O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central baixou, na última quarta-feira, a taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14,00% ao ano. O movimento já era esperado pelo mercado, que crê num ciclo de queda na Selic depois de um período de alta iniciado em 2013. Essa movimentação dos juros mexe na remuneração dos títulos prefixados e pós-fixados de renda fixa.

Mas o aparente começo do ciclo de queda de juros sinaliza que é hora de trocar as aplicações pós-fixadas pelas prefixadas? Bem, não exatamente.

Títulos prefixados e pós-fixados

Chamamos de pós-fixados os investimentos de renda fixa que se beneficiam da alta na Selic. Quando o juro sobe, sua rentabilidade, que é atrelada à Selic ou ao CDI, também sobe.

É o caso da maioria dos fundos de renda fixa, da maior parte dos CDBs, LCIs e LCAs e do título público Tesouro Selic (LFT), que pode ser negociado pelo Tesouro Direto.

Já os investimentos prefixados são aqueles que fixam uma remuneração nominal, já conhecida no ato do investimento, que permanece a mesma não importa o que aconteça à taxa básica de juros.

Uma remuneração totalmente prefixada pode ser exemplificada como 10% ao ano ou 14% ao ano e por aí vai.

Já remunerações apenas parcialmente prefixadas geralmente são também atreladas a um índice de inflação, sendo expressas como 5% ao ano + IPCA ou 6% ao ano + IGP-M, por exemplo.

Nos prefixados, a rentabilidade contratada permanece a mesma ainda que a Selic seja reduzida. O investidor que fica com um título prefixado até o vencimento tem a garantia de receber a remuneração acordada mesmo que a Selic caia abaixo dela.

Ou seja, o investidor se protege contra a redução na taxa básica de juros.

Se o título puder ser vendido ou resgatado antes do vencimento, a rentabilidade recebida na venda antecipada provavelmente será bem diferente da remuneração contratada. Pode ser maior, menor ou até mesmo negativa, dependendo das perspectivas para a Selic.

Quando a expectativa é de queda nos juros, os prefixados tendem a se valorizar, ou seja, eles são beneficiados. Assim, quem os resgata ou vende antes do vencimento nesses cenários provavelmente terá bons ganhos com essa valorização.

É o caso de trocar um pelo outro?

Pode-se dizer que, de forma geral, prefixados se beneficiam da queda na taxa de juros. Já os pós-fixados se beneficiam da alta. Mas isso não quer dizer que é o caso de trocar um pelo outro quando os juros têm perspectivas de cair.

Nessas situações, você até pode migrar parte dos seus investimentos para os prefixados. Ou pode, ainda, passar a poupar especificamente para investir neles por algum tempo, a fim de se beneficiar das suas vantagens. Trata-se de uma diversificação importante.

Mas é sempre importante ter alguma coisa investida em pós-fixados. Não migre todos os recursos que hoje estão pós-fixados para aplicações prefixadas, mesmo quando estas estão atrativas.

E por quê? Porque todos os investidores, mesmo os mais abastados e os mais arrojados, precisam ter um colchão de liquidez em qualquer circunstância.

Esse colchão funciona como uma reserva de emergência, que deve ficar aplicada em investimentos conservadores, muito fáceis de resgatar, atrelados à taxa básica de juros e que rendam acima da inflação.

Os prefixados não são indicados para esse objetivo. Nem sempre eles têm liquidez diária. Mesmo quando têm, o mercado sempre pode acabar virando. O investidor que não o acompanha de perto pode ter surpresas desagradáveis.

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