No contexto financeiro e econômico, existem diversos conceitos que podem gerar dúvidas. Um exemplo é a diferença entre juros nominal e real, termos que devem ser dominados pelos investidores para investir com mais embasamento.

Afinal, entender o funcionamento dessas taxas é importante para calcular a rentabilidade dos investimentos com mais precisão. Desse modo, você consegue ter maior confiança na hora de escolher as opções mais adequadas para o seu perfil de investidor.

Ficou interessado e quer aprender mais sobre o assunto? Nós, da Genial Investimentos, explicamos as diferenças entre juros nominal e real.

Acompanhe a leitura!

O que são juros?

Um dos fatores avaliados pelos investidores é o potencial de retorno. Nesse contexto, principalmente na renda fixa, um ponto que merece destaque são os juros, que representam quanto você pode obter como resultado de suas decisões de investimento.

Os juros consistem no valor do dinheiro ao longo do tempo, tanto em relação a um empréstimo quanto em um investimento. Se você é um investidor, o dinheiro aplicado em uma instituição é emprestado a um tomador.

Ele pode ser uma empresa ou instituição financeira, por exemplo. Ao fim do período acordado, ela deve devolver a quantia emprestada pelo investidor somada aos juros previstos no início da operação.

O que são juros nominais?

Entendido o conceito básico, chega a hora de saber o que é juro nominal. Ele consiste na taxa de juros divulgada pelas instituições financeiras. Assim, trata-se do percentual que um investidor receberá ao fim de um período — ou um tomador pagará —, em termos nominais, sem descontar a inflação.

Por exemplo, se a instituição oferece uma taxa nominal de 10% ao ano, depois de 12 meses, o investidor obtém 10% a mais do que investiu. Se você aplicou R$ 3.000 a uma taxa nominal de 20% ao ano, no fim do período, terá um montante bruto de R$ 3.600, entendeu?

Vale ressaltar que a taxa nominal pode ser expressa de diferentes formas. Alguns exemplos são anual, semestral, trimestral e mensal — sempre em porcentagem.

Portanto, fique atento à diferença, está bem? Afinal, a taxa nominal pode não refletir o ganho real de um investimento. Logo, compreender o fator ajuda a tomar decisões financeiras mais adequadas.

O que são juros reais?

Como você viu, o juro nominal é a taxa bruta que um investimento promete pagar. Entretanto, ela não reflete o que você pode ganhar em termos de poder de compra. A razão é que a inflação diminui o valor do dinheiro ao longo do tempo.

Por exemplo, se você investe em um título de renda fixa prefixado com juros nominais de 7% ao ano, sabe que, ao fim de 12 meses, receberá o montante investido acrescido de 7%. Mas o que acontece se a inflação no período for de 5%?

Nesse caso, os juros reais são a diferença entre a taxa nominal e a inflação, representando o ganho real do investimento. Usando o exemplo anterior, se o aumento dos preços foi de 5%, os juros reais seriam um pouco inferiores a 2%.

A taxa mostra quanto você ganhou de fato, descontando o impacto da inflação. Se os juros reais forem positivos, significa que o investidor aumentou o seu poder de compra. Caso eles sejam negativos, você teve um ganho nominal, mas perdeu poder aquisitivo.

Em muitos casos, o investidor pode focar apenas nos juros nominais. No entanto, ao ignorar os efeitos da inflação, ele tem uma visão equivocada do retorno real do seu investimento.

Quais são as diferenças entre os juros nominal e real?

Após entender os conceitos de juros nominal e real, fica mais fácil compreender suas diferenças. A principal distinção está na consideração da inflação.

O juro nominal, como você viu, representa o retorno bruto de um investimento, sem qualquer ajuste. Essa é a taxa que o investidor visualiza nos contratos e plataformas das instituições financeiras, indicando quanto o seu dinheiro pode valorizar ao longo de um período.

