A dinâmica do Mercado Livre de Energia é complexa e envolve uma série de indicadores fundamentais para a transparência e eficiência nas transações de eletricidade. Nesse cenário, é essencial compreender como diferentes fatores interagem e influenciam o custo da energia.
Uma das principais ferramentas que contribuem para esse entendimento é o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Assim, ele deve ser conhecido por investidores e consumidores que buscam otimizar seus contratos e operações.
Neste artigo, você descobrirá as principais informações sobre o PLD e o seu papel no mercado de energia. Boa leitura!
O que é o PLD?
PLD é um indicador que faz parte do Mercado Livre de Energia do Brasil. Ele representa a quantia que os agentes devem pagar ou receber quando há diferença entre a energia contratada e a que realmente foi consumida ou gerada.
O indicador é relevante para garantir a equidade e a eficiência nas transações de energia, refletindo as condições de oferta e demanda do sistema elétrico. O PLD é calculado diariamente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
A instituição considera a aplicação de limites máximos e mínimos de horário e estrutura em vigor para cada período de apuração e para cada submercado de energia.
Como o PLD é calculado?
Agora você precisa entender melhor como a conta feita pela CCEE funciona. O processo é complexo, com muitas etapas e variáveis.
Veja os principais fatores considerados para chegar ao resultado do indicador:
- Custo Marginal de Operação (CMO): refere-se ao custo extra necessário para suprir a demanda por energia elétrica. Ele varia de acordo com a disponibilidade das fontes de geração de eletricidade e o nível de consumo;
- Custo de Déficit de Energia (CDE): reflete o custo de ativação de usinas termelétricas — que têm um preço mais elevado — para atender à demanda não suprida pela geração hidrelétrica, abrangendo a energia total;
- Custo de Déficit de Energia Firme (CDF): é similar ao CDE, mas considera a energia firme;
- Risco Hidrológico (GSF): é a variação entre a energia garantida pela capacidade física das usinas hidrelétricas e aquela que foi gerada de fato, em função das oscilações climáticas e hidrológicas.
A CCEE realiza o cálculo do indicador pela Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP). Para tanto, ela utiliza três modelos, cada um deles com a sua própria metodologia de cálculo — mas todos se baseiam no CMO.
Conheça cada um dos modelos de cálculo do PLD!
Newave
O Newave é um modelo para planejamento da operação de sistemas hidrotérmicos de médio prazo, considerando o horizonte de até 5 anos. Ele tem uma discretização mensal — ou seja, a divisão dos cálculos em partes menores é feita por mês.
Desse modo, o modelo consegue representar o parque termelétrico individualmente, enquanto realiza a agregação por Reservatórios Equivalentes de Energia (REE) para as usinas. Ademais, ele conta com Usinas Não Simuladas Individualmente (UNSI).
O Newave identifica a estratégia mais adequada para a geração de energia a partir de fontes hidráulicas e térmicas em cada fase. Com isso, ele visa reduzir o custo de operação ao longo de todo o período de planejamento.
O modelo gera funções de custo futuro, que mostram como o uso da água armazenada nos reservatórios afeta os custos no curto prazo.
Decomp
O segundo modelo computacional utilizado é o Decomp, que tem o foco no curto prazo, com o intervalo oficial de dois meses. Nesse caso, a discretização é semanal no primeiro mês. No modelo, a representação dos parques termelétricos e hidrelétricos é individual.
O Decomp tem como foco definir o resultado da geração de energia das usinas, que minimiza o custo de operação durante o prazo de planejamento.
Com esse fim, ele utiliza um grupo de dados que engloba os seguintes fatores:
- previsões de cargas;
- vazões;
- disponibilidade;
- limites de transmissão entre submercados.
Esse modelo dá a função de custo futuro que resulta da estratégia de solução para o curto prazo. Ela é usada para se conectar com o modelo de curtíssimo prazo, que você conhecerá adiante. Cabe destacar que, até 31 de dezembro de 2020, os resultados do Decomp eram considerados a base oficial do PLD.
