As empresas de varejo desempenham um papel relevante na economia, sendo uma das grandes responsáveis pelo consumo da população. No Brasil, há diversos players nesse segmento e muitas dessas companhias estão listadas na bolsa de valores brasileira, a B3.
Contudo, apesar da sua relevância, as varejistas lidam com diversos desafios em sua atuação. Fatores como taxas de juros e ciclos de mercado são elementos que influenciam a performance do nicho e, consequentemente, dessas empresas.
Pensando nisso, nós, da Genial Investimentos, criamos este conteúdo para ajudá-lo a conhecer as empresas de varejo do Brasil. Aqui, você entenderá quais são as ações do setor na bolsa, qual a realidade da área e entenderá como definir se vale a pena investir no setor de varejo.
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Qual o panorama do varejo brasileiro?
O varejo brasileiro registrou dados relevantes ao longo dos últimos anos, embora nem todos tenham sido positivos. De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comércio varejista encerrou o ano de 2022 com um crescimento de 1% no volume de vendas.
Esse desempenho representou o pior resultado do setor desde 2016, quando havia registrado uma queda de 6,2%. No entanto, ao longo de 2023, o setor demonstrou resiliência e potencial de crescimento.
A própria PMC monitorou resultados positivos do setor ao longo dos primeiros meses do ano. A pesquisa mostrou que, no primeiro semestre de 2023, o setor varejista acumulou um aumento de 1,3% em comparação ao mesmo período de 2022.
No acumulado de 12 meses, encerrando no início do segundo semestre de 2023, o varejo manteve uma trajetória positiva pelo nono mês consecutivo. O setor atingiu 0,9% de crescimento já em junho de 2023.
Diversos motivos podem contribuir para o cenário de crescimento e um dos principais foi a inflação. Após os períodos de alta, especialmente em 2021, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entrou em um ciclo de baixa.
A redução na inflação tende a facilitar o consumo, beneficiando o setor varejista. Além disso, após diversas altas consecutivas, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu início aos cortes na taxa Selic no segundo semestre de 2023.
Com a inflação em patamares menores e convergindo para o centro da meta, em conjunto com o corte nos juros, o varejo pode ter margem de crescimento. Entretanto, cada empresa do setor tem seus próprios desafios.
Quais são as empresas de varejo na bolsa?
Agora que você entendeu mais sobre o setor de varejo e suas perspectivas, vale a pena saber mais a respeito das empresas do setor listadas na bolsa brasileira.
Veja mais informações sobre as principais varejistas do mercado brasileiro!
Carrefour (CRFB3)
O Carrefour é uma das maiores redes de supermercados e hipermercados do mundo. A companhia foi fundada na França e se expandiu significativamente ao longo das décadas, alcançando uma presença global.
Na bolsa de valores brasileira, a varejista apresentou uma performance negativa ao longo de 2023. Contudo, o seu desempenho no 2º trimestre do ano se tornou a 3ª vez que o Carrefour registrou prejuízo desde sua oferta pública inicial (IPO).
Vale a pena destacar que o Carrefour conta com outras empresas em seu portfólio, como o Grupo BIG e o Atacadão. Inclusive, a integração do Grupo BIG com o Carrefour foi um dos motivos para outro trimestre de queda da empresa, em 2019.
Em 2023, essa performance negativa pode ser explicada pela desinflação nos preços de alimentos. A queda nos preços pode ter motivado a redução na receita, em especial no Atacadão.
Além disso, o Grupo Carrefour lidou com diversas lojas fechadas para conversão durante os primeiros meses do ano. Com o cenário, houve impactos nas fontes de receita.
Como ponto forte, é possível destacar a conclusão da conversão dos estabelecimentos do Grupo BIG. Outro destaque é o Grupo Carrefour, que oferece soluções financeiras para os clientes e pode contribuir com a fidelização.
Assaí (ASAI3)
O Assaí é outra empresa varejista que merece destaque na B3. A companhia tem uma presença significativa no mercado de atacado no Brasil — tendo o Atacadão, do Carrefour, como um dos concorrentes — e experimentou um crescimento expressivo nos últimos anos.
Anteriormente membro do Grupo Pão de Açúcar, a empresa passou a ser controlada pelo Grupo Casino entre 2021 e 2023. A mudança de controle no grupo foi majoritariamente vista de modo positivo pelos investidores, que enxergam que a empresa pode ganhar em termos de governança.
