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Como a taxa Selic e a reunião do Copom afetam seu bolso

Por 2 de março de 2016 Nenhum comentário

Você já deve ter ouvido falar no Copom ou na taxa Selic, e talvez até saiba o que significam essas siglas. Mas você sabe realmente como elas afetam a sua vida e o seu bolso?

Nesta quarta-feira termina mais uma reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil.

O Copom tem a função de estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa básica de juros, a Selic. Ele é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do BC, integrada por seu presidente e diversos diretores.

Oito vezes ao ano, o comitê se reúne por dois dias, analisa a conjuntura econômica e, com base nela, determina a meta para a taxa Selic. E é isso que vai acontecer nesta quarta-feira.

A imprensa divulga a meta da Selic assim que ela é definida. Você provavelmente já viu uma série de notícias por aí a respeito. E essa taxa de juros faz bastante diferença na sua vida financeira.

O que é a taxa Selic

A taxa Selic é a taxa média de juros dos financiamentos diários realizados entre instituições financeiras e que têm lastro em títulos públicos federais.

Em outras palavras, é a taxa média de juros dos empréstimos feitos entre bancos com a duração de um dia, para os quais aqueles que estão captando os recursos deixam como garantia títulos públicos federais. São as chamadas operações compromissadas.

Os bancos lançam mão dessa forma de financiamento porque, ao fim do dia, o tamanho de suas reservas precisa atender às exigências do Banco Central para que o sistema financeiro se mantenha saudável.

Assim, as instituições financeiras que têm menos dinheiro que o necessário recorrem a empréstimos com aquelas que têm recursos sobrando.

A taxa Selic diária é variável, pois depende da oferta e demanda por empréstimos entre as instituições financeiras. O valor da taxa pode, desta forma, ficar um pouco acima ou um pouco abaixo do valor estabelecido como meta pelo Banco Central.

selic baixa

Para que a Selic se direcione para a meta estabelecida pelo Copom em sua última reunião, o Banco Central faz operações de compra e venda de títulos públicos.

Ao comprar títulos públicos das instituições financeiras, a quantidade de dinheiro em circulação na economia aumenta. Como a taxa de juros nada mais é que o custo do dinheiro, a maior oferta de recursos faz a Selic cair.

Quando a intenção é tirar dinheiro de circulação, o BC vende títulos, e a Selic sobe, pois o dinheiro fica mais escasso. É a lei da oferta e da procura.

É a isso que se referem as notícias que falam que o Banco Central “injetou” ou “retirou” dinheiro da economia.

É importante frisar que o BC não emite os títulos públicos – no Brasil, apenas o Tesouro Nacional pode emiti-los atualmente.

Mas o BC é a entidade que tem o monopólio da emissão da moeda, e é por meio da compra e venda de títulos e do estabelecimento da meta da taxa Selic que ele controla a quantidade de moeda que circula na nossa economia.

Por fim, Selic é uma sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sistema informatizado que se destina à custódia dos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, bem como ao registro e liquidação das operações feitas com esses títulos.

Por que o governo aumenta e reduz a Selic

Grosso modo, portanto, a meta da taxa Selic serve para que o governo consiga controlar a quantidade de dinheiro que circula na nossa economia.

A Selic é considerada a “taxa livre de risco” do Brasil. Ela está associada ao risco da economia brasileira como um todo, mais especificamente ao risco do governo federal, e serve de parâmetro para a remuneração dos títulos emitidos pelo Tesouro e de uma série de outros investimentos.

Como os títulos públicos são o refúgio menos arriscado para o dinheiro dos investidores, para uma atividade econômica ser atrativa – seja emprestar dinheiro, no caso dos bancos, seja investir na construção de uma fábrica, no caso de uma indústria – é preciso que o retorno médio daquela atividade supere a Selic, para compensar o risco do investimento.

Assim, a Selic acaba servindo como parâmetro não só para a remuneração dos títulos públicos, como para os custos dos empréstimos a pessoas físicas e jurídicas e, consequentemente, para a atratividade de todas as atividades produtivas.

Quando a atividade econômica precisa de um empurrãozinho, o aumento da quantidade de moeda em circulação e a consequente queda da taxa Selic fazem com que os empréstimos se tornem mais abundantes e baratos e as atividades econômicas produtivas se tornem mais atraentes.

Dessa forma, fica mais fácil e barato ganhar mais que a Selic com investimentos mais arriscados que a compra de títulos públicos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas; da mesma maneira, fica mais fácil consumir, pois o crédito é mais acessível e barato.

Contudo, quando a atividade econômica está aquecida demais, a oferta de bens e serviços pode acabar não atendendo à demanda, fazendo com que os preços tenham uma elevação geral – a nossa tão conhecida inflação.

E o que eu tenho a ver com isso?

A essa altura do campeonato você já deve estar começando a entender como isso afeta a sua vida.

Em primeiro lugar, a taxa Selic é a forma de o governo controlar a inflação e o ritmo da atividade econômica.

Assim, quando a inflação começa a preocupar, torna-se mais provável que o Banco Central eleve a meta da Selic; quando a inflação arrefece, chegando mais perto de um ponto que o governo considere adequado, torna-se mais provável que o governo mantenha ou reduza a meta da Selic.

Elevações na taxa básica de juros também tornam os empréstimos e financiamentos mais caros e vice-versa, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.

Quanto mais alta a Selic, mais caros serão os financiamentos de bens de consumo como carros e eletrodomésticos, o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, por exemplo. Cenários de juros altos não são bons para se endividar.

O contrário acontece com os investimentos conservadores. Os títulos Tesouro Selic (LFT) são títulos públicos cuja remuneração acompanha a taxa Selic. Assim, sua remuneração aumenta com a elevação da taxa.

Aplicações que pagam o juro CDI – taxa de juros de outro tipo de empréstimo interbancário, que se aproxima da Selic – também têm a remuneração elevada quando a Selic sobe. É o caso de CDBs, LCIs e LCAs, emitidos por bancos.

Da mesma forma, os fundos de renda fixa que investem nesses papéis também se tornam mais atrativos.

Por outro lado, investimentos mais arriscados tendem a ir mal quando a Selic está alta, uma vez que os investimentos mais seguros se tornam mais atrativos. É o caso das ações e dos fundos imobiliários.

Além disso, empresas e empreendimentos imobiliários tendem a se sair melhor quando eles e a população têm acesso barato ao crédito, o que favorece os investimentos e o consumo.

Juros altos favorecem renda fixa

A taxa Selic no Brasil é historicamente alta em relação à taxa básica de juros de outros países, principalmente as nações desenvolvidas, onde ela se aproxima de zero.

Ou seja, o Brasil é um país onde a renda fixa – investimentos em que o investidor empresta dinheiro para empresas e para o governo e ganha juros por isso – tem sido favorecida, mesmo após nossa estabilização econômica com o Plano Real.

É claro que não se pode cair na armadilha de esquecer a inflação. Juros altos em geral estão associados à inflação alta. Então o importante é o que o investidor ganha acima da inflação, que é de fato o crescimento do seu patrimônio.

Juros altos também são sinônimos de dívidas caras e de dificuldade em quitá-las, principalmente quando estão atrasadas. A inadimplência, portanto, é uma ameaça real à saúde financeira do brasileiro.

Quer saber mais sobre os investimentos de renda fixa? Entenda o que são e como funcionam CDB, as LCI e LCA, os fundos de investimento, os títulos públicos e conheça os três investimentos de baixo risco que são mais rentáveis que a poupança.

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