O certificado de depósito interbancário, como também é conhecido, exerce influência nos investimentos e pode afetar sua tomada de decisão. Ao entender como ele funciona e quais as informações que oferece, você não terá mais dúvidas quando encontrar o conceito.
Ao analisar investimentos, especialmente na renda fixa, é comum se deparar com o CDI como referência. O índice é fundamental para a rentabilidade das aplicações e a comparação de alternativas disponíveis.
O CDI influencia o retorno de diversos títulos, pois acompanha os movimentos da Selic, e impacta a alocação de capital entre renda fixa e renda variável. Entretanto, muitas vezes, o investidor encontra títulos atrelados ao CDI sem compreender como a taxa é formada.
Pensando nisso, nós, da Genial, preparamos este conteúdo. Com ele, você entenderá o que é CDI, como o índice surgiu e qual é sua importância no mercado financeiro. Continue a leitura!
O que é CDI?
CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. O termo também costuma ser usado para se referir à taxa DI, ligada às operações interbancárias de curtíssimo prazo realizadas entre instituições financeiras.
Entenda mais sobre a relação entre CDI, taxa DI e Selic!
Diferença entre CDI e taxa DI
As normas do mercado financeiro determinam que os bancos devem terminar o dia com saldo positivo. Desse modo, é comum que eles façam empréstimos de curtíssimo prazo entre si para atender à regra.
A operação, geralmente com vencimento em um dia útil, é formalizada pela emissão de títulos chamados CDI, utilizados apenas para ajuste de liquidez entre as instituições. Já a taxa de juros média praticada nesses empréstimos é a taxa DI.
Mesmo com a distinção, o mercado comumente utiliza o termo CDI para se referir à taxa DI. Ela é usada como base em investimentos que indicam rendimento atrelado ao CDI.
Para o investidor, essa distinção é importante, já que ele não investe no certificado. Na verdade, o aporte é feito em alternativas que utilizam o índice como parâmetro de rentabilidade. Isso evidencia o papel do CDI como referência no mercado, e não como um ativo disponível para aplicação.
Relação entre CDI e Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia e tem grande relevância no mercado financeiro. O CDI acompanha de perto os movimentos da Selic, já que as operações interbancárias precisam refletir o custo do dinheiro definido pela política monetária.
Para que essas operações façam sentido para os bancos, o CDI costuma ser ligeiramente inferior à Selic. Então, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) decide cortar, manter ou aumentar a taxa básica, o CDI passa por movimento semelhante.
Essa relação faz com que o índice reflita as condições de juros no curto prazo, influenciando decisões de investimentos. Além disso, o CDI pode funcionar como um indicador indireto das condições de liquidez no sistema financeiro.
Com isso, mudanças no CDI afetam o custo de oportunidade do mercado e ajudam a explicar parte do fluxo entre renda fixa e renda variável, bem como a formação de preços e a liquidez dos ativos. Quando o índice está mais elevado, tende a haver maior procura por investimentos atrelados à renda fixa, diante da atratividade dos retornos.
Em cenários de CDI mais baixo, parte dos investidores pode buscar alternativas em renda variável, o que altera o comportamento do mercado. Dessa maneira, o indicador contribui para a leitura de cenário e para o entendimento da dinâmica entre diferentes classes de ativos.
Como surgiu o CDI?
O CDI surgiu a partir da necessidade de garantir o equilíbrio do sistema bancário, permitindo que as instituições financeiras ajustassem suas posições de caixa ao final do dia. Como o Banco Central exige que os bancos encerrem o dia com saldo positivo, como visto, foi preciso criar um mecanismo que viabilizasse o ajuste.
Nesse contexto, passaram a ser realizadas operações de empréstimo entre bancos, formalizadas por meio da emissão de certificados de curto prazo. Esses títulos são utilizados para transferir recursos entre instituições com excesso de liquidez e aquelas que necessitam complementar seu caixa.
