A Taxa Referencial (TR) já foi um dos indicadores financeiros mais importantes e usados na economia brasileira. Porém, ela perdeu relevância, embora ainda seja usada para definir o desempenho de certos instrumentos financeiros e investimentos.
Antes de contar com esse critério de correção na sua carteira, é preciso entender o que a TR representa e como ela é calculada. Assim, você verá se vale mais a pena buscar investimentos atrelados a outros índices.
Neste artigo, elaborado pelo nosso time, da Genial Investimentos, você compreenderá os principais pontos sobre a TR. Confira!
O que é a Taxa Referencial (TR)?
Em 1991, o Brasil vivia um cenário econômico delicado, no qual os preços do consumo básico sofriam variações acentuadas em um curto espaço de tempo. Essa situação é conhecida como hiperinflação e ocorre quando a variação média dos custos domésticos supera 50% no mês.
Nesse contexto, o Governo criou a Taxa Referencial como medida de proteção do poder de compra da moeda — à época, o cruzeiro. O objetivo era estabelecer um parâmetro para a correção monetária.
Para tanto, a TR era medida diariamente e, no fim de um mês, o Governo sabia quanto a inflação havia acumulado durante aquele período. Como a TR refletia o acúmulo das variações dos preços, ela era usada como referência para atualizar o valor do dinheiro.
A medida deveria evitar que o brasileiro perdesse poder de compra de um dia para o outro, mas a solução não foi eficaz para conter a alta dos preços. Em 1994, a inflação atingiu o patamar histórico de 2.474% ao ano.
A situação só começou a se estabilizar após a implementação do Plano Real, em 1994. A partir de 1995, a Taxa Referencial começou a perder valor. Anos depois, a Selic assumiu o papel de instrumento para controle da inflação.
Com as mudanças e com base em seu critério de cálculo, em 2017, a TR atingiu rendimento mensal próximo de 0% ao ano. A partir de 2022, o índice passou a subir, alcançando a marca de 1,78% no acumulado de 12 meses em outubro de 2025, por exemplo.
Apesar de ter perdido relevância para a Selic, a TR está presente no cálculo de alguns instrumentos financeiros e investimentos, como você verá adiante.
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O que é a Taxa Básica Financeira?
A Taxa Básica Financeira (TBF) compõe a fórmula para o cálculo da TR, assim como de outras taxas. Ela foi criada em 1995 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) com o intuito de complementar a Taxa Referencial.
A TBF corresponde à média ponderada dos juros pagos por títulos públicos prefixados (LTNs) com vencimentos imediatamente anteriores e posteriores ao prazo de um mês. Ao resultado dessa média é aplicado um fator multiplicativo fixado em 0,93.
Os títulos públicos cujas taxas compõem a TBF são atrelados à Selic. Por causa dessa relação, a Taxa Referencial depende diretamente da taxa básica de juros da economia brasileira. Vale saber que a TBF é divulgada todos os dias pelo Banco Central (Bacen), ok?
Como calcular a Taxa Referencial?
Até 2018, o Banco Central utilizava a média ponderada e ajustada das taxas de juros pagas diariamente por Certificados de Depósito Bancário (CDBs) prefixados. Eram consideradas na conta as 30 maiores instituições financeiras do país.
Após uma atualização dos critérios de cálculo, o Bacen passou a usar a TBF nessa conta. Com esse indexador, há como chegar a um dos fatores da fórmula usada para definir a TR. Veja só:
- TR = 100 x {[(1 + TBF ÷ 100) ÷ R] – 1}
Nesse cálculo, é preciso entender o significado de cada item:
- R é o redutor, sendo identificado pela fórmula: (a + b) x TBF;
- a é um valor fixo igual a 1,005 (esse valor foi definido na criação da TR);
- b depende do valor da TBF (esse dado é sempre divulgado pelo Banco Central).
Contudo, não é necessário realizar esses cálculos para descobrir a rentabilidade da TR sobre aplicações ou financiamentos. Com a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Bacen, é possível conferir, em poucos passos, a correção de valores pela taxa em determinado período, sabia?
Também vale ressaltar um aspecto relevante sobre a TR: por convenção do Banco Central, ela não pode ser negativa. Dessa forma, quando o resultado do cálculo da fórmula acima é negativo, o valor da TR é igual a zero — interessante, não é?
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Qual é a variação histórica da TR?
Você entendeu que a Taxa Referencial tem uma ligação direta com a movimentação da Selic, certo? Por esse motivo, quando há queda da taxa básica de juros, a TR fica próxima a 0%, o que aconteceu do segundo semestre de 2017 até agosto de 2022, por exemplo.
