No noticiário financeiro, a sigla Brics é bastante utilizada quando se trata de questões econômicas e políticas envolvendo os chamados países emergentes. Em 2023, ela ficou em evidência no Brasil a partir da notícia de que a ex-presidente Dilma Rousseff ocuparia a gestão do banco do Brics.

Esse fato despertou a curiosidade sobre o significado dessa sigla. O assunto é relevante, em especial, no contexto dos investidores. Por isso, vale a pena aprofundar a origem do termo Brics e a sua importância para o cenário econômico global.

Aproveite para aprender, neste conteúdo, o que é Brics, quais países fazem parte da aliança e mais informações sobre o banco do Brics.

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O que é o Brics?

O termo Brics é um acrônimo que representa um grupo de países que formaram uma espécie de aliança para acumular força e protagonismo no cenário político e econômico internacional. A sigla é formada pela letra inicial de cada nação que o integrava inicialmente — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

No contexto do desenvolvimento econômico, eles são países emergentes, considerados um dos grandes motores do crescimento econômico global. 

Quando a aliança econômica foi criada?

Essa aliança entre países emergentes surgiu no ano de 2001, sendo originalmente chamada de Bric. O nome foi dado pelo economista britânico Jim O’Neill, em um relatório para o Goldman Sachs — um participante institucional do mercado financeiro global.

No documento, intitulado “Building Better Global Economic BRICs”, o economista sugeriu que Brasil, Rússia, Índia e China emergiriam como as principais economias do mundo nas décadas seguintes. Porém, naquela ocasião, não existia uma real colaboração entre os países.

Esse cenário mudou quando os ministros de relações exteriores dessas nações se reuniram pela primeira vez, em 2006. O encontro foi realizado em Nova York, paralelamente a uma Assembleia-Geral da ONU (Organizações das Nações Unidas), formando uma aliança informal.

A partir de 2009, os encontros se tornaram anuais e passaram a contar com a presença dos chefes de Estado. O primeiro encontro oficial se deu em Ecaterimburgo (Rússia), naquele ano. Em 2010, foi a vez de Brasília (Brasil) sediar a reunião, seguido do encontro em Sanya (China), em 2011.

Ainda em 2011, a África do Sul se juntou ao grupo, sendo acrescentada a letra “s” (de South Africa) ao acrônimo, que passou a ser chamado de Brics. A inclusão de um país do continente africano expandiu a representatividade geográfica da aliança, aumentando o seu poder de influência.

Quais as características dos países que compõem o Brics?

Como você viu, entre 2006 e 2010, o Brics era formado por 4 países emergentes. No entanto, para ampliar a sua representatividade, em 2011, o grupo adicionou mais uma nação à aliança.

Veja as principais características dos 5 países que formam a aliança econômica:

  • Brasil: trata-se da maior economia da América Latina, sendo uma grande potência agrícola. Em 2022, o país possuía um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 1,92 trilhão e uma população de 215,31 milhões;
  • Rússia: é o maior país do mundo em extensão territorial, possuindo grande riqueza em recursos naturais. Em 2022, o país contava com um PIB de US$ 2,24 trilhões e 143,55 milhões de habitantes;
  • Índia: é uma economia em rápido crescimento, impulsionada por uma grande população e uma indústria de tecnologia em expansão. Naquele ano, a nação contava com um PIB de US$ 3,38 trilhões e uma população de 1,41 bilhão;
  • China: é a segunda maior economia do mundo, líder global em manufatura e comércio internacional. Em 2022, ela possuía um PIB de US$ 17,96 trilhões e 1,41 bilhão de habitantes;
  • África do Sul: o país retrata a economia mais industrializada da África, com um setor de mineração significativo. O PIB em 2022 era de US$ 405,8 bilhões, e uma população de 59,89 milhões.

Os dados econômicos e demográficos sobre os países do Brics — como PIB e a sua população atual — podem ser encontrados na base do World Bank Data, de acesso gratuito. Ainda, em agosto de 2023, foi anunciada a entrada de mais 6 países na aliança.

