Uma calculadora do CDI é uma ferramenta de grande utilidade para investidores — em especial, para aqueles que investem em títulos de renda fixa. Isso ocorre porque ela ajuda a projetar o retorno que se pode obter ao destinar recursos a uma determinada alternativa no mercado financeiro.
Contudo, para usar essa ferramenta corretamente, é importante entender o que é o CDI, como ele é calculado e como ele se aplica aos investimentos. Assim, você poderá fazer análises e comparações de forma mais adequada.
Calculadora de CDI com Taxa Fixa
O que é o CDI?
O CDI é o título usado em operações de empréstimo de curtíssimo prazo feitas entre instituições financeiras. Elas ocorrem quando os bancos emprestam dinheiro entre si, normalmente com prazo de um dia útil.
O processo é exigido para atender à regulamentação do Banco Central (Bacen). A autoridade monetária brasileira determina que os bancos devem encerrar cada dia com saldo positivo em caixa — e o CDI é usado para garantir atendimento a essa regra.
A partir dessas operações interbancárias é calculada uma taxa média de juros, chamada de taxa DI. Apesar dessa diferenciação, é comum tratar a taxa e o CDI como sinônimos no contexto dos investimentos.
Somado a essa função, a taxa DI serve de referência para o rendimento de diferentes aplicações de renda fixa no Brasil. É o caso de títulos privados, como os certificados de depósito bancário (CDBs) e as letras de crédito imobiliário (LCI). Ele também serve como benchmark para alguns fundos de investimento.
O CDI tende a ficar próximo à Selic — a taxa básica de juros da economia brasileira —, tendo um percentual levemente inferior. Por exemplo, a Selic em maio de 2025 estava em 14,75% ao ano (a.a.), enquanto o CDI ficou em 14,65% a.a.
Como essa taxa é calculada?
O cálculo do CDI é uma responsabilidade da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) — ligada à bolsa de valores brasileira, a B3.
Diariamente, a Cetip realiza uma média ponderada das taxas de juros praticadas nessas operações de empréstimos de curtíssimo prazo. Para o cálculo ser realizado, é preciso que tenham acontecido 100 ou mais operações elegíveis entre as instituições financeiras.
Ainda, o somatório movimentado deve ser igual ou superior a R$ 30 bilhões — e há diversos fatores de complexidade do cálculo. Nesse sentido, o CDI é uma taxa diária, mas, para facilitar a comparação, normalmente se fala em CDI anualizado.
A Selic, por outro lado, é de responsabilidade do Comitê de Política Monetária (Copom) do Bacen. O grupo costuma se reunir a cada 45 dias para analisar o cenário econômico e optar pelo aumento, pela manutenção ou pela redução da taxa básica de juros.
Consequentemente, essas decisões se refletem no percentual do CDI. Se a Selic sobe, o mesmo tende a acontecer com a taxa DI. Caso você deseje saber como está o CDI, é possível consultar a informação no site da B3.
Histórico do CDI
Confira o histórico mensal do CDI entre janeiro de 2023 e junho de 2025!
| Data | Taxa de juros acumulada no mês (%) |
| 01/2023 | 1,12 |
| 02/2023 | 0,92 |
| 03/2023 | 1,17 |
| 04/2023 | 0,92 |
| 05/2023 | 1,12 |
| 06/2023 | 1,07 |
| 07/2023 | 1,07 |
| 08/2023 | 1,14 |
| 09/2023 | 0,97 |
| 10/2023 | 1,00 |
| 11/2023 | 0,92 |
| 12/2023 | 0,89 |
| 01/2024 | 0,97 |
| 02/2024 | 0,80 |
| 03/2024 | 0,83 |
| 04/2024 | 0,89 |
| 05/2024 | 0,83 |
| 06/2024 | 0,79 |
| 07/2024 | 0,91 |
| 08/2024 | 0,87 |
| 09/2024 | 0,84 |
| 10/2024 | 0,93 |
| 11/2024 | 0,79 |
| 12/2024 | 0,93 |
| 01/2025 | 1,01 |
| 02/2025 | 0,99 |
| 03/2025 | 0,96 |
| 04/2025 | 1,06 |
| 05/2025 | 1,14 |
| 06/2025 | 0,16 |
Por que CDI e Selic são considerados taxa livre de risco?
