Os juros funcionam como uma remuneração para o credor que cede recursos para um tomador. Assim, quando você pede um empréstimo, é preciso pagar essa taxa. Porém, a lógica também funciona no mercado de investimentos — e, nesse ambiente, o destaque fica para os juros compostos. 

Essa é uma modalidade mais vantajosa para quem concede os recursos — que pode ser você, ao assumir o papel de investidor em determinados contextos. Portanto, vale a pena entender como esses juros funcionam e como você pode aproveitá-los em sua estratégia. 

O que são os juros compostos e como eles funcionam? 

Os juros compostos são uma metodologia de cálculo de juros, onde a taxa do próximo período é aplicada sobre o valor acumulado até então, e não sobre o valor inicial. Em outras palavras, os juros são calculados sobre o valor atualizado, que inclui os rendimentos gerados anteriormente. Isso cria um efeito de “juros sobre juros”, aumentando o montante de forma exponencial ao longo do tempo. 

Para entender melhor, considere a quantia inicial de R$ 10 mil. Se incidirem juros compostos de 10% ao mês, após 30 dias o valor será de R$ 11 mil, já que haverá a soma de R$ 1 mil referente aos juros do período. 

Porém, no segundo mês, os juros corresponderão a R$ 1,1 mil, já que o valor será calculado sobre o montante atualizado (R$ 11 mil). Ao final desse período, a soma será de R$ 12,1 mil. 

Por causa dessa mecânica, os juros compostos também são conhecidos como “juros sobre juros”. Desse modo, eles apresentam um potencial de acúmulo exponencial, já que eles incidem sobre uma quantia cada vez maior, gerando acréscimos igualmente mais elevados. 

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Qual é a diferença entre juros simples e juros compostos? 

Tão importante quanto entender o que são os juros compostos é saber que eles são bem diferentes dos juros simples. A principal distinção está relacionada à forma como as taxas funcionam, o que faz com que os resultados também sejam diferentes. 

Nesse sentido, vale saber que os juros simples são aqueles calculados sempre sobre o valor inicial. Então, se o montante de R$ 10 mil sofrer a incidência de juros simples de 10% ao mês, o acréscimo será sempre de R$ 1 mil a cada 30 dias. No décimo mês, o valor acumulado será de R$ 20 mil. 

Já os juros compostos, como você conferiu, são calculados sobre o montante atualizado pela incidência prévia da alíquota. Nessa mesma situação, o valor final acumulado no décimo mês de juros compostos de 10% mensais sobre R$ 10 mil será de R$ 25.937,42. 

Note que, nesse exemplo, há uma diferença de R$ 5.937,42 em relação ao valor que seria obtido caso fossem aplicados juros simples. Isso demonstra que o potencial de acúmulo dos juros compostos é mais elevado. 

Como os juros compostos são calculados?  

O próximo passo para compreender os juros compostos é saber como calcular a incidência desse tipo de taxa. Na prática, a fórmula é dada por: 

VF = VI x (1+i)^n 

Em que: 

  • VF = valor final; 
  • VI = valor inicial; 
  • i = taxa de juros; 
  • n = tempo de incidência. 

Convém notar que a taxa de juros e o tempo de incidência devem usar as mesmas unidades de medida. Se ela for mensal, o tempo deverá ser apresentado em meses — e vice-versa. 

Quais são as aplicações desse conceito?  

Após conhecer o conceito relacionado aos juros compostos, é essencial compreender como ele se aplica na sua rotina. Na prática, há duas possibilidades em que esses juros são relevantes: nas dívidas e nos investimentos. 

No caso das dívidas, você pode considerar a taxa do crédito rotativo do cartão de crédito, por exemplo. Se você não pagar o total da sua fatura até o vencimento, incidirão juros sobre o montante devido. 

Aqui, o total da sua dívida poderia continuar a crescer, já que as elevadas taxas de juros incidiriam sobre o montante atualizado do mês anterior. Então uma dívida de R$ 5 mil com 15% ao mês de rotativo passaria para R$ 5.750,00 no primeiro mês e para R$ 6.612,50 no segundo, por exemplo. 

Sendo assim, fica claro que tomar empréstimos sob juros compostos é um problema que tende a aumentar com o tempo. Por isso, o ideal é evitar dívidas como o cheque especial. Entretanto, se você usar essa lógica a seu favor, esse problema se transforma em uma solução. 

É o que acontece quando você foca nesse conceito alinhado à realização dos investimentos. Se você escolher uma aplicação financeira que rende 1% ao mês, por exemplo, o seu capital será atualizado mensalmente e a taxa incidirá sobre o resultado desse cálculo. Ao final, você terá uma quantia maior do que se incidir juros simples. 

