Os fenômenos econômicos em um país podem ter reflexos na vida de toda a população. Entre os cenários possíveis estão a inflação e a deflação — duas situações que impactam investimentos, consumo e emprego.

Por isso, é fundamental entender o que são esses fenômenos, as suas causas e quais são suas influências no dia a dia. Com esse conhecimento, você poderá ter mais embasamento ao interpretar notícias sobre economia e até mesmo investir com foco nas questões relacionadas à deflação.

Quer saber mais sobre a deflação e a diferença para a inflação? Então acompanhe este artigo que nós, da Genial, preparamos para você!

O que é deflação?

A deflação é um fenômeno econômico que tem relação com os preços de produtos, bens e serviços comercializados em determinado país. Ela pode ser caracterizada como a queda de preços ao consumidor.

Para entender melhor a deflação, é importante saber como funcionam os índices de preços. Os países possuem órgãos de pesquisas oficiais, que realizam análises de mercado para verificar os preços de bens e serviços.

Assim, eles adotam metodologias próprias com diversos requisitos para realizar a pesquisa. A ideia é montar uma cesta de produtos e serviços utilizados pela população de determinada renda e avaliar qual é o preço dessa cesta.

Com isso, chega-se a um resultado de preços médios no país. Como essa questão é calculada recorrentemente, é possível perceber tendências nos preços, seja por um movimento de alta ou de baixa.

Nesse contexto, a deflação ocorre quando os preços de bens e produtos em determinada região têm um movimento de baixa. Imagine, por exemplo, que o conjunto de itens ligados ao índice oficial somou o montante de R$ 1.000 em um mês.

Na pesquisa seguinte, os mesmos itens somaram um valor de R$ 950. Nesse caso, houve uma deflação de 5% no período, tendo em vista a metodologia utilizada.

Vale ressaltar que a avaliação da variação de preços, sua forma de cálculo e requisitos para compor a cesta dependem do órgão que conduz a pesquisa. Muitos países utilizam índices oficiais, mas eles não precisam ter a mesma metodologia.

Como a deflação funciona?

Se você acompanha notícias do mercado, percebeu que a deflação não é um fenômeno muito comum. O usual é que os preços aumentem com o passar do tempo, como você deve notar no seu dia a dia.

A variação de preços dos bens e serviços consumidos no país é ditado pela oferta e demanda desses itens. Quando há muita oferta de determinado produto e poucas pessoas querendo comprá-lo, observa-se uma diminuição no preço.

Por outro lado, quando a procura é maior que a oferta, os preços tendem a subir diante da alta demanda. Isso acontece em todas as áreas referentes a produtos e serviços.

Portanto, a deflação pode ocorrer por dois motivos: aumento na oferta de produtos e serviços ou diminuição da demanda por eles. É um desajuste nessa relação entre oferta e procura que ocasiona a redução de preços.

Quando o país tem um aumento de produtividade e aquecimento econômico, pode haver deflação. O motivo é que a oferta ficará maior — devido à grande produção — e a demanda da população pode não acompanhar esse crescimento.

Além disso, a diminuição da demanda pode ocasionar a deflação. Imagine que a produção de bens e serviços se manteve estável em um país. No entanto, a população gastou menos — por conta de uma redução do crédito.

Nesse caso, a lógica é que ocorra a deflação, devido à disparidade entre a baixa demanda e a oferta. Na prática, existem diversas variáveis que devem ser consideradas, já que há formas de estímulo à demanda ou à produção, além de questões internacionais e de mercado.

Quais os efeitos da deflação prolongada?

À primeira vista, a deflação pode ser entendida como um fator positivo para a população. Afinal, quando o preço de produtos e serviços cai, o salário rende mais, há mais sobra financeira e o dinheiro aumenta seu poder de compra, não é mesmo?

Contudo, também existem efeitos negativos da deflação, principalmente quando ela persiste por um período prolongado.

