Os fundos multimercados são investimentos diversificados e versáteis, que podem assumir diversos formatos e níveis de risco, e atender a diferentes perfis de investidor – dos conservadores aos arrojados, dos pequenos aos grandes. Há fundos que aceitam aportes iniciais de mil reais, e outros que chegam a exigir de dezenas a centenas de milhares de reais.

Trata-se de uma categoria de fundos menos conhecida do grande público, talvez por ser bastante ampla e um pouco mais difícil de resumir.

Mas vale a pena conhecê-los. Basta dizer que alguns dos fundos de investimento mais famosos e bem-sucedidos do mercado – como o Verde, de Luís Stuhlberger, o SPX Nimitz, de Rogério Xavier, e o Adam, de Márcio Appel – são todos multimercados.

De maneira geral, os fundos multimercados representam um segundo passo na trajetória do investidor.

Depois de sair da poupança e buscar investimentos conservadores mais rentáveis que a caderneta, o investidor pode querer dar passos maiores e destinar parte da carteira a investimentos com um pouco mais de risco, a fim de ganhar acima da taxa básica de juros, mas ainda sem incorrer no risco do mercado de ações.

Os multimercados também são interessantes em épocas de juro baixo, mas ainda grandes incertezas no mercado de renda variável. Isto é, a renda fixa conservadora já não rende tanto, mas a bolsa ainda pode parecer muito arriscada para os investidores.

Nessas horas, investimentos moderados, capazes de combinar os dois tipos de ativos, surgem como uma alternativa mais segura para tentar rentabilidades superiores à da renda fixa.

Neste artigo, vamos mostrar as principais características dos fundos multimercados, como eles funcionam e como são classificados.

Fundos de investimento

Fundos multimercados são fundos de investimento, veículos em formato de condomínio que possibilitam aos investidores unirem seus recursos para investir de forma mais diversificada, eficiente e em ativos com melhor relação risco-retorno do que um investidor individual normalmente conseguiria. Tudo isso com gestão profissional.

Em outras palavras, ao investir em um fundo, o investidor terceiriza a escolha da estratégia e as decisões de investimento a um profissional e paga uma taxa de administração por isso.

O montante de recursos mais elevado de um fundo permite que ele possa investir em ativos geralmente inacessíveis à pessoa física.

E o fato de o fundo ser um condomínio faz com que cada cotista (ou condômino) seja dono de uma quantidade de cotas proporcional ao valor que investiu. Assim, se cada cota tiver, em determinado momento, o valor de dez reais, um investidor que investir mil reais vai se tornar dono de cem cotas.

Seus custos e o direito a eventuais rendimentos distribuídos pelo fundo também serão proporcionais ao montante investido.

Neste artigo, falamos com detalhes sobre como funcionam os fundos de investimento: como é calculado o valor da cota, os custos, a forma de tributação, as instituições financeiras envolvidas, entre outras características.

Fundos multimercados

Os fundos de investimento podem ser classificados segundo diferentes critérios: abertos ou fechados, de curto ou longo prazo ou de acordo com os ativos em que investem, por exemplo.

Os fundos multimercados são fundos abertos, isto é, permitem aplicações e resgates. Se um investidor deseja entrar no fundo ou aumentar sua participação, o fundo emite novas cotas para ele adquirir. Se desejar sair, basta pedir o resgate para reaver os recursos. Em função disso, é bem fácil entrar e sair desses fundos a qualquer tempo.

É bem diferente do que acontece com um fundo fechado, em que aplicações e resgates não são permitidos. Nesses casos, os cotistas só conseguem investir quando o fundo está aberto para captação. Fora desses períodos, só é possível entrar e sair do investimento por meio da compra e venda de cotas entre os investidores.

Não confunda a classificação de fundo aberto e fechado com o fato de que muitos fundos multimercados, ao atingir certo patrimônio, fecham para novas aplicações. Isso não significa que eles sejam fundos fechados.

Esses fundos continuam sendo fundos abertos que eventualmente fecham para captação para que um volume maior de recursos não atrapalhe a sua estratégia. Afinal, eles continuam permitindo aplicações quando abertos, além do resgate de cotas a qualquer tempo.

Quanto à tributação, os fundos multimercados geralmente são classificados como fundos de longo prazo, embora em tese também possam ser classificados como curto prazo, atendidos certos requisitos.

Em ambos os casos é aplicada a tabela regressiva de IR válida para as aplicações financeiras tributadas na fonte:

Tabela regressiva de fundos de curto prazo

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%

Tabela regressiva de fundos de longo prazo

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

Independentemente da classificação, todos os fundos multimercados estão sujeitos ao come-cotas, forma de tributação mais comum dos fundos de investimento abertos. Em fundos sujeitos ao come-cotas, o cotista deve pagar 15% de IR sobre os rendimentos a cada seis meses na forma de cotas. Na hora do resgate, ele pagará a diferença, se houver.

Saiba mais sobre como funciona o come-cotas.

Quanto aos ativos, os fundos multimercados podem investir em diversas classes de ativos e mercados (renda fixa, ações e moedas), utilizando diferentes estratégias. Alguns priorizam uma ou outra classe de ativos e há ainda aqueles fundos que podem investir parte do patrimônio no exterior.

