Que os juros no Brasil são altos, disso ninguém tem dúvida. Mas você tem ideia de quão altos eles são? Sabe o que isso representa para as suas finanças? Quando financia algo, você olha para o tamanho dos juros ou só vê se a parcela cabe no bolso?

Se você já ficou inadimplente no cartão de crédito ou se sua conta já ficou no vermelho, você pode ter se surpreendido com o valor atualizado da sua dívida após alguns meses. “Mas de onde veio esse valor?”, você pode ter se perguntado.

Bem, você sabia que os juros médios do rotativo do cartão de crédito no Brasil são de nada menos que 15,33% ao mês, segundo a última pesquisa de juros da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac)?

Só para você ter uma ideia, a taxa básica de juros no Brasil é de 13%… ao ano! A poupança paga somente 0,5% mais Taxa Referencial por mês. Uma taxa de juros de 15,33% ao mês equivale a uma taxa de astronômicos 453,74% ao ano.

Esse é o preço de entrar no rotativo do cartão, que é a linha de crédito que você adquire ao pagar apenas o mínimo da fatura ou mesmo se ficar inadimplente.

O cheque especial, segunda linha de crédito mais cara do país, tem juros médios de 12,58% ao mês, ou 314,51% ao ano. Ou seja, é algo em torno disso que você paga quando a sua conta-corrente fica negativa.

Juros dessa magnitude são capazes de fazer uma dívida de 500 reais no cartão virar quase 3 mil reais, ao final de um ano, por falta de pagamento.

Mais adiante, apresentamos simulações para você ter uma ideia de quanto uma dívida cara dessas pode custar depois de um tempo se não for paga.

Dívida como bola de neve

Mesmo para quem paga seu empréstimo ou financiamento em dia, o peso dos juros é altíssimo. Já mostramos isso aqui no blog, inclusive.

Nas simulações desse post, com as taxas de juros médias da época, um carro de 60 mil reais custou 50% a mais, considerando-se uma entrada de 10 mil reais. E um imóvel de 400 mil reais foi cerca de 70% mais caro, considerando-se uma entrada de 200 mil.

Ou seja, não é preciso ficar inadimplente para pagar muito mais caro por um bem financiado, quando comparado ao seu valor à vista.

Mas no caso de quem fica sem dinheiro e recorre às linhas emergenciais de crédito fácil, a situação é dramática.

Quem deixa de pagar o valor integral da fatura ou fica negativo vê suas dívidas virarem gigantescas bolas de neve.

Confira as simulações:

Rotativo do cartão de crédito com pagamento mínimo da fatura

Ao pagar somente o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, você entra, a partir do mês seguinte, no chamado crédito rotativo. Se ficar sempre pagando o valor mínimo você pode até conseguir quitar a fatura, mas vai levar um bom tempo, pois os juros dessa linha são altos.

Como vimos anteriormente, a taxa de juros média do rotativo no Brasil é de 15,33% ao mês, ou 453,74% ao ano.

A simulação a seguir mostra o custo total da dívida se você entrar no rotativo pagando apenas o mínimo da fatura, nesse caso equivalente a 15% do valor devido. Dessa maneira, você não será considerado inadimplente e não ficará com o nome sujo.

Valor da fatura Pagamento mínimo Custo total da dívida Valor referente aos juros
R$ 500 R$ 75 R$ 1.143,58 R$ 643,58
R$ 1.500 R$ 225 R$ 3.430,75 R$ 1.930,75

No caso das dívidas da simulação, é possível quitá-las em um período de cerca de um ano e três meses.

Repare que, nesse período, o valor inicialmente devido – que foi o que você efetivamente gastou no seu consumo – mais que duplica. O valor referente aos juros é maior do que o valor da dívida em si.

Maior que o problema dos juros é a armadilha perversa que o rotativo do cartão de crédito pode se tornar. Ao pagar o mínimo da fatura, seu limite é automaticamente renovado, e você pode continuar gastando.

Se você tem uma dívida no rotativo, é muito fácil acabar se enrolando com os próximos gastos e a loucura que vai virar a sua fatura. Sua dívida pode crescer ainda mais rapidamente, e até se tornar impagável, se você também empurrar os próximos gastos no rotativo.

