Quem nasceu na Geração Z e Alpha (a partir de 1990), talvez nunca viva a experiência de precisar aguardar um ou mais dias úteis para receber uma transferência bancária. Afinal, com o surgimento de novos meios de pagamentos, é possível transmitir qualquer quantia financeira em instantes — mas nem sempre foi assim.

Aqueles que integram as gerações anteriores (Baby Boomers, Geração X e Millennials) podiam se valer do DOC e TED quando queriam transferir valores entre contas ou para terceiros, o que demandava mais tempo. A novidade é uma dessas modalidades — o DOC — está próxima de ser encerrada.

Portanto, se você ainda não se atualizou quanto às novas tecnologias de pagamento, veja qual mecanismo deve substituir o DOC e por que ele será descontinuado.

Aproveite a leitura!

O que é DOC e TED e quando eles surgiram?

Antes de saber o motivo do fim do DOC e entender se haverá alguma mudança em relação ao TED, é válido conhecer cada uma dessas ferramentas e quando elas surgiram.

Confira, a seguir!

DOC

A sigla DOC é a forma abreviada de documento de ordem de crédito. Trata-se de um mecanismo de transferência de recursos presente nas instituições financeiras do Brasil. Criado em 1985, o DOC permite enviar até R$ 4.999,99 (em 2023) de uma conta para outra, de mesma titularidade ou diferente.

Mais uma característica do DOC é que o crédito objeto da transferência cai na conta do destinatário no dia útil seguinte à data de emissão. No entanto, a depender da data e horário em que a operação foi feita, a compensação poderá levar mais de um dia.

Por exemplo, se você fizer um DOC até as 22h de uma segunda-feira, ele cairá na conta do destinatário na terça-feira. Agora, caso o DOC seja feito nesse dia, mas após esse horário, ele será processado na terça-feira e será pago na quarta-feira.

Já os DOCs realizados aos sábados, domingos e feriados, quando não há expediente bancário, a ordem será processada no primeiro dia útil seguinte e descontada no próximo dia útil. Ou seja, o interessado poderá ter que esperar por mais de 4 dias corridos para o pagamento cair.

Imagine um DOC feito na sexta-feira, após as 22h, que antecede uma segunda-feira de feriado. Nesse cenário, a ordem será processada na terça-feira e o pagamento acontecerá na quarta-feira. Diante disso, a operação pode ser morosa para quem precisa do dinheiro rapidamente.

TED

Visando trazer mais agilidade para operações de transferências, o Bacen (Banco Central) criou o TED, sigla para “transferência eletrônica disponível”. A finalidade da operação é a mesma que o DOC, isto é, transferir recursos entre contas bancárias de uma mesma ou de outras instituições.

A transferência por TED é conhecida por sua rapidez, pois o dinheiro é transferido em poucos minutos. Entretanto, para a transação ser concluída no mesmo dia, é necessário que a operação seja feita em dias úteis, até as 17h.

Isso significa que transferências realizadas aos sábados, domingos e feriados, ou após o horário de expediente bancário, serão compensadas no próximo dia útil. Logo, em relação ao DOC, o TED pode ser bastante útil na rotina para diferentes finalidades, como:

  • pagamento de fornecedores;
  • depósito de salário de funcionários;
  • realização de compras à vista;
  • transferências de toda a natureza.

Quando lançado, o TED estava disponível apenas para transferências acima de R$ 5.000,00. Esse limite forçava os interessados a se valerem do DOC para quantias até R$ 4.999,99 e o TED para montantes superiores. Porém, com o tempo, a quantia mínima exigida foi reduzida até ser extinta.

Assim, não há mais quantia mínima ou máxima para transferências por meio de TED. Então o interessado tem maior flexibilidade para movimentar quantias entre suas contas ou enviar para terceiros, desde que em dias úteis e dentro do horário de expediente bancário.

Como fazer um DOC ou TED?

Após aprender o que é DOC e TED, vale conferir como eles funcionam, na prática. Ambos podem ser feitos por meio de um caixa eletrônico, internet banking ou aplicativo do banco que você mantém conta.

O acesso costuma exigir a inserção dos seus dados, como agência e conta, além da senha previamente cadastrada ou biometria. Ao entrar no sistema do banco, procure pela opção “Transferências” ou “Fazer transferência”. Nesse menu, você encontra todas as formas de transferências oferecidas por seu banco.

