Os dividendos são proventos pagos aos investidores de ações ou cotas de determinados fundos — como os imobiliários (FIIs). Eles correspondem a uma divisão de parte dos lucros entre os acionistas ou cotistas, de modo proporcional à participação de cada pessoa.

Para acompanhar as empresas que mais pagam esses proventos, foi criado o IDIV. Esse indicador permite acompanhar os resultados relacionados aos investimentos. Logo, ele pode ser útil para analisar condições de mercado e até para as suas decisões sobre a carteira e a estratégia no mercado financeiro.

Quer conhecer o que é o IDIV e como ele funciona? Leia este artigo que o nosso time, da Genial Investimentos, preparou e entenda mais sobre esse indicador!

O que é o IDIV B3?

O IDIV B3 é a sigla pela qual é conhecido o Índice de Dividendos, criado pela bolsa de valores brasileira (B3). Ele foi desenvolvido para acompanhar as principais empresas pagadoras de dividendos cujas ações são negociadas no mercado acionário brasileiro.

O lançamento desse índice aconteceu na última semana de 2005. Desde então, ele é utilizado como uma das principais referências para rastrear a performance das empresas que mais pagam dividendos na bolsa brasileira.

Como esse índice funciona?

Como é um índice de mercado, o IDIV funciona com base em uma carteira teórica de ativos. Logo, ele representa um portfólio formado por ações de empresas que cumprem os requisitos de inclusão, os quais estão previstos na metodologia do indicador.

Também convém notar que essa carteira é ponderada, de modo que cada ativo contribui com um nível de participação ou peso para a composição do índice.

Já o resultado do indicador é dado em pontos e demonstra o quanto você precisaria pagar para comprar essas ações, na mesma proporção apresentada no índice.

Em geral, um avanço do IDIV indica que as ações das empresas que fazem parte de sua carteira teórica se valorizaram. Logo, ele serve para medir o desempenho das companhias que atendem a seus critérios específicos.

Ainda, essa carteira teórica é rebalanceada periodicamente. A cada 4 meses, há uma nova avaliação para verificar se ativos serão incluídos ou retirados e se haverá uma mudança nas proporções do portfólio.

Quais são as regras de inclusão e exclusão do IDIV?

Para entender de maneira aprofundada como o IDIV funciona, vale a pena conhecer a metodologia desse indicador. Nela, constam os critérios de inclusão e exclusão de ativos e que orientam quais devem ser as ações que farão parte da carteira.

A seguir, veja quais são as principais condições que ajudam a definir a composição do índice!

Critérios de inclusão

Antes de entender os critérios de inclusão, é fundamental saber que só são elegíveis a esse portfólio as ações e as units de companhias listadas na B3. Não podem fazer parte do índice:

  • certificado de depósitos de valores mobiliários (BDR);
  • ativos de companhias em recuperação judicial ou extrajudicial;
  • ações de empresas submetidas a qualquer regime especial.

Além de cumprir essas condições, um ativo tem que atender aos seguintes critérios:

  • estar presente em 95% dos pregões no período de vigência das 3 carteiras anteriores;
  • estar entre os ativos elegíveis que, em ordem decrescente, representem 99% do Índice de Negociabilidade (IN);
  • não ser classificado como penny stock (ações negociadas abaixo de R$ 1);
  • estar entre os 33% ativos com maiores pagamentos de dividend yield (indicador de pagamento de dividendos) pelos últimos 36 meses;
  • ter um somatório de dividend yield de 12 meses superior a 0, por 36 meses consecutivos.

Critérios de exclusão

O IDIV B3 também apresenta certos critérios de exclusão. Se a empresa atender a algum deles, ela deixa de fazer parte da carteira teórica até, pelo menos, o próximo rebalanceamento.

Além daqueles que descumprirem os critérios de inclusão, são retirados da carteira teórica os ativos que estiverem não estiverem entre os 44% os maiores pagadores de dividendos.

Qual é a composição desse indicador?

Considerando as regras que você acompanhou, a carteira teórica do IDIV é composta por ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos. Ao mesmo tempo, essa configuração não é fixa, devido ao rebalanceamento e aos critérios de inclusão e exclusão.