Na contramão do Carrefour, as ações da Assaí na B3 registraram um desempenho que chama atenção no 2º trimestre do ano. Apesar de também lidar com os reflexos da desinflação, os efeitos foram menores que no Atacadão.
De acordo com a visão da Genial Analisa, isso se deve pela diferença em relação aos públicos no âmbito B2B. O Atacadão tem mais exposição a revendedores, enquanto o Assaí atende a transformadores e usuários.
Outro ponto forte do Assaí é seu crescimento no mercado, com abertura de diversas lojas ao longo dos últimos anos. Entretanto, a companhia contava com uma alavancagem alta em 2023, o que pode ser um ponto de atenção.
Magazine Luiza (MGLU3)
O Magazine Luiza, ou apenas Magalu, é uma das grandes referências no comércio varejista brasileiro. A empresa tem uma história relevante e uma presença notável no mercado de varejo, oferecendo uma ampla variedade de produtos e serviços.
Sua força no comércio eletrônico também é um destaque na operação. Além dos produtos próprios, o Magalu possui um marketplace em que outros vendedores podem listar seus itens na plataforma, ampliando a variedade de produtos disponíveis para os clientes.
Porém, na bolsa de valores, as ações da empresa lidam com desafios nos últimos anos — após serem negociadas a mais de R$ 25 em dados momentos de 2020. A varejista registrou prejuízo no 2T23, mas que já estava precificado pelo mercado.
Contudo, o cenário pode ser diferente para a empresa no futuro. O Magazine Luiza ampliou sua presença online e está em processo de desenvolvimento de um ecossistema mais robusto, o que pode ser um fator de destaque.
Os cortes nos juros, que tendem a continuar em 2024, também auxiliam nas vendas. Entretanto, o Magalu, assim como outras varejistas, é mais vulnerável a fatores como juros e inflação.
Casas Bahia (BHIA3)
As Casas Bahia são outro player de destaque no varejo brasileiro, com força em lojas físicas e e-commerces. O grupo, que conta com o Ponto Frio, passou por um rebranding em 2023, mudando seu nome de Via (antiga Via Varejo) para Grupo Casas Bahia.
A intenção foi reestruturar o grupo e buscar se fortalecer usando o nome do principal representante, as Casas Bahia. Com o processo, a empresa desenhou um plano estratégico de crescimento para os próximos anos.
A mudança aconteceu após a Via registrar quase meio bilhão de reais em prejuízo no 2º trimestre de 2023. Além do cenário de juros altos, a Genial Analisa enxerga uma forte desalavancagem operacional na empresa no período.
Contudo, o processo de mudança é um fator que pode ser oportuno para suas ações. O objetivo do plano estratégico é mitigar os riscos de execução e promover o crescimento rentável do balanço do Grupo a partir de 2025.
Petz (PETZ3)
O segmento pet é um dos que mais cresce no Brasil. Para ter dimensão desse movimento, basta considerar que a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) projeta que o setor deve crescer quase 12% apenas em 2023.
Nesse sentido, um dos grandes nomes do comércio varejista pet na bolsa de valores do Brasil é a Petz. Ela é uma das maiores redes de pet shops e clínicas veterinárias do país, sendo especializada em produtos e serviços para animais de estimação
A empresa opera a maioria de suas unidades no formato de megalojas, que oferecem uma ampla variedade de produtos e serviços no mesmo local. No entanto, a empresa também está presente no comércio digital.
Vale saber que a empresa registrou lucro no 2T23, acima das expectativas do mercado. O resultado foi motivado pela expansão da Petz e a consolidação de suas outras marcas, como a Petix. Nesse sentido, a Petz pode estar bem-posicionada no mercado varejista brasileiro com foco em pets.
Além de já ser líder do setor, analistas da Genial projetam que ela pode controlar cerca de 11% desse mercado até 2025.
Outras varejistas da bolsa de valores são:
- Americanas (AMER3);
- Grupo SBF (SBFG3);
- Alpargatas (ALPA4);
- Grendene (GRND3);
- C&A (CEAB3);
- Grupo Soma (SOMA3);
- Lojas Renner (LREN3);
- Grupo Mateus (GMAT3).
