Algumas das armadilhas financeiras que mais pegam investidores e consumidores têm a ver com situações em que o produto ou serviço ofertado é bom demais pra ser verdade. Em outras palavras, é muito conveniente, “garantido”, “seguro”, acessível ou fácil para realmente valer a pena.

Não é que tudo que tenha essas características seja na verdade uma armadilha disfarçada. É que, geralmente, as armadilhas financeiras têm essas características, que são justamente os seus chamarizes.

Afinal, como já vimos em outro post aqui do blog, “não existe almoço grátis”. Ou, em outras palavras, tudo tem um preço, ainda que oculto, indireto ou não arcado por você.

Um serviço gratuito para o consumidor final, por exemplo, certamente é remunerado por alguém. E dependendo de quem seja, pode haver conflitos de interesses danosos ao consumidor.

Já um produto muito conveniente e acessível provavelmente cobra seu preço por toda essa facilidade. Ainda que não seja na forma de um custo financeiro.

Assim, é sempre bom se perguntar: por que estão me oferecendo isso? Se isso é gratuito, como essa pessoa ou instituição ganha dinheiro? Qual o preço de tanta facilidade?

Você pode chegar à conclusão de que o preço que paga pelos benefícios daquele produto ou serviço valem a pena. O importante é fazer uma escolha consciente!

Veja a seguir 3 situações clássicas do mercado em que o produto financeiro é bom demais para ser verdade – ou ainda, em que a frase “não existe almoço grátis” se aplica bem demais.

1. O crédito fácil, mas caro

Quanto mais fácil e acessível uma linha de crédito, mais cara ela é. A instituição financeira que topa emprestar dinheiro para quem mal conhece e sem qualquer garantia, certamente vai querer um bom retorno por isso. Claro! O risco de calote aqui é alto.

É por isso que aquelas linhas pré-aprovadas que o banco te oferece, sem nem conhecer seu histórico, sem exigir garantias e por meio de canais de atendimento superacessíveis – como caixa eletrônico e internet banking – são, de longe, as mais caras. Quer coisa mais fácil que cartão de crédito e cheque especial?

Já as linhas de crédito em que o banco procura conhecer melhor seu histórico, sua renda e seu patrimônio, bem como aquelas que exigem garantias, tendem a ter taxas de juros bem menores.

É o caso do empréstimo consignado, em que a garantia é o seu próprio salário ou rendimento de aposentadoria. Ou ainda dos financiamentos de carros e imóveis, que têm como garantia o próprio bem financiado, uma garantia chamada de alienação fiduciária.

Bom demais pra ser verdade: nenhum esforço para contratar, e às vezes nem parece um empréstimo. É o caso do cheque especial, que mais parece uma extensão do seu salário.

Não existe almoço grátis: as taxas de juros são astronômicas. Em setembro de 2015, o rotativo do cartão de crédito custava, em média, 13,6% ao mês ou 361% ao ano. A maior taxa de juros do país. O cheque especial tinha naquele mês juros médios de 10,2% ao mês ou 222% ao ano.

Dicas: Quando você precisar de crédito, veja se você tem acesso a alternativas mais baratas e explore a sua possibilidade de dar garantias antes de apelar para as linhas mais acessíveis e caras. Não ignore as taxas de juros, pois elas podem tornar sua dívida impagável. E aprenda a encarar cheque especial como algo emergencial e temporário.

2. O produto financeiro que empurram para você

É de se esperar que os profissionais das instituições financeiras ofereçam produtos de investimento a seus clientes. Até aí tudo bem.

Mas geralmente, os produtos mais oferecidos, ou ofertados de forma muito veemente e entusiasmada, são melhores para a instituição financeira e o profissional em questão do que para o cliente em si.

Essa situação é bastante comum nos grandes bancos. Gerentes têm metas de venda de produtos que nem sempre são úteis para os clientes e tendem a ofertá-los com mais frequência.

Um exemplo clássico é o título de capitalização, condenado por qualquer especialista em finanças por ser mais desvantajoso do que a caderneta de poupança.

Mas mesmo produtos que podem ser úteis para algumas pessoas, como seguros e consórcios, são pura perda de dinheiro para quem não precisa deles de fato.

