Quem investe em ações nacionais costuma manter o Ibovespa (Índice Bovespa) no radar. Afinal, ele é composto pelos papéis de maior representatividade no país, servindo como um termômetro para medir o clima do mercado acionário brasileiro.
Mas e se o interesse do investidor for o mercado internacional? Qual indicador acompanhar? Entre as possibilidades estão os índices da família MSCI. Eles são reconhecidos internacionalmente por apresentarem o desempenho de ações globais.
Quer entender mais sobre o assunto? Continue a leitura deste artigo preparado por nós, da Genial Investimentos, abordando o que são os índices MSCI!
O que significa MSCI?
MSCI é a sigla para Morgan Stanley Capital International. Trata-se de uma fornecedora global de índices de mercado criada em 1969, originalmente chamada de Capital International.
Em 1986, ela teve os seus direitos adquiridos pelo banco Morgan Stanley, quando seus índices foram renomeados e passaram a usar a sigla MSCI. Em 2007, a companhia fez o seu IPO (initial public offering) e o seu controle acionário foi dispersado entre múltiplos acionistas.
A empresa atua de modo independente na elaboração de índices, ferramentas de análise e dados para investidores. A MSCI tem grande influência global e, até junho de 2024, era estimado que mais de US$ 16,5 trilhões em ativos estavam vinculados aos seus benchmarks. Interessante, não é?
O que são os índices MSCI e como funcionam?
Os índices MSCI são benchmarks amplamente utilizados para acompanhar o desempenho de mercados de ações em diversas partes do mundo. Em geral, eles ajudam o interessado a entender o comportamento dos papéis de empresas de diferentes países, setores e regiões.
Esses índices são considerados confiáveis porque seguem regras claras, padronizadas e bem definidas. A metodologia dos índices MSCI é baseada na capitalização de mercado ajustada das empresas componentes, com valores atualizados diariamente.
Para determinar a ponderação e a seleção das empresas, a MSCI aplica oito fatores principais em sua análise. São eles:
- momentum: avaliação da tendência de preço recente da ação;
- volatilidade: mede o risco associado às oscilações do ativo;
- valor: avalia se o papel está subvalorizado em relação aos seus fundamentos;
- tamanho: capitalização de mercado da empresa;
- crescimento: perspectivas de expansão de receita e lucros;
- não linearidade de tamanho: efeito da capitalização no desempenho do negócio;
- liquidez: facilidade de negociação do ativo no mercado;
- alavancagem financeira: nível de endividamento da companhia.
Como as ações das empresas que compõem os índices MSCI são negociadas em diferentes moedas locais, os cálculos também consideram variações cambiais. Os resultados são convertidos para dólares americanos para padronização global.
A soma de todos esses critérios técnicos faz com que esses indicadores sejam confiáveis e reconhecidos globalmente. Por essa razão, eles são usados por muitos participantes do mercado, como investidores, analistas e gestores de fundos.
Por exemplo, gestores podem usar um índice MSCI como benchmark a ser seguido ou superado e para nortear a tomada de decisões sobre a alocação do fundo. Já um investidor consegue utilizá-lo para comparar o desempenho de sua carteira com o de determinado setor, ok?
Quais são os principais índices MSCI?
A família MSCI é composta por diversos índices, segmentados por região, país, setor, capitalização de mercado e outros critérios.
Confira os benchmarks mais relevantes globalmente do grupo!
MSCI World
O MSCI World é um dos índices mais conhecidos do mercado financeiro global. Ele acompanha o desempenho das ações de grandes e médias empresas de 23 países desenvolvidos, incluindo Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido.
Em junho de 2025, o índice reunia mais de 1.300 empresas, com forte presença de companhias norte-americanas, especialmente do setor de tecnologia. Entre as principais estavam Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon e Meta.
MSCI EM (Emerging Markets)
Esse é o índice MSCI que acompanha a performance de ações em 24 países emergentes — com economias em desenvolvimento. Entre os principais mercados representados no indicador estão China, Índia, Brasil, Coreia do Sul, África do Sul e Taiwan.
Até junho de 2025, o índice contava com mais de 1.200 empresas de grande e média capitalização, oferecendo uma média do desempenho de suas ações. Entre os destaques estavam TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), Tencent, Alibaba e Samsung.
MSCI ACWI (All Country World Index)
O MSCI ACWI é um índice amplo que reúne tanto países desenvolvidos quanto emergentes, oferecendo uma visão quase completa do mercado acionário global. Em junho de 2025, ele reunia ações de mais de 2.000 companhias de 23 países desenvolvidos e 24 emergentes.
Nesse indicador, também são encontradas empresas presentes no MSCI World, como Apple e Microsoft, além de gigantes dos países emergentes, a exemplo de TSMC e Tencent. A característica faz com o índice seja muito usado como referência para portfólios globais de investimento.
