporte e um fundo para os preços sinalizados pela seta no gráfico.

Além disso, a cada novo teste deste patamar, o suporte ganhou ainda mais força já que a massa de investidores passa a acreditar que aquele é um preço justo para compra das ações da MRVE3, isso porque nas últimas três vezes que o ativo chegou neste patamar, ele iniciou um movimento de recuperação.

Resistência

Os pontos de resistência, são exatamente o oposto dos suportes. São níveis de preço onde muitos investidores estão dispostos a vender os ativos. Quando os preços alcançam um ponto de resistência, eles raramente sobem. 

Quando essas linhas de tendência são quebradas, é muito provável que novos pontos de suporte e resistência são estabelecidos. 

Para entender melhor, vamos pensar em uma situação prática.

Seguindo a linha do último exemplo, a Petrobrás subiu até o patamar de R$23,00 por 5 vezes, e quando chegou a essa região iniciou um movimento de queda. Essa formação deu início a uma região de resistência para os preços, e assim os investidores começaram a acreditar que os R$23 eram um preço de topo para o ativo e começaram a vender as ações, com isso, o preço volta a cair.

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Exemplo: Resistência

4.4- IFR – Índice de Força Relativa 

O Índice de Força Relativa (IFR) é um indicador utilizado na análise técnica para identificar a consistência de uma tendência, os pontos de força e também os pontos de eventuais reversões de um movimento. 

O seu cálculo consiste na seguinte fórmula: 

IFR = 100 – 100 / ( 1 + FR)

IFR = Média Altas / Média Baixas *

Para calcular a média das altas, são utilizados apenas os períodos de alta ou o valor zero nos períodos de baixa. Assim como nas baixas, onde acontece o cenário inverso.  

Ou seja, o IFR é um indicador que pondera o esgotamento do mercado através de um estudo do histórico do ativo. Ele utiliza o histórico dos preços para ver a média dos períodos de negociação em alta, e dos períodos de negociação em baixa, e a partir daí faz uma ponderação para avaliar se aquele ativo já subiu, ou já caiu muito.

A periodicidade de análise do IFR vai variar de acordo com cada analista, mas tradicionalmente usam se 14 períodos na avaliação. Assim, o indicador utiliza os últimos 14 candles da periodicidade utilizada. Então se estiver usando um gráfico diário seriam os últimos 14 dias, se fosse um gráfico semanal seriam as últimas 14 semanas, e assim por diante.

Agora que já entendemos como o IFR é calculado, iremos explicar como ele deve ser utilizado. 

Antes de iniciar a análise, é importante saber que a variação do IFR sempre se dará entre 0 e 100. Os analistas dividem os momentos do indicador em dois conceitos:

  • Sobrecompra (ação sobrevalorizada) – Região de Sobrecompra: >70 : Um ativo sobrecomprado, nada mais é do que um ativo que acumulou movimentos de alta nos últimos períodos avaliados pelo IFR, e por ter passado de 70, o indicador sinaliza que aquele já é um movimento esgotado, e que o ativo pode cair antes de seguir em tendência. 
  • Sobrevenda (ação subvalorizada) – Região de Sobrevenda: <30 Um ativo sobrevendido, é exatamente o oposto, ou seja um ativo que acumulou movimentos de queda nos últimos períodos avaliados pelo IFR, e por ter ficado abaixo de 30, o indicador sinaliza que aquele já é um movimento esgotado, e que o ativo pode subir antes de seguir em tendência. 

Nesses casos, o indicador começa a nos sinalizar alguns pontos importantes na nossa análise.Nas regiões onde o ativo está sobrecomprado, o investidor poderá avaliar uma entrada buscando uma desvalorização do ativo. Já nas regiões de sobrevenda, o investidor irá  avaliar uma possível compra, já que o ativo está desvalorizado devido a sequência dos movimentos. 

Para entendermos melhor, vamos olhar para o IFR de uma outra forma. Esse indicador funciona exatamente como um maratonista. Ele inicia a maratona correndo a todo vapor e tenta alcançar o seu melhor desempenho, porém, em determinado momento ele diminui um pouco a sua velocidade para retomar o fôlego. 

Assim como o maratonista, o IFR indica força total em alguns momentos, em outros, ele indica que os preços estão tentando tomar fôlego para se recuperar.

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Exemplo: IFR sobrevendido

Na imagem acima, você pode notar que o mercado estava operando em tendência de baixa mas, em determinado momento, entra em região de sobrevenda (IFR abaixo de 30) e inicia uma valorização para retomar o fôlego antes de continuar em queda ou reverter sua tendência.

Já na imagem abaixo, o cenário é exatamente o oposto. Após negociar em um movimento ascendente, o ativo entrou em uma região de sobrecompra (IFR acima de 70) e iniciou um movimento de queda antes de dar sequência nas altas.