Porém, é possível usar como referência a carteira do IDIV válida de setembro a dezembro de 2022. Entre as ações, estavam:

  • B3 (B3SA3);
  • BBSeguridade (BBSE3);
  • Cyrela (CYRE3);
  • Engie Brasil (EGIE3);
  • Gerdau (GGBR4);
  • JBS (JBSS3);
  • Petrobras (PETR3 e PETR4);
  • Taesa (TAEE11);
  • Unipar (UNIP6);
  • Vale (VALE3);
  • entre outras.

Quais são os critérios de ponderação do IDIV?

Além das condições de inclusão e exclusão, é preciso saber quais são os critérios de ponderação da carteira. Eles servem para definir qual será o peso dado a cada ativo para os resultados.

Nesse sentido, os ativos que têm maior dividend yield têm maior peso no indicador. Porém, essa participação se limita ao triplo do valor que seria obtido no caso de usar o valor de mercado.

Imagine que, pelo critério de DY, uma empresa teria representação de 50% do IDIV. Porém, ao observar o valor de mercado, ela representaria apenas 10% da carteira. Segundo o critério de ponderação, a participação máxima desse ativo seria de 30% — e não de 50%.

O objetivo é evitar grandes discrepâncias nos resultados do índice em relação ao mercado. Assim, o indicador consegue representar melhor o desempenho dos ativos.

Por que é importante conhecer esse indicador?

Para compreender a importância do IDIV, tenha em mente que todo índice de mercado serve para trazer informações relevantes sobre o setor ou os ativos que ele acompanha. Com isso, o acompanhamento dessas carteiras ajuda a entender melhor o cenário econômico.

No caso do IDIV, compreender como ele funciona e conhecer seus resultados é uma forma de saber qual é o comportamento das melhores pagadoras de dividendos da bolsa. Se o IDIV estiver em queda, significa que, na média, as ações que o compõem estão se desvalorizando — ainda que tenham um histórico consolidado de pagamento de dividendos.

Por outro lado, uma valorização do IDIV demonstra que o desempenho médio das empresas que compõem o portfólio é positivo. Logo, o indicador ajuda a entender o comportamento geral desses ativos, sem precisar verificar a performance individual deles.

Além disso, o IDIV pode ser incorporado a uma estratégia voltada ao investimento com foco nas melhores pagadoras de dividendos. Ao acompanhar a carteira, você pode saber se uma companhia deixou de ser considerada uma boa pagadora desses proventos ou se um novo empreendimento foi incluído no portfólio teórico, por exemplo.

Dessa maneira, você pode tomar decisões com mais informações e a favor da obtenção de renda passiva. Dependendo da composição do seu patrimônio, acompanhar o IDIV pode ajudá-lo a entender melhor o mercado e alcançar a independência financeira.

Como o IDIV pode ser usado como benchmark para investimentos?

Assim como diversos outros indicadores, o IDIV pode ser utilizado como benchmark. Ou seja, a ideia é transformá-lo em um parâmetro de avaliação, o que permite tirar conclusões e embasar decisões sobre as suas operações no mercado financeiro.

A seguir, entenda como adotar o IDIV como benchmark e veja como aproveitá-lo em suas análises!

Comparação com empresas

Quando o objetivo é investir em uma empresa que seja boa pagadora de dividendos, é comum focar a análise fundamentalista na capacidade de distribuição de dividendos. Nesse sentido, é possível usar indicadores como o dividend yield e dividend payout, por exemplo.

Também é possível usar o indicador IDIV como parâmetro de comparação. Você pode verificar, por exemplo, qual foi a performance da empresa quanto ao desempenho do IDIV. Se o índice tiver um resultado melhor, considere reavaliar a sua carteira para entender como ter resultados mais atrativos.

Já se o desempenho de uma ação superar o IDIV, investir nela pode ser oportuno. No entanto, apenas essa comparação não é suficiente para a decisão, sendo necessário realizar uma análise de outros indicadores.

Desse modo, você poderá identificar por completo a situação da empresa para definir se vale a pena incluí-la em sua carteira. Lembre-se de que as ações farão parte do seu patrimônio, então é interessante que elas tenham boas perspectivas.