Um conceito muito usado em análises no mercado financeiro é o de taxa livre de risco. Ela consiste no retorno mínimo esperado por um investidor em uma aplicação que, em teoria, não envolve riscos de crédito ou de mercado.
Para entender melhor, considere o caso do Tesouro Selic, título público pós-fixado do Tesouro Direto. Como o nome indica, esse título rende de acordo com a taxa Selic. Além disso, como ele é ligado ao Governo Federal, os riscos de calote são irrisórios.
Outra característica é que o Tesouro Selic não lida com os efeitos da marcação a mercado com a mesma intensidade que títulos prefixados ou híbridos. Para eles, mesmo que seja possível fazer resgates antecipados, a garantia de retorno só existe no vencimento, sabe?
Dessa forma, um resgate do Tesouro Selic, independentemente do momento, raramente traz o risco de o investidor perder dinheiro. Os retornos ocorrem conforme o acumulado da Selic do momento da aplicação até o resgate.
Seguindo a mesma lógica, o CDI pode ser visto como uma taxa livre de risco. Um certificado de depósito bancário pós-fixado de um grande banco, por exemplo, tende a lidar com baixo risco de crédito e menor efeito da marcação a mercado.
Para efeito de comparação com demais alternativas do mercado financeiro, inclusive na renda variável, a taxa livre de risco se torna uma métrica de referência. A ideia é que se um ativo oferece mais risco, ele precisa render mais do que o CDI ou a Selic para compensar essa exposição, entendeu?
Como as variações do CDI afetam seus investimentos?
As movimentações do CDI influenciam direta e indiretamente a rentabilidade de diversos investimentos de renda fixa. O motivo é que o indicador funciona como uma espécie de termômetro do mercado financeiro, refletindo o custo do dinheiro entre os bancos.
Quando o CDI está em alta, o investidor tende a se beneficiar se tiver aplicado em títulos indexados por ele. Afinal, quanto maior é a taxa DI, mais alto é o retorno da aplicação no período.
Para ilustrar, um CDB com rentabilidade de 100% do CDI rende mais em um cenário de juros a 13% ao ano do que se a taxa estiver em 9%. A dinâmica vale para outros investimentos pós-fixados, que acompanham o CDI ou a Selic de perto.
Por outro lado, quando o CDI começa a cair, os rendimentos desses mesmos títulos diminuem. Ademais, há os impactos indiretos em outras aplicações, tanto prefixadas quanto híbridas. Isso ocorre pela marcação a mercado, como você já viu.
Ela é uma atualização diária do preço dos títulos de renda fixa, conforme as condições do mercado — em que os juros são um dos principais fatores. O percentual da Selic ou do CDI influencia a atratividade dessas aplicações no mercado secundário, fazendo com que um resgate antecipado não tenha garantia de lucro.
Quais investimentos seguem o CDI?
Chegando até aqui, você entendeu que o CDI é um índice cujo percentual fica próximo da Selic. Agora, vale a pena saber quais investimentos seguem essa taxa e podem compor sua carteira de investimentos.
Conheça as principais alternativas!
CDB
O CDB é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos junto aos investidores. Ao investir nessa alternativa, você empresta dinheiro a uma instituição bancária (emissora) e, em troca, recebe juros pela operação.
Se o CDB for pós-fixado, normalmente ele rende um percentual do CDI. A aplicação pode ter diferentes prazos e níveis de liquidez, mas é comum encontrar CDBs desse tipo com liquidez diária, facilitando o resgate do investimento a qualquer momento.
Frequentemente, CDBs pós-fixados com liquidez diária são usados para formar a reserva de emergência. Nesse caso, o dinheiro rende ao longo do tempo e o investidor consegue resgatá-lo em caso de necessidade.
