Você já se perguntou quanto rende aplicar R$ 100 mil na poupança? Quem deseja investir precisa considerar uma série de alternativas, e a caderneta é uma delas. Embora ela sofra concorrência de outros investimentos, pode interessar a inúmeros investidores.

Contudo, tomar uma decisão exige avaliar uma série de questões referentes à aplicação. Por exemplo, é necessário compreender os riscos, o potencial de retorno e se ele é compatível com seus objetivos.

Avaliar quanto rende colocar R$ 100 mil na poupança ajuda quem deseja ter uma noção sobre o funcionamento dela. Continue a leitura e aprenda sobre seu rendimento!

Qual é a rentabilidade da poupança?

A rentabilidade da poupança acompanha a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada para controlar a inflação. Ela é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária), órgão vinculado ao Bacen (Banco Central).

Além disso, a TR (Taxa Referencial) influencia os retornos da poupança. O indexador se baseia nas taxas de juros das LTNs (Letras do Tesouro Nacional), sendo calculado pelo Bacen.

A depender do cenário econômico, a rentabilidade da caderneta pode seguir duas regras:

  • Selic acima de 8,5% ao ano: rentabilidade mensal de 0,5% + TR;
  • Selic igual ou inferior a 8,5% ao ano: rentabilidade mensal de 70% da taxa básica de juros + TR.

Desse modo, para saber quanto o dinheiro investido rende na poupança, você deve observar o cenário econômico e os índices utilizados pela alternativa.

O cálculo para chegar ao resultado é o seguinte:

Rendimento da poupança = Quantia investida × Taxa mensal

Outro fator importante é que a poupança gera rendimentos mensais de acordo com o dia em que o depósito foi realizado, conhecido como “data de aniversário”. Por exemplo, se o dinheiro for aplicado em 10 de março, o retorno correspondente é creditado em 10 de abril.

No entanto, caso o resgate ocorra antes dessa data, a quantia investida não recebe o ganho referente àquele período.

Quanto rende por mês investir R$ 100 mil na poupança?

Para determinar quanto rende por mês ter R$ 100 mil na poupança, é necessário saber o patamar em que se encontra a taxa Selic. Em março de 2026, por exemplo, a taxa básica de juros da economia brasileira estava em 14,65% ao ano

Portanto, naquele momento, o retorno seguia a regra de rentabilidade mensal de 0,5% somado à taxa TR, que em março de 2026 era de 0,1735%. Considerando que você fez um depósito de R$ 100 mil na poupança em 1º de março de 2026, em 1º de abril de 2026 o rendimento seria de R$ 674,40.

Agora, imagine um cenário em que a Selic se mantenha abaixo de 8,5% ao ano, como aconteceu entre junho de 2018 e junho de 2019. À época, ela era de 6,5%. Nessa hipótese, a rentabilidade da poupança seguiria a segunda regra — 70% da taxa de juros somada à TR.

Quem aplicou R$ 100 mil em 1º de junho de 2018 e manteve a quantia depositada durante todo o mês teve ganhos de R$ 371,50. À época, a TR estava próxima de zero, não trazendo resultados adicionais.

Qual é o rendimento de R$ 100 mil na poupança por ano?

O rendimento da poupança ao ano também depende do patamar em que a Selic se encontra. Considere que você depositou R$ 100 mil em 1º de março de 2025, quando a taxa básica da economia se encontrava em 13,25%. 

Se você manteve a aplicação durante 12 meses, em 1º de março de 2026, os ganhos seriam de R$ 8.253,78. 

Por outro lado, se essa mesma quantia fosse depositada em 1º de junho de 2018 e mantida até 1º de junho de 2019, seria exposta à Selic abaixo de 8,5%. Como visto, nesse período, a taxa se manteve em 6,5%. Assim, o rendimento obtido nesses 12 meses corresponderia a R$ 4.550,23.

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Afinal, vale a pena deixar dinheiro na poupança?

Não existe uma resposta única ao avaliar se um investimento vale a pena, o que depende de diversos fatores, como visto. Por isso, o melhor é conhecer as eventuais vantagens e desvantagens oferecidas pela poupança.

Veja suas principais características!

Vantagens da poupança

A caderneta de poupança é um investimento popular no Brasil por ser acessível e simples de utilizar. Paralelamente, a segurança oferecida pela aplicação costuma ser considerada por quem busca uma alternativa para poupar dinheiro.

Ela tem a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ressarce o prejuízo do investidor em caso de inadimplência do banco. O órgão cobre até R$ 250 mil por CPF e instituição, com teto global de R$ 1 milhão — quantia que se renova a cada 4 anos.

A facilidade de resgate também é um ponto positivo da caderneta de poupança. Ela oferece liquidez diária, de modo que você consegue obter o dinheiro quando quiser. Por fim, vale ressaltar que os rendimentos da poupança são isentos de impostos. 

