Muitos investidores buscam no mercado financeiro a oportunidade de rentabilizar o seu capital e aumentar seu patrimônio. Contudo, decisões apressadas e a falta de análise sobre o valor real dos ativos podem levar a perdas significativas. 

Para mitigar os riscos, é fundamental compreender técnicas de avaliação de ativos, como o modelo CAPM. Ele é bastante utilizado por investidores experientes na avaliação da relação entre o risco e o retorno de um investimento — essencial para a tomada de decisão. 

O que é o modelo CAPM? 

CAPM é a sigla para capital asset pricing model — ou modelo de precificação de ativos de capital. Trata-se de um modelo que estima o retorno esperado de um ativo financeiro com base em seu risco sistemático em relação ao mercado. 

Ele busca explicar por que ativos mais arriscados tendem a oferecer retornos maiores ao longo do tempo em comparação com investimentos de menor risco. O conhecimento ajuda o investidor a entender o comportamento dos ativos, permitindo a tomada de decisões informadas. 

O CAPM foi desenvolvido pelos economistas William Forsyth Sharpe, John Lintner e Jan Mossin. Eles partiram dos ensinamentos de Harry Markowitz e Merton Miller sobre a teoria do portfólio e diversificação. 

A tese se embasa na ideia de que a diversificação é uma estratégia-chave para os investidores potencializarem o retorno das suas carteiras de investimento, equilibrando o risco. Assim, a seleção de ativos deve ser baseada na análise do risco em relação ao retorno esperado. 

Como esse modelo funciona? 

Agora que você conheceu o conceito de CAPM, chegou o momento de entender como ele funciona. O modelo sugere que o retorno esperado de um ativo deve ser igual à taxa de retorno livre de risco acrescida de um prêmio pelo risco assumido.  

Dessa maneira, o CAPM ajuda os investidores a tomarem decisões mais fundamentadas ao calcular se o retorno potencial de um investimento compensa o risco envolvido. A metodologia se baseia em premissas importantes. 

Observe quais são elas: 

  • comportamento dos investidores: entende que os investidores agem racionalmente e buscam maximizar o retorno com o menor risco possível; 
  • distribuição de risco e retorno: considera que o retorno de um ativo pode ser projetado com base no nível de risco sistemático oferecido; 
  • fundamentos de mercado: assume que o mercado opera de modo eficiente, ou seja, todos os ativos estão precificados corretamente com base nas informações disponíveis. 

Para simplificar a análise, o CAPM também adota os seguintes pressupostos: 

  • ausência de custos de transação: não há custos extras associados à compra ou venda de ativos; 
  • informação pública: todos os investidores possuem acesso às mesmas informações sobre o mercado e os ativos; 
  • diversificação reduz o risco: existe a possibilidade de o risco específico de um ativo ser mitigado por meio da diversificação da carteira; 
  • liquidez dos ativos: as alternativas avaliadas podem ser compradas e vendidas facilmente, sem influenciar significativamente seu preço. 

Você pode ter percebido que as suposições nem sempre correspondem à realidade do mercado, certo? Ainda assim, o CAPM continua sendo uma referência relevante para a análise de investimentos. 

Qual é a fórmula do CAPM? 

Ciente das premissas envolvidas na análise do CAMP, falta aprender como é feito o seu cálculo, não é mesmo? A fórmula completa do capital asset pricing model é representada da seguinte maneira: 

ERi = Rf + βi (ERm – Rf) 

Seus componentes são: 

  • ERi: expected return of investment (retorno esperado do investimento); 
  • Rf: risk-free rate (taxa livre de risco); 
  • Βi: beta of the investment (beta do investimento); 
  • ERm: expected return of market (retorno esperado do mercado); 
  • (ERm – Rf): market risk premium (prêmio de risco de mercado). 

O que significa cada componente do CAPM? 

Sabendo todos os elementos que compõem a fórmula do CAPM, a dúvida que pode surgir é sobre o que significa cada um dos componentes. 

Confira os conceitos separadamente! 

Retorno esperado do investimento (ERi) 

Como o nome sugere, o ERi é o valor que o investidor está buscando — o retorno que ele espera obter ao realizar aquele investimento. O resultado do cálculo mostra se a alternativa vale a pena em relação ao risco que ela oferece. 

Se o ERi é maior que o retorno exigido (considerando o risco sistemático do ativo), o investimento pode ser uma boa escolha. Caso contrário, é pertinente verificar se existem outros motivos para escolher aquele ativo. 

Taxa livre de risco (Rf) 

A taxa livre de risco é um conceito financeiro que se refere ao rendimento esperado de um investimento considerado isento de riscos. Ela é comumente relacionada aos títulos do Tesouro Direto —como o Tesouro Selic 

Esses investimentos possuem o menor risco do mercado por terem o Governo Federal como devedor. A razão é que dificilmente o ente público se tornaria inadimplente, já que a situação poderia prejudicar sua economia e a confiança do mercado. 