Com a decisão, a partir de janeiro de 2024, passam a participar do Brics a Argentina, Egito, Arábia Saudita, Irã, Etiópia e Emirados Árabes.

Como o Brics funciona?

Por ser apenas um agrupamento, o Brics possui uma natureza informal. Desde a sua origem, não houve a sua formalização por um documento constitutivo, bem como ele não opera com um secretariado permanente.

Por esses motivos, é possível afirmar que os 5 países do Brics não formam um bloco político ou econômico. Na realidade, o que mantém essa aliança é a determinação de seus membros em estabelecerem uma colaboração mútua.

Inclusive, não há uma lista de requisitos ou exigências para fazer parte do grupo. De toda forma, é possível encontrar algumas semelhanças entre os países que o integram. Uma delas é o fato de serem nações emergentes, com economias em desenvolvimento.

Também podem ser destacados fatores como o interesse desses países em atrair investimentos internacionais para aumentar o seu crescimento. Além disso, a maioria deles possui abundantes reservas de recursos naturais, a exemplo de petróleo, gás natural e minérios.

Portanto, o Brics funciona como uma plataforma para cooperação econômica e política entre seus membros. Eles se reúnem regularmente para discutir questões de interesse comum e coordenar políticas em áreas como comércio, finanças, energia e segurança.

Quais os objetivos do Brics?

Sabendo o conceito e o funcionamento do Brics, vale explorar quais são os seus principais objetivos. Afinal, essa aliança está ativa desde 2006, mesmo depois de enfrentar ao menos duas crises globais — o subprime (em 2008) e a covid-19 (em 2020).

A partir de sua formação, o Brics estabeleceu objetivos ambiciosos. Um de seus principais propósitos era obter uma representatividade mais significativa nos fóruns econômicos internacionais, assegurando a voz das nações em desenvolvimento.

A proposta era impulsionar o desenvolvimento de seus países membros e equilibrar as forças com o G7, composto pelas 7 maiores nações desenvolvidas. Entre elas, estão: os Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá.

Para tanto, o grupo realiza anualmente uma cúpula, na qual seus representantes formalizam acordos e implementam medidas de interesse mútuo em diversos campos. Os assuntos abrangem questões técnico-científicas, acadêmicas, culturais, financeiras e econômicas.

Em uma dessas reuniões, chegou a ser criada uma instituição financeira própria, destinada a financiar investimentos entre seus integrantes. A ideia era concorrer com instituições globais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, vinculados à ONU.

Desse modo, a criação do Brics permitiu o surgimento de um espaço para o diálogo, a identificação de convergências e a conciliação de seus membros acerca de diversos temas.

Qual a importância do Brics?

Existem diversas razões que podem justificar a importância do Brics no contexto econômico global. Uma das mais relevantes é o poder financeiro que os 5 países do grupo possuem — juntos, eles representam uma parcela substancial da economia mundial.

No período da pandemia de covid-19, por exemplo, houve um ponto de virada em que a dinâmica do poder econômico global mudou a favor dos países emergentes. Assim, a partir de 2020, os Brics passaram a contribuir mais para o PIB global do que os países industrializados do G7.

Se no passado a soma do PIB das nações do G7 representava quase a metade do PIB global, o cenário mudou com a crise de 2020. Na ocasião, o PIB do G7 caiu para 30%, enquanto o do Brics subiu para 31,5%.

Para visualizar essa mudança com maior facilidade, confira um gráfico elaborado com dados do FMI, sobre o PIB global em poder de paridade de compra (PPC), nas últimas décadas:

Desde então, o Brics passou a representar cerca de um terço da economia global. Ademais, é esperado que, até 2030, a diferença entre o PIB do Brics e o do G7 aumente cada vez mais. Afinal, considera-se que os países emergentes não exploraram todo o seu potencial de crescimento.

