Quem deseja investir em renda fixa no Brasil tem inúmeras alternativas à disposição. Pessoas que buscam facilidade na hora de lidar com o dinheiro muitas vezes consideram a poupança — porém, a escolha requer entender quanto ela rende.

Afinal, a ideia de investir é fazer seu dinheiro trabalhar para você, podendo trazer retornos e proteger seu poder de compra. Por isso, é indispensável entender o potencial de retorno, os riscos e outros fatores que a decisão envolve.

Neste conteúdo, confira como é o rendimento da poupança a partir de exemplos práticos e tire suas dúvidas sobre ela!

Quanto rende R$ 600 mil na poupança?

Para descobrir quanto o dinheiro rende na poupança, é necessário observar a taxa básica de juros da economia brasileira: a Selic. Ela é utilizada para controlar a inflação e determina como será o rendimento da caderneta.

Caso a Selic esteja acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade mensal da poupança é de 0,5% somada à TR (Taxa Referencial). Esse indexador é definido pelo Bacen (Banco Central) com base nas taxas de juros das LTNs (Letras do Tesouro Nacional).

Por outro lado, caso a taxa básica de juros seja igual ou inferior a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic, mais a TR. Logo, o cenário econômico é que determina o retorno oferecido pela caderneta.

Por exemplo, a Selic estava acima de 8,5% ao ano em março de 2026. Dessa maneira, o rendimento à época seguia a primeira fórmula — 0,5% + TR.

Confira quanto rende uma aplicação de R$ 600 mil na poupança conforme diferentes contextos!

Selic acima de 8,5%

O melhor para ilustrar quanto rende a poupança é usar exemplos práticos. Considere uma aplicação de R$ 600 mil feita em 02 de janeiro de 2024. À época, a taxa Selic era de 11,75% ao ano, fazendo com que o dinheiro rendesse 0,5% somado à TR.

Em um mês, essa quantia apresentaria uma rentabilidade de cerca de 0,62%, já considerando a TR. Portanto, em um mês, você obteria R$ 3.702, acumulando R$ 603.702.

Em 1 ano, a mesma quantia teria rendimento de R$ 42.325,50, com ganhos correspondentes a 7,06%. Agora, em dois anos, o retorno seria de R$ 95.479,20, com rentabilidade de aproximadamente 15,92%.

Selic abaixo de 8,5%

Para exemplificar quanto rende a poupança em épocas em que a Selic está abaixo de 8,5%, considere um investimento feito em 10 de setembro de 2017. Naquele momento, a taxa de juros era de 8,25% ao ano, resultando em remuneração das aplicações com 70% da Selic mais a TR.

A rentabilidade da poupança seria de cerca de 0,47% no mês. Em 11 de outubro de 2017, você teria ganho R$ 2.814.

Em um ano, a rentabilidade da aplicação chegaria a aproximadamente 4,9%, gerando um retorno de R$ 29.395,26. 

Por outro lado, se você mantivesse o dinheiro na poupança por 2 anos, seria possível obter R$ 60.109,02, que representam rentabilidade em torno de 10%.

Como funciona a poupança?

A poupança é bastante popular, especialmente por causa da sua simplicidade. Contudo, aplicar seu dinheiro exige saber mais do que os potenciais retornos.

Conheça os principais aspectos do funcionamento da caderneta!

Data de aniversário

A poupança funciona com base na data de aniversário. Ela corresponde ao dia do mês em que o depósito completa 30 dias de aplicação. É nesse momento que os rendimentos mensais são creditados ao investidor.

Isso significa que a quantia depositada no dia 15 rende apenas no dia 15 do mês seguinte. Caso o dinheiro seja retirado antes dessa data, não há pagamento dos retornos referentes ao período.

Liquidez

A poupança oferece liquidez diária, permitindo que o investidor retire os recursos quando desejar. Essa característica faz com que ela seja utilizada por muitas pessoas para guardar dinheiro com acesso rápido em caso de necessidade.

Entretanto, a possibilidade de resgate imediato não elimina o impacto da data de aniversário. Como você viu, embora o dinheiro esteja disponível a todo momento, saques realizados antes do crédito dos rendimentos limitam o retorno.

Segurança

A segurança é um dos principais motivos que levam investidores a utilizar a poupança para manter seus recursos. Os depósitos contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mecanismo criado para ressarcir investidores em situações de inadimplência de instituições financeiras. 

Caso o banco emissor não consiga cumprir suas obrigações, o FGC reembolsa as quantias perdidas (aplicação e rendimentos) dentro dos limites estabelecidos.

A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira, respeitando o limite global de R$ 1 milhão por investidor a cada quatro anos.

Isenção de Imposto de Renda

Os rendimentos da poupança são isentos de IRPF (Imposto de Renda para Pessoas Físicas), diferentemente de diversas aplicações de renda fixa. Desse modo, o dinheiro creditado na sua conta corresponde ao ganho líquido da aplicação.