Por que o conceito dos juros compostos é tão importante para o investidor?  

Como você viu, os juros compostos estão relacionados ao mercado financeiro. Isso acontece porque muitos investimentos são afetados, direta ou indiretamente, segundo esse método de cobrança.  

Para o investidor, esses juros são importantes porque favorecem a conquista dos resultados. Na prática, você poderá rentabilizar não apenas o montante inicialmente investido, mas também os rendimentos obtidos ao participar do mercado financeiro. 

Pense no caso de um investimento na renda fixa, com um rendimento de 12% ao ano. Nessa situação, ao investir R$ 10 mil, no final de 2 anos você terá um valor bruto maior que R$ 12,4 mil — que seria o montante obtido se os juros fossem simples. 

Logo, conhecer os juros compostos e saber aproveitá-los ao investir é fundamental para potencializar seus ganhos. Graças a esse cálculo, você tem a chance de fazer o seu dinheiro trabalhar para você de modo mais intenso. 

Como os juros compostos auxiliam no acúmulo de patrimônio?  

Entender o impacto dos juros compostos nos investimentos envolve, necessariamente, saber como eles afetam o acúmulo de patrimônio. No geral, esse tipo de juros cria o que é conhecido como efeito bola de neve. 

Nessa analogia, pense em uma montanha nevada no inverno. Se uma pequena bola de neve rolar pela montanha e nada a impedir, a tendência é que ela acumule cada vez mais neve ao seu redor, tornando-se maior e mais pesada. 

É exatamente isso que acontece com os juros compostos nos investimentos. Quando há a incidência dessas taxas, mesmo um pequeno montante de dinheiro pode se transformar em um grande valor, se existir tempo o bastante para esse acúmulo. 

Isso ocorre porque a fórmula de cálculo dos juros compostos é exponencial. Portanto, a quantia acumulada tende a crescer de forma muito mais acelerada do que se ela fosse calculada por uma fórmula linear — que é o caso dos juros simples. 

Dependendo da estratégia adotada, os juros compostos podem acelerar o seu processo de construção do patrimônio. Dessa forma, você pode alcançar seus objetivos financeiros com mais facilidade, já que será possível acumular maiores ganhos. 

Quais fatores interferem no potencial de acúmulo dos juros compostos? 

O impacto dos juros compostos sobre os investimentos está diretamente relacionado aos fatores que interferem nos resultados que eles apresentam. Então vale a pena saber quais são os elementos mais relevantes e como você pode explorá-los para aumentar o desempenho da sua carteira. 

Confira! 

Tempo 

O fator tempo é um dos elementos mais importantes para o retorno que pode ser gerado pelos juros compostos. Isso acontece porque, na fórmula desses juros, o tempo é o componente exponencial. Dessa maneira, quanto maior for o período de incidência da taxa, maior será o montante final obtido. 

É por esse motivo que manter o dinheiro investido sob juros compostos por 2 anos oferece um resultado muito menor do que se você mantiver o investimento por 10 anos, por exemplo.  

Valor investido 

Outro fator que afeta o funcionamento dos juros compostos é o montante sobre o qual ele incide, certo? Portanto, a quantia que você tem investida também impacta os resultados que você pode obter com o tempo. 

Se você investir R$ 5 mil, a parcela de juros que serão somados ao seu montante será maior do que se você investir apenas R$ 2 mil, por exemplo. Com o passar do tempo e o efeito exponencial, essa diferença se tornará cada vez mais significativa. 

No entanto, isso não significa que apenas quantias elevadas têm grande poder de acumulação. Se você investir R$ 10 mil por 2 anos sob juros compostos anuais de 10% e R$ 5 mil com a mesma taxa, mas por 10 anos, o retorno acumulado no segundo cenário será maior. 

Taxa de juros 

O outro fator que interfere nos resultados dos juros compostos parece óbvio, mas também merece atenção: a taxa de juros. Ou seja, o potencial de acúmulo será maior no caso de investimentos que ofereçam porcentagens mais elevadas. 

Se um investimento A rende 10% ao ano e uma alternativa B rende 11% ao ano, o resultado bruto do segundo será maior do que o primeiro. Porém, é preciso considerar que apenas a taxa oferecida ou projetada por um investimento não deve ser suficiente para escolhê-lo. Afinal, existem outros critérios de seleção importantes, como liquidez e risco. 

Como os juros compostos funcionam nas classes de investimentos? 

Agora que você entende melhor a incidência dos juros compostos sobre os investimentos, é interessante saber sobre o funcionamento em relação às classes específicas. 

A renda fixa é especialmente impactada por essa lógica, já que os títulos funcionam como empréstimos oferecidos pelos investidores para os emissores. 