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Exemplo: IFR Sobrecomprado

4.5- Bandas de Bollinger

A banda de bollinger é um pouco diferente do que vimos até agora, mas é um dos indicadores mais utilizados na análise técnica.

Esse é um indicador de volatilidade formado por duas Médias Móveis. Ele demonstra que, mesmo que ocorram movimentações, o preço tende a voltar para uma zona de equilíbrio. 

Pensando de forma mais estatística, a banda de bollinger é uma medida de dispersão de dados. Quanto maior a volatilidade de um ativo, maior o seu desvio padrão. As bandas são desenhadas a partir de um número determinado de desvios padrões em relação a uma média móvel. 

Os preços, na maior parte das vezes, estarão negociando em regiões dentro deste limite, próximos das médias e dentro de uma margem de oscilação em relação a elas (desvio padrão). Dessa forma, essa integração é muito interessante e pode ser facilmente percebida graficamente durante períodos de baixa volatilidade, e quando ocorre alguma movimentação mais agressiva dos preços.

Tomando como base a ideia que os preços costumam sempre variar dentro de um desvio padrão, foram criados indicadores para medir essa volatilidade, e a banda de bollinger foi o que obteve maior reconhecimento do mercado. 

Quando as bandas de bollinger se aproximam quer dizer que o preço está negociando em uma volatilidade mais baixa, ou seja, a banda de bollinger funciona como um indicador de leitura de volatilidade dos preços, assim se o preço fica pouco volátil a tendência é que as bandas de Bollinger fiquem mais “estreitas” ou afuniladas como no exemplo abaixo, onde as linhas cinza acima e abaixo do preço negociam bem próximas.

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Bandas de bollinger congestionadas

Esse cenário é conhecido como congestão de preços, assim a baixa volatilidade nos últimos períodos traz uma perspectiva de movimentações mais intensas quando o ativo voltar para uma formação de tendência mais clara fornecendo assim possibilidades de operação com maior amplitude. 

Se por um lado, o estreitamento das bandas de Bollinger traz uma perspectiva mais neutra em relação aos preços, abrindo espaço para movimentos mais agressivos quando formada uma tendência, o cenário inverso também pode gerar oportunidades de compra ou venda para um ativo.

Como vimos anteriormente, a Banda de Bollinger é uma medida de dispersão dos preços em relação aos preços médios que estavam sendo negociados, assim uma distância muito grande em relação às médias e as bandas de bollinger podem sinalizar uma tendência para os preço. 

Por exemplo, se os preços estão muito acima das bandas de bollinger, é provável que as ações possam cair até mais próximo das médias antes de seguirem a tendência principal, oferecendo assim um sinal de baixa no curto prazo.

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Ativo negociando acima das bandas de bollinger

Por outro lado, caso os preços estejam negociando muito abaixo das bandas de bollinger, é provável que voltem  para mais próximo das regiões que estavam sendo negociadas anteriormente. Sinalizando uma possível tendência de alta no curto prazo, como no exemplo abaixo:

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Ativo negociando abaixo das bandas de bollinger

Da mesma forma, quando o preço está distante das médias e acima das bandas de bollinger se pressupõe que ele deverá voltar a se aproximar dessa região, já que está fora de uma região “saudável” de dispersão em relação a média. 

  • Longo Prazo: usar 2 desvios padrões com 50 períodos
  • Curto Prazo: usar 2 desvios padrões com 20 períodos.
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Exemplo: Preço em volatilidade normal, sem distorção fora do esperado.

4.6- Volume Financeiro

O volume financeiro é um indicador extremamente simples e traz informações muito importantes ao investidor. A leitura do indicador sempre irá fornecer uma perspectiva da força ou fraqueza de uma tendência predominante. 

A intensidade dos movimentos realizados por um ativo em geral, é acompanhada por oscilações mais bruscas do volume financeiro. Assim, um ativo que tem grande volume financeiro negociado em uma tendência de alta, apresenta uma intensidade maior do movimento, além de uma confiabilidade para o investidor que aquela tendência ainda tem espaço para progredir.

Da mesma forma, volumes financeiros baixos em uma tendência, podem trazer sinais de fraqueza para o ativo naquela direção. 

4.7- OBV – On Balance Volume

O On Balance Volume (OBV) como apresentado, é um indicador conhecido como rastreador de tendência. Ele mede a força de uma tendência de alta ou baixa nos preços através do saldo acumulado do volume financeiro.  

O OBV faz uma relação entre o movimento do preço no período em análise determinando,e  a força da pressão compradora e vendedora na ação a partir do volume de dinheiro negociado no ativo.

Como interpretá-lo para tomar a decisão de investir ou não em um ativo? 

