Ao ingressar no mercado financeiro, o investidor se depara com um grande dilema: como escolher um investimento? Questões como rentabilidade e liquidez são importantes para decidir, mas você já pensou em também considerar o prazo para começar a ter rendimentos a partir do montante investido? 

Uma das ferramentas apropriadas para fazer esse tipo de leitura é a duration. Além disso, ela permite aprimorar a gestão e a avaliação de riscos do seu portfólio. Mas, antes de usá-la, é importante explorar o seu conceito e como é feito o seu cálculo. 

O que significa o termo duration nos investimentos?  

Nem todos os termos encontrados no mercado financeiro estão em português. Isso acontece porque muitas expressões e estratégias foram criadas em mercados estrangeiros, especialmente na Europa e Estados Unidos. 

Um exemplo de uma expressão estrangeira conhecida no mercado brasileiro é a duration. Em tradução literal, duration significa duração, mas isso não é o bastante para compreender esse conceito ou funcionamento. 

No mercado, a duration, ou Duration de Macaulay, é um indicador expresso em tempo, usado para calcular o prazo médio em que o investidor receberá os rendimentos a partir do dinheiro alocado em um título de renda fixa

Quando o título oferece o fluxo de pagamento simples, a aplicação retorna o valor principal alocado, acrescido do total de juros e atualização monetária no período. Nesse caso, a duration coincide com a data de vencimento. 

Porém, a duration também pode ser usada nos casos em que há pagamentos de juros antes do vencimento por meio de cupons. Neste caso, a duration costuma ser menor do que o prazo de vencimento. 

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Como funciona a duration? 

Para entender o funcionamento da duration, é necessário conhecer a forma de rentabilidade das alternativas de renda fixa. Nessa alternativa, o investidor disponibiliza uma quantia financeira para o emissor de um título e recebe uma remuneração por isso. 

Na prática, o retorno de uma aplicação de renda fixa é atrelado a uma taxa de juros, que poderá ser: 

  • prefixada: é definida uma taxa fixa; 
  • pós-fixada: o retorno acompanha as variações de um indicador econômico; 
  • híbrida: nessa hipótese são mescladas as duas formas de rentabilidade anteriores. 

No entanto, para receber toda a rentabilidade proposta, é comum que seja necessário levar o investimento até a sua data de vencimento. Isso porque caso a aplicação seja resgatada antes do prazo, o investidor receberá o preço que o título estiver valendo no mercado naquele momento. 

Essa é a chamada marcação a mercado, um mecanismo que atualiza diariamente os preços de diversos investimentos. Por meio dela, é possível saber quanto um investimento vale, a cada dia, após a sua emissão. 

Contudo, também existem títulos que realizam o pagamento de juros periódicos (cupons). Ou seja, nessa hipótese, parte da rentabilidade proposta é antecipada para o investidor. Por exemplo, é o caso do Tesouro IPCA+ que conta com o pagamento de juros semestrais. 

Nesse investimento, a rentabilidade é híbrida, pois o retorno proposto acompanha as variações do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) somado a uma taxa de juros fixa. Além disso, o investidor recebe parte da rentabilidade prefixada proposta (cupons de juros) a cada 6 meses. 

Utilizando a duration, é possível saber qual será o prazo médio ponderado do título, considerando os pagamentos de juros semestrais. Logo, o indicador será calculado com base no valor presente do título e no prazo médio do recebimento dos fluxos de caixa dos títulos.  

Qual é a função da duration? 

Como você viu, a duration ajuda a entender o prazo médio de fluxo de pagamentos de títulos de renda fixa, permitindo analisar melhor o investimento. Com essa informação, é possível avaliar o risco das aplicações de renda fixa.  

Ocorre que quando o duration é maior, o investidor fica mais sujeito às oscilações da marcação a mercado. Esse fator expõe o investidor a maiores flutuações de preço dos títulos ao longo do tempo.  

Com a avaliação da duration, é possível então não só analisar o risco do investimento, mas também o quanto o título pode ser atrativo para a estratégia do investidor.  

Por fim, ao calcular a duration, é possível encontrar o ponto de equilíbrio do prazo dos títulos, ou seja, o momento em que há um empate entre o valor alocado e o valor presente do fluxo de pagamento do título. 

Como a duration é calculada? 

Depois de aprender o conceito e o funcionamento da duration, chegou o momento de conferir como esse indicador é calculado. Por se tratar de uma média ponderada, pagamentos maiores terão um peso maior — o que pode aumentar ou diminuir o prazo para ter o retorno esperado. 

Imagine, por exemplo, que um título conte com o pagamento de juros anuais e tenha duração de 4 anos. Caso sejam realizados 4 pagamentos iguais (12 meses, 24 meses, 36 meses e 48 meses), a duration será de 30 meses, a média entre todos os pagamentos. 

Já na hipótese de o primeiro pagamento representar o dobro dos demais, a duration estará mais próxima dos 12 meses. Como você viu, é dado um maior peso aos pagamentos mais elevados, o que impacta o prazo médio para se chegar ao resultado. 

No entanto, não é somente o fluxo de pagamento do investimento que reflete no indicador. Na verdade, também são consideradas a taxa de juros e o prazo do investimento. 

