Ela já foi superimportante para o controle da inflação no Brasil nos anos 1990 e, atualmente, tem rendimento nulo, limitando a rentabilidade dos investimentos aos quais está atrelada. Estamos falando da Taxa Referencial, mais conhecida pela sigla TR.

Se você já fez um financiamento habitacional, trabalhou com carteira assinada ou realizou aplicações na caderneta de poupança, saiba que a TR impactou a sua vida financeira. Por isso, é importante entender como essa taxa é calculada e acompanhar suas variações.

Neste post, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre a Taxa Referencial: histórico, fórmula para cálculo, impactos na rentabilidade de investimentos e na correção de dívidas, além de apresentar alternativas para quem ainda tem aplicações atreladas à TR.

O que é a Taxa Referencial (TR)? 

A hiperinflação acontece quando a inflação atinge níveis acima de 50% ao mês. E era este o cenário no Brasil quando a TR foi criada, em 1991, durante a administração Fernando Collor.

Com a taxa, o objetivo do governo era criar um índice de correção monetária, ajudando no controle da inflação e, logo, protegendo o poder de compra da moeda nacional, na época, o Cruzeiro.

Funcionava assim: a TR era medida diariamente e, no fim de um mês, o governo sabia quanto havia sido a inflação acumulada durante aquele período.

Como a TR refletia a inflação acumulada, ela era usada para corrigir o “valor do dinheiro” (correção monetária), atualizando o poder de compra da moeda nacional e evitando que o dinheiro do brasileiro perdesse poder de compra de um dia para o outro.

Logo, se a inflação subisse, a TR acompanhava a variação e corrigia o poder de compra da moeda corrente no país.

Apenas para se ter uma ideia da importância da TR no contexto inflacionário, em 1991, a TR rendeu cerca de 355%, atingindo o patamar histórico de 2.474% em 1994. A implementação do Plano Real, também em 1994, foi fundamental para controlar a inflação no país e, a partir de 1995, a Taxa Referencial começou a perder valor.

Apesar de ter perdido relevância para a taxa Selic como instrumento de controle da inflação, a TR ainda está presente no cálculo de rendimento da poupança, nos financiamentos imobiliários (principalmente os da Caixa Econômica Federal) e nos rendimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou seja, ela faz parte do dia a dia dos brasileiros.

Como a TR é calculada? 

Até 2018, o Banco Central utilizou a média ponderada e ajustada das taxas de juros pagas diariamente pelos Certificados de Depósito Bancário (CDB) prefixados das 30 maiores instituições financeiras do país para calcular a Taxa Referencial. Essa média, divulgada mensalmente, é chamada de Taxa Básica Financeira (TBF).

R = (a+b) x TBF 

Sendo: 

– R é o Redutor; 
– a é um valor fixo igual a 1,005 (esse valor foi definido na criação da TR); 
– b depende do valor da TBF (esse dado é sempre divulgado pelo Banco Central); 
– TBF (Tarifa Básica Financeira definida e divulgada diariamente pelo Banco Central). 

Após calcular o Redutor é possível encontrar o valor da TR com a seguinte fórmula:  

TR = 100 x {[(1 + TBF ÷ 100) ÷ R]  – 1} 

Você não precisa fazer todos esses cálculos para descobrir a rentabilidade da TR sobre as suas aplicações ou financiamentos. Com a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central, você pode conferir, em poucos passos, a correção de valores pela TR em um determinado período.

Um dado importante sobre a TR é que, por convenção do Banco Central, ela não pode ser negativa. Quando o resultado do cálculo acima é negativo, o valor da TR é sempre zero.

Em função das quedas históricas da taxa Selic, o valor da Taxa Referencial é zero desde o segundo semestre de 2017. Vamos entender nos próximos tópicos como isso impacta a rentabilidade de alguns investimentos e financiamentos.

Veja na tabela abaixo a evolução da Selic e da TR no ano de 2017: informar dados mais recentes!!!

Mês Taxa Selic Taxa Referencial (TR) 
Janeiro 1,09% 0,17% 
Fevereiro 0,87% 0,03% 
Março 1,05% 0,15% 
Abril 0,79% 0,00% 
Maio 0,93% 0,08% 
Junho 0,81% 0,05% 
Julho 0,80% 0,06% 
Agosto 0,80% 0,05% 
Setembro 0,64% 0,00% 
Outubro 0,64% 0,00% 
Novembro 0,57% 0,00% 
Dezembro 0,54% 0,00% 
Fonte: Banco Central e Ministério da Economia

Taxa Referencial na Poupança 

A regra para o cálculo da caderneta de poupança mudou em 2012, mas a TR continua sendo fundamental para a rentabilidade final desse investimento, que ainda é escolhido por muitos brasileiros apesar do baixíssimo rendimento.

São duas as regras vigentes no Brasil para o cálculo da caderneta: a da poupança nova e a da poupança antiga. Entenda abaixo como funciona.

