Os ETFs são alternativas de investimento que podem compor diversas estratégias. Conhecidos como fundos de índice, suas cotas são negociadas por meio da bolsa de valores brasileira (B3). Após o avanço do investimento nessa alternativa, em 2023 surgiram novidades no mercado — com a disponibilização de ETFs que pagam dividendos.

Isso pode abrir oportunidades para muitos investidores, principalmente aqueles que focam em uma estratégia de receber renda passiva. Por isso, é fundamental aprofundar-se sobre os ETFs e suas principais características para tomar boas decisões de investimentos.

Quer saber como funcionam os ETFs que pagam dividendos e quais são os seus detalhes? Então continue a leitura deste conteúdo e aprenda mais!

O que é um ETF?

ETF é a sigla para exchange traded funds, que em uma tradução literal significa “fundos negociados em bolsa”. No entanto, a principal característica desse tipo de fundo é o objetivo que ele apresenta: a carteira é montada para refletir os resultados de um índice financeiro previamente escolhido.

Como o ETF é um fundo de investimento, ele conta com um gestor profissional que monta uma carteira de títulos ou ativos. O gestor deve seguir uma estratégia e tem objetivos específicos — que, no caso do ETF, é replicar o desempenho do indicador.

Como funciona esse veículo?

Como você aprendeu, um gestor profissional fica responsável por alocar recursos e montar uma carteira para o fundo de índice. Para replicar o desempenho do indicador, é comum que a carteira do ETF replique a carteira teórica do índice de referência.

Além disso, o ETF é lançado no mercado por meio de um IPO (initial public offering), como acontece com as ações de uma empresa listada na bolsa de valores. Nesse momento, os investidores interessados podem adquirir as cotas lançadas, que representam uma fração mínima do patrimônio do fundo.

No momento do IPO, o ETF levanta recursos para montar a sua carteira, que tem uma estratégia predefinida e divulgada ao mercado financeiro. Após o IPO, não há mais lançamento ou resgate de cotas como regra, a não ser em momentos específicos e divulgados previamente.

Dessa maneira, após o IPO, os ativos são negociados por meio da bolsa de valores, apenas entre investidores no mercado secundário.

Ademais, como você viu, o objetivo de um ETF é seguir os resultados de um índice de mercado. Você deve estar curioso sobre como isso funciona, não é mesmo?

Imagine um ETF que deseja replicar o Ibovespa — o principal indicador do mercado de ações brasileiro. Esse índice é calculado pela própria B3, por meio de uma metodologia que serve para criar uma carteira teórica de ações.

O resultado das variações de preços dessa carteira teórica é o resultado do índice. Logo, se um ETF quiser replicar esse desempenho, ele deve investir nas mesmas ações que compõem o portfólio teórico do Ibovespa e na mesma proporção.

Ainda, quando a carteira teórica sofrer uma mudança, como um rebalanceamento, o gestor também deve aplicá-la à carteira do ETF. Assim, antes de taxas e impostos, o desempenho do ETF tende a ser equivalente ao resultado do índice.

Como funcionam os ETFs que pagam dividendos?

Uma pergunta corriqueira sobre os ETFs diz respeito ao pagamento de dividendos. Imagine o exemplo anterior, no qual o fundo de índice monta uma carteira com ações para replicar o Ibovespa.

Periodicamente, essas ações pagam dividendos. Afinal, esse tipo de provento é de distribuição obrigatória, no mínimo anualmente. Isso depende dos lucros de cada empresa e de seu percentual de repartição entre os acionistas. Porém, diante de resultados positivos, o pagamento é obrigatório.

Se as ações que estão na carteira do ETF pagam os dividendos, eles serão repassados ao fundo, correto? Afinal, o ETF tem um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), sendo proprietário dos papéis em sua carteira.

Nesse caso, o mais comum é que os ETFs utilizem os dividendos recebidos para reinvestir na própria carteira. Ou seja, eles compram mais ativos ou fazem o rebalanceamento para trazer mais precisão para os seus resultados.

Contudo, a partir de 2023, você também encontrará na bolsa de valores brasileira os ETFs que pagam dividendos aos cotistas. Isso significa que os proventos recebidos pelo fundo de índice não serão utilizados pelo veículo. Em vez disso, haverá o repasse deles aos seus investidores.