Portanto, conhecer a evolução da TR desde 1991 viabiliza avaliar o desempenho da economia brasileira ao longo dos anos. Na relação a seguir, você pode conferir a variação anual da Taxa Referencial desde a sua criação:
| Histórico anual | Taxa TR (%) acumulada no ano |
| 2025 | 1,9738 |
| 2024 | 0,8142 |
| 2023 | 1,76 |
| 2022 | 1,6314 |
| 2021 | 0,0488 |
| 2020 | 0,00 |
| 2019 | 0,00 |
| 2018 | 0,00 |
| 2017 | 0,5967 |
| 2016 | 2,0126 |
| 2015 | 1,7955 |
| 2014 | 0,8593 |
| 2013 | 0,1910 |
| 2012 | 0,2897 |
| 2011 | 1,2079 |
| 2010 | 0,6888 |
| 2009 | 0,7090 |
| 2008 | 1,6348 |
| 2007 | 1,4453 |
| 2006 | 2,0377 |
| 2005 | 2,8335 |
| 2004 | 1,8184 |
| 2003 | 4,6486 |
| 2002 | 2,8025 |
| 2001 | 2,2853 |
| 2000 | 2,0963 |
| 1999 | 5,7296 |
| 1998 | 7,7939 |
| 1997 | 9,7850 |
| 1996 | 9,5851 |
| 1995 | 31,5438 |
| 1994 | 950,8198 |
| 1993 | 2.474,7392 |
| 1992 | 1.156,2234 |
| 1991 | 335,5173 |
Note como, a partir de 1995, houve uma grande queda do percentual da TR. Esse movimento indica a eficácia do Plano Real como solução contra a hiperinflação da economia brasileira. Por esse motivo, com o tempo, a Taxa Referencial foi perdendo espaço na política monetária do país.
Qual é a diferença entre TR mensal e TR diária?
Ao encontrar materiais que mencionam a Taxa Referencial, percebe-se que em alguns momentos ela é expressa como TR diária e, em outros, como TR mensal. Mas qual é a diferença entre elas?
A TR diária representa a variação do índice a cada dia, sendo divulgada pelo Banco Central nessa frequência. Já a TR mensal é resultante do acúmulo das variações diárias ao longo do mês, o que permite representar o comportamento total da TR no período.
O Bacen considera as TRs diárias e aplica um cálculo composto para chegar ao valor mensal. Por essa razão, a TR mensal costuma ser ligeiramente diferente do que apenas fossem somadas e divididas as taxas do mês.
O mercado costuma utilizar mais a Taxa Referencial mensal para calcular o rendimento da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Já a TR diária pode servir como referência para empréstimos de curto prazo.
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Quais instrumentos financeiros e investimentos são afetados pela TR?
Entre os instrumentos financeiros afetados pela TR, o principal impacto na renda do trabalhador fica por conta do FGTS. Já a caderneta de poupança — um destino comum das economias de boa parte dos brasileiros — é um investimento que usa essa taxa como referência.
Veja como a TR participa do cálculo nesses e em outros contextos!
Caderneta de poupança
A caderneta de poupança continua utilizando a Taxa Referencial como parte do cálculo de rentabilidade. Depósitos feitos até 3 de maio de 2012 seguem a regra antiga, com rendimento de 0,5% ao mês + TR.
Já aqueles realizados a partir de 4 de maio de 2012 obedecem ao novo modelo, atrelado à taxa básica de juros. Quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5%, o rendimento é de 70% da Selic + TR. Acima desse patamar, o retorno é de 0,5% ao mês + TR.
Vale ter em mente que, mesmo em períodos de alta da Selic, a poupança tende a ter baixa rentabilidade em comparação com outras opções seguras do mercado.
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Títulos de capitalização
Os títulos de capitalização, disponibilizados por bancos e outras instituições financeiras, também costumam ter rendimento atrelado à TR. Apesar de oferecerem sorteios como atrativo, eles costumam render abaixo da inflação e penalizam resgates antecipados com multas. Por isso, essas alternativas não são consideradas investimentos.
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
O FGTS é composto por depósitos mensais de 8% do salário bruto do trabalhador realizados pelo empregador. Até 2017, ele rendia 3% ao ano + TR.
Diante da TR zerada por diversos anos, o Governo adicionou à correção 50% dos lucros do fundo distribuídos anualmente, proporcionalmente ao saldo de cada conta.
Financiamentos imobiliários
Até 2018, a TR era obrigatoriamente usada para corrigir o saldo devedor dos financiamentos imobiliários. Após as mudanças do Bacen, a indexação deixou de ser obrigatória fora do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).
O Bacen passou a permitir a correção conforme taxas de mercado. Mesmo assim, alguns contratos podem permanecer atrelados à TR, mediante solicitação formal.
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Títulos públicos
No passado, a TR serviu como indexador de títulos públicos como as NTN-H e NTN-P. Embora essas alternativas tenham sido descontinuadas, alguns investidores mantêm aplicações antigas com rentabilidade baseada nessa taxa.
Neste artigo, você descobriu o que é a Taxa Referencial, para que ela serve e como é calculada. Agora, é possível compreender melhor as alternativas e instrumentos financeiros atrelados a ela e como isso pode afetar seus investimentos.
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