As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos de renda fixa emitidos por bancos e têm o mesmo nível de segurança da poupança. São parecidos com os Certificados de Depósito Bancário (CDB), porém isentos de imposto de renda. Mas o investimento em LCI e LCA sempre vale a pena?

Nos últimos anos, investimentos como LCI e LCA se tornaram queridinhos dos brasileiros. A isenção de IR torna o produto acessível ao pequeno investidor e faz com que esses papéis sejam normalmente mais rentáveis que a poupança e os CDB. Tudo isso com baixo risco. Saiba mais sobre como funcionam as LCI e LCA.

Antes de fazer um investimento em LCI e LCA, porém, é conveniente prestar atenção a alguns pontos e comparar esses títulos a outros investimentos, para saber se eles estão realmente vantajosos.

Quando você realmente quer um investimento conservador

LCI e LCA são investimentos conservadores. Seu nível de risco é o mesmo da poupança e dos CDB, pois elas também contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ou seja, em caso de quebra da instituição financeira emissora do título, o investidor não toma calote. Ele é ressarcido pelo FGC em uma quantia de até 250 mil reais por instituição financeira.

Além disso, LCI e LCA, assim como os CDB, em geral pagam um percentual do CDI, uma taxa de juros que costuma se aproximar da taxa básica de juros, a Selic. O rendimento atrelado à taxa básica é a forma mais conservadora de remuneração.

Então, se você tiver perfil conservador ou um objetivo que exija um investimento de baixo risco – como uma viagem ou uma festa de casamento com data certa para pagar – as LCI e LCA podem ser adequadas.

Mas lembre-se: por se tratar de uma aplicação de baixo risco, a rentabilidade não será estrondosa. Para obter rendimentos maiores, em geral é preciso correr um pouco mais de risco.

Quando você não pretende investir mais de 250 mil reais em um único produto ou instituição financeira

O investimento em LCI e LCA é coberto pelo FGC em um valor de até 250 mil reais por CPF, por instituição financeira. É a mesma cobertura de caderneta de poupança, conta-corrente, CDB e Letras de Câmbio, investimentos que também são garantidos pelo FGC. Em caso de quebra do banco emissor da LCI ou LCA, o FGC ressarce o investidor até esse limite.

O ideal é não investir mais de 250 mil reais em um único produto ou instituição financeira. Esse valor de cobertura vale para o somatório de todas as aplicações garantidas pelo FGC sob um mesmo CPF em cada instituição financeira.

Claro que o risco de um grande banco quebrar é menor que o risco de um banco de pequeno ou médio porte. Seja como for, o ideal é diversificar as instituições financeiras ao investir em renda fixa.

Quando você pode esperar até o vencimento

Diferentemente de outros investimentos de baixo risco – poupança, fundos de renda fixa conservadora, títulos públicos federais e grande parte dos CDB – as LCI e LCA não têm liquidez diária, isto é, não podem ser resgatadas a qualquer momento.

Elas têm carência mínima de 90 dias, mas os prazos podem variar bastante – seis meses, um ano, dois anos etc. Passada a carência, algumas permitem o resgate antecipado, mas outras não. Então, é bom ficar atento.

Não invista em uma LCI de um ano que só vai te pagar no vencimento se você acha que pode precisar do dinheiro antes desse prazo. O resgate antecipado, quando permitido, em geral paga uma remuneração menor do que a que foi combinada.

Isso também acontece com alguns CDB, mas boa parte deles tem liquidez diária, pagando o percentual do CDI acordado mesmo para quem resgata antes do fim do prazo.

O risco de liquidez é o motivo pelo qual as LCI e LCA não devem ser usadas para investir sua reserva de emergência. Esta deve estar prontamente acessível a qualquer momento.

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Quando você compara aplicações de renda fixa e percebe que o investimento em LCI e LCA está mais rentável

LCI e LCA são isentas de taxas e imposto de renda, o que faz com que sua rentabilidade seja geralmente maior do que o rendimento líquido das aplicações financeiras similares.

Mas o investimento em LCI e LCA não necessariamente será mais vantajoso do que outros investimentos conservadores. Tudo depende do percentual do CDI que elas pagam e da data de vencimento. Por isso, é importante comparar.