Confira a seguir as principais consequências:

Diminuição da produção

Imagine que você tem uma fábrica que produz leite. O preço de mercado de um litro do produto é R$ 6 reais e toda a sua produção é baseada nesse valor. Isso porque é preciso considerar o preço do maquinário utilizado, verbas trabalhistas dos funcionários, transporte etc.

Observando todos os pontos, o custo final para a produção de um litro de leite é cerca de R$ 4. Dessa maneira, sua fábrica teria R$ 2 de lucro a cada litro vendido. No entanto, ocorre uma queda no preço do leite diante da diminuição da demanda e aumento de estoque (deflação).

Agora, o leite é vendido por R$ 5. Nesse caso, seu lucro seria de apenas R$ 1 — ou seja, metade do ganho anterior. Se a deflação continuar por um período maior, eventualmente o custo de produção de seu produto será mais alto que o custo de venda.

Também é preciso considerar os produtos que já foram produzidos e ainda não vendidos. Como todo o cálculo de custos foi feito baseado nos preços do mercado, pode haver prejuízo e outros problemas.

Logo, será preciso adequar a produção para reduzir custos e buscar alternativas para continuar lucrando. É comum que, nesses casos, a produção diminua ou haja a demissão de funcionários para alcançar a diminuição de custos necessária.

Alta do desemprego

Com a redução na produção e pouco crescimento econômico, uma consequência lógica da deflação por longos períodos é a alta do desemprego.

As fábricas produzindo menos e a demanda diminuindo fazem com que os trabalhadores sejam bastante afetados. É preciso diminuir custos e se adaptar aos novos preços, então a folha de pagamento pode ter que ser reduzida.

Outra consequência é um efeito bola de neve. Como o desemprego fica mais alto, também diminuirá o poder de compra da população. Desse modo, a demanda continuará caindo devido à falta de salário.

Dessa forma, apesar de em um primeiro momento a deflação trazer benefícios para a população, em médio e longo prazo ela será prejudicial. Portanto, entender esse cenário e se preparar para o momento é uma maneira de se proteger de potenciais danos.

Quais as diferenças entre deflação e inflação?

Você já conseguiu perceber a diferença entre inflação e deflação? A inflação é um fenômeno bem mais comum e presente na mente das pessoas, principalmente brasileiros que se lembram da década de 1980 e 1990.

Ela pode ser considerada o oposto da deflação. Logo, a inflação ocorre quando os preços de bens e serviços têm uma alta em determinado período. É possível que, de um mês para o outro, por exemplo, os preços de uma cesta de produtos aumentem.

Assim, a diferença entre a deflação e a inflação é a variação de preços na economia. Enquanto na deflação há uma diminuição do valor de bens e serviços, a inflação traz o caminho contrário: aumento de preços.

Como você deve imaginar, isso também acontece por conta da oferta e demanda dos produtos e serviços relacionados na cesta do índice. Quando a demanda está mais alta que a oferta, a tendência é que os preços subam.

Apesar de a inflação ser vista como uma vilã por muitas pessoas, ela é de certa forma benéfica para a economia de modo geral. O movimento significa que o mercado está aquecido, as pessoas têm capacidade de compra e há possibilidade de geração de emprego.

No entanto, quando a inflação é muito alta — como nos casos de hiperinflação que o Brasil já vivenciou — também podem ocorrer problemas importantes. O primeiro é que os salários e remunerações dos cidadãos não acompanharão o aumento de preços.

Isso significa que o dinheiro perde poder de compra com velocidade, trazendo defasagem para os valores recebidos. Como os salários não se reajustam mês a mês, com uma alta inflação é cada vez mais difícil adquirir bens de consumo.

Qual a relação da deflação e o IPCA?

O IPCA é o índice oficial de inflação no Brasil. É ele que demonstra como se deu a variação de preços na média, seguindo uma metodologia própria. Por isso, são as oscilações do IPCA que demonstram cenários de deflação (ou inflação).

Esse indicador é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seguindo normas definidas pelo órgão. Para chegar ao resultado do IPCA, o instituto faz uma pesquisa de preços e custos por amostragem.

