Diferente das moedas tradicionais, que são impressas e regulamentadas pela Casa da Moeda de seu país de origem, as criptomoedas não possuem forma material, seu processo de criação se dá através da “mineração” digital. 

Neste artigo, você vai entender como funciona a mineração de bitcoins e como este processo está impactando o meio ambiente. 

Boa leitura!

O que é a mineração e como ela acontece

A mineração é o nome que se dá ao processo de verificação nas transações do blockchain, sistema base dos criptoativos, que é formado por pedaços de códigos, que são divididos em  blocos, e que ficam ligados entre si como uma rede. São nesses blocos que ficam registradas informações, como os dados de transações de criptomoedas. 

O processo de mineração se dá na verificação da informação apresentada em um desses blocos se é verdadeira ou não. Caso ela seja verdadeira, o bloco é incorporado à rede e ganha um código de criptografia.

Os mineradores são validadores das informações, porque no meio cripto não há um órgão regulador das transações, ou que te disponibiliza um extrato de suas posses em ativos. Por isso, ao realizarem a validação dessas transações, o minerador recebe criptomoedas que estavam armazenadas, e que passam a circular no mercado.

Para validar as transações o minerador precisa  resolver um algoritmo, conhecido como algoritmo de consenso, em meio a uma competição com incontáveis outras pessoas que estão tentando chegar à mesma solução. A primeira pessoa a chegar à resolução recebe a recompensa pelo trabalho, que demanda bastante poder de processamento.  

Por ser um processo intenso, demanda computadores específicos e muito potentes para resolver o algoritmo. O minerador que consegue vencer essa barreira, são atribuídas 6,25 unidades de criptomoedas, que convertendo para o real, o minerador arrecada aproximadamente R $1,2 milhão na cotação de maio de 2022 do Bitcoin.

Segundo a pesquisadora de criptoativos, Marcella Ungaretti, no início, os algoritmos eram mais simples de resolver, então o processo não envolvia computadores superpotentes e podia ser feito individualmente.

Conforme a demanda pela criptomoeda aumentou, foi necessário tornar a mineração mais difícil: quanto maior o poder computacional, hash rate, utilizado para minerar bitcoin ao redor do mundo, maior também é o poder computacional exigido para minerar um bloco. 

Além disso, a quantidade de moedas disponibilizadas aos mineradores também diminui.  A cada quatro anos, é diminuída pela metade a quantidade de moedas que podem ser mineradas, o que significa que todas as 21 milhões só devem estar plenamente disponíveis em 2140, quanto mais próximo do limite, mais complexo e competitivo deve se tornar o processo.

Essa ferramenta serve para impedir a entrada em circulação de muitos bitcoins em um curto espaço de tempo no mercado, o que derrubaria o preço da moeda.

Vale a pena minerar por conta própria?

Embora o mercado seja lucrativo e aberto para qualquer pessoa participar dele, isso não significa necessariamente que indivíduos vão conseguir lucrar muito somente na base da mineração. 

Uma simulação feita no site Nice Hash mostra que um PC equipado consegue trazer lucros mensais de pouco mais de R $1 mil, descontando a conta de luz. Apesar de parecer um lucro fácil, é preciso levar em consideração o fato de que a mineração é um processo intenso e capaz de desgastar sua CPU e placa de vídeo em pouco tempo, e você vai ter que tirar os gastos de renovação de seus lucros.

Como atualmente é difícil que a mineração individual traga resultados, é comum que pequenos mineradores se reúnam nos chamados pools de mineração, que aumentam o poder de processamento total e tornam o processo mais lucrativo. 

No entanto, quem realmente ganha dinheiro com a mineração de Bitcoin são empresas grandes, que conseguem fazer investimentos milionários em verdadeiras fábricas de mineração, recheando galpões com componentes de alto desempenho.

Uma das maiores mineradoras de criptomoedas do mundo é a Genesis Mining, localizada na capital da Islândia, Reykjavik. O clima frio contribui para diminuir os custos com refrigeração, que podem chegar a representar 40% do total gasto. 

