As Letras de Câmbio (LC) são títulos de renda fixa emitidos pelas sociedades de crédito, financiamento e investimento (SCFI), conhecidas popularmente como “financeiras”. Apesar de o nome do investimento remeter à câmbio, não há qualquer relação com negociação de moedas estrangeiras.

As LCs são também chamadas de “CDBs das financeiras” por terem, basicamente, o mesmo funcionamento dos CDBs LCIs ou LCAs com a diferença de que estes são emitidos por bancos. Assim como esses investimentos do mercado de renda fixa, as LCs também tem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a mesma segurança da poupança.

Como funcionam as LCs?

As financeiras emitem Letras de Câmbio para captar recursos e financiar suas atividades. Ou seja, quem compra uma LC está emprestando dinheiro para a financeira emprestar para outras pessoas e empresas.

Em troca, o investidor que adquiriu a LC recebe uma remuneração, que é justamente a rentabilidade do investimento. Esse rendimento já é acordado no ato do investimento.

Rentabilidade

As Letras de Câmbio costumam pagar um pouco mais que os CDBs de mesmo prazo. Isso porque as financeiras normalmente têm maior dificuldade de captação de recursos que os bancos, mesmo os de médio porte, o que as obriga a oferecer remunerações maiores para atrair investidores.

Pós-fixadas

A maioria das LCs é pós-fixada, com remuneração expressa na forma de um percentual da taxa DI. Geralmente, as LC pós-fixadas pagam 100% do CDI ou mais.

A taxa DI, ou simplesmente CDI, é a taxa de juros das operações interbancárias, que segue de perto a Selic e é usada como referência para a remuneração da renda fixa.

Prefixadas

Pode haver também LCs prefixadas, que pagam uma taxa acordada no ato do investimento, sem correção por qualquer indexador. Por exemplo, 10% ao ano, 12% ao ano, 8% ao ano, e assim por diante.

Híbridas (prefixada + pós-fixada)

Finalmente, a rentabilidade da LC pode também ser atrelada à inflação, expressa na forma de uma taxa prefixada mais a variação da inflação pelo IPCA.

Em quanto tempo dá para resgatar?

Existem Letras de Câmbio de curto, médio e longo prazo, de 90 dias a mais de cinco anos. Para investir nesses papéis é recomendado casar a data de vencimento com a data em que se pretende usar os recursos. Isso porque as LC não podem ser resgatadas antes do vencimento.

Se o investidor precisar reaver os recursos investidos antes do vencimento, deverá vender o papel a outro investidor interessado no mercado secundário. Nesse caso, a rentabilidade, se houver alguma, pode ser bem diferente da remuneração contratada. Esta só é garantida para quem leva o papel até o fim do prazo.

Qual é o mínimo para investir?

O investimento mínimo em LC também costuma variar bastante, mas em geral essa aplicação é bastante acessível à pessoa física.

Assim como ocorre com outros títulos de renda fixa privada, é comum que a remuneração seja maior para quem tem mais recursos para investir. Porém, com alguns poucos milhares de reais já é possível comprar uma Letra de Câmbio que pague 100% do CDI ou mais.

E os riscos?

As Letras de Câmbio têm risco de liquidez, uma vez que devem ser levadas até o vencimento. Vendas antecipadas podem sacrificar os rendimentos.

Em função disso, esses títulos não devem ser utilizados para objetivos como a reserva de emergência, que exigem investimentos que possam ser facilmente resgatados a qualquer momento, sem perda de rentabilidade.

Para essa finalidade, é mais aconselhável aplicar em CDBs, títulos públicos Tesouro Selic (LFT) ou em fundos de renda fixa conservadora.

Quanto ao risco de crédito, o investidor está exposto ao risco de calote da financeira que emitiu a LC. Isso faz com que as LC sejam, em tese, mais arriscadas que os títulos emitidos por bancos, como CDBs, LCIs e LCAs.

É que as financeiras são instituições de pequeno e médio porte, cuja atuação é concentrada em setores econômicos específicos, como financiamento de veículos, empréstimo consignado, financiamento de maquinário, entre outros.

Elas costumam fazer empréstimos apenas para determinados tipos de clientes, ficando muito expostas aos riscos específicos dos nichos em que atuam.

Entretanto, a garantia do FGC mitiga esse risco e na prática iguala as LC aos CDBs e à caderneta de poupança para quem não for investir acima do limite garantido.

O FGC cobre os investimentos em LC e em outras aplicações garantidas até um limite de 250 mil reais por CPF, por instituição financeira, e até um limite global de um milhão de reais somando-se todas as instituições financeiras. Entenda aqui o funcionamento do FGC.

Assim, respeitado os limites de cobertura, as LC são tão seguras quanto a poupança e os CDBs. Em caso de quebra da financeira que emitiu o papel, o investidor é ressarcido pelo fundo.

Preste atenção na cobrança do Imposto de Renda

Não há cobrança de taxas para o investimento em LC. Quanto aos impostos, são válidas as mesmas regras dos CDBs. Os rendimentos sofrem a cobrança de imposto de renda na fonte, de acordo com a tabela regressiva válida para as aplicações financeiras:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Investimentos de prazo inferior a 30 dias também sofrem cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os rendimentos. O desconto de IOF segue a seguinte tabela regressiva:

Número de dias decorridos após a aplicaçãoIOF (%)Número de dias decorridos após a aplicaçãoIOF (%)
1961646
2931743
3901840
4861936
5832033
6802130
7762226
8732323
9702420
10662516
11632613
12602710
1356286
1453293
1550300

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Leonardo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens por grandes veículos da imprensa brasileira, como TV Cultura, Veja e Estadão. Especializou-se em jornalismo econômico, com aprovação pela FGV, no curso de trainee promovido pelo Grupo Estado.

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