Para ficar mais claro, vamos entender como o indicador funciona.

Se o mercado fechar em alta no dia, o volume financeiro negociado  é somado para criação da linha do indicador OBV. Por outro lado, se o mercado fechar em baixa no dia o volume do dia é subtraído do indicador. Assim, temos uma noção da força da tendência para aquele ativo.

Dessa forma, o indicador pode nos passar três tipos de informações diferentes para avaliar uma potencial entrada, antecipando um movimento:

  • Convergindo com a tendência do ativo, ou seja, o ativo estará operando em tendência de alta como no exemplo abaixo, e o indicador está negociando de forma ascendente, mostrando que nos dias de alta aquele ativo o volume negociado acompanhou a tendência de alta.
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Convergência

  • Divergindo da tendência do ativo, ou seja, o ativo estará operando em tendência de baixa como no exemplo abaixo, e o indicador está negociando de forma ascendente, mostrando que os investidores que negociam grandes volumes financeiros não estão confiantes na tendência de baixa.
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Divergência:

  • Antecipação da tendência do ativo, ou seja, o ativo estará operando em tendência de baixa como no exemplo abaixo, e o indicador está negociando de forma ascendente, mostrando que os investidores que negociam grandes volumes financeiros não estão confiantes na tendência de baixa. Porém, no caso da antecipação, o investidor combina este cenário com outros indicadores para montar a sua operação, acreditando na reversão de tendência.

5. Como identificar tendências?

Para identificar as tendências e ver qual é a expectativa para o ativo na visão técnica, o investidor precisa reunir o máximo de informações possíveis através dos indicadores. Cada indicador é responsável por passar uma informação, e a união de todas elas vai permitir que as análises sejam realizadas. 

Contudo, vale destacar que cada analista de investimentos considera os indicadores em diferentes níveis de importância e por isso, as decisões e opiniões variam de entre um especialista e outro, não há uma regra.

A tabela abaixo, ajuda a identificar quais são os prazos que cada indicador analisa:

IndicadoresPrazo
Médias móveisMédio prazo
Topos e fundosMédio prazo
Volume FinanceiroMédio prazo 
IFRCurto prazo
Bandas de BollingerCurto prazo
CandlesCurto prazo
SuportesCurto prazo
ResistênciasCurto prazo

Veja que, para definição da tendência de médio prazo, precisamos da avaliação de somente 3 indicadores convergentes. Já para o curto prazo, precisamos da avaliação de um número maior de informações para chegarmos a uma conclusão. 

A adição de novos indicadores é importante do ponto de vista de critério para análises, porém, quanto mais parâmetros inserimos na análise, mais complexo fica de se chegar a uma conclusão.

6. Análise técnica na prática

Agora que já entendemos como cada indicador pode sinalizar a tendência de um ativo, vamos pensar em exemplos reais para fixarmos os conceitos.

No gráfico abaixo, adicionamos vários indicadores estudados até agora para fazermos uma análise completa de curto e de médio prazo de um ativo.

Assim, vamos analisar todos os indicadores de uma só vez e chegar a uma conclusão sobre a tendência do ativo.

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  • Médias móveis: No gráfico acima, as médias móveis estão operando positivamente inclinadas, isso é, a média móvel de curto prazo ( verde ) está operando acima da média móvel de médio prazo ( vermelha ), trazendo assim uma perspectiva positiva para este indicador. 

Médias móveis entre os preços

  • Topos e fundos: No momento, o ativo começa a formar topos e fundos ascendentes para os preços. Veja que a medida que o tempo está passando, o indicador está formando novos topos, em posições superiores às passadas, também trazendo uma perspectiva otimista para o ativo.
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Topos e fundos 

  • Volume financeiro: O volume financeiro, apresenta um movimento ascendente, confirmando assim a tendência apontada pelos indicadores de médio prazo. 
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Volume Financeiro

Depois de analisar esses indicadores, já conseguimos dizer que este é um ativo que apresenta uma tendência positiva se observamos o médio prazo, os indicadores utilizados estão convergindo para uma mesma direção, permitindo assim que seja projetada a tendência. 

Agora, vamos analisar também os indicadores de curto prazo, e assim poderemos concluir a análise.

  • IFR: Neste momento o IFR oscila em região neutra não apresentando nenhuma expectativa de tendência para o curto prazo. 
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IFR

  • Bandas de bollinger: Como o ativo vem operando próximo às médias, as bandas de bollinger no momento não sinalizam uma tendência para os preços.
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Linhas cinza acima e abaixo do preço ilustrando as bandas de bollinger

  • Suporte/ resistência: Após uma pequena queda o ativo veio a se aproximar de importante região de suporte para os preços, nessa região a expectativa é que o ativo volte a subir já que é uma região onde historicamente os preços voltaram a subir.
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Linha verde sinalizando suporte para os preços

  • Candle:  Neste candle o ativo atingiu um preço mínimo pressionado por grande volume de vendas. Porém, o mercado apresentou recuperação importante representada pela sombra inferior do candle, e assim abriu possibilidade para uma alta no curto prazo.
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Exemplo de candle com sombra inferior em cima do suporte

Agora que analisamos os indicadores de curto prazo, já podemos ver qual é a perspectiva do ativo nos próximos dias. 