Como investir no setor de varejo?
Após entender mais sobre o setor de varejo e os resultados de algumas empresas da área na bolsa de valores, é hora de saber como você pode investir nesse segmento.
Confira o que considerar no processo de decisão!
Pondere riscos e oportunidades
O primeiro passo é fazer uma análise geral do setor. Ou seja, antes de avaliar cada empresa individualmente, vale a pena entender melhor quais oportunidades o mercado varejista oferece e quais são os riscos.
Um dos principais pontos positivos é a demanda constante que essas empresas experimentam. O varejo atende a necessidades básicas da vida cotidiana, como alimentos, vestuário e produtos para o lar. Logo, as companhias podem gerar fluxo recorrente de vendas, sendo menos expostas à sazonalidade.
A diversificação de áreas é outro destaque. O setor de varejo oferece uma ampla gama de produtos e categorias, como você viu. No geral, isso permite a diversificação de investimentos em diferentes segmentos, como eletrônicos, moda, alimentos, mercados, e-commerce, pet, entre outros.
A crescente integração do comércio eletrônico e lojas físicas oferece oportunidades para empresas que adotam estratégias omnichannel. Como você viu, muitas varejistas já destinam parte considerável do seu foco para os e-commerces.
Porém, os riscos também devem ser considerados. O setor de varejo é altamente competitivo, com muitas empresas disputando participação de mercado.
Ainda, o desempenho do varejo muitas vezes está correlacionado com a economia. Durante períodos de recessão ou atividade fraca, os gastos dos consumidores podem diminuir, prejudicando as vendas.
Um dos cases de sucesso do varejo foi do Magalu. A empresa desenhou um plano de ação e focou no e-commerce durante o período da pandemia, em 2020. Ela viu suas ações saltarem do patamar de R$ 12, em janeiro, para mais de R$ 27 em novembro do mesmo ano.
Já pelo lado negativo, há as Americanas. Por conta de registros incorretos em seu balanço, a empresa se viu com uma dívida superior a R$ 40 bilhões no início de 2023. As ações acumularam uma desvalorização de mais de 90% e a companhia entrou em recuperação judicial.
Faça a análise fundamentalista de ações
Entendendo as oportunidades e os riscos do setor, você deve fazer uma análise fundamentalista de ações se o seu foco for no longo prazo. O processo envolve a avaliação de dados financeiros e informações qualitativas para tomar decisões de investimento.
Então reúna demonstrações financeiras da empresa, incluindo balanço patrimonial, demonstração de resultados e outros documentos. Essas informações estão disponíveis nos relatórios financeiros da empresa na área de relacionamento com investidores (RI).
Também é interessante buscar relatórios e análises elaboradas por profissionais. Na Genial Analisa, por exemplo, os materiais são disponibilizados de forma gratuita. Com ajuda dos nossos analistas, você poderá entender melhor o mercado e embasar suas decisões.
Essas análises de resultados passados não dão certezas sobre como será a performance da companhia. Entretanto, elas são úteis para você entender quais foram os resultados passados e o que esperar para o futuro.
No caso de empresas de varejo, há fatores indispensáveis em sua análise. Entre eles estão as margens da companhia, o seu endividamento, a força da marca e o seu plano de desenvolvimento para o futuro.
Considere a análise técnica
Já se seu objetivo for especular no mercado, é preciso fazer uma análise técnica de ações. A prática consiste na avaliação de indicadores e gráficos para projetar quais podem ser os rumos de preço que uma ação pode tomar.
Assim, o foco do especulador é fazer processos de compra e venda rápidos — muitas vezes, no mesmo dia. Ele avalia os cenários e as tendências de preço antes de assumir uma posição. No caso do varejo, como o mercado costuma ser volátil, os especuladores podem encontrar oportunidades.
Mas, antes de fazer as movimentações, é essencial avaliar aspectos como liquidez, volume de negociação e outros fatores para ter uma análise mais completa. Ainda, vale destacar que o processo de especulação tende a envolver mais riscos que investimentos de longo prazo.
Neste artigo, você entendeu mais sobre as empresas de varejo listadas na bolsa brasileira, visualizando melhor as oportunidades e riscos do setor. Com essas informações, será possível fazer análises mais completas antes de investir.
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