Dessem
O último modelo utilizado para o cálculo do PLD é o Dessem, que abrange o curtíssimo prazo: até 7 dias. As usinas termelétricas são representadas como unidades geradoras, considerando as restrições operacionais de comprometimento das unidades.
O modelo ainda inclui a operação em ciclo combinado. Por outro lado, as usinas hidrelétricas são representadas de forma individual. O Dessem verifica as variações próprias das expectativas de geração de energia das fontes intervaladas.
Efetivamente, ele objetiva definir como as usinas hidrelétricas e termelétricas devem operar para reduzir ao máximo os custos de operação durante o planejamento. O modelo ainda calcula o custo marginal de operação para cada período e para cada submercado.
Para tanto, o Dessem conta com informações mais detalhadas, além das que são utilizadas no Decomp. Como você viu, até o fim de 2020, os resultados do Decomp eram a base oficial para os valores do PLD. Contudo, desde 2021, a operadora adotou o PLD Horário.
Ele calcula o indicador por hora para o dia seguinte. Assim, a metodologia oficial para esse objetivo é a Dessem. Com o método, os clientes podem ajustar o consumo para aproveitar os momentos em que a hora está mais barata. Logo, eles contam com uma vantagem no gerenciamento da energia.
Qual é a função do PLD no mercado de energia?
O PLD serve como uma base para o Mercado Livre de Energia, assegurando as contratações e configurando os acordos no Mercado de Curto Prazo (MCP). Nesse sentido, o resultado do PLD serve como métrica para definir o preço da energia no MCP.
Logo, o consumidor final também é impactado pelas variações no preço. Conforme visto, o indicador tem a função de liquidar as diferenças de energia, ajudando a definir contratos e a quantia a ser paga ou recebida pelos agentes.
Como resultado, ele contribui para neutralizar as discrepâncias. Portanto, se houver uma sobra de energia, realiza-se um cálculo conforme o PLD para definir o valor que o consumidor receberá. Por outro lado, em caso de insuficiência, o consumidor é quem paga a diferença.
Também é interessante saber que o indicador impacta as operações estruturadas no Mercado Livre de Energia, por exemplo, o swap. Quando acontece a transferência de energia, o pagamento ocorre a partir do valor do PLD.
Como o PLD impacta consumidores e empresas?
Além de ser uma base para o cálculo do preço da energia, o PLD impacta os consumidores e as empresas. A razão é que as variações do indicador são sentidas diretamente nas tarifas de energia e nos contratos de fornecimento.
Assim, quando há uma alta demanda pela eletricidade, a tendência é que os preços fiquem mais elevados. Já em períodos de baixo uso, é comum que os custos sejam reduzidos. Ambos os cenários influenciam a quantia gasta com a energia pelos usuários.
Para as empresas, especialmente aquelas que dependem de grandes quantidades de eletricidade, os custos elevados podem significar uma redução das margens de lucro. Consequentemente, é possível que haja a necessidade de repassar os aumentos aos preços dos produtos e serviços.
Como você aprendeu, o PLD Horário permite identificar momentos de custo reduzido ou elevado. Portanto, entender o comportamento do PLD contribui para que os consumidores e as empresas possam gerenciar melhor seu uso da energia.
Dessa forma, eles têm a opção de explorar horários mais vantajosos para o consumo ou ajustar seus contratos de fornecimento de acordo com as expectativas de variação do preço da eletricidade.
Quais são os valores máximos e mínimos do PLD?
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determina os limites mínimos e máximos do PLD. Eles são definidos com base nas condições da produção elétrica e em indicadores de mercado. Um deles é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado para medir a inflação no Brasil.
Desde 1º de janeiro de 2024, estava em vigência a Tarifa de Energia Operacional (TEO), cuja referência é a Usina Hidroelétrica Itaipu (TEOItaipu). Dessa maneira, a Resolução Nº 1.032 de 2022 determinou para 2024 o PLD mínimo de R$ 61,07/MWh.