Porém, os CDBs lidam com alíquotas do Imposto de Renda (IR) sobre os lucros. Os percentuais são:
- até 180 dias: 22,5%;
- de 181 a 360 dias: 20%;
- de 361 a 720 dias: 17,5%;
- acima de 720 dias: 15%.
Resgates antes de 30 dias ainda têm a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os lucros. Assim como o IR, as alíquotas são regressivas.
Saiba que CDBs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Devido a essa cobertura, o investidor tem a garantia de receber o seu dinheiro de volta caso o emissor do título enfrente problemas financeiros.
Ao mesmo tempo, há limites estabelecidos pelo FGC. A proteção é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por emissor, contando o montante principal mais os rendimentos. A cobertura global é de até R$ 1 milhão, mas esse teto é renovável a cada 4 anos.
LCIs e LCAs
Outros investimentos que podem seguir o CDI são as letras de crédito imobiliário e as letras de crédito do agronegócio — LCIs e LCAs, respectivamente. Elas são títulos de renda fixa emitidos por bancos para captar recursos para o financiamento de atividades e projetos ligados ao setor imobiliário e ao agro.
LCIs e LCAs possuem diferentes prazos de vencimento e tipos de liquidez conforme o emissor. Contudo, em 2025, quando indexadas ao CDI, essas aplicações tinham um prazo mínimo de 6 meses.
Vale ressaltar que a principal diferença entre elas e os CDBs se refere à tributação. Enquanto o CDB sofre a incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, a LCI e a LCA eram isentas para pessoas físicas em junho de 2025.
O objetivo é atrair capital para financiar esses dois setores econômicos. A isenção tem o potencial de ampliar a rentabilidade líquida dos investidores, mesmo que a promessa de retorno seja inferior — mas é preciso uma análise completa antes de decidir, ok? LCIs e LCAs têm cobertura do FGC.
CRIs, CRAs e debêntures
Somando-se a essas aplicações, para investidores qualificados podem ter acesso aos títulos de crédito privado:
- certificado de recebíveis imobiliários (CRI);
- certificado de recebíveis do agronegócio (CRA);
- debêntures.
Esses títulos são emitidos por empresas ou securitizadoras e servem, principalmente, para financiar projetos do setor privado. Por não ter cobertura do FGC e nem sempre apresentar garantia, eles costumam oferecer retornos mais altos para os investidores, buscando compensar os riscos.
Como acontece com LCIs e LCAs, CRIs e CRAs eram isentos de IR sobre os lucros até junho de 2025. Já as debêntures podiam ter essa característica se fossem classificadas como incentivadas — quando atreladas a projetos de infraestrutura.
Entretanto, diferentemente dos demais títulos, CRIs, CRAs e debêntures não contam com a proteção do FGC. Eles também tendem a exigir aplicações iniciais mais altas. A promessa de retorno normalmente superior funciona para compensar a ausência de cobertura e a menor liquidez.
O que significa quando um investimento rende 100% do CDI?
Quem já investe em renda fixa ou está estudando o assunto provavelmente já se deparou com aplicações atreladas ao CDI. É o que ocorre ao ver que um investimento rende 100% ou 120% do indicador, por exemplo. Mas, afinal, o que esses percentuais significam?
Quando um investimento rende 100% do CDI, quer dizer que o seu retorno acompanha integralmente a variação do indicador. Se ele estiver em 14,65% ao ano, essa é a rentabilidade do título.
No caso de uma aplicação que rende 90% do CDI, considerando o exemplo anterior, significa que ela rende 90% de 14,65% — correspondendo a aproximadamente 13%. Se o CDI aumentar ou diminuir, o investimento acompanha esses movimentos, podendo render mais ou menos, lembra?
É válido ressaltar a necessidade de avaliar a tributação, visto que ela influencia o retorno líquido do investimento. Então somente o percentual do CDI não é suficiente para determinar qual aplicação rende mais, caso esse seja o seu foco ao investir.
