Liquidez é a capacidade de transformar um ativo em dinheiro. Dizemos que um investimento tem alta liquidez quando conseguimos vendê-lo com facilidade ou resgatá-lo a qualquer momento, recebendo o dinheiro imediatamente ou em poucos dias.

Essa característica é muito valorizada pelos investidores, principalmente nas épocas de crise e pelos mais conservadores. É reconfortante saber que você terá fácil acesso ao seu dinheiro em caso de necessidade, principalmente quando essa necessidade é iminente.

A liquidez e o potencial de rentabilidade nem sempre estão correlacionados.

De modo geral, investimentos com menor liquidez e aqueles que impõem restrições aos resgates – sacrificando a rentabilidade de quem resgata antes do vencimento, por exemplo – tendem a ter maior potencial de rendimento. Mas isso não é uma regra.

Confira quatro investimentos que têm alta liquidez e veja se eles atendem aos seus objetivos:

1. Certificados de Depósitos Bancários (CDBs)

Os CDBs são títulos de renda fixa emitidos por bancos. São investimentos bastante conservadores, pois contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investimentos de até 250 mil reais por CPF em papéis de uma mesma instituição financeira.

Esses títulos costumam ter liquidez diária sem perda de rentabilidade para quem efetua o resgate antes do vencimento.

Os CDBs com essas características em geral pagam um percentual de no máximo 100% da taxa CDI, indicador que costuma ficar bem próximo da taxa básica de juros, a Selic.

Para ganhar mais de 100% do CDI investindo em CDBs, em geral os bancos emissores exigem que o investidor abra mão da liquidez diária, permanecendo com o papel por um prazo determinado.

CDBs prefixados ou com rentabilidade atrelada à inflação também costumam exigir um prazo mínimo de investimento para pagar o prometido.

Os CDBs estão entre as melhores aplicações para os investidores que buscam um produto conservador e com liquidez diária, capaz de render mais que a poupança.

Entenda melhor como funcionam os CDB.

Saiba o que é a taxa DI e por que ela acompanha a Selic.

2. Fundos de investimento

Nem todos os fundos de investimento têm alta liquidez. Mas essa não é uma característica restrita a um tipo de fundo, havendo fundos de boa liquidez em todas as categorias e níveis de risco.

Fundos de renda fixa conservadora, como os fundos DI, em geral são muito líquidos – o cotista recebe o dinheiro no mesmo dia do pedido de resgate.

Eles aplicam em papéis de renda fixa de baixo risco, com rentabilidade atrelada à Selic ou ao CDI. São alternativas interessantes para quem busca um investimento conservador de alta liquidez, capaz de render mais que a poupança.

Fundos de renda fixa menos conservadora, como aqueles que investem em títulos de dívida de empresas ou em papéis com rentabilidade atrelada à inflação, não costumam ter essa liquidez imediata.

Ainda assim, podem ter boa liquidez, pagando o cotista dentro de poucos dias a partir do pedido de resgate. Em alguns fundos, o cotista pode já ter acesso ao dinheiro no dia seguinte ao pedido de resgate; em outros, pode levar entre dois e cinco dias.

O mesmo ocorre com fundos que costumam ter risco mais alto e que buscam rentabilidades mais elevadas, como os multimercados, os cambiais e os fundos de ações.

Normalmente, esses fundos não têm liquidez imediata, mas muitos pagam os cotistas entre um e cinco dias após o pedido de resgate.

Se liquidez é um fator crucial para você, ao pesquisar um fundo você deve ficar de olho nos prazos de cotização e de liquidação financeira.

O prazo de cotização é o tempo que leva para transformar suas cotas em dinheiro; o prazo de liquidação é o tempo que leva entre a transformação das cotas em dinheiro e a data de disponibilização do dinheiro na sua conta.

Somados, esses dois prazos indicam quanto tempo leva entre o pedido de resgate e a disponibilidade do dinheiro na conta.

Prestar atenção a essas informações é importante porque alguns fundos podem levar de um a seis meses a partir do pedido de resgate para disponibilizar o dinheiro ao cotista.

