Quando se trata de economia e investimentos, é bastante comum se deparar com diversas siglas e termos. Por exemplo, há a inflação, a taxa Selic, a liquidez, os aportes, a rentabilidade, os ativos etc. Mas dentre tantos nomes, você já ouviu falar sobre correção monetária?

Essa é mais uma expressão que faz parte do universo financeiro e que nem todos sabem o que significa. Embora não seja amplamente conhecida, é fundamental compreendê-la, afinal, esse termo está relacionado ao seu dia a dia e aos seus investimentos.

Quer entender de maneira fácil e clara o que é correção monetária, como ela funciona e quais os seus impactos? Então não deixe de acompanhar este artigo que nós, da Genial Investimentos, preparamos especialmente para você!

O que é correção monetária?

A correção monetária, também conhecida como atualização monetária, é um ajuste aplicado sobre uma quantia para repor a sua perda de valor devido à inflação ao longo do tempo. Para entender esse conceito de forma prática, acompanhe o exemplo a seguir.

Imagine que você tenha R$ 500 e com esse montante consiga comprar 25 produtos em um supermercado perto da sua casa. Daqui a um ano, ao se deslocar ao mesmo estabelecimento, você verá que os R$ 500 já não serão mais suficientes para adquirir os 25 itens, concorda?

Isso ocorre devido aos efeitos da inflação sobre os produtos e o seu dinheiro. Ao longo do período de um ano, é normal que os itens comercializados no supermercado passem por reajustes de preço — em outras palavras, passem por uma correção monetária.

Como resultado, o seu poder aquisitivo é afetado, pois o que você costumava comprar no passado com determinada quantia, agora, exige um montante maior.

Quando um valor sofre correção monetária, significa que ele é ajustado para recompor as perdas reais sofridas em decorrência da inflação. A falta de correção pode gerar prejuízos para as partes envolvidas, pois os valores acordados tendem a se tornar defasados ao longo do tempo.

Como funciona esse tipo de correção?

Após entender melhor o conceito de correção monetária, é válido saber como ela funciona, na prática. No Brasil, a correção monetária é calculada com base em índices oficiais de inflação.

O cálculo da correção monetária é feito multiplicando a quantia original pela variação do índice no período em que o valor ficou defasado. Dessa forma, é possível atualizar o montante para que ele seja equivalente em termos de poder aquisitivo em determinada data.

Principais índices de correção monetária

 O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Geral de Preços (IGP-M) são os dois índices mais utilizados em correções monetárias. No entanto, ainda existem outras quatro opções.

Conheça cada uma delas, a seguir!

IPCA

O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil. Ele é medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e tem como base os preços de produtos e serviços consumidos por famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de 1 a 40 salários-mínimos.

IGP-M

Já o IGP-M também é um indicador de inflação, mas é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele mensura a variação dos preços de bens e serviços comercializados no atacado, varejo e na construção civil e é utilizado, principalmente, em contratos de aluguel.

INPC

Outro índice usado para correção monetária e que também é medido pelo IBGE é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Ele é semelhante ao IPCA, mas tem como base os preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda mensal de até 5 salários-mínimos.

Selic

A taxa Selic — a taxa básica de juros da economia brasileira — é mais um índice que pode ser utilizado para correção monetária. Ela é definida pelo Banco Central e serve como referência para outras taxas de juros praticadas no mercado.

TR

Além dos índices anteriores, há a chamada Taxa Referencial (TR), cuja responsabilidade de cálculo é do Banco Central. No caso, ela é utilizada na correção monetária de algumas operações financeiras, como a poupança e títulos de capitalização.

Vale destacar que o uso da TR para correção monetária pode ser controverso em determinados casos. Por exemplo, em débitos trabalhistas, a prática já foi considerada inconstitucional. Entretanto, a taxa ainda é válida em diversas aplicações — como correção de contratos de financiamento, correção da poupança etc.

CDI

Por fim, ao pesquisar sobre investimentos, é comum se deparar a alternativas com remuneração atrelada ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Entretanto, ele não é considerado um índice de correção monetária. Ainda assim, vale a pena conhecê-lo, já que ele pode estar presente nos seus investimentos.