Com relação aos limites máximos, a definição foi de um PLD máximo estrutural de R$ 716,80/MWh e o PLD Horário máximo de R$ 1.470,57/MWh.
Vale ressaltar que a Agenda Regulatória da Aneel projeta uma revisão da metodologia para os limites mínimos, que será tratada como “outras atividades regulatórias”. Então estão previstas mudanças na metodologia.
Os limites são relevantes para garantir a estabilidade do mercado e proteger os consumidores de variações extremas de preço. Ao mesmo tempo, eles buscam evitar oscilações excessivas que poderiam causar dificuldades para os agentes do mercado.
Como o PLD influencia o Mercado Livre de Energia?
Com a leitura até aqui, você já percebeu que o PLD é fundamental para a precificação no Mercado Livre de Energia. Assim, vale a pena reforçar o papel do indicador para as operações em que a negociação acontece entre consumidores, distribuidoras e geradoras.
Ele é a base para a precificação da energia nesse ambiente, garantindo a regulação e a segurança nos contratos e acordos. Desse modo, ainda que o Mercado Livre de Energia proporcione flexibilidade ao consumidor, ele necessita de alguma previsibilidade.
Como resultado, os pagamentos são feitos com base no preço vigente, para uma negociação justa e equânime. Adicionalmente, como visto, entender os custos permite ao cliente adequar seu consumo e gerenciar os gastos com energia.
Quais são os desafios e controvérsias envolvendo o PLD?
Apesar de o modelo utilizado para o cálculo do PLD ser eficiente e tecnológico, ainda existem desafios e controvérsias que merecem ser mencionadas. Algumas das dificuldades estão relacionadas às ineficiências na precificação.
Nesse contexto, o PLD tem uma tendência de se manter próximo ao piso e com baixa volatilidade. A característica não deixa margem para consumidores e geradores aproveitarem oportunidades diferenciadas. Alguns exemplos são a redução do consumo ou a geração adequada aos diferentes perfis de carga.
O efeito é resultado de fatores como a expansão da oferta de energias de fontes renováveis, como eólica e hidrelétrica. Elas apresentam baixo custo de produção, o que deixa a precificação diferente do que seria adequado ao mercado.
Por conta desses desafios e controvérsias, o PLD pode passar por mudanças e atualizações. Em 25 de julho de 2024, a CPAMP aprovou as modificações na metodologia. A partir de janeiro de 2025, ele passaria a acontecer por meio do Newave Híbrido.
Esse é o resultado de uma consulta pública realizada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). As pessoas interessadas no tema devem ficar atentas às atualizações apresentadas pela CCEE.
Qual é a diferença entre o PLD e outros modelos de precificação?
Como você pôde ver, o PLD é o principal modelo de precificação de energia elétrica no Brasil. Ele ajuda a regular o mercado e a padronizar os preços, tornando os acordos mais justos para todos os participantes.
Mas existem outros modelos de precificação que podem ser adotados no ambiente. Um deles é o acordo bilateral, em que o gerador e o consumidor definem as regras e as responsabilidades de cada participante.
Nesse caso, uma das partes se compromete a entregar a energia e a outra fica responsável pelo pagamento pelo recurso. Assim, o preço é definido em contrato, sendo estabelecido conforme os interesses dos participantes.
Outro modelo possível de ser explorado é o de tarifa regulada, definida pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Ele é aplicado no mercado regulado de eletricidade. No entanto, os clientes do Mercado Livre de Energia também podem optar por esse tipo de tarifa.
Ela é definida anualmente, com vigência entre janeiro e dezembro. As tarifas correspondem às atividades reguladas, impactando as faturas de todos os consumidores — do Mercado Livre de Energia e do mercado regulado.
Neste artigo, você conheceu as principais informações sobre o PLD, que realiza a precificação de energia, sendo de extrema relevância para o mercado. Ele afeta geradores e consumidores, portanto, vale a pena entender como o modelo funciona.
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