Já o juro real vai além. Ele ajusta a taxa nominal pela inflação, mostrando o ganho real do investimento em termos de poder de compra, conforme você aprendeu. Esses juros revelam quanto o seu dinheiro se valorizou, descontando a perda de valor causada pela alta de preços.

Portanto, enquanto o juro nominal proporciona uma visão inicial do retorno, o juro real permite uma análise mais completa. Afinal, ele ajuda a entender a verdadeira possibilidade de ganho do investimento.

Quais são as diferenças entre taxa de juros real e Selic?

Cabe ressaltar que o juro real também se diferencia da Selic, sabia? Essa última, definida pelo Banco Central do Brasil (Bacen), é a taxa básica de juros usada como referência para a política monetária do país.

Ela é manejada para controlar a inflação e regular a economia doméstica. Quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indica uma alta inflação, o Bacen pode aumentar a Selic buscando conter o crescimento dos preços.

A taxa básica também serve como base para a rentabilidade de investimentos pós-fixados e para a definição de taxas de empréstimos e financiamentos. Contudo, lembre-se de que ela é uma taxa nominal, o que significa que não se considera o efeito da inflação sobre o poder de compra.

Por outro lado, a taxa de juros real coloca os retornos em perspectiva, considerando a inflação e os efeitos no poder de compra das pessoas.

Como calcular a taxa de juros real e nominal?

Ao compreender as diferenças entre juros nominal e real, é provável que você queira saber como calcular as taxas. Confira!

Cálculo de juros nominais

O cálculo de juro nominal é simples. Nesse caso, você deve utilizar a seguinte fórmula:

M = C x (1 + i)t

Entenda os itens que compõem o cálculo:

  • M: montante final, ou seja, o total após a aplicação dos juros;
  • C: capital inicial ou a quantia que você investiu ou emprestou;
  • i: taxa de juros nominal por período (em decimal);
  • t: tempo durante o qual o dinheiro foi investido ou emprestado.

Para entender melhor, considere um investimento de R$ 10.000 em uma aplicação que oferece uma taxa de juros nominal de 1% ao mês. Aqui, você deseja saber quanto terá após um ano.

As variáveis da fórmula são:

  • C: R$ 10.000;
  • i: 1% ao mês (0,01 em decimal);
  • t: 12 meses.

Aplicando a fórmula:

M = 10.000,00 × (1 + 0,01)12

M = 10.000,00 × (1,01)12

M = 10.000,00 × 1,12682503

M = R$ 11.268,25

Portanto, ao fim de um ano, o valor acumulado é de R$ 11.268,25. Para descobrir quanto a aplicação rende em juros compostos, subtraia o capital inicial do montante final:

Juros = M − C

Juros = 11.268,25 – 10.000,00 = R$ 1.268,25

No exemplo, os juros gerados ao longo do período foram de R$ 1.268,25.

Cálculo de juros reais

Agora, é a hora de aprender a calcular o juro real. A fórmula é a seguinte:

1 + r = (1 + in) / (1 + j)

Veja o que cada fator significa:

  • in: taxa de juros nominal;
  • j: taxa de inflação;
  • r: taxa de juros real que você quer encontrar.

Suponha que você tenha um investimento com uma taxa de juros nominal de 15% ao ano e a inflação do período foi de 5%. Nesse caso, é preciso encontrar a taxa de juros real para avaliar o ganho ajustado pela alta de preços.

As variáveis são:

  • in: 15% ou 0,15;
  • j: 5% ou 0,05.

Aplicando a fórmula:

1 + r = (1 + 0,15) / (1 + 0,05)

1 + r = 1,15 / 1,05

1 + r = 1,0952

r = 1,0952 – 1

r = 0,0952

r × 100 = 9,52%

Portanto, a taxa de juros real do seu investimento é de cerca de 9,52% ao ano, após descontar a inflação. O rendimento é suficiente para preservar o seu poder de compra e ainda gerar um ganho real.