Selecione a opção desejada (DOC ou TED) e siga as demais orientações. Entre elas, você precisará apontar o banco, agência e conta do beneficiário. Em alguns casos, pode ser necessário informar o nome e o CPF (Cadastro de Pessoa Física) do destinatário da quantia.

Na sequência, insira o montante que será transferido e a localização dos recursos (conta corrente ou conta poupança). Por fim, selecione o botão para confirmar a operação e digite a senha cadastrada para a realização de transferências.

Caso tudo esteja em ordem, a operação será processada e liquidada no seu respectivo prazo. Como você já sabe, o DOC será liquidado no próximo dia útil, enquanto o TED poderá ser compensado no mesmo dia, se feito até as 17h.

Ao concluir a operação, será gerado um documento, demonstrando que o envio foi feito. Então não se esqueça de exigir e conferir o comprovante de transferência, para ter a prova da transação e facilitar a sua organização financeira, combinado?

As transferências via DOC e TED vão acabar?

Você viu que as operações via DOC e TED tiveram muita utilidade quando foram criadas, pois eram um mecanismo prático de transferência de valores diante da tecnologia disponível na época. Porém, outros avanços fizeram com que a utilização do DOC, pelo menos, deixasse de ser vantajosa.

Por isso, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) anunciou que o DOC deixaria de ser oferecido pelos bancos associados a partir de fevereiro de 2024. Segundo levantamento do órgão, em 2022, foram realizadas 59 milhões de transações por meio de DOC.

A quantia representa 3,7% do total de operações registradas no SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro). Destaca-se que a utilização do DOC foi menor do que o uso de cheques — que, por sua vez, teve 202,8 milhões de operações registradas no SPB no mesmo ano.

Vale dizer que o cheque é uma modalidade de pagamento de preenchimento manual, criada na Europa no século XVIII. No Brasil, ele é utilizado como meio de pagamento desde 1893, tendo a regulamentação de emissão e circulação no final de 1912.

Ou seja, mesmo um método centenário de transferência de recursos conseguiu superar o documento de ordem de crédito em número de operações. Esse desinteresse da população na utilização do DOC foi utilizado como justificativa para a Febraban dar fim ao sistema.

O TED, por sua vez, continuaria funcionando, já que a quantidade de operações nessa modalidade ainda se mostra elevada (1,01 bilhão, em 2022). De toda forma, após a criação do Pix, o TED já não era mais o meio preferido de transmissão de recursos entre os brasileiros.

Quando o DOC deixará de existir?

Ao se confirmar o cronograma apresentado pela Febraban em 2023, a previsão é de que os brasileiros tenham o prazo de 15 de janeiro de 2024, às 22h, para realizar ou agendar os últimos DOCs. As transferências por pessoas físicas ou jurídicas ainda poderão ser agendadas até essa data para liquidação até o dia 29 de fevereiro de 2024.

Logo, todas as ordens agendadas para depois de 15 de janeiro de 2024 serão liquidadas até 29 de fevereiro de 2024. No mesmo dia, os bancos encerrarão os sistemas de processamento e recebimento de DOCs.

Qual outro sistema de transferência bancária será encerrado com o DOC?

Aproveitando o mesmo cronograma, a Febraban anunciou o encerramento de outro meio de pagamento que caiu em desuso, o TEC (transferência eletrônica de créditos). Criado em 2006, pelo Bacen, o TEC é uma modalidade de transferência de recursos comumente usada por empresas para pagamento de benefícios aos seus funcionários.

Semelhante ao DOC, ele possui limitação de R$ 4.999,99. O diferencial era a possibilidade de transferir recursos para várias contas ao mesmo tempo. O seu uso geralmente reduzia os gastos com tarifas bancárias para realização de transferências.

Isso permitia, por exemplo, a distribuição de salários de uma folha de pagamento, participação nos lucros, auxílios etc. Além disso, o seu pagamento era feito no mesmo dia, desde que a transação fosse realizada no período limite pelas transações DOC e TED.

Por que sistemas como o DOC e TEC caíram em desuso?

Depois de saber que a Febraban decidiu encerrar os sistemas de transferências DOC e TEC, talvez você queira entender o que justificaria a queda na sua utilização. O responsável por diminuir o uso de diversos outros meios de pagamento foi o Pix.

Trata-se de uma solução projetada pelo Bacen a partir de 2018 com o objetivo de modernizar o sistema de pagamento do país. Seu lançamento oficial se deu em 16 de novembro de 2020, com adesão facultativa para algumas instituições.

