Se você pesquisa sobre a bolsa de valores, pode ter conhecido termos como opções, mercado futuro, mercado a termo e swap. De fato, o mercado vai muito além das ações. Todos esses são exemplos de derivativos financeiros.  

Eles podem ser usados para proteção de investimento (hedge) ou especulação. Levando-se em conta que não é necessário possuir muito capital para operar derivativos, eles estão atraindo cada vez mais pequenos investidores – geralmente pessoas físicas.  

No entanto, se valer dos derivativos sem deter o conhecimento necessário pode expor o interessado a grandes prejuízos. Pensando nisso, nós da Genial, preparamos um artigo para esclarecer o que são os derivativos financeiros, como eles funcionam, além de outras informações úteis. 

Vamos, lá? 

O que são os derivativos financeiros? 

Como pode ser deduzido do nome, os derivativos financeiros são contratos que têm os seus preços e condições derivados de outro produto. Os derivativos podem ser atrelados a um ativo, a uma taxa de referência ou a um índice de mercado. 

Eles são negociados em datas futuras – ou seja, são embasados no preço do ativo em uma data posterior. Portanto, via de regra não se negocia o ativo em si, mas sim o direito sobre ele no futuro (caso a liquidação seja física) ou a posição sobre o seu preço (caso a liquidação seja financeira). 

A origem dos derivativos é anterior aos mercados financeiros atuais. Um dos primeiros relatos sobre a sua negociação remonta a Grécia antiga. A história conta que o filósofo e matemático Tales de Mileto previu uma grande safra de azeitonas em determinado período do ano. 

Com base nessa previsão ele, com pouco dinheiro, alugou todas as prensas de azeitona da região para o período. Na época de colheita, muitos comerciantes precisaram alugar de Tales as prensas para fazer azeite. Assim, ele pode cobrar muito mais do que investiu, obtendo lucro. 

Como os derivativos funcionam? 

Ao conhecer um pouco mais sobre os derivativos financeiros é possível que você esteja perguntando como eles funcionam. Como vimos, a negociação dos derivativos acontece no presente, mas a liquidação só ocorre no futuro. 

Logo, os contratos derivativos precisam ser previamente especificados em relação à quantidade, ao prazo de vencimento e à forma de liquidação. Normalmente, os contratos são padronizados: todos os que negociarem aquele contrato terão as mesmas condições. 

Quando a liquidação é física existe a necessidade de entregar o ativo no vencimento do contrato. Já na liquidação financeira é apurada a diferença de preços, e aqueles que negociaram o contrato terão que pagar ou receber por essa diferença – sem precisar entregar ou retirar o ativo. 

Essas negociações acontecem dentro do mercado de derivativos disponibilizados pela B3 – a bolsa de valores brasileira. No Brasil, o mercado de derivativos já é bastante desenvolvido, principalmente no que se refere à negociação de contratos futuros de índice e dólar

Quais as diferenças de um ativo para um derivativo? 

Ativo financeiro é o nome dado ao que tem valor e é passível de negociação dentro do mercado financeiro. Como exemplo de ativos temos as ações, os FIIs (fundos imobiliários), os ETFs (fundos de índice), os títulos públicos e privados, as commodities entre outros.  

Derivativos, como visto, são contratos que derivam de um ativo principal. Logo, sem o ativo principal eles perdem o sentido, pois não existem por si só. Entre os exemplos de derivativos financeiros se destacam as opções, os contratos futuros, os contratos a termo e os swaps. 

De modo geral, os ativos financeiros são negociados no mercado à vista, isto é a liquidação ocorre no momento da negociação. Por exemplo, ao comprar ações você paga o preço combinado e, após a liquidação, os papeis são incluídos em sua carteira de investimentos. 

Já os derivativos são negociados no mercado de derivativos, e a liquidação acontece em data futura. Por exemplo, um investidor que negocia opções de uma ação, terá combinado uma data de vencimento da opção para poder exercer ou não o direito de comprar ou vender o ativo. 

Quais são as principais características dos derivativos? 

Percebeu como o mercado de derivativos é bastante específico? Seja em relação aos instrumentos existentes ou às suas características.  