Para tanto, utiliza-se uma cesta de produtos e serviços comercializados no varejo. Consideram-se itens de consumo regular das famílias brasileiras com um rendimento de 1 a 40 salários mínimos.

Apesar de bastante ampla, a faixa de renda é utilizada para que, pelo menos, 90% das famílias brasileiras de áreas urbanas sejam abarcadas pelo índice.

O IPCA é divulgado mensalmente e seus resultados se dão em comparação com o mês anterior, definindo a variação de preços daquele período. Mas, como ele é um índice amplo, a diferença de valores não é notada da mesma maneira por todas as famílias.

Por exemplo, cidadãos com uma faixa de renda menor tendem a ter uma parcela mais substancial de seu dinheiro voltada à compra de alimentos. Portanto, a variação desses itens da cesta de produtos é sentida com mais relevância por essas famílias.

Já quem tem renda maior tem uma parcela mais abrangente dos recursos direcionada a serviços em geral. Dessa maneira, a variação no preço das contratações será mais relevante para essas pessoas.

Assim, o IPCA busca demonstrar uma média geral, considerando diversos produtos e renda. Logo, trata-se de um índice fundamental para definir a deflação ou a inflação no país — ainda que os diversos grupos familiares possam sentir a realidade de maneira diferente.

Por que é importante entender esse conceito?

Além de entender melhor sobre a economia e seus cenários, conhecer a deflação também pode ajudá-lo a investir melhor.

Confira a seguir como você pode basear sua estratégia considerando a deflação:

Proteção da carteira

Um dos pontos que você deve considerar quando pensa em investir é proteger seu portfólio. Afinal, o patrimônio investido é fundamental para conseguir alcançar os seus objetivos financeiros e trazer segurança diante dos movimentos da economia.

Buscar meios de se proteger de cenários econômicos é muito importante para que você não arrisque seu patrimônio em determinadas situações. Uma das formas de trazer mais segurança para a carteira é buscar a diversificação de investimentos.

Imagine que você é um investidor conservador — com baixa tolerância ao risco — e foca no investimento em longo prazo. Um título de renda fixa bastante utilizado nesse cenário é o Tesouro IPCA+, ligado à inflação.

Ele é um título de dívida emitido pelo Governo Federal com a rentabilidade atrelada ao IPCA mais uma taxa prefixada. Caso todo o seu portfólio esteja exposto a esse índice, em cenários de deflação haverá diminuição do patrimônio, correto?

Isso acontece porque, quando há deflação, o IPCA é negativo. Por outro lado, se você diversificar os investimentos — ainda respeitando o perfil e objetivos — poderá se proteger dos movimentos contrários à inflação.

Assim, é possível encontrar outros títulos e investimentos seguros que não variam diretamente conforme o IPCA. Desse modo, em momentos de deflação, os resultados estarão descorrelacionados e você não deixa seu patrimônio refém de apenas uma condição do mercado.

Busca de oportunidades

O seu conhecimento sobre deflação também pode ajudar a buscar oportunidades de investimento. É comum que, em cenários de baixa dos preços, investidores busquem formas mais rentáveis para alocar seu capital.

Dessa forma, determinadas alternativas de renda variável podem se valorizar com a alta demanda do mercado. Contudo, essa não é uma regra — e você precisa fazer uma boa análise de investimentos antes de efetuar seus aportes, pois há maior risco nessa classe.

Além disso, vale considerar manter a estratégia e não tomar decisões precipitadas diante de mudanças no mercado. Afinal, cenários de deflação ou mesmo de inflação alta tendem a ser passageiros — e a sua estratégia de longo prazo pode ser mantida.

Conseguiu entender o que é a deflação, como ela se manifesta e quais são as diferenças para a inflação? Esses conhecimentos podem ser importantes na sua vida financeira e nas suas alocações, então sempre se mantenha atualizado sobre o assunto!

Ficou interessado em contar com diversas alternativas para os seus investimentos? Então vem ser Genial!

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