Poupança antiga (depósitos realizados até 3 de maio de 2012):

  • 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR)

Poupança nova (depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012):

  • Quando a Taxa Selic for igual ou inferior a 8,5%, a poupança pagará 70% da Selic + a Taxa Referencial (TR), que, nos últimos anos, tem sido zero.
  • Quando a Taxa Selic for superior a 8,5%, a poupança pagará 0,5% ao mês + a Taxa Referencial (TR).

Apesar da TR nula, quem tem valores na poupança antiga ainda recebe uma boa remuneração. Mesmo assim, ainda vale retirar os seus investimentos e migrar para o crédito bancário, por exemplo. Investimentos até R$ 250.000,00 têm garantia do FGC (Principal + Juros). O mesmo é possível dizer da poupança nova no contexto atual, que paga um percentual da taxa Selic (em mínimas históricas) + zero de TR.

Taxa Referencial no FGTS 

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito trabalhista oferecido a todos os empregados conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou seja, quem trabalha com registro em carteira tem direito ao FGTS.

Mensalmente, 8% dos rendimentos brutos desses trabalhadores são depositados pelo empregador nesse fundo, e o saque é permitido de acordo com regras específicas do Ministério do Trabalho.

A proposta do FGTS é funcionar como uma poupança ao trabalhador, garantindo recursos em caso de demissão e outras situações. Em geral, como esses valores ficam depositados por longos períodos, o governo criou regras para que ele não perdesse seu poder de compra em relação à inflação.

O cálculo de rentabilidade do FGTS foi alterado nos últimos anos. Até 2017, o Fundo rendia 3% ao ano + a Taxa Referencial. Como a TR está nula desde o segundo semestre desse mesmo ano, o governo passou a considerar como cálculo para o FGTS 3% a.a. + TR + 50% dos lucros do Fundo apurados no ano anterior, distribuídos proporcionalmente de acordo com o saldo da conta.

TR nos financiamentos imobiliários 

Até 2018, indexar a Taxa Referencial aos financiamentos imobiliários era obrigatório. Na prática, a TR corrigia o saldo devedor desses compromissos financeiros, mas, diante dos patamares da taxa de juros e da TR nula, o Banco Central definiu que a TR não deve ser obrigatória na correção de contratos firmados fora do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

A decisão do Banco Central foi tomada com o objetivo de incentivar a correção dos saldos devedores de acordo com as taxas praticadas pelo mercado. Alguns financiamentos imobiliários, no entanto, ainda podem ser indexados à Taxa Referencial, como os que são realizados através da Caixa Econômica Federal. Para isso é necessário solicitar a indexação da dívida à TR.

Como, normalmente, os financiamentos imobiliários são realizados via pagamentos de longo prazo, o tomador da dívida deve sempre avaliar as perspectivas econômicas antes de optar por uma mudança na taxa que irá corrigir o seu financiamento.

TR nos títulos de capitalização 

Os títulos de capitalização são produtos financeiros comuns no mercado brasileiro graças à massiva oferta dos bancos. Mas eles, assim como a poupança, não são bons negócios para o seu patrimônio se comparados a outras possibilidades de investimentos.

Mas o que a Taxa Referencial tem a ver com os títulos de capitalização? Esses títulos são indexados à TR ou oferecem uma rentabilidade semelhante à poupança. Logo, como exemplificado acima, o dinheiro aplicado em títulos de capitalização pode ter rentabilidade inferior à inflação, representando uma perda do poder de compra.

Em geral, esses títulos ainda penalizam quem os compra em caso de saque antes do vencimento do contrato com uma multa que pode chegar até 10% do valor da aplicação. Logo, alocar recursos em títulos de capitalização é uma alternativa que pode se revelar ainda pior que a poupança, considerando o patamar atual da TR e da Taxa Selic.

TR e Títulos Públicos 

Como mostramos no decorrer deste post, a Taxa Referencial foi importante para a correção monetária durante o período inflacionário do início dos anos 1990 e, por muitos anos, foi utilizada como indicador geral da economia brasileira. Logo, ela também era usada como indexador de alguns títulos públicos, conhecidos como NTN-H e NTN-P.

Esses títulos foram descontinuados e não estão disponíveis para negociação na plataforma do Tesouro Direto, mas há investidores que ainda possuem esses ativos em suas carteiras, principalmente nas aplicações que foram realizadas a longo prazo.

Atualmente são oferecidas as seguintes modalidades de Títulos Públicos:

  • Tesouro Prefixado (LTN)
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)
  • Tesouro IPCA + (NTN-B principal)
  • Tesouro IPCA + Juros Semestrais (NTN-B)
  • Tesouro Selic (LFT)

TR e Investimentos 

Como a Taxa Referencial, atualmente, tem rendimento nulo, qualquer investimento atrelado a ela tem rentabilidade comprometida e, portanto, não é recomendável para seu patrimônio. Um bom exemplo disso é a caderneta de poupança.