Veja que o suporte e o candle mostram uma tendência de alta no curto prazo. Como o IFR é um indicador de esgotamento de tendência, e as bandas de bollinger são indicadores de volatilidade, podemos concluir que este é um ativo em tendência positiva para o curto e para o médio prazo, já que os indicadores que citamos não passam nenhuma informação no momento.

Bom, agora que já aprendemos a interpretar melhor a tendência de alta, vamos ver um exemplo de tendência de baixa no curto e médio prazo.

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Exemplo gráfico tendência de baixa

  • Médias móveis: Veja que as médias móveis estão operando negativamente inclinadas, isso é, a média móvel de curto prazo ( verde ) está operando abaixo da média móvel de médio prazo ( vermelha ), trazendo assim uma perspectiva negativa para este indicador. Exatamente em cenário oposto ao exemplo anterior.
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Médias móveis negativamente inclinadas

  • Topos e fundos: Neste momento, o ativo começa a formar topos e fundos descendentes para os preços. Veja que a medida que o tempo está passando, o indicador está formando novos topos, em preços inferiores aos últimos dias, também trazendo uma perspectiva pessimista para o ativo.
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Topos e fundos descendentes

  • Volume financeiro: O volume financeiro, apresenta um movimento ascendente, confirmando assim a tendência apontada pelos indicadores de médio prazo. 
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Volume financeiro ascendente

  • IFR: Neste momento o IFR oscila em região neutra não apresentando nenhuma expectativa de tendência para o curto prazo. 
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IFR neutro

  • Bandas de bollinger: Como o ativo vem operando próximo às médias, as bandas de bollinger no momento não sinalizam uma tendência para os preços.
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Bandas de bollinger neutra

  • Suporte/ resistência: Após uma pequena recuperação, o ativo se aproximou de uma região de resistência e a tendência é que volte a operar em baixa no curto prazo. 
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Linha laranja sinalizando suporte para os preços

  • Candle:  O movimento vendedor acabou ganhando força durante o pregão e trouxe uma expectativa mais negativa para o ativo.
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No caso abaixo, teremos um exemplo de ativo sem uma formação clara de tendência, vamos ver como se comportaram os indicadores.

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Tendência neutra

  • Topos  e fundos: Neste momento, o ativo começa a formar topos e fundos lateralizados para o preço. Veja que a medida que o tempo está passando, o indicador não consegue demonstrar convicção, em preços inferiores aos últimos dias, também trazendo uma perspectiva pessimista para o ativo.
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Topos e fundos

  • Médias móveis: Veja que as médias móveis estão operando lateralizadas, isso é, a média móvel de curto prazo ( verde ) e a média móvel de médio prazo (vermelha) estão operando entrelaçadas, e assim não permitindo uma definição de tendência.
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Médias móveis lateralizadas

  • Volume financeiro: Nesse momento o ativo opera com volume financeiro dentro de sua média habitual, assim não sinaliza nenhuma tendência clara para os preços.
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Volume financeiro

  • IFR: Neste momento o IFR oscila em região neutra não apresentando nenhuma expectativa de tendência para o curto prazo.
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IFR neutro

  • Bandas de bollinger: Como o ativo vem operando próximo às médias, as bandas de bollinger no momento não sinalizam uma tendência para os preços.
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Bandas de bollinger

  • Suporte/ resistência: No momento o ativo opera em cenário NEUTRO e distante dos principais pontos de suporte e resistência.
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Suporte e resistência neutros

  • Candle: Neste momento existe um equilíbrio entre compradores e vendedores, esse cenário deixa o ativo operando de forma mais neutra no curto prazo.
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Veja que neste cenário, não é possível chegarmos a conclusões sobre projeção de tendência para os ativos, por isso é importante sempre avaliar os indicadores de maneira conjunta, assim é possível identificar se existe ou não uma expectativa para aquele ativo.

Os cenários analisados foram reais, mas lembre-se, nem sempre os indicadores irão convergir ou permitir com que  a pessoa que está analisando consiga identificar a tendência claramente. 

A análise técnica de ações é uma maneira muito eficiente de identificar bons momentos de comprar ou vender uma ação. É muito importante entender seu embasamento e os indicadores analisados para se identificar uma tendência. 

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