Acesso a energia elétrica abundante e barata é imprescindível para essa prática. Segundo análise realizada pelo jornal The New York Times em setembro de 2021, a mineração global de bitcoin consome aproximadamente 91 terawatt/hora anualmente. Isso é mais do que a Finlândia, que tem 5,5 milhões de habitantes, consome no mesmo período.

São essas características, porém, que fazem do Brasil um local pouco adequado à mineração de bitcoin. Além de a energia ser cara, devido a crise hídrica e o clima tropical, que implica maior investimento em infraestrutura para refrigeração, por exemplo.

Diante dessa alta demanda por computadores cada vez mais potentes para realizar o processo de decodificação do algoritmo, a demanda energética cresceu muito e tem sido pauta de diversas discussões sobre o impacto desta prática no meio ambiente. 

A mineração e o meio ambiente

O processo de mineração do bitcoin tem levantado muitas discussões sobre seus impactos no meio ambiente. Tanto pelo alto consumo de energia, como também a produção de lixo digital, para reparos nestes supercomputadores de mineração.  

Por ser um processo individual para a resolução do algoritmo, que envolve uma série de mineradores competindo ao mesmo tempo, e o primeiro que confirma a transação é quem recebe a recompensa. Isso gera uma ineficiência no processo, porque consome muita energia para ganho de um só.

Este processo tem um consumo alto, e a principal preocupação, é a fonte de energia que é utilizada. Hoje, o país que mais minera bitcoin no mundo é a China, devido ao baixo custo de energia, que usa o carvão como sua principal fonte energética e também para a compra de computadores.

Segundo levantamento realizado pela Universidade de Cambridge, em 2020, 60% da mineração mundial ocorreu na China. Já em abril de 2021, o valor caiu para 46%, em meio ao aumento de medidas do governo para limitar o comércio e mineração das criptomoedas, a China realizou uma série de regulações. 

Além da China, o segundo país com mais mineradoras são os Estados Unidos, Rússia, Malásia e Irã. O Brasil tem uma participação pequena, porque o custo de energia para uma atividade é muito alto.

O estudo da Universidade de Cambridge também aponta que, se todo o setor de mineração de bitcoins fosse um país, seria o 34º maior consumidor de energia. À frente de países como Filipinas e Finlândia, mas atrás de Suécia, Polônia, África do Sul, Brasil e outros. O maior consumidor é a China, com 6453 TWh por ano.

Por isso, crescem as críticas e demandas de investidores para que as mineradoras usem fontes renováveis para a mineração, de baixo impacto ambiental e que correspondem a cerca de 40% da energia usada atualmente, e também de migração para países que ofereçam essas fontes e tenham preocupações ambientais.

 O desafio para as empresas é encontrar localidades que ofereçam energia mais barata.Essa pressão tem feito com que outras moedas apareçam para tentar solucionar a questão ambiental, ou então as já existentes realizam mudanças.

Apesar do bitcoin ter um sistema fechado, que dificulta alterações na mineração, o ethereum, segunda maior criptomoeda, possui um sistema aberto, e os responsáveis pelo ativo têm pensado na questão.

A proposta atual seria de mudança do “proof of work”  prova de trabalho para o “proof of stake” prova de participação, que o processo é mais sustentável e eficiente, pois envolve o sorteio de um único minerador, que tentará resolver um algoritmo que também exigirá menos capacidade computacional.

Somente se este minerador não conseguir, é aberta a chance para outro atuar, evitando assim uma competição e a atividade simultânea de vários mineradores em um único bloco. 

Agora que você sabe como funciona a mineração de bitcoin e seus impactos, conta para a gente: Você acredita que o sorteio é a melhor forma de selecionar quem irá tentar solucionar o algoritmo? E sobre a sustentabilidade do processo, é dever dos países regulamentarem a mineração ou é de responsabilidade dos criadores dos criptoativos trazer alternativas sustentáveis para suas transações?

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