A inflação projetada para este ano, segundo o último Boletim Focus (17 de julho de 2020), é de 1,72% ao ano, enquanto a poupança nova, como mostramos, tem rendimento atual de 70% da Selic + TR. Logo:

  • Poupança nova: 70% x 2,25% (Selic) = 1,57% ao ano 
  • Inflação projetada: 1,72% ao ano (boletim Focus 17/7/2020) 

Sem a rentabilidade da TR e rendendo apenas 70% da Selic, a poupança deve perder para a inflação em 2020. Logo, os recursos aplicados na caderneta irão se desvalorizar, o que significa uma redução no poder de compra do dinheiro aplicado.

Alternativas à Taxa Referencial 

Como você pôde observar neste post, a TR, nos patamares atuais, pode ser a vilã ou a aliada da sua vida financeira. Se você tem um financiamento imobiliário indexado apenas à taxa, o saldo do seu débito, desde o fim de 2017, não está sendo corrigido. Por outro lado, as economias deixadas na poupança também foram penalizadas. Por isso, é importante buscar alternativas para o seu dinheiro.

Boa parte dos brasileiros ainda insiste na poupança porque tem medo ou desconhece outras possibilidades de investimentos tão seguras quanto a caderneta e que, no cenário atual, oferecem maior rentabilidade. Vamos falar sobre eles abaixo.

Há quem acredite que a poupança não ofereça riscos e que seja garantida pelo governo. Isso não é verdade! No que tange aos investimentos, os únicos recursos garantidos pelo Tesouro Nacional são os títulos públicos, atualmente negociados pela plataforma do Tesouro Direto, estes, sim, são os investimentos mais seguros que o mercado pode oferecer.

Outra vantagem do Tesouro Direto é ser acessível para aplicações em pequenos valores, com cotas de títulos negociadas a partir de R$ 30. A rentabilidade desses títulos irá variar conforme o produto escolhido, e eles são divididos em três categorias: os indexados ao Índice de Preço ao Consumidor (IPCA), os indexados à Selic e os prefixados. Veja como funcionam:

  1. Indexados ao IPCA: rendem uma taxa fixa de juros + o IPCA, logo, já garantem retorno sempre superior à inflação, desde que o investidor mantenha o título até o vencimento.
  2. Indexados à Taxa Selic: rendem de acordo com a Selic, atualmente, em 2,25%, mais uma taxa de juros fixa.
  3. Prefixados: pagam um percentual previamente acordado no momento da compra do título; e esta será a remuneração do investidor caso ele mantenha o investimento até o vencimento.

Já os Certificados de Depósito Bancário (CDB), títulos de dívida da Renda Fixa emitidos por bancos e outras financeiras, oferecem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF e conglomerado financeiro até o limite de R$ 1 milhão.

No geral, os CDBs oferecem rentabilidade muito superior à da caderneta de poupança, já que seu rendimento costuma estar atrelado à Taxa DI (CDI), rendendo uma porcentagem desse índice.

O CDI, por sua vez, tem rendimento semelhante ao da Selic. Logo, um CDB com rendimento acima de 70% do CDI, considerando a TR nula, pode oferecer rentabilidade bruta melhor que a poupança nova.

Na hora de escolher CDBs, uma boa dica é optar por produtos que ofereçam rendimento a partir de 100% do CDI para assegurar melhor desempenho em comparação à caderneta, pois é preciso considerar o desconto do Imposto de Renda (IR).

A cobrança do IR para ambas as aplicações (Tesouro Direto e CDB) é regressiva, ou seja, quanto mais tempo você deixar o seu dinheiro aplicado e sem movimentação, menor o valor a ser pago.

Saiba mais: 

Como investir no Tesouro Direto e em CDBs? 

Se você tem recursos aplicados em títulos de capitalização ou na poupança já sabe que ambos são impactados pela TR e devem ser evitados. Por isso, apresentamos alternativas seguras e que podem lhe oferecer maior rentabilidade: os títulos do Tesouro Direto e os CDBs.

Para investir nesses produtos é preciso ter conta em uma corretora de valores, como a Genial Investimentos. A abertura da conta é gratuita, rápida, segura e 100% online. As corretoras funcionam como um ‘shopping dos investimentos’, já o Tesouro Direto e os CDBs são produtos disponíveis para compra (investimentos) por pessoas físicas e jurídicas.

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Investir não é ‘coisa para rico’, tampouco é difícil. Você precisará dedicar algum tempo para conhecer e entender os produtos que podem ajudar a cuidar melhor do seu dinheiro. Mas a recompensa também será certa, pois, além de conhecimento, você saberá como administrar melhor o seu dinheiro hoje, cuidando do seu patrimônio para o amanhã.

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Publicado por Genial Investimentos

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