Seja você um investidor de renda fixa ou renda variável, observar as movimentações da taxa Selic e da inflação é importante. Isso porque ambas podem gerar impactos na sua carteira de investimentos.

Investimentos de renda fixa, por exemplo, costumam render menos com a Selic baixa, de modo que muitos investidores buscam saber onde investir nessas ocasiões. A situação tende a ser pior nos cenários em que a inflação supera a taxa básica de juros.

Se você não quer correr o risco de perder dinheiro em razão das variações da taxa Selic e da inflação — saiba mais sobre a relação entre elas e seus impactos nos investimentos. Confira a seguir!

O que é a taxa Selic?

Antes de saber a relação entre a Selic e a inflação, é preciso conhecer o conceito de cada uma delas. Vamos começar pela taxa Selic. Essa sigla representa Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Ela é a taxa básica de juros da economia no Brasil. De acordo com a definição do Banco Central (Bacen), trata-se da taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no sistema para títulos federais.

Logo, o percentual da Selic aponta quanto o Governo paga de juros para aqueles que compram títulos de dívida pública do Tesouro Nacional. E a meta desse percentual é definido a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Por ser a taxa básica brasileira, ela é utilizada para o cálculo dos juros cobrados em financiamentos, consórcios, empréstimos e outros produtos bancários. Além disso, cumpre mais objetivos na economia — como regular a inflação e controlar a emissão, compra e venda de títulos públicos.

Como a Selic funciona?

Para compreender o funcionamento da taxa Selic é pertinente conhecer um pouco mais sobre a sua história.

Depois de o Brasil sofrer décadas com a hiperinflação nos anos de 1980, ele conseguiu estabilizá-la na década seguinte com o plano real. Então em 1996 foi criado o Copom, com o propósito de definir a taxa de juros básica da economia nacional e seguir controlando a inflação.

Foi estabelecido que anualmente seriam realizadas 8 reuniões para definição dessa taxa. Logo, a cada 45 dias os integrantes do Copom se reúnem para apontar a meta da taxa Selic. Eles decidem se haverá aumento, manutenção ou diminuição, com base no cenário econômico do período.

No geral, a Selic meta é a taxa que todos se referem quando se fala que a Selic subiu ou caiu. Porém, existe também a chamada Selic over — que se refere ao percentual real que está sendo colocado em prática na economia.

Ela depende do comportamento diário do mercado. Por uma regra do Bacen, os bancos não podem encerrar o dia com o caixa negativo. Por isso, muitos deles solicitam empréstimos a outros bancos com prazo de 24 horas.

Para mitigar o risco dessa operação, eles são garantidos com títulos de dívida emitidos pelo Governo. Então a média das negociações que acontece entre os bancos todos os dias embasa a taxa Selic over. Isto é, a taxa de juros real.

O ideal é que a Selic meta e a Selic over sejam próximas. Quando existe um desequilíbrio, o Bacen pode intervir negociando os títulos públicos para aproximar seus valores.

O que é a inflação?

A inflação, por sua vez, pode ser resumida como o índice que representa o aumento de preço de produtos e serviços. Ela implica na diminuição do poder de compra da moeda.  Essa perda pode ser medida por diversos índices de preços.

O principal indicador nesse sentido é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ele é utilizado como referência para o regime de metas para a inflação do Brasil.

O Bacen trabalha para manter a inflação sob controle, evitando que ela fique muito alta ou muito baixa. Isso porque o fenômeno gera incertezas na economia, podendo desestimular investimentos no país e prejudicar o crescimento econômico.

Uma inflação muito alta, por exemplo, causa impactos na vida cotidiana, desaquece a economia e aumenta o custo da dívida pública. Por outro lado, uma inflação muito baixa também pode prejudicar o funcionamento da economia.

Imagine que uma empresa adquira um estoque hoje, e amanhã os preços daqueles produtos caiam pela metade. A depender do prejuízo, ela poderá ser obrigada a encerrar suas atividades, gerar desemprego etc.