Poupança

Em relação à poupança, o investidor não tem muito que pensar. O investimento em LCI e LCA tende a ser mais vantajoso para quem pode esperar até o vencimento, já que a rentabilidade da caderneta de poupança é bem mais baixa.

CDB

Assim como as LCI e LCA, os CDB não sofrem a cobrança de taxas, mas são tributados segundo a tabela regressiva do imposto de renda:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

Não basta, portanto, apenas comparar prazos e o percentual do CDI pago por cada modalidade. É preciso comparar a rentabilidade da LCI ou LCA com o rendimento líquido de IR do CDB.

Considere, como exemplo, uma LCI que pague 80% do CDI e um CDB que pague 95% do CDI. Após mais ou menos dois anos de investimento, quando a alíquota de IR é de 15%, o CDB é mais vantajoso que a LCI. Mas para prazos menores, a LCI é mais rentável.

Agora, uma LCI que pague 85% do CDI tem mais dificuldade de ser “derrotada” por um CDB. Para ter uma rentabilidade melhor em um prazo inferior a seis meses, quando a alíquota de IR é de 22,5%, o CDB teria que pagar 110% do CDI. Para prazos maiores que dois anos, 101% do CDI bastaria.

Contudo, dificilmente um CDB que paga mais de 100% do CDI terá liquidez diária. Também são raros os de curto prazo. Isso mesmo considerando os bancos pequenos e médios. Ou seja, para obter 110% do CDI, provavelmente o investidor teria que ficar com o CDB até o fim do prazo, que pode ser longo.

Nos grandes bancos, rentabilidades de 100% do CDI ou mais costumam ficar restritas a investidores abastados ou a papéis com prazos de dois ou três anos.

Assim, se a LCI em questão pagar 85% em um prazo de um ano, e o CDB pagar 110% do CDI apenas depois de três anos, a LCI tem vantagem pelo prazo mais curto.

Fundos de renda fixa

Além do imposto de renda, os fundos de renda fixa conservadora, entre os quais se incluem os fundos DI, também sofrem a cobrança de uma taxa de administração, que varia de fundo para fundo.

Nos grandes bancos, os fundos de renda fixa costumam ser caros, o que normalmente os torna desvantajosos frente às LCI e LCA em qualquer circunstância.

Mas em gestoras e corretoras independentes, os custos reduzidos tornam os fundos mais competitivos, então vale a pena comparar.

Considerando que os fundos DI não costumam remunerar muito além de 100% do CDI, um fundo DI com taxa de administração de 1,0% ao ano só será mais vantajoso que uma LCI que paga 80% do CDI em um ano, quando o imposto de renda passar para a faixa de 17,5%.

O mesmo fundo não superaria uma LCI que paga 85% do CDI nem mesmo após dois anos de investimento.

Nesses casos, dependendo do prazo da LCI ou LCA, esta pode ser mais interessante que o fundo. Agora, se liquidez diária for fundamental para o investidor, o fundo DI de baixa taxa de administração é mais atrativo, até porque sua rentabilidade perde por pouco.

Tesouro Selic (LFT)

No caso dos títulos públicos Tesouro Selic (LFT), o ideal é compará-los com LCI e LCA com mais ou menos o mesmo prazo.

Embora os títulos públicos tenham liquidez diária, podendo ser vendidos a qualquer momento, o rendimento em caso de venda antecipada nem sempre é igual à Selic do período, ainda que tenda a ser positivo.

Títulos públicos negociados pelo Tesouro Direto sofrem a cobrança de até duas taxas, além de imposto de renda. A taxa de custódia de 0,3% ao ano é obrigatória. Além disso, pode haver uma taxa de agente de custódia cobrada pela corretora que serve como intermediária para o investimento. Esta taxa pode variar bastante de uma corretora para a outra, mas algumas delas – como a GENIAL – não a cobram.

Considere a Selic atual de 6,50% ao ano, e um CDI de 6,39%, conforme informado pelo site da Cetip. Uma LCI que pagasse 85% do CDI ganharia do Tesouro Selic (LFT) em qualquer prazo, mesmo que a corretora de investimentos não cobrasse taxa para investimentos no Tesouro Direto.

Os demais títulos públicos não são muito comparáveis ao investimento em LCI e LCA. Embora apresentem o mesmo risco de calote do Tesouro Selic, eles são remunerados segundo regras diferentes, que os tornam um pouco menos conservadores.

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