Com a eminência da crise climática e crescente desigualdade, os Governos mundiais têm debatido cada vez mais sobre a importância de promover a sustentabilidade. Mas essa pauta não se limita aos governantes. Ela também alcançou o mundo dos investimentos. O surgimento dos green bonds é prova disso.  

Também conhecidos como títulos verdes, eles são investimentos que estão atrelados à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Então, muitos investidores já não investem com o foco apenas na rentabilidade, mas também com o objetivo de ajudar a preservar o planeta. 

Quer entender mais sobre essa tendência que está crescendo a cada dia? Confira este post que nós, da Genial, preparamos. Saiba o que são green bonds, como eles funcionam e quais as alternativas disponíveis no Brasil! 

Vamos lá? 

O que são green bonds?  

Em tradução livre, o termo bonds significa “títulos”, e a palavra green, “verde”. Os títulos verdes são títulos de dívidas que financiam projetos ligados à sustentabilidade. Logo, seu intuito é a captação de recursos para investir em iniciativas que, de alguma forma, envolvam questões ambientais. 

Os recursos de um green bond são captados, especificamente, para projetos com impacto ambiental positivo, como por exemplo, o reflorestamento de uma área devastada ou o financiamento de um parque de geração de energia limpa. Também é possível usar os recursos de uma emissão para propósitos de fim social, mudando tecnicamente o nome para social bond (impacto somente social) ou sustainable bond (que mescla aspectos ambientais e sociais).  

Assim, é importante mencionar que o investimento sustentável não significa apenas investir em empresas do setor ambiental. Na verdade, aquele que emite títulos sustentáveis pode atuar em variados setores da economia, mas reservam parte de seu capital para apoiar projetos sustentáveis. 

Como se deu o crescimento dos green bonds no mundo? 

A criação dos green bonds se deu pela necessidade de frear os danos causados ao planeta pela humanidade. De modo geral, os títulos verdes derivam de programas de proteção ambiental, como o projeto de Kyoto, criado 1997. 

Naquele período, surgiram os créditos de carbono. Países que lançavam muito gás carbônico na atmosfera podiam adquirir esses títulos de países que poluíam pouco – como forma de compensar o prejuízo que causavam ao meio ambiente.  

No ano de 2008, o Banco Mundial emitiu o primeiro green bond do mundo, originando um processo de desenvolvimento sustentável no mercado financeiro. O lançamento desse investimento serviu para reunir rentabilidade com sustentabilidade. 

Ao longo do tempo, diversas outras empresas e instituições passaram a emitir green bond. Inclusive, o ano de 2017 foi marcado pelo aumento exponencial na emissão de títulos verdes. O número de investimentos passou de US$ 30 bilhões (2016) para mais de US$ 160 bilhões em todo o mundo.  

Crescimento desses títulos no Brasil 

No Brasil, o surgimento de green bonds aconteceu em 2015. Os primeiros foram emitidos pela BRF Foods. Posteriormente o exemplo foi seguido pela Suzano, AES Tiete, Taesa, entre outras companhias.  

Isso fez com que o Brasil aumentasse o seu volume de emissões de títulos verdes nos últimos anos. 

Como os green bonds funcionam? 

Você já entendeu o que são esses títulos verdes e conheceu o movimento de ascensão dos investimentos nos últimos anos. Agora, vale a pena saber como eles funcionam. 

De modo geral, os green bonds são produtos financeiros de renda fixa. Logo, contam com a rentabilidade pós-fixada, prefixada ou híbrida. Ademais, eles podem ser emitidos por empresas públicas, privadas ou de capital misto. 

O investidor que adquire títulos verdes estará, na prática, emprestando dinheiro à companhia emissora do título. Em troca disso, receberá, ao final do investimento, o capital investido somado aos juros que forem combinados. 

Quais alternativas estão disponíveis no mercado? 

Atualmente, diversas empresas captam recursos com selo verde ou social para custear seus projetos de sustentabilidade. No Brasil as alternativas disponíveis podem ser encontradas em alguns títulos conhecidos na renda fixa. 

Confira possibilidades! 

CRA 

O CRA (certificado de recebíveis do agronegócio) é um título de crédito privado vinculado ao ramo do agronegócio. Algumas empresas rurais, cooperativas e produtores trocam seus recebíveis futuros por dinheiro à vista. Esses recebíveis lastreiam títulos que são negociados no mercado. 

CRI 

O CRI (certificado de recebíveis imobiliários) tem o funcionamento semelhante ao CRA. No entanto o título tem lastro em recebíveis do mercado imobiliário. Geralmente, são provenientes de negócios com construtoras e imobiliárias que precisam levantar capital com celeridade. 

Debêntures 

As debêntures são títulos de crédito privado, emitidas por empresas que buscam a capitação de recursos para o seu caixa. Nela é apontado o valor, o prazo e juros que serão pagos, de acordo com as definições da companhia. 

FIDC 

O fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) é uma modalidade coletiva que reúne investidores. Sob a gestão de um profissional, ele destina grande parte de seu capital para aplicações de direitos creditórios. 

Quais são as alternativas sustentáveis fora da renda fixa? 

Quem não se interessa pelos green bonds, mas ainda quer buscar alternativas de investimentos sustentáveis, pode contar com investimentos disponíveis na renda variável. Eles são encontrados quando se fala em ESG – ou ASG (ambiental, social e governança corporativa). 

As empresas consideradas ESG são aquelas que apresentam níveis maiores de compromisso com o ambiente, sociedade e governança. Logo, existirão diversas formas de investir seu capital nesse mercado.  

Por exemplo: 

  • ações: ao adquirir ações de uma empresa que atende aos critérios gerais de ESG (e eles podem variar) você também estará contribuindo com a sustentabilidade; 
  • fundos de investimentos ESG: esses fundos possuem política de investimento e de avaliação de recursos que abrangem critérios ESG. Importante ressaltar que cada gestor tem sua estratégia e critérios próprios, vale a pena entender a estratégia que faz mais sentido para a sua alocação 
  • ETFs (fundos de índice): são fundos de investimento que buscam replicar a performance de índices de mercado, que podem ter relação com a sustentabilidade. Por exemplo, o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), composto exclusivamente por empresas que passam por avaliação de critérios socioambientais. 
  • Créditos de Carbono 

Percebeu como existem inúmeras alternativas de investimentos sustentáveis no mercado brasileiro? 

Como você viu, green bonds são investimentos de renda fixa que objetivam financiar projetos sustentáveis. Além deles, é possível encontrar diferentes outras opções — que podem fazer parte da carteira de diferentes perfis de investidores.  

Você se interessa por investimentos em alternativas sustentáveis? Então abra a sua conta e conheça os green bonds e outras possibilidades ESG disponíveis no mercado! 

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