O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,9% no 1º trimestre de 2023, em relação aos três meses anteriores, totalizando R$ 2,6 trilhões no período. A informação foi publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje, 1º de junho, e foi acima do consenso do mercado, que projetou avanço entre 1,1% e 1,4%.

Ao comparar o resultado com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 4%. Já em um ano, a alta foi de 3,3%.

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Resultado de cada setor

Dados de crescimento na comparação com os três meses imediatamente anteriores.

  • Agropecuária: 21,6%
  • Indústria: -0,1%
  • Serviços: 0,6%
  • Consumo das famílias: 0,2%
  • Gastos do Governo: 0,3%
  • Investimentos: -3,4%
  • Exportações: -0,4%
  • Importações: -7,1%

O agro é POP

O grande destaque do trimestre foi o setor agro, que avançou 21,6% em relação aos três meses imediatamente anteriores e 18,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

O resultado reportado foi o segundo melhor da série histórica e o mais expressivo desde 1996.

Entre os fatores que contribuíram para a alta está a projeção de uma safra recorde de soja em 2023, após problemas climáticos no ano passado. Vale lembrar que a safra de soja acontece no primeiro semestre, mas é mais expressiva nos três primeiros meses do ano.

Assim, a previsão é que o resultado positivo e acima do esperado do setor agro ainda tenha certa força no PIB do segundo trimestre.

Para Roberto Motta, estrategista de Macroeconomia da Genial, além da grande produção de soja, o que também explica o bom desempenho do setor é sua baixa sensibilidade ao avanço do juro: “A agropecuária é um dos componentes do PIB menos sensíveis ao nosso patamar da Selic”.

O agronegócio tem peso de cerca de 10% no cálculo do PIB.

E o setor de serviços

O setor de serviços é uma das preocupações do momento. O que gera dor de cabeça não é seu desempenho ruim, na verdade, ele vai muito bem, obrigado. E é isso que preocupa.

A atividade representa cerca de 70% do PIB do Brasil. É nos serviços que está concentrada a inflação mais difícil de controlar. O aquecimento da atividade contribui para que esta inflação persista e fique cada vez mais difícil para o Banco Central do Brasil reduzir o juro básico da nossa economia, a Selic.

No trimestre em questão, os serviços avançaram 0,6% em relação ao anterior, que já havia avançado 0,2%.

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Os destaques na atividade são os transportes, com crescimento de 1,2%, e as atividades financeiras, que também cresceram 1,2%.

Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial, a atividade pode ter sido contaminada pela agropecuária, que pode demandar um volume maior de serviços, como transporte e armazenamento, diante de tamanha produção.

Investimentos preocupam

Apesar do bom resultado o economista aponta para o lado negativo do resultado: o componente investimentos. “O que preocupa é a formação bruta de capital fixo porque a taxa de investimento caiu. O que gera crescimento no longo prazo é investimento”, explica José Márcio.

No trimestre, os investimentos caíram 3,4%, vindo de uma queda de 1,3% entre os meses de outubro e dezembro de 2022.

E a Selic?

O economista-chefe da Genial considera que a força da economia brasileira não deve atrapalhar a redução da taxa de juros, que deve ocorrer a partir de outubro deste ano.

Outro fator que corrobora essa tese são os bons números da inflação, que, assim como o PIB, têm surpreendido os investidores, porém com um avanço menor do que o esperado.

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Outro ponto a ser considerado é a origem do crescimento. Nesse sentido, José Márcio diz: “ele está muito concentrado na oferta e fraco na demanda. Isso tende a facilitar a tarefa do Banco Central”.

O que esperar pela frente

Segundo as projeções da Genial, o país deve seguir crescendo no segundo trimestre com resquícios da safra de soja.

Para o ano de 2023, a casa revisou a previsão de crescimento da economia do país para 1,9%.

Para saber os detalhes e análises mais aprofundadas sobre o PIB do primeiro trimestre de 2023, acesse o relatório do indicador no Genial Analisa clicando aqui.

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Juliana Andrade

Jornalista, pós-graduada em Finanças e Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)

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