Ele proporciona a realização de transações financeiras instantâneas, estando disponível 24 horas, todos os dias da semana — inclusive finais de semana e feriados. Desse modo, com ele, não é mais necessário esperar mais de um dia útil para ter a operação liquidada.

Diferentemente do DOC, TED ou TEC, em que as instituições financeiras fazem o intermédio das operações e precisam se comunicar, o Bacen centraliza essa tarefa no Pix. Logo, o Banco Central faz a mediação das transações, não demandando que outras instituições se envolvam.

Desde o seu lançamento, o Pix está isento de taxas para pessoas físicas. Já para pessoas jurídicas, o sistema pode contar com cobranças, segundo as determinações do Bacen. Muitas instituições financeiras têm estipulado, como taxa, um percentual sobre o volume financeiro movimentado.

Logo, é bastante fácil compreender as razões para o Pix ter se popularizado rapidamente no país. Segundo os dados divulgados pelo Bacen em 2022, essa foi a modalidade mais usada no período, veja:

  • R$ 24 bilhões via Pix;
  • R$ 18,2 bilhões pelo cartão de crédito;
  • R$ 15,6 bilhões por meio do cartão de débito;
  • R$ 4 bilhões por boletos;
  • R$ 1,01 bilhão via TED;
  • R$ 202,8 milhões em cheques;
  • R$ 59 milhões via DOC ou TEC.

Quais são as vantagens do Pix sobre o DOC e TED?

Para entender melhor a popularidade do Pix em relação às modalidades DOC e TED, é preciso saber quais são as vantagens que ele oferece sobre essas operações.

Veja, a seguir!

Tempo de transação

Anteriormente, você viu que as transações via DOC costumam levar mais de um dia útil para serem compensadas. Já as operações por meio de TED podem cair no mesmo dia, mas se forem realizadas após o expediente bancário, elas ficarão para o dia seguinte.

Outro detalhe é que tanto o DOC quanto o TED também não são compensados aos finais de semana ou feriados. O Pix rompe com essas limitações, permitindo que transações instantâneas ocorram em poucos segundos, em todos os dias da semana, 24 horas.

Limite no valor das operações

Entre as 3 opções, o DOC é a menos vantajosa em relação ao valor da operação, considerando a limitação de até R$ 4.999,99. O TED e o Pix não contam com um valor máximo ou mínimo de transferência definido pelo Banco Central.

No entanto, é preciso ficar atento, pois o banco que você mantém relacionamento pode estabelecer uma limitação de valores em pagamentos e transferências por Pix. Essa é uma forma de proteger o próprio titular da conta, caso ela seja acessada por terceiros ou criminosos.

Dados exigidos para a transação

Outra vantagem do Pix sobre as operações de DOC e TED são os dados solicitados para a conclusão da transação. Nesse sistema, você tem a opção de transferir através da chamada “chave Pix” do interessado para enviar os recursos. Por exemplo: CPF, CNPJ, e-mail, telefone, entre outros.
Porém também é possível realizar um Pix através do preenchimento de dados bancários.

Cada um desses dados pode ser utilizado para cadastrar uma chave Pix. Em contrapartida, nos modelos DOC e TED, você precisará saber o banco, agência, conta bancária (corrente ou poupança), o nome completo e CPF do destinatário, como você viu.

Custos

O uso do Pix também pode ser mais vantajoso quando são considerados os custos por operação. Em 2023, essa modalidade era isenta de tarifas para pessoas físicas e podia ter cobrança para pessoas jurídicas. Por outro lado, o DOC e TED costumam ser cobrados de pessoas e empresas.

Embora cada instituição tenha liberdade para definir a taxa para o uso do DOC ou TED, em 2023, os principais bancos cobravam entre R$ 7,85 a R$ 15,90. Diante disso, é pertinente verificar qual é a modalidade que melhor atende às suas necessidades em relação a prazo e preço.

Ao chegar até aqui, você aprendeu o que são DOC e TED, e descobriu que o DOC deixará de ser usado em 2024. Já o TED continuará em funcionamento, mas o crescimento e popularização do Pix tendem a fazer com que ele também caia em desuso.

Este conteúdo foi esclarecedor? Compartilhe-o com um amigo ou familiar que ainda utiliza o DOC e o TED para fazer transferências!

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