A especulação no mercado financeiro é uma atividade que exige bastante preparo. A razão é que os preços tendem a se movimentar em alta velocidade, e o trader (especulador) precisa estar atento para conseguir aproveitar os melhores momentos.

Conhecer conceitos da análise técnica, como o das ondas de Elliott, tende a contribuir para a tomada de decisão. A razão é que ele permite antecipar tendências por meio da leitura de padrões gráficos, trazendo os possíveis pontos para abrir e encerrar operações.

O que é a especulação?

Antes de explorar o conceito de ondas de Elliott, é válido entender bem o que significa o termo especulação no mercado financeiro. Grande parte dos participantes do mercado visam à realização de lucros, certo? No entanto, esse objetivo pode ser buscado em diferentes horizontes de tempo.

Aquele que deseja construir e solidificar o seu capital no longo prazo é chamado de investidor. É comum que suas decisões sejam embasadas na chamada análise fundamentalista. A metodologia permite encontrar ativos com maiores probabilidades de entregar resultados ao longo do tempo.

Contudo, nem todos querem esperar períodos extensos para obter ganhos financeiros. Assim, eles aproveitam as pequenas movimentações do mercado para abrir e encerrar posições, buscando extrair lucro das operações. Esses são os chamados especuladores ou traders.

Perceba que, para o trader, não importa se um ativo tem potencial de crescer no decorrer do tempo. Na realidade, basta que o seu preço passe por oscilações para viabilizar a sua compra e venda no curto ou curtíssimo prazo.

Diferentemente do investidor — que costuma ter lucros quando o mercado está em alta —, o especulador consegue aproveitar movimentos de alta ou de baixa. As suas premissas são: comprar barato e vender caro — ou o contrário.

Afinal, o especulador pode se posicionar na ponta compradora, com chances de ganhar com a valorização dos ativos, ou na vendedora, buscando lucros com a sua queda. Para conseguir tomar as melhores decisões na especulação, comumente, o trader orienta suas decisões com base na análise técnica.

E a análise técnica, o que é?

Depois de compreender o que é a especulação no mercado financeiro, também é pertinente entender mais sobre a análise técnica. Em geral, ela é um método para avaliar a movimentação de preços por meio de gráficos e indicadores técnicos — permitindo a tomada de decisões.

Suas origens remontam ao Japão do século XVIII. Na época, um comerciante chamado Munehisa Honma começou a desenhar figuras para representar os preços dos cupons de arroz no mercado de Dojima.

Ele percebeu que certas figuras se repetiam ao longo do tempo, permitindo projetar movimentos futuros dos preços e, assim, antecipar-se a eles. Ao longo dos séculos, a técnica foi aprimorada e ficou conhecida como a análise gráfica de candlesticks — usada até hoje por especuladores.

Muitos outros profissionais do mercado deram suas contribuições para o crescimento e desenvolvimento da análise técnica. Entre as mais importantes, estão os estudos do jornalista americano Charles Henry Dow, em 1887 — no que ficou conhecido como a Teoria de Dow.

Dow observou que o mercado se movimenta em 3 principais tendências: primária (mais forte), secundária (correção) e terciária (mais fraca). Ele as comparou ao comportamento do mar, pois raramente a maré invade a praia de uma vez, avançando e recuando em um padrão repetitivo.

Esses princípios auxiliam especuladores a identificar padrões e estratégias de mercado, como seguir a tendência principal ou capitalizar em correções menores, para operações mais estratégicas. Muitos outros conceitos foram criados a partir desses conhecimentos — como as ondas de Elliott.

O que são as ondas de Elliott?

Agora que você já sabe o que é especulação e análise técnica, fica mais fácil entender o que são as ondas de Elliott. O conceito foi desenvolvido pelo contador Ralph Nelson Elliott, na década de 1930.

Na ocasião, Elliott iniciou um estudo detalhado de 75 anos de dados do mercado de ações. Ele incluía gráficos de índices anuais até os de meia hora. Em 1938, o contador publicou os resultados no seu livro “O Princípio da Onda de Elliott”, indicando que os preços no mercado podem ser previstos.

De forma semelhante a Dow, o contador propõe que os movimentos dos preços no mercado acionário seguem um modelo de ondas. Conforme a abordagem, elas alternam entre tendências de alta e baixa de maneira cíclica.

Elliott dividiu a dinâmica dos preços de um ativo em duas categorias principais. A primeira conta com cinco ondas que sinalizam a tendência predominante, numeradas de 1 a 5. Já a segunda classificação é um trio de ondas corretivas, identificadas pelas letras A, B e C.