Como acontece com toda distribuição de dividendos, isso ocorre de forma proporcional entre os investidores. Suponha que foram distribuídas 5 milhões de cotas de um ETF aos investidores e você possui 500 dessas cotas.

Nesse caso, você detém uma participação de 0,01% desse ETF, certo? Desse modo, você também terá direito a 0,01% do valor dos dividendos recebidos pelo ETF, conforme as regras determinadas pelo próprio fundo a seus cotistas.

Como diversos ETFs possuem um grande valor de mercado, os dividendos também podem ser distribuídos em grande proporção. Mas é preciso avaliar cada oportunidade separadamente para determinar se eles fazem sentido para a sua estratégia e perfil.

Quando esses ETFs chegaram à bolsa de valores e quais suas regras?

Você aprendeu que, até 2023, os ETFs listados na bolsa de valores brasileira não podiam realizar a distribuição de dividendos a seus cotistas. No entanto, isso mudou no dia 30 de janeiro de 2023.

Nesse dia, Gilson Finkelsztain e José Ribeiro de Andrade, que eram o presidente e o vice-presidente de produtos da B3 à época, apresentaram um ofício sobre o assunto. Nesse documento, a B3 sinaliza que será possível listar ETFs que pagam dividendos aos seus cotistas.

Também será permitida a negociação de ETFs de ações locais e internacionais que distribuem proventos aos participantes do fundo. Assim, as administradoras poderão criar esses fundos de índice e lançá-los no mercado.

Os ETFs da bolsa já pagam dividendos?

Apesar da autorização, vale a pena saber que até fevereiro de 2023 ainda não existiam ETFs que pagam dividendos listados na bolsa de valores. Isso acontece porque as novas regras não alteram os fundos já lançados.

Apenas os novos ETFs que criados a partir dessa data e que tenham essa característica é que poderão realizar a distribuição de dividendos aos seus cotistas. Dessa forma, mesmo os fundos de índice que já investem em ações e outras alternativas que pagam proventos não começarão a distribuir os dividendos.

Qual é o prazo para a distribuição dos dividendos?

Também é importante considerar que existem regras que devem ser seguidas pelos ETFs para distribuir os dividendos. Conforme o ofício da B3, essa distribuição não poderá acontecer em frequências inferiores a 30 dias.

Na prática, essa periodicidade de pagamento dependerá do regulamento do fundo, que é divulgado previamente para os investidores.

Quais são os impostos cobrados dos cotistas?

Outro aspecto para considerar sobre os ETFs que pagam dividendos envolve os tributos cobrados. Quando uma empresa distribui seus dividendos, há isenção de Imposto de Renda aos acionistas. Essa é uma regra que garante um recebimento mais vantajoso.

No entanto, no caso dos ETFs, os dividendos são pagos ao próprio fundo, já que ele é o proprietário dos ativos. Ao serem distribuídos aos cotistas, eles perdem o caráter de provento e passam a ser rendimentos.

Logo, há a tributação de 15% sobre essa distribuição — a mesma alíquota aplicada ao ganho de capital com a venda de cotas dos ETFs. Entretanto, essa regra pode mudar.

A B3 informou que, quando os primeiros ETFs que pagam dividendos forem lançados, haverá uma discussão com a Receita Federal sobre essa cobrança. Dessa maneira, a ideia é que também ocorra a isenção para os cotistas sobre o IR dos proventos.

Quais as vantagens desse investimento?

Até aqui, você conheceu as regras e informações sobre os ETFs que pagam dividendos. Agora vale a pena explorar as vantagens que esse investimento pode oferecer.

Como os ETFs possuem carteiras focadas em determinados mercados, eles podem seguir índices de pagamento de dividendos, selecionando as ações de empresas que sejam consideradas boas pagadoras de proventos.

No geral, isso ajuda a atingir o objetivo de receber uma renda periódica de forma passiva, ou seja, que advém somente dos rendimentos dos investimentos. Logo, esse investimento pode ajudá-lo a obter retornos sem que seja necessário trabalhar por eles.

As cotas de ETFs também costumam ser acessíveis. Então você pode encontrar um investimento que seja adequado para a sua capacidade de pagamento e objetivos financeiros.

Por fim, vale ressaltar a praticidade desse investimento. Muitas vezes, você conta com uma carteira bastante diversificada, o que ajuda a diluir parte dos riscos. Além disso, o gestor fica responsável por todas as negociações, o que traz mais facilidade para os cotistas.