Além do aspecto econômico, é válido destacar que os países que compõem o Brics contam com 40% da população do planeta. Logo, a aliança desempenha um papel ativo em questões globais, podendo exercer influência em fóruns internacionais e negociações políticas.

Seus membros compartilham interesses estratégicos comuns, como a busca por uma ordem mundial multipolar e a promoção do desenvolvimento sustentável. Esse aspecto leva a parcerias significativas em diversas áreas, desde comércio até pesquisa e desenvolvimento sustentável.

O que é o banco do Brics?

Após aprender detalhes sobre o surgimento do Brics e sua importância para a economia e política internacional, chegou o momento de conferir o que é o banco do Brics. Além de ser uma aliança econômica e política, o grupo criou uma instituição financeira, como você viu.

Esse banco é conhecido pela sigla NDB (New Development Bank). A sua idealização se deu no ano de 2014, durante a 6ª cúpula do Brics, realizada na cidade de Fortaleza (Brasil), contando com a assinatura de todos os países membros.

O projeto saiu do papel em 2015, quando foi inaugurada a sede do banco em Xangai (China). Também foram instalados escritórios regionais nos territórios dos demais países do Brics. O capital inicial da instituição foi fixado em US$ 100 bilhões.

Cada membro do Brics detém participação igualitária de 20% no capital da instituição. O banco é comandado por um grupo de executivos indicados pelos membros da aliança, e a presidência é rotativa. Os presidentes nomeados têm um mandato de 5 anos.

Em 2020, o Brasil nomeou o empresário Marcos Troyjo para ocupar o cargo até 2025. Contudo, após as eleições presidenciais brasileiras (em 2022) e a mudança de Governo, houve um consenso permitindo que o novo presidente brasileiro substituísse a indicação feita anteriormente.

Com isso, a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, assumiu o cargo a partir de março de 2023, após aprovação pelo conselho de administração da instituição. Ela pode se manter no cargo do banco até 2025.

Qual é o papel do banco do Brics?

Agora que você sabe o que é e quando o banco do Brics foi criado, é preciso compreender qual é o papel da instituição, não é mesmo? O NDB desempenha uma função essencial na promoção do desenvolvimento econômico e sustentável do Brics e outras nações emergentes.

Sua atuação se diferencia das instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, de várias maneiras. Confira!

Alternativa às instituições tradicionais

O NDB atua como uma alternativa às instituições financeiras internacionais convencionais. As nações do Brics entendiam que as políticas e estruturas do FMI e do Banco Mundial nem sempre representariam os interesses dos países emergentes.

Dessa forma, os países-membros do Brics e outras nações podem buscar financiamento e assistência técnica em termos mais favoráveis com o banco. A ideia é que ele tenha alinhamento com suas necessidades e prioridades.

Financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável

Destaca-se que o banco do Brics foi criado em um contexto em que muitos países emergentes enfrentavam dificuldades para obter fundos e financiamentos para seus projetos de infraestrutura. Logo, uma das principais funções do NDB é fornecer apoio financeiro a programas de desenvolvimento sustentável, públicos ou privados.

Essa é uma forma de contribuir com o crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida das populações nessas nações.

Expansão para além dos países-membros

Como você percebeu, a atuação do NDB não se limita apenas aos países-membros do Brics, uma vez que ele oferece assistência financeira a outras nações emergentes. Até 2023, o banco havia emprestado US$ 33 bilhões para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável no mundo todo.

A instituição também havia admitido países como Egito, Bangladesh e Emirados Árabes Unidos como membros adicionais. Em 2023, o Uruguai estava em estágios finais de admissão, bem como a entrada das demais nações, anunciada em Joanesburgo.

Como você viu, o Brics é uma aliança entre 5 países que juntaram esforços para aumentar a sua representatividade na economia e política globais. Ademais, com a criação do banco do Brics, esses países passaram a contribuir com a reforma do sistema financeiro internacional, de modo a promover o crescimento econômico dos seus membros e de países emergentes.

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