Acompanhe uma explicação que ajuda a compreender essa questão de maneira fácil!
CDB 100% do CDI x LCA 100% do CDI
Imagine que você esteja pesquisando investimentos e se depare com dois títulos: um CDB que rende 100% do CDI e uma LCA que promete o mesmo percentual. À primeira vista, pode parecer que ambos trarão o mesmo retorno, mas há uma diferença importante na tributação.
Como você viu, o CDB é tributado de acordo com a tabela regressiva de IR da renda fixa, com alíquotas decrescentes conforme o prazo da aplicação. Por outro lado, a LCA é isenta do imposto para pessoa física.
Nesse contexto, você pode usar a calculadora da Genial,supondo que o CDI esteja em 13,15% ao ano e mantenha-se estável. Considere que você queira investir R$ 10 mil para resgatar em três anos (1095 dias).
Tanto o CDB quanto a LCA renderiam, de forma bruta, R$ 4.486,51, totalizando R$ 14.486,51 ao fim do período. Entretanto, no caso do CDB, com a incidência do IR sobre os rendimentos, haveria um desconto de R$ 672,98.
Já na letra de crédito do agronegócio, o montante final permaneceria em R$ 14.486,51, já que não havia cobrança de imposto até junho de 2025. Embora os dois investimentos tenham a mesma rentabilidade (100% do CDI), eles oferecem retornos líquidos distintos.
Cabe destacar que o exemplo considera que o CDI permaneça em 13,15% ao ano durante todo o período, o que tende a não acontecer na prática. Mesmo assim, ele ilustra bem como a tributação impacta o resultado de cada aplicação.
Como calcular o rendimento mensal do CDI?
Muitos investidores se interessam em descobrir como calcular o rendimento mensal do CDI — é o seu caso? A medida ajuda a entender quanto determinada aplicação deve render regularmente, principalmente se tiver a chance de fazer um resgate antecipado.
Para esse propósito, é natural que muitas pessoas pensem em dividir o percentual por 12. Porém, a taxa de juros do CDI é do tipo composta. Logo, o cálculo a ser feito é mais complexo.
Para saber o resultado do rendimento mensal, o mais indicado é recorrer a uma ferramenta que facilite esse cálculo, como uma calculadora do CDI. Com ela, você consegue simular condições diversas para compreender como determinado investimento tende a se comportar.
Essa calculadora oferece estimativas com base na taxa DI anual atual. Os cálculos são apenas informativos e podem apresentar variações conforme o CDI e outros fatores, como o Imposto de Renda.
Por que usar uma calculadora do CDI?
Além de os juros compostos deixarem mais complexo o cálculo do rendimento mensal do CDI, é preciso saber a que retornos correspondem rentabilidades diferentes de 100% do CDI.
Por exemplo, considerando que o indicador esteja em 14,65% ao ano, você saberia dizer com facilidade a quanto corresponde 92% ou 117% da taxa? O primeiro passo é transformar o percentual do CDI em decimal, dividindo-o por 100.
No caso de 92% do CDI, a conta seria:
92 ÷ 100 = 0,92
O mesmo deve ser feito com a rentabilidade do CDI. Se ela for de 14,65%, o cálculo é o seguinte:
13,65 ÷ 100 = 0,1465
Os dois resultados precisam ser multiplicados, totalizando 0,13478. Por último, o valor é multiplicado por 100, levando a 13,478%. Essa é a rentabilidade de um investimento que rende 92% do CDI, considerando que o indicador esteja em 14,65% ao ano.
Como visto, é necessário realizar diferentes contas para se chegar ao resultado — e qualquer erro pode comprometer suas análises. Por essa razão, é importante utilizar uma calculadora do CDI para dar suporte às suas decisões de investimento.
Neste conteúdo, você entendeu melhor o funcionamento do CDI e sua relevância para o mercado financeiro. Se o seu objetivo é saber mais sobre o potencial de retornos, vale a pena usar uma calculadora CDI para projetar ganhos.