Análise de carteira de investimentos

O IDIV também pode ajudá-lo a fazer comparações com uma carteira completa de ações. Ou seja, em vez de focar apenas na comparação com um ativo, você pode usar o índice para entender como se ele compara um portfólio com diversos papéis.

Imagine que você decidiu criar uma carteira de dividendos. Para saber se a sua estratégia tem funcionado, vale comparar o desempenho do seu portfólio com o IDIV. Assim, você saberá se a performance do seu conjunto de investimentos fica abaixo, equivalente ou acima do desempenho médio de mercado.

Você também pode comparar o indicador a uma carteira recomendada, por exemplo. Se você decidir investir com base em uma carteira recomendada de dividendos, veja como foi o desempenho em relação aos resultados do índice para saber se essa decisão é vantajosa.

Comparação de índices

Ainda, há como fazer a comparação do índice de dividendos com outros indicadores do mercado. Se você confrontar o desempenho do IDIV com o IBOV, por exemplo, há como saber se a carteira de dividendos supera o portfólio do Ibovespa, que é o principal indicador do mercado acionário brasileiros.

Outra possibilidade é comparar o IDIV a outros índices setoriais e até a indicadores fora da bolsa de valores. Na comparação com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), por exemplo, existe a chance de analisar se o desempenho médio da renda fixa supera o de uma carteira de dividendos para avaliar a relação entre risco e retorno.

É possível investir no IDIV?

Como você viu até aqui, o IDIV é um índice de mercado. Logo, ele não é um ativo. Por conta disso, o indicador não é negociado de modo direto dentro ou fora da bolsa de valores, não sendo possível investir nele. No entanto, é possível fazer investimentos baseados no IDIV.

A seguir, entenda como fazer isso!

ETF

Um exchange traded fund (ETF) também é chamado de fundo de índice no mercado brasileiro. Sendo um fundo de investimentos, ele prevê a participação de diversos cotistas e a administração de recursos por um gestor.

No caso específico do ETF, o foco é replicar a carteira teórica de um indicador de referência. Assim, o resultado desse veículo financeiro tende a ser equivalente ao desempenho do índice utilizado.

Ademais, o fundo de índice apresenta gestão passiva, o que exige que menos operações sejam realizadas. Em comparação a fundos de investimento de gestão ativa, o ETF costuma apresentar taxas de administração menores, o que pode favorecer a sua rentabilidade líquida.

Em relação ao IDIV, escolher um ETF baseado no índice permite que você se exponha aos resultados desse indicador. Até setembro de 2022, a bolsa de valores brasileira contava com o DIVO11 como opção para se expor aos resultados do indicador.

Compra de ações

Para ter os mesmos resultados do IDIV, você também pode focar na compra individual de ações. Nesse caso, a ideia é utilizar o portfólio do indicador como referência para compor a sua própria carteira.

É importante notar que, além de escolher os mesmos ativos, é preciso manter a ponderação entre as ações. Isso significa que você precisará comprar mais ações de uma empresa que de outra, por exemplo.

Ainda, vale realizar o rebalanceamento conforme a atualização do indicador for divulgada. Ao adotar essa prática, será possível manter os resultados equivalentes ao do índice.

Contudo, note que essa escolha fará com que você tenha custos operacionais mais frequentes e mais elevados, afetando a rentabilidade líquida. Logo, é preciso analisar se essa alternativa faz sentido para a sua estratégia e disponibilidade financeira.

Vale destacar que, independentemente da alternativa escolhida, é preciso considerar o seu perfil de investidor e os seus objetivos financeiros. Como focar no IDIV significa se expor aos resultados de ações, o risco tende a ser mais elevado.

Também é interessante que os seus objetivos sejam de longo prazo ao fazer esse investimento. Isso favorece a maturação das empresas e o acúmulo dos resultados tanto pela distribuição de dividendos quanto pela valorização dos ativos.

Agora você sabe o que é o IDIV e como ele funciona. Como esse é o principal indicador de dividendos da bolsa brasileira, vale a pena acompanhá-lo e mesmo usá-lo em suas análises para compor sua carteira com foco em renda passiva e recebimento de proventos.

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