Você deve ter visto por aí várias manchetes dizendo que a taxa Selic caiu, né? E isso mesmo! A taxa básica de juros da economia brasileira foi reduzida pelo Banco Central de 6,5% para 6%. Ok, mas o que isso tem a ver com o nosso dinheiro e com os investimentos? Tudo! Por isso, vamos te explicar aqui o que você precisa saber para tomar algumas atitudes, aproveitar melhor as oportunidades financeiras do mercado e se proteger de possíveis perdas ou maus investimentos. O bom investidor precisa estar atento a isso!

O que é a taxa Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia. O nome vem da sigla Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Ela é utilizada pelo Banco Central para cobranças em empréstimos feitos a outras instituições financeiras e funciona como referência para as demais taxas de juros cobradas no mercado como, cartão de crédito, cheque especial, financiamentos e, claro,  investimentos.

Na prática, a Taxa Selic é uma espécie de mecanismo utilizado pelo governo para controlar a inflação e o ritmo da atividade econômica no país. Quando ela está em um patamar alto significa que “o dinheiro está caro”. Isso quer dizer que o momento exige mais controle financeiro e atenção aos gastos. Por outro lado, se a Taxa Selic fica mais baixa, o momento é propício para estimular o consumo e a movimentação econômica.

A cada 45 dias, o Conselho de Política Monetária (COPOM) se reúne para definir os rumos da taxa. Há alguns anos, no auge da crise brasileira, a taxa chegou a 14,25%. No entanto, o ciclo de baixa se foi forte e ainda se mantém, chegando ao patamar atual de 6% – o menor juro da história do Brasil. A tendência, segundo o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, é que a Selic feche 2019 em torno de 5%, considerando que a reforma da Previdência seja aprovada no Senado.

Como a queda da Selic impacta nos investimentos?

Apesar de já ter visto esse filme, a verdade é que o brasileiro está muito mais habituado a juros altos. Um valor de 6,00% ao ano não é exatamente baixo em comparação a outros países, mas para a realidade brasileira é.

Estamos acostumados a pagar juros altos em empréstimos e financiamentos, mas também a ganhar dinheiro sem esforço e sem sustos na segurança da renda fixa. Bastava pôr os recursos em uma aplicação financeira de baixo risco para garantir uma rentabilidade de 1% ao mês ou até mais. Essa era a realidade brasileira antes do ciclo de baixa da Selic.

Mas quando a taxa básica de juros cai tanto, o cenário fica diferente: há mudanças na remuneração da caderneta de poupança, que fica ainda menos rentável, e o rendimento da renda fixa conservadora também cai.

A maioria das aplicações de renda fixa de baixo risco tem rentabilidade atrelada à taxa de juros DI (ou CDI, como o mercado chama popularmente), que se aproxima da Selic, mas costuma ficar um pouco inferior.

Por isso, quem quiser obter rentabilidades maiores, será preciso tomar um pouco mais de risco. E por risco entenda-se também abrir um pouco mão da liquidez.

Acalme-se: Selic em baixa é um bom sinal!

Não se apresse em logo colocar a Selic em baixa como vilã. Ela não é inimiga do investidor! Como já falamos aqui no blog, a Selic mais baixa estimula o crescimento econômico, a geração de empregos e barateia o crédito. É sinal de que a economia tende a se recuperar e a encontrar rumos melhores.

Além disso, a Selic normalmente só é reduzida quando a inflação está baixa e sob controle, que é exatamente o que está acontecendo agora. Então, mesmo se o investidor receber uma rentabilidade menor, é mais fácil ganhar acima da inflação.

Não fuja totalmente da Renda Fixa

Mesmo com uma rentabilidade menor na renda fixa conservadora, o investidor não deve abrir mão dela. É fundamental que todos os investidores mantenham parte das suas reservas nesse tipo de investimento independentemente da rentabilidade e das circunstâncias econômicas. Sabe por quê?

Uma carteira de investimentos precisa de diversificação. E a renda fixa conservadora serviria para dar liquidez e formar uma reserva de emergência, obedecendo aos objetivos de curto prazo.

Vendo por esse lado, a segurança acaba sendo mais importante do que a rentabilidade, desde que esta esteja acima da inflação.

Além disso, diferentes opções de investimentos conservadores podem oferecer diferentes rentabilidades líquidas, então você pode e deve ir atrás da melhor rentabilidade possível entre as alternativas de baixo risco.

Há, por exemplo, fundos de renda fixa conservadora de baixas taxas de administração, CDBs com liquidez diária que pagam bons percentuais do CDI e os títulos públicos do Tesouro Direto, como os prefixados (que não são afetados pela Selic).

Renda fixa também traz oportunidades

Outra opção são os títulos de renda fixa de prazo maior e sem liquidez diária. Ao abrir mão da liquidez e/ou topar ficar com o título por um prazo longo, o investidor consegue rentabilidades maiores.

Estamos falando de CDBs, LCIs, LCAs, certos tipos de títulos públicos e também de debêntures, que são títulos de dívida emitidos por empresas para se financiarem. Estes últimos também se beneficiam quando o cenário econômico é mais saudável e as perspectivas são de crescimento.

