Circuit breaker é a paralisação dos negócios na Bolsa de Valores quando seu principal índice cai mais do que um certo limite. No caso da B3, a Bolsa brasileira, o mecanismo é acionado quando o seu principal índice, o Ibovespa, cai mais de 10% em relação ao fechamento do dia anterior. 

No início de março de 2020, a Bolsa brasileira precisou ativar o circuit breaker por algumas vezes na mesma semana diante do avanço global do coronavírus. No mesmo intervalo, o circuit breaker também foi ativado na Bolsa de Nova York (NYSE). Os principais índices da duas Bolsas, o Ibovespa e o S&P500, respectivamente, registraram quedas históricas. 

A disputa de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia (esse conflito foi explicado em detalhes pelo diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, na Live abaixo) somada à paralisação de economias ao redor do mundo, em decorrência do coronavírus, foram os epicentros da queda no Brasil e nos principais mercados globais, mas a ativação do circuit breaker não é tão ruim quanto parece. 

Seja no Brasil ou em outras Bolsas ao redor do mundo, o mecanismo é um módulo de segurança ativado em momentos de pânico para investidores do mercado financeiro. Como ele foi criado, quando é ativado e o que fazer diante de um circuit breaker serão alguns dos tópicos que explicaremos melhor na sequência. 

Entenda o que é circuit breaker e saiba o que fazer 

Em português, a palavra circuit breaker significa disjuntor. Sim, aquele dispositivo eletromecânico que geralmente faz parte do quadro de distribuição de energia dos imóveis e é acionado quando há uma sobrecarga elétrica em uma determinada instalação. 

Assim como o disjuntor, o circuit breaker possui uma função de segurança: reduzir a volatilidade dos mercados, isto é, a forte instabilidade que pode se seguir a um acontecimento de grande impacto para as Bolsas. Na Bolsa brasileira, ele pode ser ativado em três níveis:

  • Quando as quedas no Ibovespa atingem 10% em relação ao fechamento do dia anterior, os negócios são suspensos por 30 minutos;
  • Após o retorno das negociações, caso as perdas cheguem a 15% em relação ao fechamento do dia anterior, as transações são interrompidas por uma hora; 
  • Se as duas primeiras paralisações não forem suficientes para conter o mercado, e a desvalorização do Ibovespa chegar a 20%, o circuit breaker é ativado novamente, mas, neste caso, só a B3 poderá definir quando as negociações serão retomadas. Importante lembrar que o circuit breaker nunca é ativado na última meia hora do pregão. 

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Criação do circuit breaker 

O mecanismo foi criado após o crash da Bolsa de Nova York, em 22 outubro de 1987, dia também conhecido como Black Monday, quando o índice do mercado norte-americano, Dow Jones Industrial Average (DJIA), caiu 508 pontos (22,6%), a maior queda percentual do índice em um único dia. 

Após o colapso, o FED (Federal Reserve, que funciona como o Banco Central dos EUA) e as Bolsas de Valores criaram os circuit breakers com o objetivo de dar um tempo para os investidores refletirem sobre a interrupção temporária das negociações. 

Na NYSE, o circuit breaker também é dividido em três níveis: ao atingir as marcas negativas de 7% e 13%, os negócios são interrompidos por 15 minutos. Caso a variação negativa atinja o patamar de 20%, o pregão é cancelado durante todo o dia. 

Na prática, o circuit breaker suspende todas as ordens de vendas automáticas (stop loss). Assim, caso o investidor queira realmente se desfazer dos seus papéis, terá que submeter novamente os ativos para venda. O circuit breaker tem ainda uma função psicológica, ele contém o pânico dos mercados, dando aos investidores alguns minutos para respirar e pensar. 

Fatos que provocaram o circuit breaker no Brasil

Antes das paralisações de março de 2020, o circuit breaker já havia sido acionado outras 18 vezes no Brasil.  Na maioria das situações, por fatores externos à economia local. Na última vez, no entanto, o contexto político brasileiro puxou as quedas naquele que ficou historicamente conhecido como Joesley Day (17 de maio de 2017).

Como parte do acordo de delação premiada para obter redução na pena por lavagem de dinheiro e corrupção, o executivo do Grupo JBS, Joesley Batista, divulgou um áudio do então presidente Michel Temer autorizando a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha. 

A gravação levou incertezas quanto à continuidade de Temer na presidência, gerando insegurança quanto ao futuro político e econômico brasileiro. No dia, o circuit breaker entrou em ação, mas as quedas do Ibovespa chegaram a mais de 12% em uma hora. 

Por razões locais, o mecanismo de proteção da Bolsa foi ativado também em 13 e 14 de janeiro de 1999 diante da crise de desvalorização do real. Naquele momento, o Banco Central optou por deixar o regime de Bandas Cambiais (usado pelo Brasil para controlar o preço do dólar entre 1995 e 1999) para adotar o regime de Câmbio Flutuante, em que o preço da moeda é determinado pela procura e oferta do mercado. 

A transição entre regimes cambiais, diante do crescimento da dívida externa brasileira, e outros fatores relacionados a medidas para o controle da inflação ativaram o circuit breaker por dois dias seguidos, quando as perdas ficaram próximas de 10%

Nas outras 14 vezes em que foi acionado, o circuit breaker respondeu a crises nos mercados externos, especialmente na Ásia e na Rússia. Durante a crise de 2008, o circuit breaker foi acionado seis vezes. Antes, no dia 11 de setembro de 2001, em função dos atentados terroristas nos Estados Unidos, o circuit breaker não chegou a ser acionado, mas a Bovespa interrompeu definitivamente o pregão às 11h15, quando o Ibovespa caía 9,18%.

O que fazer em um circuit breaker?

Diante de um circuit breaker, respire fundo e avalie os fundamentos em curto, médio e longo prazo. Essa “pausa” é exatamente para que investidores não tomem decisões precipitadas e para que todos possam avaliar com maior racionalidade a situação. Lembre-se: suas ordens de compra/venda automáticas serão todas canceladas.

Nesses momentos, procure sempre a orientação de especialistas que acompanham diariamente o mercado, seja pelas Lives do Canal no YouTube da Genial Investimentos ou em outros portais especializados. 

Uma boa maneira de mensurar o impacto das perdas em seus ativos é analisar o valor real de mercado das companhias que compõem o seu portfólio versus o valor negociado em um dia de grandes perdas. Por exemplo, se o valor de mercado de uma organização for de R$ 1 bilhão, as transações que somem R$ 10 milhões em um dia não terão grande relevância para os papéis daquela companhia em longo prazo. A empresa, seu trabalho, seus produtos e resultados permanecerão no mesmo lugar.  

Não esqueça que, quando você compra ações na Bolsa de Valores, está se tornando sócio de uma empresa e, por isso, é importante investir com fundamento e muita cautela. 

Caso você não se sinta confortável com as oscilações na Bolsa, talvez seja o momento de avaliar o seu perfil de investidor e os seus objetivos. Avalie se o mercado de renda variável é a opção para os seus investimentos no momento. Na Bolsa, o ingrediente imprevisibilidade é natural e, como mostramos acima, fatores internos e externos podem impactar a rentabilidade dos ativos todos os dias. 
Entender melhor sobre o mercado, sobre seu portfólio e contar com assessoria técnica são os diferenciais que definem quem ganha e quem perde em momentos de crise.

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Publicado por Genial Investimentos

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