3. Títulos públicos

Os títulos públicos federais, negociados pelo Tesouro Direto, são os investimentos mais conservadores da economia brasileira, pois estão expostos basicamente ao risco do governo federal.

Existem, grosso modo, três tipos de títulos públicos: os pós-fixados, cuja remuneração acompanha a taxa Selic; os prefixados, que pagam uma taxa acordada no ato do investimento; e os atrelados à inflação, que pagam uma taxa prefixada mais a variação do IPCA.

Em todos os casos, eles têm liquidez diária, pois o governo se compromete a recomprá-los todos os dias.

Contudo, é preciso ter em mente que a rentabilidade obtida quando se vende um título público não é necessariamente igual à rentabilidade contratada no ato da compra do título.

Todos os títulos públicos sofrem marcação a mercado, e seus preços flutuam de acordo com as perspectivas para a taxa básica de juros. Assim, a venda antes do vencimento pode resultar até mesmo em rentabilidade negativa, caso o preço de venda seja menor que o de compra.

Apenas levando o título ao vencimento o investidor tem a garantia de receber a rentabilidade prometida no ato da compra.

Entretanto, o título Tesouro Selic, pós-fixado atrelado à taxa básica de juros, em geral pode ser vendido antes do vencimento com rendimento positivo, por oscilar menos que os demais.

Ainda assim, não há garantias de que o investidor receberá a Selic do período em caso de venda antecipada.

Entenda melhor o que são e como funcionam os títulos públicos e saiba como investir no Tesouro Direto.

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4. Ações

O investimento direto em ações pode ter bastante liquidez, dependendo do tipo de papel. Ações de grandes empresas que compõem o índice Bovespa são as mais líquidas, sendo negociadas com facilidade.

Ações de empresas menores e menos conhecidas, entretanto, podem ter baixa liquidez, sendo mais difícil encontrar um comprador no momento desejado.

Após vender uma ação, o investidor leva três dias para receber o dinheiro, em condições normais.

Cuidados ao buscar investimentos de alta liquidez

O risco de liquidez não é o único com que o investidor deve se preocupar. Como já mostramos aqui no blog, há vários outros tipos de risco a que um investimento pode estar sujeito, como o risco de oscilação de preços ou de calote.

Assim, é bom ter em mente o objetivo do seu investimento para entender quais dos investimentos mais líquidos são melhores para você.

Se você deseja liquidez porque tem perfil conservador ou porque busca aplicações para investir sua reserva de emergência, você deve priorizar os investimentos de menor risco, como CDBs de liquidez diária, fundos de renda fixa conservadora ou os títulos Tesouro Selic.

Nesses casos, não só a liquidez é crucial, como também o baixo risco de calote e de oscilação de preços, uma vez que investidores nessas situações não toleram perdas de jeito nenhum.

Afinal, de nada vai adiantar um investimento ter alta liquidez, como os títulos públicos atrelados à inflação ou os fundos de ações, se o risco de rendimentos negativos for razoável.

Até investidores moderados e agressivos devem ter parte de seu patrimônio aplicada em investimentos de baixo risco e alta liquidez.

Só depois disso é que o investidor deve buscar diversificação e aplicar o restante dos seus recursos em investimentos com maior risco e potencial de rentabilidade.

Mas mesmo os investidores que querem e podem partir para investimentos de maior risco podem querer se manter líquidos – por conta de um momento de crise econômica, por exemplo.

Nesses casos, os demais ativos da lista, como certos fundos de maior risco e mesmo as ações, podem ser boas alternativas, dependendo do objetivo do investidor.

E a caderneta de poupança?

De fato, quando se fala em liquidez diária ou imediata, a caderneta de poupança é o primeiro investimento a vir à cabeça. Aplicações e resgates são extremamente fáceis e simples de executar, fora a isenção de imposto de renda.

Contudo, a rentabilidade da caderneta de poupança é bastante limitada. Ela rende no máximo 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR). A TR até tem correlação com a Selic, mas seu cálculo conta com um redutor que a tem mantido baixa.

Assim, em tempos de inflação alta, a caderneta perde da alta de preços, sendo incapaz de preservar o poder de compra do investidor. Outros investimentos conservadores, que acompanham mais de perto a taxa Selic, são mais indicados.

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