Como a rentabilidade segue uma lógica previamente conhecida, essas condições oferecem um retorno previsível por meio das taxas de juros. Desse modo, você tem a chance de acumular mais resultados conforme o tempo que o dinheiro permanecer aplicado. 

Entre os investimentos de renda fixa que sofrem incidência direta dos juros compostos estão: 

  • títulos públicos do Tesouro Direto
  • certificados de depósito bancário (CDBs); 
  • letras de crédito imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs); 
  • letras de câmbio (LCs); 
  • debêntures; 
  • certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs); 
  • entre outros. 

E o que acontece na renda variável? 

A renda variável, por sua vez, é conhecida por não oferecer previsibilidade de retorno. Isso faz com que ela tenha mais riscos e maior potencial de ganhos. Nesse caso, não há uma taxa de rendimento prevista para esses investimentos, então os juros compostos não incidem como na renda fixa. 

Isso porque a incidência dos juros compostos nessa classe é indireta. Ela acontece, por exemplo, quando uma ação passa pela distribuição de dividendos. Se você usar os ganhos para reinvestir em ações, você aumentará o total de ativos.  

Na próxima distribuição de proventos, você terá mais ações, aumentando a sua proporção de ganhos. Assim, os resultados positivos obtidos ajudam a ampliar os lucros. O mesmo acontece caso o ativo se valorize, por exemplo.  

No longo prazo, se você conseguir um resultado positivo consistente na renda variável, o retorno tende a ser exponencial porque os ganhos se acumulam. Logo, os ativos de renda variável podem ser oportunidades para aproveitar essa lógica, embora não haja garantias.  

Entre as oportunidades, estão: 

  • ações; 
  • fundos de ações; 
  • fundos de investimentos imobiliários (FIIs); 
  • fundos de índice ou exchange traded funds (ETFs); 
  • fundos multimercados; 
  • certificados de depósitos de valores mobiliários ou brazilian depositary receipts (BDRs); 
  • entre outros. 

Como começar a investir e ganhar com os juros compostos?  

Após compreender o funcionamento geral dos juros compostos, é importante entender como aproveitá-los em sua estratégia de investimentos. Porém, antes de tomar qualquer decisão, é fundamental conferir duas características essenciais: seu perfil de investidor e seus objetivos. 

O perfil varia entre conservador, moderado e arrojado, indicando desde uma tolerância mais baixa aos riscos até uma capacidade maior de suportar os perigos do mercado. Ao saber em qual classificação você se encaixa, é possível definir suas preferências e escolher os investimentos adequados. 

Também é necessário identificar os seus objetivos financeiros. A intenção é saber o que você pretende alcançar no curto, médio e longo prazo. Desse modo, você poderá montar sua carteira para atender a essas expectativas. 

Depois de passar por essas etapas, vale a pena saber quais passos seguir para aproveitar os juros compostos na sua estratégia de investimentos. 

Mantenha o foco no longo prazo 

Como você acompanhou, o fator tempo é determinante para explorar o acúmulo de ganhos oferecido pelos juros compostos. No geral, quanto mais tempo você investir, maior será o montante acumulado. 

Por causa disso, vale a pena investir uma parte do patrimônio em aplicações ou ativos de longo prazo. Dessa maneira, você terá a chance de acumular os juros sobre juros, favorecendo o efeito bola de neve. 

No caso da renda fixa, pode ser interessante buscar títulos com um vencimento mais longo, de modo a aproveitar as condições a seu favor. Além disso, o ideal é evitar os resgates antecipados, ainda que sejam parciais. 

Afinal, nessa situação, você deixará de rentabilizar uma parte do seu capital e há riscos de sofrer impactos negativos da marcação a mercado. Com isso, haverá uma diminuição no total de juros que você poderá acumular com o tempo. 

Ainda, o foco no longo prazo pode ajudá-lo em relação ao pagamento de impostos. No caso da renda fixa, a alíquota cobrada sobre os rendimentos de investimentos tributáveis costuma depender do tempo que o dinheiro permanece investido. 

Segundo a tabela regressiva de Imposto de Renda (IR), investir por um período superior a 720 dias permite que você pague a menor alíquota possível, que é de 15%. Com menos impostos incidentes, o seu retorno final será maior do que se você resgatar o dinheiro no curto prazo. 

Tenha atenção com os custos 

Além de ter atenção à tributação, é preciso considerar outros custos que podem interferir no potencial de acúmulo dos juros compostos. Se a sua corretora de valores cobrar uma taxa para você investir em títulos públicos, por exemplo, o seu valor aportado será menor, o que diminui seu montante acumulado no final.  