Relação com a inflação

A rentabilidade de um investimento não deve ser analisada isoladamente. Essa avaliação passa pela comparação entre o rendimento e a inflação do período.

Considere o exemplo utilizado anteriormente. Quem aplicou R$ 600 mil na poupança em setembro de 2017 obteve ganhos de R$ 29.395,26 até setembro de 2018 — uma rentabilidade de 4,89%. 

No mesmo período, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado de 12 meses foi de 4,69%.

Portanto, o ganho real da poupança no período foi de apenas R$ 1.236,59, porque o restante serviu para compensar a perda do poder de compra provocada pela alta dos preços. Embora o saldo da aplicação tenha aumentado, grande parte do rendimento apenas preservou o valor do dinheiro ao longo do tempo.

Paralelamente, existem títulos de renda fixa com remuneração híbrida que combinam o IPCA a uma taxa fixa. Nesses casos, o investidor tem a expectativa de obter ganhos acima da inflação, desde que mantenha o investimento até o vencimento. 

Por exemplo, um título que paga IPCA + 5% oferece a reposição da inflação acumulada e acrescenta 5% de rentabilidade real ao patrimônio.

Leia também: O problema da poupança, dólar abaixo de R$ 5 e como viajar pagando menos

Quais são as possíveis alternativas à poupança?

A poupança é popular em razão da sua simplicidade, apesar de não ser a única alternativa para quem busca investimentos conservadores. Outras aplicações de renda fixa oferecem características semelhantes em termos de segurança e previsibilidade, mas com potencial de retorno diferente.

Veja quais são elas e como cada uma funciona!

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público emitido pelo Governo Federal e negociado por meio do Tesouro Direto. Sua rentabilidade acompanha a Selic — por isso, o investimento responde diretamente aos movimentos dos juros da economia.

Em comparação com a poupança, esses títulos costumam ter potencial de retorno superior, especialmente em períodos de juros elevados. Além disso, eles têm alta liquidez, já que o Tesouro Nacional recompra os títulos em dias úteis, permitindo o resgate antecipado.

Dessa forma, o Tesouro Selic é frequentemente utilizado para quem deseja compor uma reserva de emergência ou tem objetivos de curto prazo. Vale destacar que seus rendimentos estão sujeitos à incidência de IR, diferentemente da poupança, mas o retorno ainda pode ser mais atrativo. 

Considere o mesmo cenário indicado acima, com investimento mantido entre 02 de janeiro de 2024 e 02 de janeiro de 2025. Nesse caso, R$ 600 mil renderiam R$ 65.255,90, correspondentes a um retorno de 10,88%.

Como o período de investimento foi superior a 360 dias e inferior a 720 dias, a alíquota de IR aplicável sobre o retorno seria de 17,5%. Logo, o ganho real para o investidor corresponderia a R$ 53.836,12, acima do oferecido pela poupança nesse intervalo de tempo (R$ 42.192,72).

CDBs

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) são títulos emitidos por bancos para captar recursos e financiar suas operações. Sua remuneração tem incidência do IR e segue formatos diferentes, como:

  • prefixada: o retorno ocorre segundo uma taxa de juros previamente definida. No momento da aplicação, o investidor já sabe exatamente qual será a rentabilidade do título até o vencimento;
  • pós-fixada: a rentabilidade acompanha um indicador de mercado, geralmente o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O ganho efetivo só é conhecido integralmente no vencimento, pois depende da variação do indicador durante o investimento;
  • híbrida: combina uma taxa fixa com a variação de um índice econômico, como o IPCA. Esse é o caso do exemplo visto anteriormente — o investidor recebe um ganho real acima da inflação.

Os títulos contam com proteção do FGC e variam quanto à liquidez. Por esse motivo, os CDBs costumam ser procurados por investidores conservadores que buscam maior retorno sem precisar assumir riscos elevados.

Vale destacar que é possível encontrar CDBs com liquidez diária e que rendem 100% do CDI, trazendo resultados que também podem superar o retorno da poupança. 

Saiba mais: CDI ou IPCA: descubra de uma vez por todas qual rende mais

Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa funcionam de maneira diferente dos investimentos anteriores. Em vez de comprar títulos diretamente, o investidor adquire cotas de um veículo financeiro administrado por gestores profissionais. Eles são responsáveis por selecionar os investimentos que compõem a carteira.

Os fundos podem investir em títulos públicos, CDBs, debêntures e outros instrumentos de renda fixa. Como resultado, eles oferecem gestão especializada e possibilidade de diversificação, características que normalmente simplificam o processo.

Aqui, é essencial observar aspectos como taxas de administração, tributação e estratégia do fundo, elementos que afetam a rentabilidade líquida.

Neste artigo, você aprendeu quanto rende a poupança e viu exemplos práticos considerando diferentes cenários. Com isso, você consegue visualizar os principais pontos de atenção e reunir informações para comparar diferentes investimentos disponíveis no mercado.

Na Genial Investimentos, você tem acesso a uma variedade de alternativas. Abra sua conta e comece a aplicar seus recursos!

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