Talvez você já tenha se deparado com esse termo, ao ler, por exemplo, que determinado fundo de investimento utiliza alavancagem. Ou talvez já tenha ouvido dizer que certa empresa com ações em bolsa esteja “muito alavancada”. Mas você sabe o que isso quer dizer?

Na física, alavancas são definidas como objetos rígidos utilizados para multiplicar a força exercida em outro objeto. Tesoura, alicate, gangorra, pé de cabra, removedor de grampos de papel e abridor de garrafa são alguns exemplos de alavancas usadas no dia a dia.

As alavancas ampliam a força humana, na medida em que nos permitem mover objetos pesados ou quebrar coisas rígidas a partir de uma pequena aplicação de força. Um pequeno custo para um grande resultado.

Quebrar uma noz com as próprias mãos, sem o uso de qualquer ferramenta, não é fácil. Mas com um quebra-nozes, até uma criança pode fazê-lo. E se uma das rodas do seu carro já atolou ou caiu em um buraco, provavelmente você conhece o poder de uma alavanca.

A mesma ideia pode ser aplicada às finanças. A alavancagem é a utilização de recursos, instrumentos e oportunidades externos para multiplicar seus resultados. A partir de um esforço pequeno, torna-se possível ampliar os ganhos – mas também as perdas.

Mais especificamente, a alavancagem é o ato de operar volumes financeiros maiores que o seu próprio patrimônio. Ou ainda, operar grandes volumes com apenas uma fração dos recursos.

Empréstimos e financiamentos

O principal exemplo de alavancagem é o empréstimo. Em vez de usarem apenas os próprios recursos, empresas recorrem ao dinheiro de outras pessoas e empresas para impulsionar seus resultados e aumentar a rentabilidade do seu negócio.

Em geral, sai mais barato para a empresa pedir dinheiro emprestado do que os sócios investirem o próprio capital. Mesmo tendo que pagar juros pelos recursos emprestados, a empresa ainda assim se beneficia do crescimento dos seus resultados.

O empréstimo, portanto, funciona como uma alavanca. É um instrumento capaz de gerar um grande resultado a partir da aplicação de uma pequena força. No caso, um custo financeiro relativamente pequeno.

Imagine um comerciante que invista 100 mil reais para abrir a sua loja e obtenha um retorno de 20%, isto é, 20 mil reais.

Para expandir o seu negócio e abrir uma segunda loja, ele recorre a um empréstimo de 100 mil reais a uma taxa de juros de 10% ao ano – menor do que a rentabilidade esperada para a segunda loja, que é a mesma da primeira (20%).

Ao final do ano, cada uma das lojas rendeu os 20 mil reais esperados, totalizando 40 mil reais. No entanto, 10 mil reais desse ganho devem ser destinados a pagar os juros do empréstimo. Resta, para o empresário, o lucro de 30 mil reais.

Como apenas 100 mil reais saíram efetivamente do bolso desse empresário – os outros 100 mil foram emprestados – esse lucro de 30 mil reais representa, para ele, um retorno de 30%. Ou seja, o retorno dele subiu de 20% para 30% sem que ele tivesse que aportar mais capital.

Pessoas físicas também podem tomar crédito para investir, desde que o investimento escolhido seja capaz de render mais do que a taxa de juro do empréstimo.

Não há vantagem alguma em pagar 2% ao mês de juro em um empréstimo quando o máximo que você consegue no investimento é, digamos, 1% ao mês.

Pelo mesmo raciocínio, não vale a pena pedir um empréstimo para fazer um pagamento quando se tem dinheiro investido em uma aplicação que rende menos que o custo da linha de crédito. Nesse caso, é preferível usar as reservas a se endividar.

Aluguel e derivativos

O mercado financeiro está repleto de outras operações e instrumentos financeiros que permitem alavancagem.

Com relativamente pouco dinheiro, o investidor consegue obter grandes resultados, como se ele estivesse operando quantias bem maiores.

Uma dessas operações é o aluguel de ações. Nela, um investidor aluga as ações de outro por uma fração do seu preço de compra. Não há necessidade de desembolsar toda a quantia para comprá-las de fato.

Assim, se o preço de um lote de ações em determinado momento for de mil reais e o custo do aluguel for de 20%, isso significa que é possível alugá-las por apenas 200 reais. Isso é o equivalente a dizer que, com 200 reais, o investidor é capaz de movimentar mil reais.

O objetivo desse aluguel é apostar na desvalorização dos papéis. O locatário pode vendê-las e recomprá-las quando o preço estiver mais baixo, devolvendo-as para o locador e embolsando a diferença.