Rotativo do cartão de crédito sem o pagamento mínimo da fatura

Ao simplesmente parar de pagar a fatura do cartão, ignorando o pagamento mínimo, seu limite não é renovado e você pode ser considerado inadimplente pela instituição financeira.

Nesse caso, a dívida só irá aumentar mês a mês. Além dos juros do rotativo, podem incidir ainda custos pelo atraso da fatura, piorando a situação.

Na simulação, consideramos apenas o efeito dos juros do rotativo na evolução da dívida. Veja como ficam as mesmas dívidas da simulação anterior sem o pagamento mínimo da fatura:

Valor da fatura Custo total da dívida ao final de 1 ano Valor referente aos juros
R$ 500 R$ 2.768,71 R$ 2.268,71
R$ 1.500 R$ 8.306,13 R$ 6.806,13

É assim que uma dívida de apenas 500 reais passa a custar quase 3 mil em um ano, isto é, quase seis vezes mais.

Mas parar de pagar a fatura do cartão de crédito pode ser uma boa estratégia para quem realmente está numa situação financeira difícil, e principalmente, para quem não consegue controlar seus gastos no plástico.

Seu limite não é renovado, o que acaba sendo uma ajuda forçada aos gastadores. Mas não é para deixar a dívida para lá, simplesmente. Afinal, você pode ficar com o nome sujo e um débito impagável ao final de pouco tempo.

O próximo passo depois de deixar de pagar a fatura é sentar para renegociar a dívida com o banco. Você pode, por exemplo, trocar a dívida no cartão por uma com juros menores, como um empréstimo pessoal ou consignado.

Após a renegociação, o banco não pode mais inserir seu CPF em cadastros de inadimplentes. Se já o tiver feito, terá que retirá-lo.

Cheque especial

Quem fica sem dinheiro para as suas despesas correntes muitas vezes simplesmente continua gastando e fica no vermelho. Há quem, inclusive, veja o limite do cheque especial como extensão do próprio salário.

O cheque especial deve ser encarado como uma linha emergencial, para situações esporádicas e de curtíssimo prazo, e não para uma situação financeira que se arraste por meses.

Seus juros são os mais altos depois dos juros do rotativo do cartão. Como vimos, 12,58% ao mês, ou 314,51% ao ano.

Mas a facilidade pode levar o correntista a cair em tentação. Afinal, se você tem um limite de crédito, basta continuar usando o cartão de débito, pagando boletos e sacando normalmente.

Valor da fatura Custo total da dívida ao final de 1 ano Valor referente aos juros
R$ 500 R$ 2.072,55 R$ 1.572,55
R$ 1.500 R$ 6.217,65 R$ 4.717,65

Essa é a evolução da dívida caso ela fique estacionária por um ano. Isto é, desde que você não gaste mais nada, mas também não receba nenhuma quantia naquela conta nem para cobrir parte do débito.

O grande problema do cheque especial é que ele está atrelado à conta-corrente. Assim, se não entrar mais receita nenhuma e você continuar gastando normalmente, a dívida só vai crescer ainda mais rapidamente.

Evite o rotativo do cartão e o cheque especial com todas as forças

Quanto mais fácil de obter uma linha de crédito, mais cara ela tende a ser. Embora os empréstimos pessoais também sejam caros no Brasil, é bem melhor recorrer a eles do que usar o cheque especial ou o rotativo do cartão.

Antes de recorrer a uma dessas linhas, que devem ser encaradas como emergenciais e evitadas com todas as forças, converse com seu gerente sobre as opções do seu banco. O ideal é fazer isso antes de se endividar no cartão ou no cheque especial.

O crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, tende a ser a linha mais barata. O empréstimo pessoal também é uma opção.

Se, depois de endividado, não for possível trocar a dívida cara por uma mais barata, é possível ainda assim negociar. Por exemplo, pedir um desconto para pagamento à vista.

Os cartões de crédito também costumam oferecer a opção de parcelamento da fatura. Embora os juros dessa linha também sejam bem altos, são menores do que os do rotativo, constituindo uma opção melhor para quem está endividado no cartão.

Neste post, damos algumas dicas para você organizar as finanças, renegociar suas dívidas e sair do vermelho.

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