De toda a forma, os derivativos possuem três características principais em comum. E vale a pena retomá-las para ficar mais fácil entendê-los. 

Saiba quais são! 

O preço baseado no valor de um ativo 

Você já viu que um derivativo não tem como existir sozinho. Logo, uma de suas principais características é ter seu preço baseado em ativo subjacente, uma taxa de referência ou um índice de mercado. 

A liquidação (física ou financeira) em data futura 

Também vimos que a liquidação de um derivativo pode ser física ou financeira a depender da forma contratada, mas acontecem em data futura.  

Vale destacar que grande parte dos derivativos negociados possui a liquidação financeira, não sendo necessário os interessados receberem, de fato, o ativo. 

Investimento inicial baixo; 

No geral, o preço dos derivativos é muito inferior ao do ativo a que estão atrelados. Isso pode permitir alavancagem para quem negocia. Por exemplo, existem opções de ações que são negociadas na casa dos centavos, permitindo que com poucos reais se faça grandes operações. 

Quais são os principais derivativos do mercado financeiro? 

Agora que você conhece o que são derivativos financeiros, como eles funcionam e suas principais características é hora de descobrir os tipos existentes. 

Confira! 

Opções 

As opções são derivativos que garantem o direito de comprar ou vender um ativo a um preço predeterminado em data futura. Negociadas no mercado de opções, as mais conhecidas no Brasil estão atreladas às ações. 

Quem compra uma opção paga ao vendedor uma quantia conhecida como prêmio. Não se trata o mesmo preço do ativo, e sim um montante para garantir a compra ou a venda desse ativo em uma data futura. 

O comprador passa a ser o titular da opção. Na data de vencimento do contrato, ele sempre poderá exercer o direito de compra ou venda do ativo. Contudo, após uma alteração feita pela B3 em maio de 2021, o exercício será automático se for benéfico ao titular. 

Caso o exercício não seja benéfico ao titular da opção, ele ainda assim poderá exercê-la. Se não fizer isso, o derivativo expira e o titular abre mão do direito – mas não terá restituído o valor que pagou como prêmio. Nos termos utilizados pelos operadores de mercado diz-se que a opção virou pó. 

Por outro lado, o vendedor da opção é chamado de lançador. Ele é a parte que se obriga a comprar ou vender a opção no caso de exercício. Nesse sentido, caso o lançador não tenha o ativo na data de exercício ele terá que comprá-lo no mercado para entregar ao titular. 

Contratos futuros 

Os contratos futuros, como o nome já aponta, são contratos referenciados em uma data de vencimento futura. Negociados no mercado futuro, a compra e venda é feita com base na presunção do preço que um ativo estará no futuro. 

Assim, a negociação é diferente do que ocorre no mercado de opções. Nos contratos futuros, o interessado assume uma posição no mercado, seja comprada ou vendida. A escolha é feita com base no que a pessoa acredita que acontecerá, se o ativo valorizará ou perderá valor no futuro. 

Em determinado horário do pregão, as operações passam por um ajuste diário. Assim, aqueles que estão posicionados são creditados ou debitados de suas posições. O lucro ou prejuízo é feito com base na soma dos ajustes até o vencimento do contrato, se a posição for mantida até lá. 

Note que não há uma liquidação física nesse mercado, e sim uma liquidação financeira. Os contratos futuros mais negociados no Brasil são os de índice (atrelado ao Ibovespa) e dólar. Mas também existem contratos futuros de commodities como boi gordo, milho, soja, café, entre outros. 

Contrato a termo 

No mercado a termo as negociações são mais básicas que nas duas outras modalidades apresentadas. Operações feitas a termo consistem, no geral, na negociação de compra e venda de um ativo entre dois investidores, com um prazo determinado. 

Assim que a data combinada chega, a operação é liquidada e o comprador paga o valor combinado ao vendedor que, por sua vez, entrega o ativo negociado. Como o pagamento não é realizado no mesmo dia em que o negócio é celebrado, o vendedor recebe juros sobre o valor da negociação. 

Apesar da taxa poder ser livremente negociada entre as partes, geralmente ela fica próxima aos juros encontrados em investimentos clássicos de renda fixa.  