Beta (β) 

O beta é um indicador financeiro que mostra quanto o preço de um ativo varia em relação ao mercado. Trata-se de uma medida relativa ao risco sistemático do ativo, também conhecido como risco não diversificável. 

Se o beta for maior que 1, significa que o ativo é mais instável que a média do mercado — seu preço tende a variar mais ao longo do tempo. Por outro lado, se o indicador for menor que 1, o ativo é menos volátil, reagindo com uma intensidade menor às variações do mercado.  

Retorno esperado do mercado (ERm) 

O retorno esperado do mercado é a taxa que reflete o desempenho médio do mercado. É comum a utilização de um índice de referência — a exemplo do Índice Bovespa (Ibovespa), composto pelas ações de maior representatividade no país.  

A métrica é relevante por permitir comparar o desempenho de um ativo específico com a performance geral do mercado. Outros índices podem ser usados como referência, sejam eles nacionais ou internacionais. 

Prêmio de risco do mercado (ERm – Rf) 

O prêmio de risco do mercado é a diferença entre o retorno esperado do mercado (ERm) e a taxa livre de risco (Rf). O valor representa o retorno adicional exigido para investir em ativos mais voláteis, em vez de escolher aqueles considerados seguros. 

Esse conceito é um componente essencial na seleção de investimentos. Afinal, se ambos oferecessem o mesmo nível de retorno, não haveria razões para escolher a alternativa mais arriscada, concorda?  

Como calcular o CAPM, na prática? 

Saindo da parte teórica, é pertinente entender como calcular o CAPM, na prática. Assim, você poderá adicionar o indicador às suas análises no momento de decidir sobre um investimento no mercado. 

Suponha que você queira saber se vale a pena investir em ações de determinada companhia. Considere que o ativo livre de risco tenha um retorno de 10,5%, enquanto se espera que o Ibovespa traga um resultado de 15% no período. Tenha ainda que o beta do ativo seja 1,5. 

Aplicando a fórmula, o cálculo ficaria assim: 

ERi = 0,105 + 1,5 (0,15 – 0,105) 

ERi = 0,105 + 1,5 (0,045) 

ERi = 0,105 + 0,0675 

ERi = 0,1725 

Para obter um resultado em porcentagem, basta multiplicar 0,1725 por 100, totalizando 17,25%. Logo, de acordo com o CAPM, o retorno esperado para o investimento, dado o risco sistemático assumido, seria de 17,25%.  

Se o retorno projetado para a ação for superior a esse valor, o investimento pode ser considerado atraente. Em contrapartida, sendo inferior, ele tende a não compensar o risco envolvido. 

Como o CAPM ajuda na tomada de decisões do investidor? 

Como você viu, o CAPM é uma ferramenta útil na tomada de decisões de investimento. O motivo é que ele permite ao investidor avaliar se um ativo está adequadamente precificado em relação ao seu risco. 

Afinal, o CAPM possibilita comparar o retorno esperado de um investimento àquele exigido pelos investidores, ajudando a determinar se o ativo está subvalorizado ou sobrevalorizado. Assim, é possível construir um portfólio que equilibre o retorno esperado para um dado nível de risco. 

Ao analisar o beta dos ativos, você consegue identificar aqueles mais sensíveis às variações do mercado e determinar se o retorno esperado justifica o risco assumido. O modelo contribui para a formação de uma carteira diversificada e eficiente. 

Quais são as considerações ao usar esse modelo? 

Embora útil, o CAPM deve ser usado com outros indicadores ao decidir sobre investimentos por ter suas limitações. Uma delas é a suposição de uma taxa livre de risco constante, quando, na realidade, ela pode flutuar — especialmente em mercados emergentes.  

Além disso, o modelo usa o beta, que se baseia em dados históricos para medir a volatilidade de um ativo em relação ao mercado. Isso significa que ele não garante retornos futuros, pois existe a possibilidade de o comportamento passado não se repetir.  

Outro ponto é que o capital asset pricing model mede apenas o risco sistemático, ou seja, aquele que afeta todos os ativos do mercado. Já os específicos de um ativo ou setor não são considerados, podendo levar a uma subestimação do risco total. 

Com suas vantagens e limitações, o CAPM é uma das ferramentas mais utilizadas por investidores para entender a relação entre risco e retorno de um ativo. Como visto, o modelo oferece um método claro e prático para avaliar investimentos e ajudar na construção de portfólios eficientes. 

Você gostou de aprender sobre o CAPM? Para encontrar mais fundamentos na hora de escolher seus investimentos, confira as análises disponibilizadas pela Genial Analisa

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