No mesmo sentido, o consumo de modo geral pode ficar estagnado se houver a perspectiva de que os preços dos produtos podem ficar mais baratos no curto prazo, por exemplo. Isso poderá gerar um efeito em cadeia em cada setor da economia, deprimindo a atividade econômica no país.

Como a inflação funciona?

A inflação é calculada por meio da média ponderada da variação de preços dos produtos avaliados. Quanto maior for a importância de um item no consumo das famílias, mais peso ele terá no cálculo. Ademais, a inflação se divide em três principais tipos: a inflação de demanda, de custo e a inercial.

A primeira está relacionada à procura por produtos ou serviços. Assim, quanto maior for a demanda do produto em relação à sua oferta, mais seu preço aumenta. Esse efeito costuma ser sentido quando a economia está aquecida, já que o desemprego diminui, as famílias consomem mais, etc.

A inflação de custo se dá quando a demanda de consumo de um país se mantém constante, mas os custos de produção aumentam. Por exemplo, aumenta-se o custo com matéria-prima, salários, impostos, taxas de juros e assim por diante.

A inflação inercial não está relacionada com oferta, demanda ou custos, mas com a memória inflacionária. Nesse sentido, a inflação atual será resultado do índice inflacionário passado acrescido da expectativa da inflação futura.

Qual é a relação entre a taxa Selic e a inflação?

É importante entender a relação entre a taxa Selic e a inflação. Isso porque ambas estão ligadas à economia do país e ao consumo — e uma das funções da taxa básica de juros é ajudar a manter a inflação equilibrada.

A taxa Selic normalmente faz isso ao controlar os juros fornecidos ao mercado. Assim, sempre que ela oscila, os empréstimos bancários ficam mais caros ou mais baratos. Nesse sentido, o consumo poderá ser estimulado ou desestimulado com base no custo de crédito.

A inflação não pode ser estabelecida por um órgão, sendo resultado de uma variação contínua e generalizada dos preços de produtos e serviços. Com preços mais caros o mercado fica desaquecido e o consumo reduz — acontecendo o oposto quando os preços diminuem.

Desse modo, a manipulação da taxa Selic é uma das formas que o Governo tem disponível dentro da política monetária para controlar a inflação. Por exemplo, quando o IPCA está alto, o Copom tende a aumentar a Selic. Assim, o crédito fica mais caro e o consumo diminui, reduzindo a inflação.

Já em um momento que o Governo queira estimular o consumo, o Copom reduz a Selic. Com isso, o crédito fica mais acessível e a tendência é as famílias consumirem mais.

A Selic também pode ser utilizada para equilibrar a economia em momentos de crise. Na pandemia de Covid19 em 2020, por exemplo, a Selic foi reduzida para 2% ao ano, o menor patamar já registrado.

Em contrapartida, em agosto de 2021 a Selic subiu para 5,25%, fazendo parte do plano do Governo em conter o aumento da inflação que acumulava 8,99% na ocasião. Logo, é perceptível a relação e a importância de ambos os indicadores para a economia, certo?

Como a inflação e a Selic impactam os investimentos?

Tanto a inflação quanto a Selic têm relação com diversos investimentos. Por exemplo, há alternativas em renda fixa que possuem rendimentos atrelados à Selic ou ao IPCA. Portanto, se você já é um investidor ou está querendo começar a investir precisa estar atento a esses índices.

Saiba mais!

Qual é a rentabilidade da renda fixa?

Existem três principais tipos de rendimento nos investimentos de renda fixa: o prefixado, o pós-fixado e o híbrido. Entenda:

  • títulos prefixados: pagam apenas uma taxa de juros nominal, predeterminada e já conhecida no ato do investimento, sem qualquer indexador;
  • títulos pós-fixados: costumam estar atrelados a algum índice de mercado, como a Selic ou o certificado de depósito interbancário (CDI);
  • títulos híbridos: têm parte da rentabilidade prefixada e outra pós-fixada. Geralmente, são atrelados ao IPCA e se apresentam assim: “IPCA + 2,47% a.a.”, por exemplo.

