Conteúdo atualizado em 07 de novembro de 2023 às 17:35 por Genial Investimentos.

A Taxa Referencial (TR) já foi um dos indicadores financeiros mais importantes e usados na economia brasileira. Há alguns anos, porém, ela perdeu relevância, embora ainda seja usada para definir o desempenho de certos instrumentos financeiros e investimentos. 

Antes de contar com esse critério de correção na sua carteira, entretanto, é preciso entender o que a TR representa e como ela é calculada. Assim, você verá se vale mais a pena buscar os investimentos atrelados a outros índices. 

Neste artigo, elaborado pelo nosso time, da Genial Investimentos, você entenderá os principais pontos sobre a TR. 

O que é a Taxa Referencial (TR)? 

Em 1991, o Brasil vivia um cenário econômico delicado no qual os preços do consumo básico sofriam variações acentuadas em um curto espaço de tempo. Essa situação é conhecida como hiperinflação e ocorre quando a variação média dos custos domésticos supera 50% no mês. 

Nesse contexto, a administração do presidente Fernando Collor decidiu criar a Taxa Referencial como medida de proteção do poder de compra da moeda — à época, o cruzeiro. O objetivo era estabelecer um parâmetro para a correção monetária. 

Para isso, a TR era medida diariamente e, no fim de um mês, o Governo sabia quanto a inflação havia acumulado durante aquele período. Ou seja, como a TR refletia o acúmulo das variações dos preços, ela era usada como referência para atualizar o valor do dinheiro. 

Essa medida deveria evitar que o brasileiro perdesse poder de compra de um dia para o outro, mas a solução não foi eficaz para conter a alta dos preços. Em 1994, a inflação atingiu o patamar histórico de 2.474% ao ano. 

A situação só começou a se estabilizar após a implementação do Plano Real, ainda em 1994, durante o Governo de Itamar Franco. A partir de 1995, a Taxa Referencial começou a perder valor. Anos depois, a taxa Selic assumiu o papel de instrumento para controle da inflação. 

Com as mudanças e com base em seu critério de cálculo, em 2017, a TR atingiu rendimento mensal próximo de 0% ao ano. A partir de 2022, o índice passou a subir, alcançando a marca de 2,11% no acumulado de 12 meses em julho de 2023. 

Apesar de ter perdido relevância para a taxa Selic, a TR está presente no cálculo de alguns instrumentos financeiros e investimentos, como você verá adiante.

O que é a Taxa Básica Financeira? 

Antes de entender como calcular a Taxa Referencial, é preciso saber o que é a Taxa Básica Financeira (TBF). Essa relação é necessária porque a TBF compõe a fórmula para o cálculo da TR, assim como de outras taxas. 

Ela foi criada em 1995 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) com o intuito de complementar a Taxa Referencial. A TBF corresponde à média ponderada dos juros pagos por títulos públicos prefixados (LTNs) com vencimentos imediatamente anteriores e posteriores ao prazo de um mês. 

Ao resultado dessa média é aplicado um fator multiplicativo fixado em 0,93. A TBF é divulgada todos os dias pelo Banco Central (Bacen). 

Os títulos públicos cujas taxas compõem a TBF são atrelados à Selic. Por causa dessa relação, a Taxa Referencial depende diretamente da taxa básica de juros da economia brasileira. 

Como calcular a Taxa Referencial? 

Você viu que os critérios que determinam o percentual da TR mantiveram seu rendimento perto de 0% por muitos anos, até atingir uma ligeira alta a partir do último trimestre de 2022. Mas como a Taxa Referencial é calculada? 

Até 2018, o Banco Central utilizava a média ponderada e ajustada das taxas de juros pagas diariamente por certificados de depósito bancário (CDBs) prefixados. Eram consideradas na conta as 30 maiores instituições financeiras do país. 

Após atualização dos critérios de cálculo, o Bacen passou a usar a TBF no cálculo. Com esse indexador, é possível chegar a um dos fatores da fórmula usada para definir a TR. Veja só: 

TR = 100 x {[(1 + TBF ÷ 100) ÷ R] – 1} 

Nesse cálculo, é preciso entender o significado de cada item: 

  • R é o redutor, sendo identificado pela fórmula: (a + b) x TBF; 
  • a é um valor fixo igual a 1,005 (esse valor foi definido na criação da TR);  
  • b depende do valor da TBF (esse dado é sempre divulgado pelo Banco Central).  

Contudo, não é necessário realizar esses cálculos para descobrir a rentabilidade da TR sobre aplicações ou financiamentos. Com a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Bacen, é possível conferir, em poucos passos, a correção de valores pela taxa em determinado período. 

