Investidores em renda fixa ficaram em pânico na última quinta-feira (18) com o baque negativo que os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação levaram. Os preços dos títulos, assim como os das ações, derreteram com as notícias revelando o conteúdo da delação premiada dos donos do frigorífico JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista. Vazada, a delação da JBS implicava o presidente Michel Temer em um escândalo de corrupção.

Houve título chegando a se desvalorizar quase 20%. Na sexta-feira (19), as quedas continuaram, ainda que mais modestas. Nesta segunda, já ocorre uma certa recuperação.

Não só os investidores do Tesouro Direto foram afetados, mas também aqueles que investem por meio de fundos, como os fundos IMA-B e outros fundos de renda fixa e multimercados que investem nesse tipo de papel.

Para muitos, retorno negativo em renda fixa foi uma surpresa. Como assim perder dinheiro em algo que é considerado seguro? E títulos do Tesouro Nacional, ainda por cima, que são garantidos pelo governo federal?

O que aconteceu foi o seguinte: o conteúdo da delação da JBS a respeito de Temer é grave, a ponto de ameaçar seu mandato. Com isso, o risco político aumentou, arrastando junto as perspectivas econômicas.

Se antes o mercado previa uma recuperação, as novas informações trouxeram de volta incertezas acerca da economia, aumentando o risco do país. Isso fez com que as expectativas para a taxa de juros, que antes eram de queda, disparassem. E como você vai ver, tal perspectiva atinge em cheio os preços dos títulos públicos prefixados.

Alguns títulos públicos podem se desvalorizar

É possível ter perdas na renda fixa, mesmo aquela que é considerada mais conservadora.

É bem verdade que os títulos públicos são as aplicações de menor risco da economia, mas apenas no que diz respeito ao risco de crédito (isto é, o risco de tomar um calote) e de liquidez, pois eles podem ser vendidos a qualquer momento.

Por serem emitidos pelo governo federal, que tem o poder de emitir moeda para pagar suas obrigações, o risco de tomar calote ao investir em títulos públicos é mínimo.

Acontece que alguns títulos públicos têm considerável risco de mercado. Aqueles que têm parte ou a totalidade da remuneração prefixada têm um risco de mercado um pouco maior do que os papéis atrelados à taxa básica de juros, a Selic.

Estamos falando dos títulos chamados de Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F), que pagam uma taxa prefixada (acordada no ato da compra), e daqueles chamados de Tesouro IPCA+ (NTN-B e NTN-B Principal), que pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação.

Pela forma como é calculado o preço desses títulos, eles se valorizam quando as perspectivas do mercado são de queda na taxa de juros. Inversamente, eles se desvalorizam quando há expectativa de alta nos juros, dando retorno negativo. Foi o que aconteceu no fim da semana passada.

Entenda com mais detalhe como funcionam os preços dos títulos de renda fixa.

Vazamento da delação da JBS trouxe de volta a incerteza política

Antes das revelações do jornal “O Globo”, o mercado vinha animado com perspectivas de melhora na atividade econômica.

O governo vem tentando aprovar reformas consideradas essenciais para reequilibrar as contas públicas. Ao mesmo tempo, a inflação cedeu, e com a fraca atividade econômica, deve continuar sob controle. Isso abriu caminho para o Banco Central começar a cortar a taxa Selic, que caiu de 14,25% ao ano em outubro de 2016 para 11,25% ao ano em abril de 2017.

Entenda a relação da Selic com a inflação e com o seu bolso.

A queda na taxa básica de juros favorece a atividade econômica. O mercado projetava taxas de juros menores para o futuro, na esteira de uma inflação mais controlada, uma melhora econômica e à espera de novos cortes na Selic.

Esse tipo de cenário reduz a rentabilidade das aplicações financeiras atreladas à taxa DI e à Selic, como o título público Tesouro Selic (LFT), os CDBs, as LCIs, as LCAs e os fundos DI, queridinhos dos brasileiros.

Por outro lado, favorece os ativos com um pouco – ou muito – mais de risco, como é o caso dos títulos de renda fixa prefixados ou atrelados à inflação, as ações, os imóveis e os fundos imobiliários.

Com isso, os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação se tornaram investimentos atrativos. Investidores do Tesouro Direto começaram a se voltar para eles, assim como os fundos de renda fixa e multimercados.

Na quarta-feira, 17 de maio, veio a bomba. Reportagem do jornal “O Globo” revelou uma gravação feita por Joesley Batista, dono da JBS, de uma conversa sua com o presidente Michel Temer que levantava suspeitas sobre seu envolvimento com atos ilícitos. Imediatamente, a possibilidade de investigação, renúncia ou até mesmo impeachment do presidente veio à tona.

O que aconteceu na quinta-feira foi um aumento de incertezas com uma reversão de expectativas. As novas informações trouxeram de volta o fantasma da incerteza política, o que gera também muita certeza econômica. O presidente poderia cair? As reformas ainda seriam implementadas? O que vai acontecer com a economia?

Com isso, as expectativas para as taxas de juros dispararam, impactando negativamente os títulos prefixados. Repare que, nesse caso, a expectativa de alta não se deveu às perspectivas para a inflação, que pouco se alteraram. A questão aqui foi aumento do risco da economia, em função da grande incerteza política gerada com esse novo escândalo.

Investidor só perde dinheiro se vender o título

As quedas nos preços dos títulos prefixados continuaram na sexta-feira e nesta segunda já houve certa recuperação. Os títulos de prazo maior, que são mais voláteis, tiveram perdas no geral maiores do que aqueles de vencimento mais próximo, como costuma ocorrer em situações assim.

Entre a manhã do dia 17, antes das denúncias, e a manhã de sexta (19), o título Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) com vencimento em 2035 desvalorizou quase 18%. O Tesouro Prefixado (LTN) com vencimento em 2023 perdeu quase 10%.

No susto, muitos investidores venderam seus papéis, temendo maiores prejuízos. Mas essa afobação pode ter-lhes custado caro.

Primeiro porque, quando uma notícia como essa sacode o mercado, muitas vezes o melhor é ficar onde está, porque o baque no primeiro momento tende a ser exagerado, seguido de algum tipo de recuperação.

Segundo porque, no caso específico dos títulos públicos, o prejuízo só é de fato realizado quando você vende o papel com desvalorização.

Se você leva o título até o vencimento, você vai receber exatamente a rentabilidade acordada no ato da compra. Se foi de 10% ao ano, você vai receber 10% ao ano; se foi de 5% ao ano mais IPCA, será de 5% ao ano mais IPCA. Não importa o que aconteça no meio do caminho com o preço do papel.

Só que quando você vende o título antes do vencimento, você deve vendê-lo pelo preço de mercado, que muda a todo momento de acordo com as expectativas para a taxa de juros. Se vender por um preço menor do que comprou, aí certamente perderá dinheiro.

É preciso ter cuidado ao especular com títulos públicos. A venda em um momento errado pode sim causar prejuízos. Mas se você não precisa do dinheiro imediatamente, o melhor pode ser esperar. Na pior das hipóteses, até o vencimento do papel.

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