A classificação “fundos multimercados” está sujeita a várias subdivisões em função dos tipos de ativos que compõem a carteira e das estratégias empregadas pelo gestor. Mas não se assuste com essas definições formais.

O que é fundamental entender é que os multimercados costumam ter estratégias bem definidas para tentar gerar retornos superiores aos principais indicadores do mercado, como o CDI, o Ibovespa ou a inflação, adaptando-se ao momento do mercado.

Para isso, os gestores desfrutam de certa liberdade na escolha dos ativos e na elaboração da estratégia, podendo investir de maneira bastante versátil e diversificada.

Onde investem os fundos multimercados

Os fundos multimercados são definidos como fundos cujas políticas de investimento envolvem vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator em especial.

Isso significa que eles podem lançar mão de diferentes estratégias e aplicar em várias classes de ativos e mercados, como renda fixa, câmbio e ações de toda espécie, além de usar derivativos tanto para proteção da carteira quanto para alavancagem.

Alavancagem – conceito importante para quem vai investir em multimercados – é a utilização de recursos, instrumentos e oportunidades externos para multiplicar seus resultados. A partir de um pequeno esforço ou investimento, torna-se possível ampliar os ganhos, mas também as perdas.

No mercado financeiro, alavancagem é o ato de operar volumes financeiros maiores que seu próprio patrimônio. Ou ainda, operar grandes volumes com apenas uma fração dos seus recursos.

Ao fazer uma operação alavancada, o investidor está movimentando uma quantia maior do que a que está investindo de fato. Se der certo, o retorno é maior do que seria em uma operação sem alavancagem. Mas se algo der errado, o investidor terá uma perda maior do que o prejuízo que ele teria se não usasse alavancagem.

Neste outro artigo, explicamos com mais detalhes o que é alavancagem e trazemos alguns exemplos de operações deste tipo.

Os multimercados apresentam maior liberdade de gestão que os demais tipos de fundos de investimento, mas devem seguir uma política de investimentos bem definida e apresentada no prospecto e no regulamento.

Há vários tipos de fundos multimercados. Alguns aplicam em diferentes classes de ativos, sendo bastante diversificados, e outros procuram ganhar dinheiro com distorções de preços de certos tipos de ativos, como ações ou taxas de juros. Alguns, ainda, podem investir mais de 40% dos recursos no exterior.

Segundo a classificação mais recente da Anbima, a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais, os fundos multimercados são divididos em três grupos. Estes, por sua vez, podem ser divididos em outros subgrupos, conforme a seguir:

1. Alocação

Buscam retorno no longo prazo por meio de investimentos em diversas classes de ativos (renda fixa, ações, câmbio etc.), incluindo cotas de fundos de investimento. Subdividem-se em:

Balanceados

Fundos com estratégia de alocação pré-determinada, devendo especificar o mix de investimentos nas diversas classes de ativos, incluindo deslocamentos táticos e/ou políticas de rebalanceamento explícitas.

O indicador de desempenho do fundo (benchmark) deve acompanhar o mix de investimentos escolhido. O fundo não pode, portanto, tomar como referência o benchmark de uma única classe de ativos – por exemplo, o CDI, referência da renda fixa. Não admitem alavancagem.

Dinâmicos

Possuem estratégia de alocação de ativos sem se comprometerem com um mix pré-determinado de ativos. A política de alocação é flexível, reagindo às condições de mercado e ao horizonte de investimento. É permitida a aquisição de cotas de fundos que admitam alavancagem.

2. Estratégia

Baseiam-se em estratégias preponderantes adotadas e suportadas pelo processo de investimento adotado pelo gestor, como forma de atingir os objetivos e executar a política de investimento dos fundos. Admitem alavancagem. São subdivididos em:

Macro

Operam diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio etc.) e definem suas estratégias de investimentos com base em avaliações de cenários macroeconômicos de médio e longo prazo.

Trading

Operam diversas classes de ativos, mas tentam obter seus ganhos por meio de movimentos de curto prazo nos preços dos ativos.

Long and Short – Direcional

Operam ações e derivativos ligados ao mercado de renda variável, montando posições compradas (long) e vendidas (short). Posições vendidas são aquelas que ganham com a desvalorização do ativo. O ganho do fundo vem da diferença entre as duas posições.

Long and Short – Neutro

Operam ações e derivativos ligados ao mercado de renda variável, montando posições compradas (long) e vendidas (short), com o objetivo de manterem a exposição financeira líquida limitada a 5%.

Juros e Moedas

Buscam retorno no longo prazo por meio de investimentos em renda fixa, podendo se expor a risco de juros, de índices de preços e de moeda estrangeira. Não investem em renda variável.

Livre

Não têm compromisso de concentração em nenhuma estratégia específica.

Capital Protegido

Buscam retornos em mercados de risco, mas procuram proteger parte ou a totalidade do principal investido. Assim, se houver perdas no investimento do fundo, os cotistas são capazes de recuperar um percentual pré-definido ou a totalidade dos recursos que investiram.