Também vale ressaltar um aspecto relevante sobre a TR: por convenção do Banco Central, ela não pode ser negativa. Dessa forma, quando o resultado do cálculo da fórmula acima é negativo, o valor da TR é sempre igual a zero. 

Qual é a variação histórica da TR?  

Você entendeu que a Taxa Referencial tem uma ligação direta com a movimentação da Selic, certo? Por esse motivo, quando há queda na taxa básica de juros, a TR fica próxima a 0%, o que aconteceu do segundo semestre de 2017 até agosto de 2022, por exemplo. 

Portanto, ao conhecer a evolução da TR desde 1991, é possível avaliar o desempenho da economia brasileira ao longo dos anos. Na relação a seguir, você pode conferir a variação anual da Taxa Referencial desde a sua criação: 

Histórico anual Taxa TR (%) acumulada no ano 
2023 (até julho) 1,1708 
2022 1,6314 
2021 0,0488 
2020 0,00 
2019 0,00 
2018 0,00 
2017 0,5967 
2016 2,0126 
2015 1,7955 
2014 0,8593 
2013 0,1910 
2012 0,2897 
2011 1,2079 
2010 0,6888 
2009 0,7090 
2008 1,6348 
2007 1,4453 
2006 2,0377 
2005 2,8335 
2004 1,8184 
2003 4,6486 
2002 2,8025 
2001 2,2853 
2000 2,0963 
1999 5,7296 
1998 7,7939 
1997 9,7850 
1996 9,5851 
1995 31,5438 
1994 950,8198 
1993 2.474,7392 
1992 1.156,2234 
1991 335,5173 

Note como, a partir de 1995, houve uma grande queda do percentual da TR. Esse movimento indica a eficácia do Plano Real como solução contra a hiperinflação da economia brasileira. Por esse motivo, com o tempo, a Taxa Referencial foi perdendo espaço na política monetária do país. 

Quais instrumentos financeiros e investimentos são afetados pela TR? 

Apesar de ter perdido relevância entre as taxas de rendimento, você viu que a TR continua sendo usada. Por essa razão, mesmo que a taxa seja considerada baixa, vale a pena conhecer o conceito para entender como ela pode afetar sua vida.  

Entre os instrumentos financeiros afetados pela TR, o principal impacto na renda do trabalhador fica por conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Já a caderneta de poupança — que ainda é um destino muito comum das economias de boa parte dos brasileiros — é um investimento que usa essa taxa como referência. 

A seguir, veja como a TR participa do cálculo desses e de outros contextos! 

Caderneta de poupança  

A fórmula para o cálculo da caderneta de poupança mudou em 2012, mas a TR continua participando da rentabilidade final dessa aplicação. São duas as regras vigentes no Brasil para descobrir o resultado das aplicações em poupança. 

Depósitos em caderneta de poupança realizados até 3 de maio de 2012 são calculados conforme o modelo antigo: 0,5% ao mês + TR. 

Porém, a partir de 4 de maio de 2012, todos os depósitos em caderneta de poupança passaram a ter rendimento segundo o novo critério, que funciona da seguinte maneira:  

  • quando a taxa Selic for igual ou inferior a 8,5%, a poupança pagará mensalmente 70% da Selic + TR;  
  • quando a taxa Selic for superior a 8,5%, a poupança pagará 0,5% ao mês + TR. 

De todo modo, mesmo com a Selic em alta, como no final de 2022 até julho de 2023, e com ligeiro avanço da TR, a poupança se mantém pouco vantajosa. Existem alternativas que oferecem a mesma segurança e maior retorno, como você verá mais adiante neste conteúdo.  

Títulos de capitalização  

Os títulos de capitalização são produtos financeiros que costumam ser ofertados por bancos e outras instituições financeiras. Sua rentabilidade, como no caso da poupança, está atrelada à TR. 

Para atrair investidores, é comum que esses produtos ofereçam como diferencial a participação em sorteios durante o período de aplicação. Contudo, os títulos trazem um retorno frequentemente inferior à inflação. 

Além disso, eles costumam penalizar resgates antes do vencimento, aplicando multa sobre o valor aplicado. Desse modo, vale a pena confrontar esses títulos com outras opções de investimento antes de optar pela alocação de recursos. 

Até porque, como você viu, a Taxa Referencial é usada como base da rentabilidade dele. Logo, existem alternativas de aplicações mais competitivas no mercado em relação aos títulos de capitalização. Inclusive, eles não podem ser considerados propriamente um investimento. 