Cada onda é medida individualmente, e seus comprimentos podem ser comparados entre si por meio de proporções matemáticas. De acordo com os estudos do contador, os padrões refletem a psicologia coletiva dos operadores, e há como prevê-los por meio de regras específicas.

Esse conhecimento é uma ferramenta considerada valiosa para os traders, por permitir a identificação de padrões recorrentes de preços. Ela facilita a realização de projeções mais precisas dos movimentos futuros do mercado, assim como permite antecipá-los. Interessante, não é mesmo?

Quais são os princípios das ondas de Elliott?

Sabendo o conceito central das ondas de Elliott, é essencial se aprofundar nos seus três princípios: emoção, impulsão e subjetividade.

Veja detalhes sobre cada um deles!

Emoção

Os mercados financeiros são ambientes complexos, em que as emoções humanas exercem um papel relevante na movimentação dos preços. Sentimentos como esperança, medo, ganância e euforia tendem a moldar o comportamento daqueles que estão comprando e vendendo.

Não é por acaso que o controle emocional se destaca como um dos atributos mais importantes para um trader alcançar o sucesso. O fato é que as emoções geram padrões distintos — e uma vez reconhecidos, eles podem ser estudados e interpretados por meio da análise de ondas.

Por exemplo, em 2020, a incerteza gerada pela pandemia de covid-19 fez com que muitos desmontassem suas posições no mercado. O movimento de queda generalizada causou pânico entre os investidores, que, por medo, começaram a vender seus ativos — mesmo que a medida resultasse em prejuízos.

Ou seja, no período, diversas pessoas agiram com base em um comportamento puramente emocional. Acontece que, já no ano seguinte, grande parte dos ativos retornou ao seu preço anterior — e quem manteve a sua posição pôde evitar grandes perdas.

Impulsão

Os movimentos de preços no mercado são influenciados por ciclos alternados de expansão e contração. Em geral, os ciclos são reflexos das flutuações econômicas e do sentimento dos operadores.

Durante os períodos de expansão, as ondas de impulso avançam em uma tendência de alta ou de baixa, refletindo o otimismo ou pessimismo dos participantes do mercado. Por outro lado, as ondas corretivas surgem como uma resposta natural à rápida valorização ou desvalorização dos preços.

Assim, os movimentos corretivos são essenciais, levando os preços contra a tendência principal de modo a permitir que o mercado respire e se reajuste. Inclusive, muitos traders aguardam esse momento para entrar ou sair de uma posição.

Entender os ciclos de mercado é um componente-chave na análise técnica. O motivo é que eles ajudam a identificar potenciais reversões de tendência ou a continuação da tendência atual. Dessa forma, fica mais fácil tomar decisões estratégicas no trading, não é mesmo?

Subjetividade

A subjetividade na análise das ondas de Elliott é um aspecto que reflete a complexidade dos mercados financeiros. Esses padrões, embora baseados em regras definidas, estão sujeitos à interpretação individual dos participantes do mercado.

Cada pessoa pode entender os pontos de início e término das ondas de maneira distinta. Portanto, a subjetividade nas análises tende a levar a previsões divergentes — destacando a importância da experiência e do conhecimento da análise técnica.

O especulador precisa adaptar a teoria da metodologia às condições de mercado para entender melhor os movimentos de preços. Mas a prática pode introduzir um grau de incerteza nas previsões, o que exige uma abordagem cautelosa e uma avaliação contínua das tendências do mercado, ok?

Quais são os padrões das ondas de Elliott?

Além de estudar sobre os princípios que norteiam as ondas de Elliott, é pertinente conferir os seus padrões. Como você viu, o contador dividiu a sua teoria em duas principais ondas: as de impulsão e as corretivas.

Ondas de impulsão

Segundo o estudo de Elliott, existem 5 ondas de impulsão. São elas:

  • onda 1: é marcada pelo despertar do interesse dos operadores, refletido no aumento do volume de transações;
  • onda 2: uma fase de correção que serve como um teste para a força da tendência inicial, não devendo reverter completamente o progresso da onda 1;
  • A onda 2 nunca retrocede 100% ou mais da onda 1. Portanto, se os preços retornarem ao nível que demarca o início da onda 1 uma nova contagem deverá ser iniciada.
  • onda 3: é a mais robusta, impulsionada por fatores como notícias ou mudanças econômicas significativas que atraem a atenção generalizada do mercado;
  • A extensão da onda 3 jamais poderá ser a menor dentre as ondas 1 e 5. Isto é, a onda 3 não poderá ser a mais curta quando comparada as ondas 1 e 5, sendo frequentemente a mais extensa delas. Quando a onda 3 for menor que a onda 1 e a onda 5, a contagem deverá ser reiniciada.
  • onda 4: traz uma fase de consolidação, em que os preços se ajustam e a tendência principal perde força — mas não o bastante para reverter o movimento;
  • A onda 4 não alcança o nível de preços da onda 1. Esta regra significa que em uma tendência predominante de alta, o fundo da onda 4 não poderá ultrapassar o topo da onda 1 (deve-se considerar o preço de fechamento para aplicação dessa regra). Ou seja, mesmo se o preço máximo ou mínimo ultrapassar a altura da onda 1, a contagem poderá prosseguir sem ser reiniciada, desde que a altura seja respeitada pelo preço de fechamento.
  • onda 5: representa o ponto máximo do movimento, quando o otimismo dos participantes do mercado atinge seu pico, antes de uma potencial reversão da tendência.

Ondas corretivas

Na sequência das ondas impulsivas, é comum a ocorrência de um padrão de ondas corretivas, que geralmente se desdobra em três movimentos distintos.

Veja:

  • onda A: indica o início de uma possível reversão de tendência, sugerindo que os preços têm potencial de retornar aos níveis observados na onda 4;
  • onda B: pode inicialmente parecer apenas uma correção menor dentro de uma tendência maior. O risco nesse ponto aumenta devido ao menor volume, que dificulta as negociações;
  • onda C: dá força à reversão da tendência, geralmente superando os níveis da onda 4. Esse é um momento em que os traders costumam rever suas estratégias se estiverem posicionados.

Como especular usando os padrões das ondas de Elliott?

Ao chegar até aqui, você pôde assimilar bastante conhecimento sobre as ondas de Elliott e seus princípios. Mas ainda falta saber como especular usando os padrões da metodologia integrante da análise técnica, concorda?

O primeiro ponto a destacar diz respeito à necessidade de utilização de um gráfico do ativo que será operado. Isso demanda a contratação de uma plataforma trader junto a uma corretora de valores — a exemplo da Genial Investimentos.

Essas ferramentas são desenvolvidas para atender às necessidades de um trader profissional, possuindo gráficos e indicadores que podem ajudar nas suas operações. Com a Genial, você tem acessos às melhores plataformas sem custo, bastando ativar o RLP (retail liquidity provider).

Na plataforma escolhida, selecione o gráfico do ativo que você deseja operar e o time frame (intervalo de tempo) desejado. Depois, identifique as 5 ondas de impulsão e 3 de correção mencionadas por Elliott. Você tem a possibilidade de traçar linhas para facilitar a leitura.

Veja exemplos!

Exemplo 1

Exemplo 2

Com o conhecimento das ondas de Elliott, você poderá fazer diferentes tipos de operações, aproveitando os seus possíveis movimentos. Por exemplo, diante de uma onda 2, uma possibilidade é abrir uma posição assim que o mercado encerrar a fase de correção e iniciar a onda 3.

Outra chance costuma se dar após os preços atingirem o seu maior patamar (onda 5), abrindo uma posição curta contra a tendência. Afinal, segundo as premissas de Elliott, com o fim da onda 5, entram em ação os movimentos de correção A, B e C.

Diversas outras operações podem ser realizadas. Contudo, tenha em mente que o mercado é soberano, o que significa que ele tem a liberdade de se movimentar para qualquer direção. Logo, nem sempre os padrões de Elliott serão respeitados, certo?

Por essa razão, é importante fazer o uso das ondas de Elliott junto a outros indicadores da análise técnica para aprimorar a sua leitura de mercado. Entre eles, podem ser mencionados as bandas de Bollinger, os canais de Keltner, IFR (índice de força relativa), estocástico e muito mais.

Também é pertinente agir com cautela e adotar estratégias de gestão de riscos. Assim, você consegue potencializar os seus resultados e mitigar as perdas — que, na especulação, são inevitáveis. Então não deixe de continuar estudando sobre o assunto antes de começar a especular, combinado?

Neste post, você aprendeu o que são as ondas de Elliott e como elas podem contribuir para a tomada de decisão ao fazer trading no mercado. Integrar a sua utilização com outros elementos da análise técnica tem potencial de melhorar as suas operações e aumentar as suas chances de sucesso.

Genial Investimentos

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