Considerando que o cálculo da duration demanda que o interessado tenha conhecimentos matemáticos e financeiros, uma forma de contornar a questão é contar com um profissional do mercado. 

Também é preciso ter em mente que os títulos de renda fixa podem ser impactados por indicadores econômicos, como a taxa básica de juros e a inflação. Quando os juros estão em alta, por exemplo, é comum que títulos pós-fixados atrelados à Selic tenham um retorno maior. 

Diante disso, os títulos prefixados e híbridos já emitidos podem desvalorizar, considerando que no mercado existirão aplicações com rentabilidades mais atrativas. Então é pertinente também observar o valor da marcação a mercado do título no dia do resgate. 

Por que o investidor deve conhecer esse conceito?  

Após conferir o cálculo da duration, é possível que você esteja se questionando por que o investidor deve conhecer esse conceito, correto? Compreender e usar a duration pode ser interessante no momento de escolher uma alternativa entre centenas que estão disponíveis. 

Afinal, ele pode contribuir para revelar qual é a aplicação mais apropriada para buscar o resultado esperado no tempo desejado.  

Ainda, ao considerar o duration de um título com cupons, você terá um prazo médio mais acertado para identificar a relação entre o retorno ofertado e o prazo do investimento. Em geral, quanto maior o prazo, maior o risco do título em relação às mudanças nas taxas de juros. 

Então, ao fazer comparativos com outras alternativas que tenham um duration igual, será mais fácil analisar a relação de risco e retorno da aplicação. O indicador também pode ajudar a identificar oportunidades de aproveitar a marcação a mercado em busca de potencializar os retornos na renda fixa.  

Outro ponto relevante sobre o duration é a sua consideração ao pensar na diversificação do portfólio. Essa estratégia consiste em evitar alocar todo o seu capital em apenas uma alternativa ou segmento de mercado, além de trazer exposição a diferentes condições e riscos.  

Porém, isso não significa que você deva pulverizar seu capital em múltiplas alternativas, mas fazer escolhas estratégicas. Em relação à escolha de diferentes títulos, vale buscar aqueles com vencimentos e duration variadas. 

Ademais, ter uma carteira com investimentos de renda fixa e renda variável pode ser uma forma de diversificação a ser explorada. Entretanto, nem todos têm o perfil para investir em determinados ativos. Logo, questões como o perfil e objetivos devem ser consideradas no processo. 

É possível utilizar o duration na renda variável? 

Sabendo da importância da diversificação, uma dúvida que pode surgir é: existe a possibilidade de utilizar a duration na renda variável? É comum pensar se ele pode ser útil em ativos que fazem a distribuição de lucros periodicamente.  

É o caso das ações de empresas que pagam dividendos e cotas de fundos de investimento (FIIs), por exemplo. Entretanto, diferentemente da renda fixa, não é possível prever a rentabilidade de um investimento de renda variável, tampouco seus fluxos de pagamento.  

Afinal, é comum que os ativos da renda variável tenham o seu preço atrelado à lei da oferta e demanda. Nesse sentido, o investidor pode ter ganhos ou perdas com as altas e baixas dos preços. Ou seja, você não terá como saber quais resultados serão obtidos.  

O mesmo se aplica aos fluxos de pagamentos de proventos, como os dividendos. Eles representam uma fração do lucro obtido por uma empresa ou fundo no exercício de sua atividade. Contudo, nem sempre a companhia ou o fundo obtêm lucro, o que pode resultar na suspensão do pagamento do provento. 

Porém, vale destacar que o duration é um indicador usado na renda fixa, exigindo questões como prazo de vencimento e uma taxa fixa de retorno. Então, considerando que essas características não estão presentes na renda variável, ele não pode ser aplicado 

Contudo, na renda variável é possível utilizar outros indicadores que avaliam as possibilidades de retorno e o prazo médio para recuperar o investimento e ter lucros. Para tanto, o investidor deve recorrer à análise fundamentalista.  

Como utilizar o conceito de duration na sua estratégia de investimentos? 

Agora que você já aprendeu mais sobre a parte teórica da duration, é hora de entender como utilizar esse conceito na sua estratégia de investimentos. Como você conferiu, esse indicador é uma medida que expressa tempo, importante para seleção de investimentos de renda fixa. 

Ele também permite que você estime o risco de variação do preço de um título em relação às mudanças nas taxas de juros e inflação. Com base na duration, você tem como escolher os títulos que estejam alinhados com o seu perfil, objetivos e estratégias

Quem investe e pretende reduzir a exposição ao risco da variação da taxa básica de juros, pode se interessar por títulos com durations menores, por exemplo. Isso ocorre porque eles são menos sensíveis às variações dos juros. 

Por outro lado, investimentos com durations mais longas tendem a oferecer maiores retornos em relação aos títulos com durations mais curtas. Afinal, eles estão mais expostos aos riscos relacionados às mudanças na taxa de juro. 

Além disso, como o indicador ajuda a determinar o prazo para obtenção de rentabilidade dos títulos de renda fixa, ele pode contribuir no momento de diversificar a sua carteira — como você viu.  

Neste artigo, você pôde compreender o que é a duration e como utilizá-la nas suas estratégias de investimento em renda fixa. Se precisar de ajuda, conte com a nossa equipe da Genial Investimentos. Ao abrir sua conta, você terá o suporte gratuito de um assessor de investimentos.  

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