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) 

O FGTS é um direito trabalhista oferecido a todos os empregados conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ou seja, quem trabalha com registro em carteira tem direito a receber o fundo de garantia.  

Mensalmente, o empregador deve depositar no fundo uma parcela equivalente a 8% dos rendimentos brutos dos empregados (sem que seja descontado do salário). O saque do valor acumulado é permitido de acordo com regras específicas do Ministério do Trabalho e Emprego.  

Em geral, como esses valores ficam depositados por longos períodos, o Governo criou regras para tentar evitar que ele perdesse seu poder de compra em relação à inflação. Até 2017, o FGTS rendia 3% ao ano + Taxa Referencial (TR). 

Como a TR se manteve nula por pelo menos três anos, o Governo passou a considerar para cálculo de correção do fundo uma taxa de 3% ao ano + TR + 50% dos lucros do FGTS apurados no ano anterior. Eles são distribuídos proporcionalmente, segundo o saldo da conta. 

Financiamentos imobiliários  

Até 2018, era obrigatório indexar a Taxa Referencial aos financiamentos imobiliários. Na prática, a TR deveria corrigir o saldo devedor desses compromissos financeiros. No entanto, diante dos patamares da taxa de juros e da TR nula, o Banco Central eliminou a obrigatoriedade de indexação. 

Com essa resolução, não é mais necessário considerar a TR para a correção de contratos firmados fora do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O objetivo é incentivar a correção dos saldos devedores conforme as taxas praticadas pelo mercado. 

Entretanto, alguns financiamentos imobiliários podem se manter com a correção pela TR. Para tanto, geralmente é necessário formalizar uma solicitação de indexação da dívida à taxa. 

Títulos públicos  

Você viu que a TR foi essencial para a correção monetária durante o período inflacionário do início dos anos 1990. Portanto, por muitos anos, a taxa foi utilizada como indicador geral da economia brasileira. 

Na prática, ela também era usada como indexador de alguns títulos públicos, conhecidos como NTN-H e NTN-P. Entretanto, essas aplicações foram descontinuadas e não estão mais disponíveis para negociação na plataforma do Tesouro Direto

Acontece que pode haver investidores que possuem esses produtos em suas carteiras — principalmente aqueles que aproveitaram a chance no passado de realizar aplicações a longo prazo.  

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Qual a diferença entre TR mensal e TR diária? 

Ao encontrar materiais que mencionam a Taxa Referencial, é possível perceber que em alguns momentos ela é expressa como TR diária e em outros como TR mensal. Mas qual a diferença entre elas? 

A TR diária representa a variação do índice a cada dia, sendo divulgada pelo Banco Central diariamente. Já a TR mensal é resultante da soma das TRs diárias dividida pelo número de dias em cada mês. 

O mercado costuma utilizar mais a Taxa Referencial mensal para calcular o rendimento da poupança e do FGTS. Já a taxa diária pode servir como referência para empréstimos de curto prazo.  

Que alternativas na renda fixa podem compensar mais para o investidor?  

Você conheceu a Taxa Referencial e percebeu que aplicações vinculadas a ela, como a caderneta de poupança, costumam ter rentabilidade baixa. Por esse motivo, vale a pena estudar algumas alternativas de investimento que recorrem a outras referências de rentabilidade.  

Convém destacar que todas as opções que você verá a seguir pertencem à renda fixa. Para investidores de perfil conservador, por exemplo, essas podem ser alternativas para construir uma carteira previsível e de baixo risco.  

Já os investidores moderados e arrojados podem diversificar seus portfólios e equilibrar riscos com essas alternativas. 

Tesouro Direto 

Como você aprendeu, havia duas opções de títulos públicos indexados à TR que não estão mais disponíveis para negociação do mercado: NTN-H e NTN-P. Contudo, o Tesouro Direto continua trazendo uma série de alternativas para diferentes perfis. 

Essas são as aplicações consideradas mais seguras do país, até mesmo quando comparadas à poupança. Isso ocorre pelo fato de elas estarem ligadas ao Governo Federal e contarem com a garantia integral do Tesouro Nacional.  

Em agosto de 2023, por exemplo, eram oferecidos os seguintes títulos públicos:  

As aplicações oferecem grande variedade de alternativas de resgate e rentabilidade. No caso dos prefixados, por exemplo, a taxa de retorno é fixa se o título for levado ao vencimento. 

Já no Tesouro Selic, o rendimento é de 100% da Taxa Selic do período, enquanto o Tesouro IPCA+, RendA+ e Educa+ rendem conforme a inflação somada a uma taxa fixa. 