Estratégia Específica

Adotam estratégias com riscos específicos, como commodities e futuros de índices.

3. Investimento no Exterior

Fundos que podem investir mais de 40% do seu patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior. Essa categoria não tem subdivisões.

Para quem os multimercados são indicados

Os níveis de risco dos multimercados também variam bastante. Os fundos que seguem a estratégia Juros e Moedas, por exemplo, são considerados conservadores, podendo ser usados, pelo investidor, da mesma forma que os fundos de renda fixa conservadora.

Outros são considerados moderados ou arrojados, e alguns dos multimercados mais agressivos podem ser até mais arriscados do que certos fundos de ações.

Multimercados moderados e arrojados são mais voltados para investidores que se enquadrem nesses perfis, para objetivos de longo prazo e na busca de um diferencial de rentabilidade para turbinar a construção do patrimônio do investidor.

Em outras palavras, são destinados à diversificação por investidores que entendem e aceitam seus riscos e já têm uma parcela da carteira alocada em investimentos bem conservadores.

Risco e retorno

Fundos multimercados são, em geral, considerados moderados ou arrojados/agressivos.

Alguns fundos classificados como Juros e Moedas – que não investem em renda variável, mas apenas executam estratégias nesses dois mercados – são de baixo risco, sendo considerados conservadores.

Mas todos os demais costumam ter risco de moderado a alto, podendo apresentar retorno abaixo do mercado ou mesmo negativo.

Os moderados normalmente não admitem alavancagem, sendo voltados para aqueles investidores que buscam uma remuneração um pouco acima da renda fixa tradicional, mas ainda sem correr grandes riscos.

Já os multimercados arrojados costumam admitir alavancagem, apresentando risco mais elevado. Entretanto, é nesse grupo em que costumam se encaixar os multimercados mais famosos e bem-sucedidos do mercado. Gestores renomados se valem dessa maior liberdade para executar suas estratégias.

Os fatores de risco a que os multimercados se expõem estão ligados aos ativos que compõem suas carteiras.

Por exemplo, fundos que investem mais em renda fixa estão mais sujeitos ao risco de calote desses títulos. Os que fazem estratégias com juros e moedas estão sujeitos às flutuações das cotações nesses mercados.

Já os que investem em ações estão mais expostos ao risco de volatilidade nos preços desses papéis.

Os multimercados podem tomar como referência diferentes indexadores, dependendo da estratégia que seguem e do tipo de ativo em que investem. Podem, por exemplo, mirar uma remuneração acima do IPCA, do CDI, do Ibovespa ou mesmo de um índice de bolsa no exterior.

A liquidez também pode variar bastante. Há fundos que pagam o investidor poucos dias após o pedido de resgate, apresentando alta liquidez.

Outros só disponibilizam os recursos muito tempo depois do pedido de resgate – dentro de 30, 60, 90 ou até 180 dias. Durante esse tempo, os recursos continuam expostos às flutuações do fundo, isto é, ainda auferem rentabilidade.

Em geral, essa espécie de carência ocorre em fundos que investem em ativos de longo prazo e liquidez reduzida, que não permitem ao fundo fazer vendas ou resgates imediatos para honrar os pedidos de resgate dos cotistas.

Em razão disso, quem investe nesse tipo de fundo deve estar ciente desse prazo para resgate e ter outras aplicações financeiras de alta liquidez para atender às suas necessidades mais imediatas. Para resgatar esses fundos menos líquidos, é preciso ter certo planejamento.

Entenda melhor como funciona o mecanismo de resgate e liquidação dos fundos de investimento.

Custos

Como já mencionado, fundos multimercados sofrem a cobrança de taxas de administração para remunerar a gestão profissional. Alguns podem cobrar ainda uma taxa de performance, percentual sobre a rentabilidade que exceder o benchmark do fundo.

Por exemplo, se o fundo tomar como referência de rentabilidade o CDI, ele pode cobrar uma taxa, digamos, de 20% sobre o rendimento acima do CDI. A taxa de performance serve como incentivo para o gestor buscar uma rentabilidade acima da média do mercado.

Além disso, os rendimentos sofrem, como vimos, cobrança de imposto de renda na fonte de acordo com o prazo de aplicação, conforme as tabelas regressivas já mostradas. Fundos multimercados estão sujeitos ao come-cotas.

Para quem fica no fundo por um prazo inferior a 30 dias (quando isso é possível, claro), há cobrança de IOF conforme a tabela a seguir. Acima deste prazo, este imposto não é mais cobrado.

Número de dias decorridos após a aplicaçãoIOF (%)Número de dias decorridos após a aplicaçãoIOF (%)
1961646
2931743
3901840
4861936
5832033
6802130
7762226
8732323
9702420
10662516
11632613
12602710
1356286
1453293
1550300

Ao analisar os retornos históricos de um fundo, lembre-se de que eles já estão líquidos das taxas de administração e performance, mas não de impostos.

Veja como declarar fundos de investimento no imposto de renda.

Conheça também: Bahia Asset Management

Como investir em fundos multimercados

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