O tempo é o melhor amigo do investidor: quanto mais tempo temos para alcançar um objetivo financeiro, melhor, pois menor deverá ser nosso esforço para chegar lá. Não apenas porque teremos mais tempo para gerar rendimentos e poupar, mas também por causa dos juros compostos.

Enquanto os juros simples são calculados apenas sobre a quantia investida – o principal –, os juros compostos são calculados sobre o principal e os rendimentos obtidos com juros nos períodos anteriores. Daí o apelido “juros sobre juros”.

No mercado brasileiro, os investimentos são remunerados com base nos juros compostos. Os empréstimos e financiamentos contraídos por pessoas e empresas também seguem o mesmo princípio.

Ao mesmo tempo em que ajudam o investidor – que quanto mais tem aplicado, mais pode ganhar – os juros compostos atrapalham quem se endivida.

Uma dívida com juros altos cresce de uma forma assustadora para o devedor desavisado. Por isso, é muito melhor receber juros (investir) do que pagar (se endividar).

Essas informações não têm nenhum mistério. Mas nada como um exemplo real, um personagem, uma história ou simulação para tornar visual a força de um argumento ou de um dado.

A seguir, algumas tabelas e um gráfico dão uma ideia da força dos juros compostos nas aplicações financeiras – e consequentemente, de por que quanto mais cedo se começa a investir para um objetivo, melhor.

As tabelas trazem simulações com aplicações de renda fixa conservadora. As taxas de juros que servem de referência para essas aplicações são a taxa básica de juros (Selic) e a taxa de juros das operações interbancárias (CDI), próxima da Selic, mas em geral um pouco inferior.

Se você ainda tiver dúvidas sobre o que é a Selic e como ela afeta a economia e o seu bolso, este outro post explica.

Parâmetros para a simulação

Foi considerada a meta da Selic atual de 14,25% ao ano, conforme estabelecida pelo Banco Central, e o CDI de 3 de março de 2016 de 14,13% ao ano, conforme informado pelo site da Cetip, central depositária, de registro, negociação e liquidação de ativos e títulos.

É claro que as simulações consideram que essas taxas permaneceriam as mesmas ao longo dos meses e anos, o que dificilmente ocorreria. Mas para fins didáticos, a simulação serve para mostrar a força dos juros compostos.

A simulação compara poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), fundo de renda fixa e título público Tesouro Selic (LFT), que pode ser comprado via Tesouro Direto.

CDBs e LCIs são títulos emitidos por bancos e, assim como a poupança, protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Tesouro Selic (LFT) é um título emitido pelo governo federal. E os fundos de renda fixa são aqueles que investem em aplicações de renda fixa conservadora.

A remuneração da poupança na simulação é de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR), válida tanto para a poupança nova quanto para a poupança antiga em um cenário de Selic em 14,25%. Foi considerada na simulação uma TR de 0,16% ao mês, TR média dos últimos 12 meses.

Para o fundo de renda fixa, foram consideradas uma rentabilidade de 100% do CDI e uma taxa de administração de 1,0% ao ano; para o Tesouro Selic (LFT), foi considerada uma corretora que não cobrasse taxa para negociação no Tesouro Direto, restando apenas a taxa obrigatória de 0,3% ao ano; para os CDBs foi considerada uma rentabilidade de 90% do CDI, e para as LCIs, de 85% do CDI.

Lembrando que não há cobrança de taxas sobre o investimento em CDBs ou LCIs. Quanto ao imposto de renda, poupança e LCI são isentas, enquanto as demais aplicações são tributadas segundo tabela regressiva, com alíquotas que diminuem com o passar do tempo.

Todas as rentabilidades mostradas nas tabelas já estão líquidas de taxas e imposto de renda.

Simulação de aplicações a juros compostos

Aplicando 20 mil reais, sem fazer novos aportes posteriores:

Em 1 ano:

Aplicação financeira Rendimento (%) Rendimento (R$) Saldo final (R$)
Poupança 8,21% 1.642,78 21.642,78
CDB (90% do CDI) 10,11% 2.022,22 22.022,22
Tesouro Selic (LFT) 11,13% 2.225,84 22.225,84
Fundo de Renda Fixa (100% do CDI) 10,50% 2.100,06 22.100,06
LCI (85% do CDI) 11,90% 2.380,00 22.380,00

Em 5 anos:

Aplicação financeira Rendimento (%) Rendimento (R$) Saldo final (R$)
Poupança 48,39% 9.678,75 29.678,75
CDB (90% do CDI) 69,12% 13.824,07 33.824,07
Tesouro Selic (LFT) 78,03% 15.605,19 35.605,19
Fundo de Renda Fixa (100% do CDI) 75,24% 15.047,87 35.047,87
LCI (85% do CDI) 75,45% 15.089,75 35.089,75

Partindo do zero, aplicando 1.000 reais por mês, sempre no início do mês:

Aplicação financeira Saldo ao final de um ano (R$) Saldo ao final de cinco anos (R$)
Poupança 12.527,47 73.807,78
CDB (90% do CDI) 12.647,55 79.274,58
Tesouro Selic (LFT) 12.711,74 81.560,80
Fundo de Renda Fixa (100% do CDI) 12.672,11 80.849,17
LCI (85% do CDI) 12.760,22 80.902,76

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