Certificado de depósito bancário (CDB)  

Os certificados de depósito bancário, mais conhecidos como CDBs, são títulos privados que costumam ser acessíveis. Nesse caso, o investidor pode encontrar variadas alternativas de rendimentos e prazos de resgate. 

Outra informação é que os CDBs são assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege o capital aplicado e os rendimentos em até R$ 250 mil por instituição financeira e por CPF. A cobertura global é limitada a R$ 1 milhão, renovável a cada 4 anos. 

Letras de crédito imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs) 

Outras aplicações que não seguem a Taxa Referencial são as letras de crédito imobiliário e do agronegócio. Ambas apresentam previsibilidade em relação aos rendimentos, com a vantagem de oferecer isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoa física. 

A diferença entre LCI e LCA está na aplicação dos recursos captados, que financiam os setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente. As aplicações também contam com cobertura do FGC, o que as torna alternativas de baixo risco. 

Debêntures 

Seguindo nas alternativas de renda fixa com a rentabilidade baseada em outros indicadores além da Taxa Referencial, há as debêntures. Elas são títulos de dívidas de empresas não-financeiras e servem para os negócios captarem recursos. 

Elas têm uma lógica semelhante à dos CDBs, sendo consideradas mais arriscadas do que as alternativas anteriores porque não contam com a garantia do FGC. Com relação ao IR, as debêntures incentivadas são o tipo que conta com isenção do tributo. 

Certificado de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs) 

Pelos nomes, você percebe que os certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio estão relacionados ao impulsionamento desses setores respectivos. Quando comparados às LCIs e LCAs, os CRIs e CRAs costumam apresentar potencial de ganhos mais elevados. 

Isso ocorre porque os riscos são maiores, já que eles não têm a cobertura do FGC. Ademais, eles podem atrair os investidores que buscam a isenção do Imposto de Renda sobre a rentabilidade para pessoa física. 

De modo geral, a rentabilidade dos investimentos em renda fixa pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida. Essas aplicações são caracterizadas pela previsibilidade, já que o investidor conhece a lógica de remuneração no momento da contratação. 

Em relação à liquidez, cada alternativa apresenta condições próprias. Já quanto à tributação, como você notou, algumas delas isentam o investidor pessoa física do pagamento de Imposto de Renda

A segurança nessa classe costuma ser mais alta em relação a alternativas de renda variável. No entanto, há diferenças nesse quesito mesmo na classe mais conservadora. Por exemplo, as LCIs e LCAs e os CDBs contam com a proteção do FGC e os títulos públicos têm garantia do Governo. 

Já CRIs, CRAs e debêntures fazem parte do chamado crédito privado. Com isso, esses títulos não têm proteção do FGC, o que aumenta o risco de investimento, embora ainda exista a previsibilidade. 

Como escolher os seus investimentos? 

Diante das alternativas oferecidas pelo mercado financeiro que costumam apresentar rentabilidade superior à Taxa Referencial, como escolher onde aplicar o seu dinheiro? Para responder a essa pergunta, é preciso identificar se o seu perfil de investidor é conservador, moderado ou arrojado. 

Com essa informação em mãos, é hora de definir seus objetivos financeiros, que podem ser de curto, médio ou longo prazo. Essa avaliação é essencial para ajudar você a analisar as alternativas disponíveis e entender qual delas é mais adequada para as suas necessidades. 

Observe as taxas, vencimentos, liquidez e riscos de cada opção para ter embasamento ao decidir. Também é possível estudar alternativas da renda variável, como ações e fundos de investimento imobiliário (FIIs), que têm maior potencial de rentabilidade. No entanto, elas são mais arriscadas, devido à volatilidade. 

Ademais, considere a diversificação da carteira de investimentos para mitigar eventuais perdas. Então procure ter em seu portfólio alternativas de tipos e classes diferentes. Ainda, é fundamental ter ativos de setores diversos para que seu dinheiro tenha exposição a riscos variados. 

Dessa forma, se houver desvalorização em alguns deles, ela pode ser compensada pela valorização dos demais. Essa estratégia ajudará a trazer mais segurança ao seu patrimônio e aumentar o seu potencial de ganhos. 

Por fim, é necessário abrir uma conta em uma corretora de valores, como a Genial Investimentos. Por meio dela, é possível ter acesso a diversas alternativas de investimentos e ter toda a estrutura necessária para realizar seus aportes, buscar ajuda profissional e contar com suporte.

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