O risco de liquidez é um dos diversos tipos de risco a que os investimentos estão sujeitos. Em geral, ele não é tão diretamente associado a perdas, como o risco de mercado, que se relaciona à variação de preços e taxas, ou o risco de crédito, que tem a ver com a probabilidade de tomar um calote.

É que o risco de liquidez é um pouco mais discreto que seus primos mais conhecidos. Os brasileiros em geral adoram investimentos com baixo risco de liquidez. Eles querem poder resgatar seus investimentos quando quiserem e não são muito afeitos a investir para o longo prazo.

Entretanto, esse é um risco mais fácil de ser esquecido ou subestimado, principalmente quando o investimento é capaz de dar altos retornos ou conta com isenção de imposto de renda, duas características que fazem o coração do investidor bater mais forte.

O que é liquidez

Liquidez é a capacidade de um ativo ser transformado em dinheiro. Quanto mais fácil e rápido for possível transformar um ativo em dinheiro, sem perda substancial do seu valor, maior a sua liquidez.

Em tese, qualquer ativo pode ser convertido em dinheiro rapidamente, desde que se baixe suficientemente seu preço.

Por isso, consideramos que os investimentos muito líquidos são aqueles que podem ser resgatados ou vendidos com facilidade, sem necessidade de baixar muito o preço ou sacrificar demais a rentabilidade.

Outra medida de liquidez é o prazo necessário para que os recursos resultantes da venda ou do resgate estejam disponíveis na conta do investidor. Isto é, o prazo de liquidação.

Liquidação e resgate

A liquidação é o conjunto de processos que efetivam a transferência de ativos e recursos financeiros entre compradores e vendedores no mercado.

Se o investimento permite resgate, como é o caso dos fundos de investimento, da poupança ou dos Certificados de Depósito Bancário (CDB), a liquidez diz respeito ao tempo de liquidação.

Já entre os investimentos que não permitem resgate e que exigem que o investidor encontre um comprador, a liquidez diz respeito não só ao tempo de liquidação, como também à facilidade de se encontrar um comprador.

E essa facilidade está diretamente relacionada ao preço pelo qual o ativo será vendido. Se não houver muitos compradores interessados, é possível que o vendedor precisa baixar bastante o preço do ativo para fechar negócio. Oferta e demanda.

Assim, uma ação como a da Petrobras pode ser considerada muito mais líquida do que a ação de uma pequena empresa desconhecida da bolsa. Embora o prazo de liquidação de todas as ações seja o mesmo, para a primeira é muito mais fácil achar um comprador do que para a segunda.

Liquidez diária ou imediata

No jargão do mercado, costuma-se dizer que as aplicações que têm liquidez diária ou imediata têm liquidação em D+0. Ou seja, o investidor consegue reaver seu dinheiro no mesmo dia em que pede o resgate ou efetua a venda do ativo, dependendo do tipo de investimento.

É o caso da poupança e de muitos CDBs e fundos de investimento. No mesmo dia em que o investidor solicita o resgate o dinheiro fica disponível na sua conta.

Liquidação mais demorada

Mas nem todo investimento tem liquidação em D+0. Quando um fundo tem liquidação em D+1, por exemplo, significa que o investidor só conseguirá ter acesso ao dinheiro um dia útil depois do dia em que pedir o resgate. A mesma lógica funciona para fundos com liquidação em D+3, D+31, D+180 e assim por diante.

O investimento em ações na bolsa também não tem liquidação imediata. Além da questão de ter que encontrar um comprador, o investidor ainda leva três dias úteis após o dia da venda para ter acesso ao dinheiro (D+3).

Os títulos públicos não permitem resgate, mas o Tesouro Nacional se compromete a recomprá-los caso o investidor queira se desfazer deles antes do vencimento. Os recursos resultantes da venda antecipada só ficam disponíveis a partir das 13 horas de D+1, isto é, do dia útil seguinte ao dia da venda.

Investimentos com carência ou sem liquidez

Certos investimentos têm alguns meses de carência, durante os quais não podem ocorrer resgates. Alguns CDB, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), títulos de renda fixa emitidos por bancos, funcionam dessa forma.

Outros simplesmente não permitem resgate, isto é, só devolvem o dinheiro aos investidores na data de vencimento. Isso ocorre com certos tipos de fundos, LCI e LCA, por exemplo.

Títulos de renda fixa que não permitem resgate em geral podem ser vendidos a outros investidores interessados antes do vencimento. Nesses casos, vale a lei da oferta e da demanda. Se for difícil achar compradores, pode ser preciso vender barato, abrindo mão de parte ou de toda a rentabilidade.

A rentabilidade acordada no ato da compra de qualquer título de renda fixa sem liquidez diária só é garantida para quem leva o papel até o vencimento.

Baixo risco de liquidez

Vamos a alguns exemplos. Um CDB de liquidez diária pode ser considerado um investimento de alta liquidez. Ou, podemos ainda dizer, um investimento de baixo risco de liquidez.

Um CDB é um título de renda fixa emitido por bancos que promete pagar uma taxa de juros atrelada à taxa DI proporcional ao prazo do investimento.

Você pode resgatar um CDB desse tipo a qualquer momento sem perda na rentabilidade. Caso ele prometa pagar, por exemplo, 90% do CDI, você receberá essa rentabilidade acumulada no prazo em que permaneceu com o papel. Além disso, o dinheiro cai na sua conta no mesmo dia.

Alto risco de liquidez

Um investimento pode ter alto risco de liquidez caso 1) só possa ser vendido ou resgatado caso o investidor baixe muito seu preço, abrindo mão de parte ou da totalidade dos seus ganhos e/ou 2) o investidor leve muito tempo para ter o dinheiro disponível na sua conta após o pedido de resgate.

O melhor exemplo de investimento de baixa liquidez são os imóveis. Não é fácil transformar um imóvel em dinheiro na conta. A venda de um imóvel pode levar meses para ser concretizada, fora toda a burocracia. E todo mundo sabe o que precisa fazer para vender rapidamente: baixar bastante o preço.

Outro exemplo de liquidez reduzida são aqueles fundos de investimento que só disponibilizam os recursos na conta do cotista muitos dias depois do pedido de resgate. Há fundos, por exemplo, em que os recursos só ficam disponíveis 30, 60 ou até 180 dias depois do pedido de resgate. Nesse meio tempo, a quantia que foi resgatada ainda fica sujeita às flutuações do valor da cota do fundo.

Saiba por que você está investindo

É claro que receber o dinheiro poucos dias depois do pedido do resgate ou da venda do ativo pode não ser um grande problema. Um investimento conservador com liquidação em D+1 ainda pode ser um ótimo substituto para a caderneta de poupança.

Mas no caso dos investimentos com maior risco de liquidez, a falta de planejamento pode ser desastrosa. É fundamental se informar sobre a liquidez do investimento antes de tomar uma decisão. Também é importante definir o objetivo daquela aplicação.

Investimentos de baixo risco de liquidez são interessantes para a reserva de emergência, que são aqueles recursos que podem precisar ser acessados rapidamente e a qualquer momento.

Já os investimentos com maior risco de liquidez podem ser interessantes para metas de longo prazo. Se maior risco aumenta o potencial de retorno, com o risco de liquidez não é diferente. Investimentos menos líquidos tendem a ser mais rentáveis que investimentos mais líquidos da mesma natureza.

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