Trata-se de uma taxa de juros que serve como referência para operações financeiras entre bancos e instituições financeiras. Se você investe, por exemplo, em Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou já estudou sobre essa alternativa, sabe que muitos deles rendem uma porcentagem do CDI.

Como calcular a correção monetária?

Sabendo o que é e como funciona a correção monetária, vale a pena conhecer a fórmula que permite calcular esse ajuste, na prática. Para isso, acompanhe o exemplo a seguir, no qual o IPCA é utilizado como índice de referência.

Suponha que você tenha um crédito a receber de R$ 10.000 daqui a um ano, e o valor é corrigido com base no IPCA. Considere que a inflação acumulada no período foi de 4,5%. Nessa circunstância, a correção monetária deverá ser calculada a partir da seguinte fórmula:

valor corrigido = valor original x taxa de correção x período

Substituindo os valores na fórmula, temos:

valor corrigido = 10.000 x 4,5% x 1

valor corrigido = 450

Portanto, a correção monetária do crédito que você tem a receber após um ano, nesse caso, será de R$ 10.450. Simples, não é mesmo?

Além disso, para facilitar ainda mais esse cálculo, o próprio Banco Central disponibiliza uma calculadora de correção monetária. Para utilizá-la, basta escolher o índice e informar a data inicial e final, além do valor a ser ajustado. Instantaneamente, a ferramenta já mostra a quantia corrigida.

Qual índice de correção monetária usar?

Conforme você viu, existem diferentes tipos de índices relacionados à correção monetária. Sendo assim, qual deles utilizar? Será que existe um indicador certo, ou melhor do que outro?

Na verdade, o índice de correção monetária a ser utilizado depende do contexto em que ele está sendo aplicado. Por exemplo, se você precisa corrigir o valor de um investimento, pode ser adequado utilizar o IPCA.

Afinal, trata-se de um indicador oficial do Governo para medir a inflação. Caso você queira que o seu dinheiro renda acima dela, é interessante considerá-lo no momento de analisar os resultados obtidos e verificar se o rendimento garantiu ganhos reais.

Por outro lado, se você precisa corrigir um valor de um contrato de aluguel, por exemplo, pode ser mais apropriado utilizar o IGP-M. Isso porque ele reflete melhor as variações de preços na economia, incluindo os preços dos insumos utilizados na construção civil.

Outro exemplo: uma correção monetária trabalhista não costuma utilizar nem o IPCA e nem o IGP-M. Nesse cenário, é comum recorrer ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) e à Selic.

Portanto, para fazer a escolha certa, é essencial entender a situação específica em que a correção será aplicada para, assim, optar pelo índice mais adequado.

Qual a diferença entre correção monetária e juros?

Quando se fala em correção monetária, muitas pessoas acabam associando-a aos juros, como se tratassem da mesma questão. Porém, não é exatamente assim.

Enquanto a correção monetária é uma forma de atualizar o valor de um bem ou serviço conforme a inflação, os juros representam uma taxa cobrada pelo uso de um capital.

Os juros são aplicados em empréstimos, financiamentos e investimentos financeiros, por exemplo, para remunerar o credor ou investidor pelo dinheiro emprestado, ou investido. Já a correção monetária é utilizada para atualizar o valor do dinheiro, de uma dívida ou de um bem, de acordo com a inflação.

Apenas para exemplificar: imagine que você tenha uma dívida para receber de R$ 80.000, mas que ela está atrasada há 2 anos. No momento de fazer a cobrança, é comum aplicar a correção monetária, para corrigir o valor do dinheiro devido à sua desvalorização com o tempo.

Porém, também é comum que haja a aplicação de juros moratórios sobre o capital. Ou seja, juros como forma de penalidade pelo descumprimento do pagamento acordado. Assim, o valor corrigido que precisará ser quitado pelo devedor será superior aos R$ 80 mil.