Desvantagens da poupança

O principal ponto de atenção da poupança é o seu baixo potencial de rentabilidade. Como você aprendeu, seu retorno está atrelado à Selic. Entretanto, a caderneta somente reflete a taxa básica de juros quando o indicador estiver abaixo de 8,5% — e em parte, oferecendo apenas 70% dele. 

Para se ter noção, o índice já chegou a 2% em 2020, o menor patamar histórico. À época, ele se refletiu em baixa rentabilidade da aplicação. Porém, mesmo em cenários de Selic alta, como ocorreu ao longo de 2025, a poupança não consegue acompanhar esse potencial de retorno.

Conforme a situação econômica do país, a caderneta pode até mesmo oferecer uma rentabilidade inferior à inflação. Esse fator é medido principalmente pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Quando isso ocorre, apesar de seu patrimônio aumentar nominalmente, você perde dinheiro. Afinal, os juros obtidos não são capazes de preservar o poder de compra da quantia investida.

Ainda, o fato de a rentabilidade ser contabilizada apenas a cada 30 dias é outra desvantagem da alternativa. Em razão dessa regra, você passa a depender do período estipulado para obter os rendimentos.

Saiba mais: O problema da poupança, dólar abaixo de R$ 5 e como viajar pagando menos

Onde investir além da poupança?

Mesmo que a poupança possa ser uma escolha simples para aplicar seu dinheiro, suas desvantagens exigem atenção e um olhar para as outras possibilidades.

Em geral, as alternativas à poupança procuram oferecer um potencial de rentabilidade superior ao da caderneta. No entanto, cada investimento de renda fixa tem características próprias em relação a prazo, riscos e acesso aos recursos.

Por exemplo, o Tesouro Selic é um título público emitido pelo Governo Federal e disponível por meio do programa Tesouro Direto. Seu principal diferencial é que sua rentabilidade acompanha a taxa Selic. 

Como você aprendeu, a poupança tem regras que limitam seus ganhos em determinados cenários. Já o Tesouro Selic acompanha mais diretamente a taxa básica de juros da economia.

Já os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) são títulos privados emitidos por bancos e outras instituições financeiras para captar recursos e financiar suas atividades.

Existem CDBs que oferecem rentabilidade de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Esse indicador acompanha de perto a Selic e costuma ficar ligeiramente abaixo dela. Por esse motivo, investimentos atrelados a 100% do CDI apresentam rentabilidade superior à da poupança.

Investimento de R$ 100 mil: poupança x CDB com rentabilidade de 100% do CDI

Para ilustrar, considere uma aplicação de R$ 100 mil em um CDB com liquidez diária que paga 100% do CDI. Entre março de 2025 e março de 2026, o investimento teria gerado aproximadamente R$ 14.508,34 em rendimentos brutos, elevando o saldo para R$ 114.508,34.

Porém, é preciso ter em mente que os investimentos em CDB não são isentos de IR (Imposto de Renda). O tributo incide sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva — quanto maior é o tempo de aplicação, menores são as alíquotas.

Ao manter o dinheiro no CDB por 1 ano, o IR seria de 20%. Logo, a cobrança nesse exemplo seria de R$ 2.901,66. Como resultado, o retorno líquido do investimento corresponderia a R$ 11.606,67.

Mesmo com a cobrança de impostos, esse rendimento se mostra superior ao que a poupança alcançaria no mesmo período com um investimento de R$ 100 mil. Como visto, ele seria de cerca de R$ 8.253,78.

Leia também: Melhores investimentos para 2026: confira perspectivas do mercado financeiro!

Como escolher onde investir R$ 100 mil?

Escolher onde investir R$ 100 mil exige mais do que analisar apenas a rentabilidade. Mesmo que o potencial de retorno seja relevante, ele deve ser avaliado em conjunto com outras características.

Um dos principais fatores é o risco. Em geral, investimentos com maior potencial de rentabilidade tendem a apresentar oscilações mais intensas ou menor previsibilidade de resultados. Já os investimentos mais conservadores costumam oferecer maior previsibilidade, mas retornos limitados.

Igualmente, a liquidez merece atenção. Quem pretende utilizar os recursos em pouco tempo pode precisar de investimentos que permitam resgates rápidos. Já objetivos de médio e longo prazo possibilitam investir em alternativas com prazos mais longos. 

Por esse motivo, antes de tomar uma decisão, vale comparar rentabilidade, riscos, liquidez e prazo de cada alternativa. Dessa forma, fica mais fácil encontrar investimentos alinhados às suas necessidades e expectativas financeiras.

Você aprendeu que determinar quanto rende aplicar R$ 100 mil na poupança depende do cenário econômico, especialmente da taxa Selic. Com isso em mente, você consegue comparar essa aplicação com outros investimentos de acordo com seus objetivos.

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