As remunerações podem ser tanto atreladas ao CDI quanto prefixadas (acordadas no ato do investimento) ou indexadas a um índice de inflação.

Há três possíveis características que tornam esses títulos menos conservadores. A primeira é a impossibilidade de resgate antes do vencimento, o que acontece com muitos CDBs, LCIs e LCAs que pagam uma remuneração mais alta. O investidor é obrigado a ficar com o papel até o final.

A segunda são os prazos maiores. Quanto maior o prazo, maior a remuneração no vencimento.

A terceira é pela perda de rentabilidade ou pela possibilidade de retorno negativo em caso de resgate antecipado.

Quando o resgate antes do vencimento é possível, ele pode exigir que o investidor abra mão de parte da remuneração para ter seu dinheiro de volta. Ou então o investidor fica sujeito a oscilações nos preços dos títulos, que podem resultar em retornos negativos caso resgate antes do vencimento.

Os investidores brasileiros não gostam muito de abrir mão de liquidez. Faz parte do kit gato escaldado nos tempos difíceis. Mas numa situação de economia mais estável e em rota de recuperação, fica menos inseguro abrir mão da liquidez e pensar mais no longo prazo.

Para fazer isso de forma inteligente, o investidor deve casar a data em que pretende usar os recursos com a data de vencimento das aplicações que não podem ou não devem ser resgatadas antecipadamente.

Além disso, como já dissemos, não deve prescindir daquela reserva de emergência aplicada em investimentos de baixo risco e liquidez diária. Saiba mais sobre Renda fixa com o nosso ebook.

Investir na Bolsa é uma oportunidade

Com a Selic em baixa, surgem com maior evidência os investimentos menos conservadores, que, geralmente, têm mais risco e, portanto, maior possibilidade de rendimentos maiores.

Quando se fala em tomar mais risco, os investidores costumam logo pensar em ações e fundos de ações. De fato, um cenário com baixa taxa de juros e perspectivas de crescimento econômico favorecem essas aplicações.

Juros baixos e inflação controlada são circunstâncias que favorecem o crescimento das empresas e, consequentemente, o desempenho de suas ações.

Em uma economia saudável, o investimento em ações pode trazer retornos formidáveis aos investidores, muito maiores do que os da renda fixa em tempos de juro alto.

Mas nem todo mundo se sente à vontade em correr esse tipo de risco. E algumas pessoas não estão dispostas a investir grande parte dos seus recursos em ações e fundos de ações. Nem por isso esses investidores precisam ficar restritos à renda fixa tradicional.

Para ganharem rendimentos maiores, podem recorrer a investimentos moderados, capazes de render mais com apenas um pouco mais de risco.

É o caso dos fundos imobiliários, fundos de investimento que aplicam em imóveis ou papéis de renda fixa usados para financiar empreendimentos imobiliários.

Fundos Imobiliários

Quando a Selic está baixa, seus rendimentos – geralmente frutos de aluguel dos imóveis da carteira – conseguem superá-la mais facilmente. Além disso, assim como ocorre com as ações de empresas, o mercado imobiliário se beneficia de um cenário de juros baixos e inflação controlada. Ele tende a se desenvolver quando a perspectiva é de crescimento econômico.

Os fundos imobiliários têm duas vantagens que os tornam particularmente atraentes para as pessoas físicas: isenção de IR sobre os rendimentos e alta liquidez, pois suas cotas são negociadas em bolsa de valores como se fossem ações.

Mas atenção: a remuneração dos fundos imobiliários pode sofrer impactos negativos – por exemplo, em caso de inadimplência de inquilinos ou vacância alta nos imóveis da carteira – e as cotas podem tanto se valorizar quanto se desvalorizar.

Assim, convém manter em mente que não se trata de um investimento ultraconservador, mas sim de uma aplicação moderada para quem quer tentar ganhar mais em tempos de juros baixos.

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Fundos de Investimento

Finalmente, existem também os fundos de investimento moderados, para aqueles investidores que não estão muito a fim de tomar decisões por conta própria.

Eles podem ser tanto de renda fixa, com um percentual relevante da carteira aplicado em títulos de empresas privadas, quanto multimercados, fundos livres para investir em diversas classes de ativos e usar diferentes estratégias de investimento. Os fundos de ações também podem ser boas opções para quem tem medo de aplicar sozinho na Bolsa de Valores.

Fundos de investimento permitem uma maior e mais eficiente gestão de risco, pois podem ser bastante diversificados, além de contar com gestão profissional. Essas características também possibilitam a muitos desses fundos terem liquidez quase diária, mesmo sendo moderados.

Nesses casos, o investidor consegue ter acesso aos seus recursos apenas poucos dias após o pedido de resgate.

Não sabe o que fazer com seus investimentos nessa nova era de juros baixos? Abra a sua conta na Genial que nós ajudamos você!

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Leonardo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens por grandes veículos da imprensa brasileira, como TV Cultura, Veja e Estadão. Especializou-se em jornalismo econômico, com aprovação pela FGV, no curso de trainee promovido pelo Grupo Estado.

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