Já ao escolher a Genial Investimentos, você tem a taxa de corretagem zerada e pode aproveitar melhor os juros a favor do rendimento do seu dinheiro. Logo, é mais fácil colocar sua estratégia em prática para obter resultados melhores. 

Também é preciso considerar outras despesas, como a taxa de administração de um fundo de investimento, se for o caso. Ao colocar na ponta do lápis o impacto que esses gastos têm na sua capacidade de aporte, é possível se planejar para aproveitar melhor os juros compostos. 

Realize aportes frequentes 

Ao chegar até aqui, você viu que o valor investido interfere nos resultados dos juros compostos, certo? Afinal, quanto maior for a base sobre a qual a taxa incide, maiores serão os resultados somados. 

Nesse caso, você não precisa (e nem deve) depender apenas do retorno oferecido pelo investimento. Para acelerar a construção do patrimônio, o ideal é realizar aportes frequentes. É o que acontece ao investir mensalmente, por exemplo. 

Ainda que os valores desses aportes não sejam tão elevados, garantir essa recorrência faz com que os juros possam incidir em um montante cada vez maior. Assim, você poderá obter mais resultados mesmo que a lógica de rentabilidade do investimento não aumente. 

Considere reinvestir os rendimentos 

Para realizar aportes frequentes, você não precisa focar apenas na quantia que consegue economizar todo mês. Em vez disso, é possível aumentar sua capacidade de investimentos ao reinvestir os rendimentos obtidos. 

Ou seja, quando um título chegar ao vencimento, em vez de gastar o dinheiro, é possível reinvestir a quantia em outras oportunidades da sua carteira — caso você não tenha outro objetivo para os recursos. O mesmo vale para investimentos que pagam cupons de juros com regularidade. 

Outro ponto interessante é que o reinvestimento de rendimentos é uma forma de fazer com que os juros compostos possam incidir mais sobre os ativos de renda variável. 

Para entender melhor, considere que você tem 2 mil ações de uma empresa e, ao longo do ano, recebe R$ 500 na forma de dividendos. Além disso, os papéis são negociados a R$ 5, nesse momento. Se você reinvestir os proventos, será possível adquirir 100 novos ativos, certo? 

Nessa situação, sua carteira passará a ter 2,1 mil ações da companhia. Se a empresa continuar distribuindo dividendos em patamares semelhantes ao pagamento anterior, você provavelmente receberá mais de R$ 500. 

Com isso, você poderá comprar mais papéis, aumentar sua participação e ter a chance de obter mais proventos. No longo prazo, essa estratégia cria um ciclo positivo e que pode gerar resultados exponenciais — embora não haja garantias de retorno, nesse caso. 

Diversifique os investimentos 

Para aproveitar o potencial dos juros compostos, adote a diversificação de investimentos. Essa estratégia consiste em escolher aplicações e ativos expostos a riscos diferentes. Para tanto, o ideal é optar por alternativas descorrelacionadas ou com correlação negativa. 

O objetivo é evitar a concentração de recursos em poucas condições do mercado. Desse modo, as perdas de um investimento podem ser compensadas pelos ganhos de outro, por exemplo. Ademais, você pode aumentar o potencial de retorno do portfólio. 

Em relação aos juros compostos, a diversificação é relevante porque pode ajudar a diminuir os riscos e eventuais perdas da sua carteira. Ao proteger melhor o seu patrimônio, é possível manter mais capital investido, o que poderá ajudá-lo a acumular mais rendimentos. 

Faça o rebalanceamento da carteira 

Embora seja importante tomar boas decisões para aproveitar os juros compostos dos investimentos, apenas selecionar os ativos não é suficiente. Afinal, a sua carteira pode passar por mudanças ao longo do tempo, dependendo das condições do mercado e de outras características. 

Portanto, se você deixar seu portfólio da mesma forma no longo prazo, é provável que você perca oportunidades de aproveitar melhor o poder dos juros compostos. Para que isso não aconteça, vale realizar rebalanceamentos periódicos. 

Como a intenção é investir no longo prazo, você não precisa acompanhar os resultados todos os dias ou a cada mês. Porém, pode ser interessante fazer uma verificação semestral ou anual do portfólio para entender o que mudar, por exemplo. 

Essa é a sua chance de conferir os vencimentos dos títulos de renda fixa para reinvesti-los assim que a data chegar, evitando que o dinheiro fique parado, por exemplo. Se você investir em diferentes classes, o rebalanceamento garante que a carteira permaneça alinhada com o seu perfil e objetivos. 

Agora você já sabe o que são os juros compostos e como eles se relacionam ao mercado financeiro. Com essas dicas, você poderá definir sua estratégia para aproveitar melhor essa lógica e favorecer o seu acúmulo de patrimônio. 

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