Além disso, vale saber que, no momento da negociação, o comprador não precisa ter todo o dinheiro do negócio. É possível operar alavancado. 

Ademais, a negociação do contrato a termo pode ser desfeita antes de sua data de vencimento. Dessa forma é uma modalidade capaz de atender tanto quem busca operações de curto prazo, quanto quem visa o longo prazo

Swap 

O swap se baseia na troca de risco entre as partes de uma negociação. Isto é, há uma alteração dos índices utilizados na operação de investimento, com o objetivo de evitar ou diminuir a exposição à volatilidade de um ativo. 

Existem diferentes tipos de swap, a depender do investimento a qual ele está atrelado. Por exemplo, um swap cambial faz a troca de flutuação do câmbio por uma taxa predeterminada. Também é permitido fazer a troca de cotações de moedas. 

Outro contrato de swap bastante conhecido é o de índices. Por exemplo, pode ser realizada a substituição do Ibovespa por uma taxa de juros, ou algum outro índice de mercado. Cada parte paga os valores referentes à sua posição para que o contrato se encerre. 

Na prática, o investidor vende o seu retorno ou variação do ativo para uma instituição financeira. É estipulado um prazo de vencimento e na respectiva data, há a liquidação dos resultados. 

Quais as vantagens de operar um derivativo? 

Os derivativos financeiros são conhecidos por trazerem duas principais vantagens: a possibilidade de fazer a proteção de um investimento (hedge) ou oferecer grande retorno no curto prazo (especulação). 

Veja como funciona! 

Hedge 

A estratégia de hedge consiste em defender a posição de um investimento através de outro – que pode ser um derivativo. É possível fazer isso ao adquirir opções de ações, por exemplo, evitando sentir grandes impactos com a queda dos seus papéis. 

Além disso, outra possibilidade é utilizar instrumentos descorrelacionados. Por exemplo, um investidor que tenha uma carteira de ações brasileiras poderá fazer a proteção dela adquirindo contratos futuros de dólar. 

Como o dólar possui uma correlação negativa com a bolsa brasileira, é de se esperar que, se as ações brasileiras caírem, o dólar ganhará valor. Nesse sentido, o investidor perderá capital com as ações em queda, mas receberá lucro com o dólar em alta, equilibrando o risco do investimento. 

Especulação 

Já a estratégia de especulação com derivativos permite ao trader usar pouco dinheiro para alavancar suas operações de modo a extrair maior potencial de lucro delas. Como visto, os mercados de derivativos costumam oferecer a chance de alavancagem. 

Assim, é possível negociar com capital maior do que o disponível. Ademais, para lançar uma opção de venda, por exemplo, não é necessário que o especulador tenha o ativo. Além disso, as opções normalmente custam poucos centavos, favorecendo o acesso. 

Caso suas previsões se confirmem o especulador terá um retorno como se estivesse operando um grande capital, mesmo sem tê-lo. Por outro lado, se a operação for no sentido contrário, as perdas também serão maximizadas. Logo, é preciso considerar a alavancagem dos riscos. 

Quais os riscos envolvidos? 

Como você pode ver, operar derivativos financeiros não conta apenas com vantagens. Os riscos também estão presentes – como em qualquer operação de renda variável. Portanto, essa pode não ser uma tarefa para iniciantes. 

É preciso considerar, ainda, que o mercado de derivativos conta com uma forte presença de grandes empresas e instituições financeiras, que movimentam bilhões de reais todos os dias. Assim, entrar nele sem o conhecimento do seu funcionamento pode ser bastante prejudicial. 

Imagine, por exemplo, que você venda opções sem ter o ativo em carteira. Caso o preço do ativo suba bastante, você poderá sofrer um prejuízo muito grande se houver o exercício da opção. Isso porque precisará comprar o ativo para entregá-lo ao titular. 

Conseguiu compreender o que são os derivativos financeiros e como eles funcionam? Lembre-se de conhecer bem o mercado para tomar boas decisões alinhadas à sua tolerância ao risco. Caso precise de ajuda, não deixe de consultar um profissional na sua corretora de valores

Gostou desse conteúdo? Aproveite e aprenda sobre o que é hedge cambial no mercado futuro!

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