Se a taxa de juros real fosse negativa, ela indicaria que o retorno do investimento não foi suficiente para cobrir a inflação, resultando em uma perda de poder de compra, como você viu. Para simplificar os cálculos, você pode usar simuladores online disponíveis na internet. Eles realizam as contas automaticamente, bastando inserir a taxa nominal e a inflação.

Qual é o impacto da taxa de juros real nos investimentos?

Ao entender como calcular o juro real, você percebe que ele é essencial para qualquer investidor que deseja avaliar com precisão o desempenho de suas aplicações, certo?

Compreenda, a seguir, o impacto da taxa na sua estratégia de investimentos!

Tomada de decisões estratégicas

Conhecer a taxa de juros real contribui para tomar decisões mais estratégicas nos investimentos, principalmente na renda fixa. Antes de investir, você tem a possibilidade de comparar a taxa nominal oferecida com as expectativas de inflação.

A partir da análise, você poderá escolher os investimentos que estejam mais alinhados com os seus objetivos financeiros. Assim, suas decisões serão baseadas em retornos reais, e não apenas em valores nominais.

Avaliação do desempenho real

A taxa de juros real proporciona uma visão mais clara do desempenho das suas aplicações, já que ela considera o impacto da inflação. Quando o juro real é negativo — ou é positivo, mas não atinge a sua expectativa — costuma ser hora de reavaliar as opções de investimento e buscar alternativas com maior potencial de retorno.

Diversificação da carteira

O cálculo do juro real também é relevante para a diversificação da carteira. Ao entender como a inflação afeta diferentes tipos de investimentos, você tem a oportunidade de buscar ativos que ofereçam proteção contra a perda do poder de compra.

Uma maneira de fazer isso é por meio dos investimentos com diferentes regras de retorno, como prefixados e pós-fixados, se você considerar a renda fixa. Os investimentos híbridos, que combinam taxas prefixadas com indexadores de inflação, por exemplo, tendem a ser procurados por quem deseja obter um ganho real.

Ademais, dependendo do seu perfil de risco, considerar investimentos em renda variável, como ações e fundos, pode ser uma forma de buscar retornos mais elevados. Mas tenha em mente que os riscos envolvidos geralmente são maiores, combinado?

Como investir e se proteger da inflação?

Por fim, vale saber como investir e se proteger da perda do poder aquisitivo. Muitos fazem investimentos em alternativas atreladas ao IPCA, como Tesouro IPCA+, Tesouro RendA+ e Tesouro Educa+. Esses títulos públicos oferecem uma rentabilidade composta por uma taxa prefixada somada à variação do índice de inflação.

Mais uma alternativa são os certificados de depósito bancário (CDBs). Trata-se de títulos que podem ser indexados ao IPCA, proporcionando uma proteção similar à dos títulos públicos que você viu.

As letras de crédito imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs) também têm a possibilidade de oferecer rendimentos atrelados à inflação. As emissões de crédito privado, como certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs), além das debêntures, são outras opções.

Em algumas situações, os títulos ainda contam com o benefício da isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas. É o caso das LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas.

Mais uma estratégia para mitigar os efeitos da inflação é investir em fundos de crédito privado focados em inflação. Esses fundos tendem a diluir o risco ao reunir em uma carteira títulos de empresas que têm rendimentos indexados à inflação, oferecendo proteção contra a perda de poder de compra.

Ao longo deste conteúdo, você conheceu as principais diferenças entre os juros nominal e real. Assim, não deixe de considerar os dois conceitos na hora de tomar suas decisões de investimento. Com a medida, é possível escolher as opções mais alinhadas aos seus objetivos e perfil.

Gostou do post e quer ficar por dentro das novidades da Genial Investimentos? Então não deixe de assinar a nossa newsletter para receber conteúdos em sua caixa de entrada!

Genial Investimentos

Somos uma plataforma de investimentos que tem como objetivo facilitar o acesso ao mercado financeiro e ampliar a educação financeira no Brasil.

Ver todos os artigos
Lançamento Gê

Navegação rápida

O link do artigo foi copiado!