Com o tempo, a média das taxas praticadas nessas operações passou a ser utilizada como referência no mercado financeiro. Assim, o CDI deixou de ser apenas um instrumento operacional entre bancos e passou a desempenhar um papel relevante na definição de parâmetros para investimentos.
Além disso, a consolidação do CDI como referência acompanhou o desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro. Dessa forma, passou-se a utilizar o indicador como base para precificação de produtos e avaliação de rentabilidade.
Como é definido o CDI?
O CDI é definido com base nas operações interbancárias realizadas diariamente entre instituições financeiras. A média das taxas de juros dessas transações é calculada e divulgada como taxa DI pela B3 — a bolsa de valores brasileira —, servindo como referência para o mercado.
As operações são registradas em sistemas que consolidam os dados e permitem o cálculo da taxa média ao final de cada dia útil. Como as transações ocorrem continuamente, o CDI é atualizado todos os dias, refletindo as condições correntes de liquidez e custo de capital no sistema financeiro.
Por se tratar de uma média de mercado, o CDI não depende de uma única instituição nem de uma decisão administrativa. Ele representa o comportamento agregado das operações entre bancos — o que o torna um indicador consistente das condições de crédito e liquidez no curto prazo.
Esse processo de formação explica por que o CDI reage rapidamente a mudanças na política monetária. Quando o Copom altera a Selic, as taxas das operações interbancárias se ajustam na mesma direção quase imediatamente, e o CDI acompanha o movimento no dia seguinte à decisão.
Qual é a importância do CDI no mercado financeiro?
Você viu que o CDI influencia a renda fixa e seus rendimentos de maneira mais direta. Afinal, diversos títulos e certificados pós-fixados utilizam um percentual do CDI como referência.
Nesse contexto, o indicador funciona como base para a remuneração dessas aplicações e permite comparar o desempenho entre diferentes alternativas. Um CDI maior eleva o retorno, impactando a alocação de recursos e as decisões relacionadas à composição dos investimentos.
As alternativas de renda variável também tendem a ser afetadas pelos movimentos do CDI. Se a Selic e, consequentemente, o CDI estiverem baixos, é comum observar aumento na procura pela renda variável, já que a renda fixa passa a oferecer retorno menos atrativo em termos relativos.
Por outro lado, um CDI mais alto tende a reduzir esse fluxo. O interesse por títulos de renda fixa normalmente aumenta, pois eles passam a combinar segurança e rentabilidade maior — alterando o comportamento do mercado de modo mais amplo.
O comportamento do CDI influencia a precificação de ativos e o custo de oportunidade. Em cenários de juros mais elevados, a exigência por retorno tende a aumentar, impactando a atratividade relativa entre renda fixa, renda variável e crédito privado.
Esse efeito costuma se estender à precificação de ações via fluxo de caixa descontado e aos spreads exigidos no mercado de crédito. Ainda que indiretamente, o CDI afeta o volume de negociação na renda variável e a dinâmica entre classes de ativos.
O CDI também é utilizado como parâmetro de desempenho no mercado financeiro. Quando funciona como benchmark, é possível identificar se um investimento de renda fixa entrega retorno acima ou abaixo da taxa. Isso é relevante ao comparar alternativas disponíveis em plataformas como a Genial Investimentos.
Qual é a diferença entre CDI e CDB?
O Certificado de Depósito Bancário (CDB) está entre os principais tipos de aplicação da renda fixa. Ele é emitido por instituições bancárias como instrumento de captação de recursos para financiar suas operações, mediante o pagamento de uma remuneração.
O CDI, por sua vez, é um certificado utilizado nas operações entre bancos para captação de recursos de curtíssimo prazo, como você aprendeu. Logo, ele não está disponível para investidores em geral, já que sua negociação ocorre exclusivamente entre instituições financeiras.
Quando se trata do CDI como taxa, há uma relação direta com o CDB. Nos títulos pós-fixados, o rendimento costuma estar atrelado a um percentual do indicador, conectando os dois conceitos no contexto dos investimentos.