Como usar esse tipo de ETF em uma estratégia de dividendos?

Se você já tem uma estratégia que privilegia o pagamento de dividendos para obter renda passiva, os ETFs que pagam esses proventos podem ser mais uma alternativa para a sua carteira. Para usá-los, vale a pena pensar nos fundos de índice também como forma de diversificar o seu portfólio.

Essa é uma recomendação dos principais profissionais do mercado, principalmente por trazer mais segurança e oportunidades de ganhos.

A ideia da diversificação é investir em títulos ou ativos descorrelacionados ou com correlação negativa. Desse modo, as causas de suas variações de preços não estão relacionadas. Com isso, você se expõe a riscos diferentes, evitando que uma condição afete toda a sua carteira.

Ainda, há outras possibilidades para o investimento em ETFs que pagam dividendos. Você pode seguir um setor da economia que tem familiaridade, diversificar globalmente e, até mesmo, se expor a ativos mais arriscados, como as criptomoedas.

Como investir nesses ETFs?

Ficou interessado em investir em ETFs que pagam dividendos? Para tanto, é fundamental considerar os pontos de atenção nesse momento e seguir um passo a passo.

Confira a seguir!

Considere os seus objetivos financeiros

O seu primeiro passo deve ser identificar se os ETFs que pagam dividendos são adequados para os seus objetivos financeiros. Afinal, isso é importante para você tomar decisões de investimentos que o ajudem a alcançar seus sonhos.

Se você deseja ter uma renda passiva, esses fundos podem ser atraentes. Ademais, obter esses rendimentos pode ajudar a estabelecer uma estratégia de aportes frequentes, tendo em vista que os dividendos podem ser reinvestidos.

Conheça o seu perfil de investidor

O perfil de investidor é uma característica de cada pessoa que define como você lida com os riscos atrelados aos investimentos. Ele pode ser conservador, moderado ou arrojado, em ordem crescente de resistência ao risco.

No geral, os ETFs podem ser adequados para todos os tipos de perfil. No entanto, é preciso entender como ocorre a montagem da sua carteira e quais são as variações esperadas.

Existem ETFs de renda fixa, por exemplo, que costumam ser indicados para a carteira de uma pessoa com perfil conservador — embora ainda façam parte da renda variável. Já os ETFs focados em ativos mais arriscados, como aqueles que pagam dividendos, tendem a ser mais voltados aos arrojados.

Conte com uma boa corretora de valores

Também é essencial que você conte com uma boa corretora de valores para realizar os seus aportes. Essas instituições financeiras funcionam como intermediárias para acessar investimentos de renda fixa e renda variável, como os ETFs.

Depois, será possível acessar os investimentos disponíveis no mercado. A própria corretora tem uma plataforma com os títulos, ativos e veículos negociados fora da bolsa de valores. Assim, você poderá escolher entre diversas alternativas.

É fundamental que a corretora escolhida tenha um amplo portfólio e proporcione a segurança necessária para você fazer suas negociações. Com isso, você terá mais tranquilidade e poderá montar uma carteira adequada para seus objetivos financeiros e perfil de investidor.

Acessar o ambiente de negociações da bolsa de valores

Por meio da corretora de valores, você também terá acesso ao home broker, que é a plataforma de negociações de ativos da bolsa de valores. Dessa forma, você poderá investir em ações, fundos imobiliários, ETFs e outras possibilidades.

Para fazer o investimento, basta acessar o home broker e procurar pelo ticker do ETF que você quer investir. Esse é o código de negociação utilizado na bolsa e costuma ser composto por 4 letras e uma numeração ao final.

Depois de encontrar o ETF do seu interesse, basta enviar a ordem de compra com a quantidade de cotas que deseja. Após a liquidação da negociação, que pode levar alguns dias úteis, as cotas passarão a fazer parte da sua carteira de investimentos.

Agora você já conhece os ETFs que pagam dividendos e como eles funcionam. Lembre-se de que não são todos os fundos de índice que fazem essa distribuição de proventos entre os cotistas, então é importante pesquisar antes de tomar uma decisão de investimentos.

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Filipe Villegas

Filipe Villegas é responsável pelas carteiras recomendadas da Genial e relatório GENOMA. Ele é pós-graduado em administração de empresas pela FGV e tem MBA em engenharia financeira pela POLI-USP. Está no mercado há mais de 10 anos.

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