MSCI EAFE (Europe, Australia, and the Far East)
Esse índice representa as ações de empresas de países desenvolvidos, como Japão, Reino Unido, Alemanha e Austrália — excluindo os EUA e Canadá. Ele contava com mais de 600 ações globais em seu portfólio até junho de 2025.
Entre nomes conhecidos estão Nestlé, Roche, AstraZeneca, Shell e HSBC. O seu acompanhamento pode fazer sentido para investidores interessados em explorar os mercados europeu, asiático e australiano.
Qual é o papel desses índices para ETFs internacionais?
Por não serem ativos financeiros, os índices MSCI não podem ser negociados entre investidores — seja no mercado nacional ou internacional. O interessado em se expor aos seus resultados tem a opção de fazer isso por meio dos ETFs (exchange traded funds).
Esses são veículos de investimento coletivos que, no Brasil, buscam replicar o desempenho de um índice de mercado. Para atingir esse objetivo, é comum que o gestor construa o portfólio do fundo com os mesmos ativos que integram a carteira teórica do índice de referência.
Embora a composição do fundo não seja idêntica, a ideia é buscar resultados próximos aos do indicador de forma passiva, sem a necessidade de superá-lo. Nesse sentido, investir em ETFs é uma maneira de expor o seu capital indiretamente aos resultados de um índice de mercado.
A existência de índices — como os da família MSCI — fornece a base para a criação e o funcionamento desses tipos de fundos. Essa dinâmica permite que investidores acessem mercados internacionais e diversifiquem a sua carteira geograficamente com mais facilidade, entendeu?
Tenha em mente que, sem essa possibilidade, o investidor precisaria comprar cada ativo que integra o índice para chegar próximo aos seus resultados. Além de ineficiente e trabalhosa, a prática poderia elevar o custo do investimento.
Qual é a vantagem de investir com foco geograficamente diversificado?
Como você viu, os índices MSCI contribuem para diversificação geográfica dos seus investimentos. Porém, a dúvida que pode surgir é sobre qual é a vantagem de investir com esse foco, não é mesmo? A abordagem traz diversos benefícios.
Um dos principais ganhos é a redução dos riscos do mercado doméstico. Quando problemas econômicos afetam um país, quem possui investimentos internacionais em carteira tende a ser menos impactado.
Tenha em mente que, enquanto uma região enfrenta dificuldades, há chance de outras estarem em pleno crescimento ou serem mais resilientes. Além disso, investir globalmente tende a trazer proteção cambial, já que uma parte do patrimônio fica atrelada a moedas fortes, como o dólar e o euro.
A estratégia ajuda a preservar o poder de compra, especialmente em cenários de instabilidade da moeda local. Até porque existe a possibilidade de os eventuais prejuízos sofridos por conta da desvalorização do real serem compensados pelos ganhos em outras moedas.
Outra vantagem é o acesso a diferentes ciclos econômicos. Mercados desenvolvidos geralmente trazem estabilidade, enquanto economias emergentes podem oferecer retornos mais expressivos. Essa combinação permite equilibrar segurança e potencial de valorização a longo prazo.
Como o investidor brasileiro pode acessar os índices MSCI?
Mesmo sendo internacionais, isso não impede que o investidor brasileiro acesse os índices MSCI de diferentes maneiras. Você consegue se expor a eles sem a necessidade de retirar o seu capital do país, com alternativas presentes no mercado nacional.
Confira!
Fundos Internacionais
Esses são fundos de investimento que têm a possibilidade de se expor a ativos internacionais. As suas cotas podem ser encontradas na plataforma de uma corretora de valores — como a Genial.
Existem diversos Fundos Internacionais que investem em alternativas presentes em índices como MSCI World e MSCI Emerging Markets. Cada um possui um nível de risco e uma estratégia própria, sendo importante avaliar esses fatores antes de tomar uma decisão.
ETFs
Como você já sabe, os ETFs podem ser uma opção prática e acessível de expor seu capital indiretamente ao mercado internacional. As suas cotas são negociadas nos pregões eletrônicos da B3 (a bolsa de valores brasileira) por meio de um home broker.
Exemplos de ETFs nacionais que acompanham índices MSCI são:
- ACWI11: replica o desempenho do MSCI ACWI;
- EMEG11: espelha a performance do MSCI EM.
BDRs
Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são certificados negociados na B3 lastreados em investimentos internacionais. Eles oferecem exposição indireta a mercados globais por meio de uma “versão brasileira” do investimento estrangeiro.
Esses certificados podem estar atrelados a ações, títulos públicos e, inclusive, ETFs internacionais. Assim, é possível encontrar BDRs de ETFs estrangeiros ligados ao MSCI, por exemplo:
- BURT39: replica o iShares MSCI World ETF;
- BEEM39: baseado no iShares MSCI Emerging Markets ETF.
Neste artigo, você aprendeu que os índices MSCI são usados como referência no mercado global. Caso pretenda ampliar a diversificação geográfica da sua carteira, considere utilizá-los para entender as movimentações do ativo, setor ou região desejado, combinado?
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