Dessa forma, embora CDI e CDB estejam relacionados, especialmente na definição de rentabilidade, eles possuem naturezas diferentes. Enquanto o CDB é uma alternativa de investimento acessível ao público, o CDI é restrito ao sistema bancário e traz uma referência de juros para o mercado financeiro.
Quanto rende 100% do CDI?
Um investimento atrelado a 100% do CDI acompanha integralmente a variação da taxa DI no período. Se o percentual contratado for de 120% do CDI, o rendimento será 20% superior à taxa DI acumulada no mesmo intervalo — e assim por diante.
O cálculo do retorno é feito aplicando o percentual definido pelo emissor sobre a taxa DI oficial, apurada e divulgada pela B3. Como a taxa é diária e acumulada, o resultado depende tanto do percentual contratado quanto do desempenho do CDI ao longo de todo o período.
Nesse sentido, dois títulos com a mesma referência — 100% do CDI, por exemplo — podem apresentar resultados distintos. O cenário depende do momento de entrada, do prazo e da trajetória da taxa no período.
Isso reforça a importância de considerar o contexto de juros ao analisar a atratividade dessas aplicações. Por exemplo, em um ciclo de alta da Selic, aplicações pós-fixadas tendem a se valorizar progressivamente. Já em ciclos de queda, o retorno é reduzido.
Adicionalmente, é importante considerar o impacto de custos e tributação sobre o rendimento final dessas aplicações. Mesmo quando o retorno está atrelado ao CDI, fatores como prazo, liquidez e incidência de Imposto de Renda (IR) influenciam o resultado líquido.
Como investir em CDI?
Como não é possível investir em CDI, existem aplicações financeiras que utilizam a taxa como referência de rentabilidade. Pensando na renda fixa, há investimentos cujo retorno está totalmente relacionado ao desempenho do CDI e à sua variação, como os títulos pós-fixados.
Veja os principais títulos atrelados ao CDI que você pode encontrar na Genial!
Certificado de Depósito Bancário
Cada banco pode determinar as regras de suas emissões de CDBs, variando em prazos, liquidez e condições de resgate, o que influencia o retorno e o planejamento da alocação.
Em função dessas características, a alternativa é amplamente utilizada em estratégias de alocação em renda fixa, tanto para reserva de liquidez quanto para posições mais longas. Também há diversos títulos procurados por sua acessibilidade, funcionando como uma porta de entrada para o mercado de investimentos.
Há incidência de alíquotas do IR sobre os lucros, que variam conforme o tempo de aplicação. Quanto ao nível de segurança da alternativa, há cobertura de até R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF e instituição, com teto de R$ 1 milhão renovável a cada quatro anos.
Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA)
As LCIs e LCAs são títulos de renda fixa bancários que captam recursos para financiar projetos imobiliários e do agronegócio, respectivamente.
Esses títulos se caracterizam pela isenção de Imposto de Renda para pessoa física, o que pode favorecer o retorno líquido. Além disso, LCIs e LCAs contam com cobertura do FGC, dentro dos limites estabelecidos.
Letra de Câmbio (LC)
A Letra de Câmbio é utilizada por financeiras para captar recursos para financiar suas operações. Esse tipo de investimento permite exposição ao CDI com diferentes prazos e condições.
Nesse caso, há incidência de Imposto de Renda conforme o tempo de aplicação, seguindo a tabela regressiva. Como outros títulos de renda fixa, a LC conta com a proteção do FGC.
Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA)
CRIs e CRAs são títulos de renda fixa que fazem parte do crédito privado, sendo emitidos por securitizadoras. Eles são criados por meio de operações de securitização no mercado imobiliário e no agronegócio, como a antecipação de recebíveis.
Esses certificados não têm incidência de IR para pessoas físicas. Vale ter em mente que eles não contam com a garantia do FGC, exigindo uma análise mais cuidadosa do risco.
Ao longo deste artigo, você entendeu que o CDI é uma referência de rentabilidade e um indicador que influencia a dinâmica do mercado e a forma como os investimentos são estruturados. Compreender seu funcionamento permite avaliar alternativas e tomar decisões mais estratégicas.
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