Em contrapartida, muitas vezes o melhor produto pra você não é oferecido, por não trazer tanto retorno à instituição financeira.

Isso não quer dizer que você deva recusar tudo que as instituições financeiras te oferecem e se tornar o hipster dos investimentos, aquele cara que só investe no que é meio obscuro. Até porque é temerário investir no que você não conhece ou entende muito bem.

Existem produtos financeiros que trazem vantagens tanto para os clientes quanto para as instituições financeiras.

E mesmo que não seja o caso, se você pedir, provavelmente vai conseguir. Além disso, muitas instituições financeiras querem satisfazer e fidelizar seus clientes.

Bom demais pra ser verdade: a instituição quer muito, mas muito mesmo que você aceite aquele produto ou serviço.

Não existe almoço grátis: ou o produto tem taxas altas, ou tem rentabilidade baixa, ou você está pagando por algo que dificilmente vai usar.

Dica: Assim como você não compra o primeiro imóvel que visita (ao menos não deveria), não aceite o primeiro produto financeiro que te oferecem.

Identifique suas necessidades, pesquise o que poderia atendê-las, pondere o que o profissional fala com o que você aprendeu sobre produtos financeiros e procure entender todos os riscos e benefícios daquilo que você contratar.

Não hesite em pedir o que te interessa. Mesmo que não lhe seja oferecido de pronto e não aceite algo que você sabe que não precisa.

3. A grande tacada que na verdade é uma furada

Essa é provavelmente a mais grave das três situações. Promessas de dinheiro fácil são, na melhor das hipóteses, negócios idôneos, mas muito arriscados – quando não são verdadeiros micos. Na pior das hipóteses, são golpes, como as famigeradas pirâmides financeiras.

Mesmo quando não são fraudes, essas ofertas se valem de promessas de rentabilidade muito alta, retorno garantido, risco muito baixo ou discursos como “esse negócio vai explodir, mas pouca gente sabe”.

Se você receber alguma oferta desse tipo, vale usar a filosofia “Groucho Marxista”: “eu não quero fazer parte de um clube que me aceite como sócio”, teria dito o humorista Groucho, um dos Irmãos Marx.

Em outras palavras, vale se perguntar: por que querem que eu, justo eu, faça parte disso? Se a dica é tão boa, por que essa pessoa está dando ela pra mim? Não seria mais inteligente se ela guardasse a informação para si e investisse sozinha?

Ou será que essa pessoa vai ganhar alguma coisa pelo mero fato de eu investir no negócio? Como uma comissão ou corretagem? Se sim, já existe aí um conflito de interesses.

Vale também analisar com cuidado a promessa de rentabilidade. Ela é superior à Selic ou ao CDI, taxas básicas de juros que servem de referência para os investimentos mais conservadores? Muito superior? E ainda estão dizendo que o investimento “não tem risco”?

Isso é no mínimo estranho. Primeiro porque investimento sem risco não existe. Segundo, se o risco é baixo e a remuneração é alta, por que não está todo mundo migrando para esse negócio tão fantástico?

Terceiro porque investimentos que pagam muito acima da taxa básica de juros o fazem justamente porque são arriscados. É que, para que um investidor aceite correr o risco, a rentabilidade precisa compensar.

A máscara de óculos e bigode imita o rosto de Groucho Marx, também conhecido pelo charuto

Assim, cabe questionar: o que faz esse investimento conseguir pagar tanto com tão pouco risco? Lembrando que risco nem sempre é de calote ou desvalorização. Às vezes se trata simplesmente de uma dificuldade maior de resgatar o dinheiro.

Bom demais pra ser verdade: o negócio é excelente, dará um alto retorno, sem risco e ninguém sabe ainda, só você.

Não existe almoço grátis: ao contrário da propaganda, o risco pode ser muito alto ou o negócio pode ser um golpe. Para todos os efeitos, você pode perder um bom dinheiro.

Dica: Fique sempre de olho na Selic. Ela é o parâmetro para a remuneração dos investimentos que realmente têm baixo risco, como os títulos públicos.

Se um investimento tem rentabilidade muito superior a essa taxa e se diz “sem risco” ou “de baixo risco”, acenda a luz amarela! E pergunte-se: como é possível? Provavelmente você vai concluir que não é.

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