No Tesouro Direto, existem títulos públicos com cada uma dessas rentabilidades. Os prefixados chamam-se Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro Prefixado com juros semestrais (NTN-F). Já o título pós-fixado é o Tesouro Selic (LFT) e paga 100% da variação da Selic no período.

Por fim, os títulos públicos híbridos são atrelados à inflação: o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais (NTN-B).

As três modalidades de rendimento também podem ser encontradas em títulos privados, como o certificado de depósito bancário (CDB), a letra de crédito imobiliário (LCI) e a letra de crédito do agronegócio (LCA), entre outros.

Muitos deles costumam pagar um percentual do CDI (que fica próximo da Selic) até sua data de vencimento. Outros podem ter taxas prefixadas ou atreladas à inflação, como debêntures, fundos de investimento de renda fixa etc.

Qual retorno eu posso ter na renda fixa?

Ao entender as formas de rendimento, você pode saber mais sobre que ganhos consegue ter na renda fixa. Os títulos pós-fixados, como vimos, são corrigidos pelos seus indexadores. Assim, quanto maior a Selic/CDI, maior será a remuneração do título.

Já os prefixados e híbridos atrelados à inflação tendem a se valorizar quando a expectativa é de queda na Selic/CDI até sua data de vencimento — desvalorizando-se quando a expectativa é de alta nos juros.

Se o investimento for mantido até o vencimento, eles pagam exatamente a rentabilidade contratada. Porém, se vendidos ou resgatados antecipadamente, o investidor receberá o preço de mercado (influenciado pela chamada de marcação a mercado).

Assim, na venda antecipada a rentabilidade poderá ser tanto positiva quanto negativa. Se for positiva, pode inclusive chegar a ser proporcionalmente maior do que a rentabilidade que o investidor teria se tivesse levado o papel ao vencimento.

E em relação à renda variável?

Embora grande parte dos investimentos de renda variável não sejam indexados pela Selic ou IPCA, a variação das taxas pode impactar no mercado. Isso porque, com juros mais altos, por exemplo, a rentabilidade e a segurança da renda fixa podem atrair mais investidores.

Normalmente, os ativos e derivativos de renda variável são precificados com base na lei da oferta e demanda. Assim, uma eventual migração dos investidores para a renda fixa, com base no aumento das taxas de juros, poderá ocasionar uma diminuição nos preços dentro da renda variável.

Já em períodos de taxas de juros reduzidas acontece o contrário. Ou seja, mais investidores resgatam suas aplicações de renda fixa e buscam alternativas de renda variável, aumentando a demanda e, consequentemente, os preços.

Como investir considerando a Selic e a inflação?

Agora você sabe que a Selic e a inflação podem impactar diversos investimentos — mesmo aqueles que não são indexados nos índices. Depois de entender a dinâmica, é possível se perguntar: como investir a partir desses conceitos?

As decisões de investimentos cabem a cada pessoa, de acordo com o seu perfil de investidor e seus objetivos. Mas vale também ficar atento ao cenário econômico. Por exemplo, se você tem planos de longo prazo, é importante se proteger da inflação.

Afinal, há o risco de o dinheiro perder poder de compra ao longo do tempo e acabar valendo menos no resgate. Assim, embora a taxa Selic seja utilizada para controlar a inflação e costume acompanhar o índice, nem sempre isso acontecerá. Logo, ter títulos indexados à inflação pode ser interessante.

Além disso, lembre-se de diversificar a sua carteira com investimentos variados — inclusive, mesclando renda fixa e variável, se combinar com o seu perfil. Assim, é possível equilibrar segurança e risco, em diferentes cenários relacionados à Selic ou à inflação.

Caso você tenha dificuldade para descobrir e entender investimentos, pode contar com uma assessoria. Os profissionais o ajudarão e apresentarão oportunidades adequadas para seu perfil e objetivos.

Agora você sabe como a Selic e a inflação influenciam não apenas na vida cotidiana dos brasileiros, mas também nos investimentos. Conhecendo o funcionamento dos índices, pode ficar mais fácil compreender a dinâmica do mercado e tomar decisões!

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