Aqui, embora muitos pensem que o aumento do montante é resultado apenas da incidência de juros, há também a correção monetária, que atualiza o valor em função dos efeitos da inflação ao longo do período.

Dessa forma, o seu poder de compra foi mantido (correção) e você recebeu uma compensação adicional pelo atraso (juros), certo?

Correção monetária não é aumento

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a correção monetária não é um aumento. Para entender essa questão de forma mais clara, acompanhe a situação a seguir.

Todo ano, grande parte das empresas no Brasil realiza um reajuste em torno de 5% no salário dos seus funcionários. Porém, isso não costuma ser um acréscimo real, e sim um ajuste para acompanhar o índice de inflação do país.

Na prática, o seu poder aquisitivo não costuma aumentar, ele apenas se mantém. Para que haja um aumento real, a porcentagem acrescida deveria ser superior à inflação acumulada.

Quais são os impactos da correção monetária no cotidiano?

Agora que você aprendeu a calcular a correção monetária corretamente, é interessante conhecer em que áreas esse tipo de ajuste está presente. Esse recurso é importante por ser utilizado no cotidiano de muitas pessoas e empresas.

Para começar, é válido destacar que a correção monetária influencia o valor dos produtos e serviços e, por consequência, o seu poder aquisitivo. Isso pode ser facilmente percebido quando você faz compras no supermercado, leva o seu veículo para abastecer, sai para passear etc.

Além dessa questão, a atualização monetária pode atuar em:

  • dívidas;
  • empréstimos;
  • financiamentos;
  • salários;
  • pensões;
  • benefícios sociais;
  • mensalidades escolares e de faculdades;
  • processos judiciais;
  • indenizações;
  • contratos de aluguel;
  • investimentos;
  • restituição do Imposto de Renda (IR).

Nessas situações, a correção monetária tende a gerar reajustes nos valores com o passar do tempo. A seguir, veja dois exemplos a respeito de como esse tipo de ajuste impacta o cotidiano de quem mora de aluguel e de quem faz investimentos!

Impacto no dia a dia: aluguel

No caso de um contrato de aluguel, a correção monetária pode ser aplicada para atualizar o valor da mensalidade, conforme a inflação. Isso significa que um inquilino pode ter que pagar uma quantia maior a cada ano, mesmo que o contrato não preveja um aumento real no valor do aluguel.

Geralmente, esse tipo de atualização ocorre a cada ano, pois o valor pago agora não terá o mesmo poder de compra no ano seguinte. Nesse cálculo, como você viu, o índice que costuma ser utilizado é o IGP-M, embora o IPCA esteja cada vez mais comum nos contratos.

Impacto nos investimentos

Já no caso de investimentos, a correção monetária pode influenciar a rentabilidade de algumas aplicações financeiras, com a possibilidade de serem corrigidas com base na inflação. Dessa forma, é possível preservar o poder de compra do dinheiro investido.

Alguns exemplos disso estão presentes nos investimentos de renda fixa. Em muitos deles, é comum que as aplicações sejam corrigidas para manter o poder aquisitivo do valor aplicado pelo investidor. É o caso de títulos como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro RendA+ — ambos emitidos pelo Tesouro Nacional, órgão do Governo Federal responsável por gerenciar a dívida pública brasileira.

Se você destinar o seu capital a uma aplicação financeira que rende um índice inferior ou apenas equivalente ao da inflação, o seu investimento poderá não proporcionar um ganho real expressivo. É possível, inclusive, sofrer alguma perda de valor, nesse sentido.

Então, se você deseja ter o dinheiro aplicado corrigido, além dos rendimentos, e ainda superar a alta de preços acumulada, precisará estudar as alternativas do mercado que ofereçam esse tipo de vantagem.

Portanto, é fundamental que você entenda o que é a correção monetária, como calculá-la e quais os seus impactos. Afinal, como você pôde ver ao longo deste artigo, ela pode afetar tanto o seu dia a dia quanto o retorno real dos seus investimentos no mercado financeiro.

Para encerrar, confira este outro post sobre 5 investimentos atrelados à inflação para proteger seu patrimônio!

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