Se você já conhece o universo das criptomoedas, muito possivelmente já ouviu falar nas moedas Fiat – afinal, o valor dos criptoativos é especificado de acordo com elas.

Moeda Fiat é a moeda impressa e emitida pelo Banco Central de qualquer país, como o real e o dólar, por exemplo. Ela é considerada uma moeda fiduciária porque representa títulos não-conversíveis – ou seja, que não possuem nenhum valor intrínseco.

Apesar de parecer complexo à primeira vista, quando falamos em moedas fiduciárias, estamos falando de cédulas de dinheiro, títulos de crédito e saldo em conta corrente, por exemplo. Ficou curioso para saber mais sobre o assunto e entender como tudo isso se aplica no seu dia a dia? É só seguir a leitura!

O que são moedas fiduciárias 

As moedas fiduciárias – ou, Fiat – são títulos, documentos e moedas oficiais no geral não lastreados em metais valiosos; isso quer dizer que elas não possuem valor intrínseco. Estamos falando aqui de dinheiro em papel (a exemplo do real e do dólar), títulos de crédito, notas promissórias, cheques e moedas no geral.

Sua aceitação é obrigatória por lei, e qualquer imposto e ou tributo é pago nessa moeda. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, nenhuma reserva ou bem de um país serve como garantia para as moedas fiduciárias.

Não se sabe com precisão quando elas surgiram no ocidente – mas estima-se que elas tenham sido criadas em 1661 por um empresário que desejava emplacar o papel-moeda na economia. À época, no entanto, ele não foi bem-sucedido.

De onde vem o seu valor

Você deve estar se perguntando, então, como elas são valoradas, certo? O valor atribuído às moedas Fiat se dá, de forma praticamente implícita e automática, pela economia, pelo governo e pela dinâmica da sociedade no qual a moeda está inserida. 

Se pararmos para pensar, uma cédula de R$50 – ou de qualquer outro valor – na prática, é apenas um papel. O que garante o seu valor são os acordos implícitos entre o governo e a sociedade, a credibilidade do órgão emissor da moeda e a sua adesão pelas pessoas físicas e jurídicas. 

Essa lógica vale, inclusive, para as criptomoedas: quando surgiu, o Bitcoin praticamente não possuía valor de mercado, já que sua adesão era baixa tanto como meio de pagamento, quanto como um investimento. À medida que foi se popularizando e se tornando mais aceito, o criptoativo passou a adquirir cada vez mais valor perante à sociedade. 

Portanto, o valor de uma moeda Fiat é atribuído de forma dinâmica pelas várias interações entre economia, governo e sociedade.

Diferença entre as moedas fiduciárias e lastreadas

Como vimos, uma das principais características das moedas fiduciárias é não possuir lastro – que nada mais é do que a garantia que assegura o valor de determinado ativo. Por exemplo: o lastro de um Fundo Imobiliário são os próprios imóveis.

Por definição, fiduciário é algo cujo valor depende somente da confiança a ele dispensada. Portanto, não há garantias e ou reservas quando falamos de moeda fiduciária.

Enquanto isso, as moedas lastreadas possuem valor atrelado a algum bem durável, como metais preciosos (ouro e prata, principalmente). Na prática, isso quer dizer que todo o dinheiro emitido por um governo deve, obrigatoriamente, estar baseado nos bens que o país possui, de forma proporcional. 

Para entendermos essa relação na prática, imagine que você tenha pegado um dinheiro emprestado com um amigo no passado, mas não tenha condições de pagá-lo no momento. Para gerenciar a situação, você registra em um papel que o pagará no próximo mês, caso contrário, ele poderá pegar o seu celular como garantia.

Esse papel, ao ser entregue, passa a ter a função de uma moeda lastreada, servindo como uma garantia do seu compromisso. 

Em contrapartida, imagine que você tenha entregue ao seu amigo um cheque pré-datado. Ele não possui garantia nenhuma que você irá pagar, pois se entrar com o cheque e não tiver fundos, ele sairá no prejuízo, certo?

Esse último é um exemplo de moeda fiduciária, pois a relação se baseia na confiança.

Relação entre as moedas fiduciárias e as criptomoedas 

As moedas fiat são a base da nossa economia – e o valor das criptomoedas é determinado com base nelas. Quando queremos saber a cotação de uma cripto, por exemplo, pegamos como referência uma moeda Fiat – como o real e o dólar.

As criptos são moedas exclusivamente digitais, que possuem seu valor definido, prioritariamente, pela lei da oferta e da demanda, ou seja, pelo comportamento do mercado como um todo.

Apesar de não haver um acordo entre o governo e a sociedade que determine o valor das criptomoedas, como ocorre com as moedas Fiat, ambas precisam da adesão da sociedade para que ganhem força e espaço no mercado.  

Há também as stablecoins, que são criptomoedas lastreadas em alguma moeda Fiat: é o caso do Tether (USDT) e do USD Coin (USDC), por exemplo, que replicam o valor do dólar.

Em linhas gerais, as moedas fiduciárias fazem parte de um sistema totalmente centralizado, no qual os órgãos intermediários atuam viabilizando as transações – o que não ocorre no universo das criptomoedas, que são originalmente descentralizadas.

Vantagens e desvantagens das moedas fiduciárias

Vantagens

  • Podem ser geradas a partir da necessidade do emissor;
  • São seguras e de fácil armazenamento;
  • Possuem alto grau de aceitação nas transações nacionais e internacionais.

Desvantagens

  • Podem gerar inflação, uma vez que sua emissão não é previsível;
  • As transações são reversíveis e passíveis de confisco;
  • Não há garantia de bons retornos para os detentores.

A CBDC pode ser considerada uma moeda fiduciária?

Há um movimento no mercado externo, liderado principalmente pelos Estados Unidos e pela China, que visa digitalizar suas moedas nacionais. Uma CBDC (Central Bank Digital Currency) é um exemplo disso: se trata de uma moeda digital emitida por um Banco Central – ou seja, de forma bem resumida, é uma variação da moeda fiduciária.

As CBDCs possuem as características de uma moeda Fiat, pois são totalmente dependentes da confiança do emissor. Os registros são feitos em uma plataforma distribuída (podendo ou não ser uma blockchain), e elas circulam como qualquer outra moeda tradicional no país – no entanto, não podem ser consideradas criptomoedas, uma vez que sua emissão e as transações que a envolvem dependem exclusivamente da vontade do emissor.

Legal, não é mesmo? Você já tinha ouvido falar nas moedas Fiat/fiduciárias? E nas CBDCs? Conte para a gente deixando um comentário aqui no blog!

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