A maioria das pessoas só se preocupa em saber quais investimentos rendem mais no momento ou onde investir para ganhar uma rentabilidade maior que a da poupança. Mas se você já leu alguma coisa sobre como investir, provavelmente já percebeu que, antes disso, é preciso ter objetivos financeiros.

A escolha de uma aplicação financeira não deve ser feita com nível apenas no seu potencial de rentabilidade, mas também com o nível de risco que você tolera e o prazo em que você vai usar o dinheiro. E essas duas coisas têm tudo a ver com o destino do seu dinheiro.

Os investimentos adequados a uma viagem de férias podem ser completamente diferentes dos investimentos apropriados para uma reserva de aposentadoria.

Além de se livrar de dívidas e montar um orçamento, a pessoa que está se organizando para começar a investir deve também definir objetivos claros, com valor e prazo para acontecer.

Passo 1: Defina as prioridades da sua vida

Esse é talvez o passo mais difícil – mais difícil até do que se tornar um expert em investimentos –, especialmente para quem ainda é jovem. Nossos desejos mudam com o tempo, e nossas prioridades também.

Mas algumas prioridades podem ser generalizadas, como ter uma reserva de emergência para imprevistos graves, como a perda de um emprego; e uma poupança para a aposentadoria, para não depender totalmente da Previdência Social. Todo o resto é personalizável.

Passo 2: Defina objetivos claros

A partir das prioridades, você pode traçar objetivos financeiros, mas é importante que eles sejam claros. Devem ter valor e prazo definidos. Se você tiver uma família, a dica é reunir-se com todos e definir os sonhos individuais e coletivos.

“Ser milionário não é um objetivo. Um objetivo claro deve ter alguns elementos: prazo para ocorrer, quantia necessária para atingi-lo e um motivo”, diz Elisson de Andrade, doutor em economia, professor e blogueiro de finanças pessoais.

Ou seja, não basta definir que se quer ter um milhão de reais. É preciso definir em quanto tempo o primeiro milhão será atingido e qual o propósito daquela quantia. Independência financeira para geração de renda? Aposentadoria? Abertura de um negócio próprio? E assim por diante.

Passo 3: Verifique se é possível poupar para todos os seus objetivos

Depois de definidos seus objetivos, é preciso checar se sua receita líquida – a diferença entre o que você ganha e o que você gasta – se presta a cobrir todos eles. Ao poupar para objetivos de diferentes prazos, é possível alcançar a quantia estimada no tempo desejado?

Na opinião de Andrade, todos os objetivos devem caber, simultaneamente, na receita líquida, pois as pessoas tendem a adiar o início da poupança para os objetivos de longo prazo. Por exemplo, priorizam a viagem de fim de ano porque está mais perto, deixando a aposentadoria para depois.

Acontece que objetivos de longo prazo são de longo prazo justamente porque requerem mais tempo para a formação de um montante maior. Se a poupança não começar cedo, na hora em que os objetivos hoje longínquos estiverem batendo à porta pode ser tarde demais.

“Nós vivemos no curto prazo. Tanto o próximo aniversário do filho quanto a aposentadoria têm que caber na receita líquida”, diz Elisson de Andrade.

Alguns especialistas recomendam que antes de poupar para qualquer outro objetivo, primeiro se forme uma reserva de emergência, que deve ter de três meses a um ano do necessário para o seu sustento. Porém, vencida esta etapa, já é possível começar a poupar para vários objetivos simultaneamente.

O educador financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro “Terapia Financeira”, concorda que o orçamento deve dar espaço para todos os sonhos ao mesmo tempo. Neste post eu mostro alguns cálculos que você pode fazer para saber quanto poupar para cada objetivo.

“Primeiro se deve definir quanto você ganha e em seguida separar o correspondente aos seus sonhos. Depois é que são pagas as despesas. O que é mais importante: um carro, uma viagem, ou fazer uma compra a prazo?”, diz Domingos.

Ele defende que o orçamento seja montado de acordo com os sonhos da pessoa ou da família, e para isso é preciso fazer um diagnóstico financeiro: identificar onde é gasto cada centavo e cortar os excessos.

Endividados – principalmente os inadimplentes – devem se preocupar em primeiro quitar as dívidas para, só depois, criar uma folga para os sonhos no seu planejamento.

Não ter dívidas e ter objetivos bem definidos, por sinal, são os dois principais pré-requisitos para você se tornar um investidor.

Passo 4: Sintonize receita e objetivos

Se não for possível poupar para todos os seus objetivos com a sua receita líquida atual, é necessário fazer adaptações. Você tem algumas opções:

– Cortar objetivos: defina o que é realmente prioridade. “Já que a pessoa atribuiu motivos para cada objetivo, basta fazer um ranking do que é mais importante”, diz o Elisson de Andrade.

– Aumentar a receita líquida: isso pode ser feito de duas maneiras, ganhando mais – por meio de uma fonte de renda extra ou de um emprego com salário maior – ou gastando menos. Para isso você precisa readequar seu orçamento e talvez até voltar à planilha de gastos que você fez para montá-lo. Se você ainda não tem um orçamento, dê um passo atrás e veja esse passo a passo de como montar um orçamento e organizar as finanças.

– Alongar os prazos dos objetivos: talvez sua receita líquida não seja suficiente para atingir determinado objetivo no tempo pretendido inicialmente, mas pode ser que seja o bastante para alcançá-lo alguns anos depois. Em vez de trocar de carro dentro de dois anos, que tal em três?

– Diminua o valor dos seus objetivos: ao menos para alguns deles, pode ser possível reduzir a quantia necessária sem perda na qualidade de vida. Trata-se de adequar seus objetivos a metas mais realistas. Talvez um carro de 50 mil reais lhe atenda perfeitamente, sem a necessidade de um de 80 mil reais, e assim por diante.

– Invista melhor: você pode buscar uma rentabilidade maior e a um nível de risco adequado em aplicações financeiras, de forma a fazer seu patrimônio crescer de maneira mais consistente. Repare que esta é apenas uma das coisas que você pode fazer.

Passo 5: Invista

Depois de todo esse planejamento, é hora de investir. É fundamental que os investimentos escolhidos estejam adequados à sua tolerância ao risco e ao perfil e prazo dos seus objetivos.

Objetivos de curto e médio prazo, principalmente aqueles com uma data inadiável para acontecer – como um casamento com a data já marcada – devem priorizar investimentos seguros e de fácil resgate, isto é, boa liquidez.

Já objetivos de médio prazo que possam ser adiados em caso de eventualidades, ou objetivos de longo prazo, podem se voltar a investimentos com um grau de risco um pouco maior e uma liquidez menor, desde que sejam capazes de dar maiores retornos.

Além disso, é essencial que você esteja à vontade e ciente de quaisquer riscos que esteja correndo.

“É preciso fazer alocação de ativos, ou seja, montar uma carteira de investimentos que dê conta de todos esses objetivos, agora claramente traçados. Deve-se levar em consideração elementos como risco, possibilidade de retorno, tributação, valor disponível para investimento, prazo e liquidez”, diz Andrade.

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