Outra forma de operar alavancado é por meio dos derivativos. É o caso dos contratos futuros, as opções de ações e os contratos de swap.

Derivativos são contratos referenciados em outros ativos, taxas de referência ou índices, como ações, commodities, taxas de juros etc.

A função primária dos derivativos é o hedge, isto é, a proteção da carteira contra um cenário adverso. Eles funcionam como se fossem seguros para proteger as posições financeiras dos investidores e empresários.

Porém, eles também podem ser utilizados por investidores que busquem ganhos financeiros por meio da aposta em diferentes cenários econômicos.

Operar derivativos dessa forma tem risco, e em alguns casos ele pode ser bem elevado. Os ganhos e as perdas podem ser ilimitados.

A intenção aqui não é detalhar como funciona cada tipo de derivativo. Mas tomaremos o exemplo dos contratos futuros para você ter uma ideia de como funciona a alavancagem nesses casos.

Contratos futuros são contratos padronizados negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e referenciados na taxa básica de juros (CDI), no dólar, no Ibovespa ou em commodities, como o preço do boi ou do café.

Eles permitem aos investidores apostar no movimento dos preços e indicadores de referência. Mas para, digamos, comprar um contrato, o investidor não precisa ter todo o valor do contrato no bolso.

Quando o investidor monta uma posição, seja ela comprada ou vendida, ele precisa depositar na corretora a chamada margem de garantia, que é sempre uma fração do valor do contrato. Ela deve ser mantida ali enquanto durar a posição do investidor.

Uma pessoa física pode, por exemplo, movimentar um contrato de milhares de reais desembolsando apenas algumas centenas de reais para a margem de garantia.

Além disso, os contratos futuros sofrem ajustes diários, conforme as oscilações do mercado, o que pode levar os investidores a ganhos ou prejuízos. Se tiver prejuízo, aí sim o investidor precisará fazer um desembolso. Caso sua conta esteja zerada, a garantia é executada.

Já deu para ter uma ideia do que significa um fundo que usa alavancagem, certo? O aluguel de ações e os derivativos são recursos que podem ser usados tanto por pessoas físicas quanto por empresas e fundos de investimento, seja para hedge, seja para alavancagem.

Fundos que utilizam derivativos apenas para hedge normalmente informam isso em seu material de divulgação. Este costuma trazer a informação de que eles não utilizam alavancagem. O hedge não representa risco, pelo contrário, é uma proteção.

Já os fundos que declaram utilizar alavancagem usam esses instrumentos para aumentar seus ganhos, pondo em risco um valor maior do que o de seu patrimônio.

Os riscos da alavancagem

Como foi mencionado no início do texto, a alavancagem pode potencializar os ganhos, mas também as perdas. Lembre-se de que, ao fazer uma operação alavancada, o investidor está movimentando uma quantia maior do que a que está investindo de fato.

Se der certo, o retorno é maior do que seria em uma operação sem alavancagem. Mas se algo der errado, o investidor terá uma perda maior do que o prejuízo que ele teria se não usasse alavancagem.

Em casos extremos, é possível perder mais do que o capital investido. Isso obriga o investidor a aportar mais capital para honrar todas as suas obrigações.

Voltemos ao exemplo do comerciante que investiu 100 mil reais do próprio bolso e depois pegou um empréstimo de 100 mil reais a uma taxa de 10% ao ano.

Se esse empresário tivesse um prejuízo de 10% em cada loja (10 mil reais), sua perda totalizaria 20 mil reais. Isto é, 20% dos 100 mil reais efetivamente investidos por ele.

No entanto, prejuízo não é desculpa para não pagar um empréstimo. A menos que o tomador fique totalmente insolvente, ele ainda deverá honrar seus compromissos. Assim, esse comerciante deverá pagar os 10 mil reais a título de juros de qualquer forma.

Ou seja, no fim das contas ele terá perdido 30 mil reais, 30% do seu capital inicial. Se tivesse ficado apenas com a primeira loja e não tivesse alavancado seu negócio, seu prejuízo teria sido de apenas 10%.

Ao usar derivativos, o investidor também está expondo ao risco valores maiores do que a quantia que está efetivamente investindo. Isso pode tanto potencializar os ganhos como as perdas, a exemplo do que ocorre com os empréstimos.

Assim, fundos que utilizam alavancagem como parte da sua estratégia e que não usam derivativos apenas para hedge são mais voltados para investidores com apetite para risco. Isto é, que estão dispostos a correr mais risco para turbinar seus retornos.

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