Embora não seja uma novidade, o cartão de crédito se tornou uma das formas de pagamento preferidas do brasileiro nos últimos anos. Entre os motivos desse favoritismo estão a facilidade, praticidade e conveniência que ele oferece no momento de fazer uma compra.

No entanto, a sua utilização de maneira descontrolada pode ser fatal para o seu orçamento pessoal ou familiar. Portanto, é importante aprender como usar o cartão de crédito de modo consciente e planejado, a fim de evitar problemas financeiros futuros.

Quer saber como usar corretamente o cartão de crédito? Prossiga com a leitura deste guia que ensinará como transformar o seu cartão em aliado na sua vida financeira.

Não perca!

O que é o cartão de crédito?

O cartão de crédito é um meio de pagamento bastante difundido no país. Atualmente, você pode utilizá-lo para realizar compras nos mais variados estabelecimentos. Por exemplo: supermercados, shoppings, bares, postos de combustíveis, lojas físicas e virtuais e, até mesmo, feiras de rua.

Ou seja, basta que o comerciante aceite essa modalidade de pagamento e, no caso de uma venda presencial, disponha da chamada “maquininha de cartão”. A praticidade da alternativa costuma agradar tanto o comprador quanto o vendedor.

Para quem compra, não há a necessidade de ter dinheiro em espécie, preencher um cheque ou receber um carnê com vários boletos, o que traz maior comodidade. A possibilidade de parcelar as compras também é um grande atrativo.

Já o vendedor tem a vantagem de poder receber o valor da venda em poucos dias, por meio da antecipação, além de evitar o risco de inadimplência. Aceitar essa modalidade também aumenta as possibilidades de o comprador fechar negócio.

Como funciona o cartão de crédito?

Agora que você já sabe o que é o cartão de crédito, é pertinente compreender como ele funciona. Em geral, essa modalidade de pagamento pode ser entendida como uma espécie de empréstimo entre a fornecedora de crédito e o usuário do cartão.

Esse empréstimo é baseado na confiança de que o cliente realizará o pagamento das faturas originadas a partir da utilização do cartão. Comumente, a fornecedora do cartão oferece um limite de crédito para o seu cliente, que poderá ser usado para fazer compras.

Ao comprar com o cartão de crédito, você poderá decidir se realizará o pagamento à vista ou de forma parcelada. A quantidade de parcelas e a incidência de juros (no pagamento parcelado) varia de acordo com o estabelecimento onde a compra foi realizada.

O limite de crédito disponibilizado é consumido a cada compra realizada, independentemente se ela foi paga à vista ou de forma parcelada. Esses gastos são contabilizados em uma fatura, que discrimina todas as compras realizadas, como um recibo ou conta de restaurante.

Ao final de um período, definido pela fornecedora de crédito, o valor da fatura é fechado e segue para pagamento do cliente. Realizando o pagamento no prazo concedido, o limite será restabelecido e você poderá gastá-lo novamente, realizando outras compras.

Como isso acontece, na prática?

Mesmo que você tenha entendido como funciona o cartão de crédito, pode ser que você tenha dificuldades em visualizar a sua utilização. Para facilitar a sua aprendizagem, confira o exemplo abaixo.

Imagine que uma instituição tenha oferecido para você um cartão com um limite de R$ 5.000,00. Considere que, ao longo do mês, você tenha usado o cartão para pagar compras em diferentes estabelecimentos:

  • R$ 600,00 em mercado (à vista);
  • R$ 400,00 em transporte por aplicativos (à vista);
  • R$ 2.500,00 na aquisição de um notebook (parcelado em 10 vezes);
  • R$ 800,00 em restaurantes e fast foods (à vista).

Nesse cenário, você terá consumido R$ 4.300,00 do seu limite, restando R$ 700,00 disponíveis. A sua fatura daquele mês será composta por todas as compras à vista (R$ 1.800,00) somado à primeira parcela da compra feita a prazo (R$ 250,00), totalizando R$ 2.050,00.

Se o pagamento for realizado até o dia do vencimento, não haverá a cobrança de juros e o montante de R$ 2.050,00 será restabelecido ao seu limite. Portanto, no próximo mês, você terá R$ 2.750,00 de limite disponível para gastar.

Vale dizer que para o restabelecimento dos R$ 5.000,00 iniciais, é necessário quitar todas as compras realizadas. Como, nesse exemplo, o notebook foi parcelado em 10 vezes, a integralidade da compra é abatida do seu limite, sendo restabelecida conforme as parcelas são pagas.

Seguindo o exemplo, caso você não use mais o cartão para fazer compras, ainda terá que pagar 9 faturas de R$ 250,00, referente à compra parcelada do notebook. Já na hipótese de outras compras serem feitas, elas serão somadas no valor final de cada fatura.

Quais são os juros presentes nos cartões de crédito?

Um dos grandes temores acerca do uso do cartão de crédito se refere aos juros cobrados que, de fato, podem alcançar patamares altíssimos. Dessa maneira, faz todo o sentido entender quais são os juros presentes nos cartões de crédito e como eles funcionam.

Veja abaixo!

Juros de parcelamento

Como você aprendeu, as compras realizadas por meio do cartão de crédito podem ser pagas à vista ou de forma parcelada. Na primeira modalidade, costuma não haver a incidência de juros e os valores gastos são adicionados na fatura do período, se ela não estiver fechada.

Por outro lado, quando você opta pelo pagamento parcelado, poderá haver a incidência de juros. Geralmente, eles são aplicados para parcelamentos mais longos, mas também podem estar presentes em divisões menores.

O percentual de juros varia entre cada fornecedor de crédito e vendedor. Grandes varejistas, por exemplo, conseguem ser mais flexíveis quanto ao pagamento de seus produtos, chegando a oferecer a possibilidade de parcelamentos de 10 a 12 vezes, sem a cobrança de juros.

Juros de mora

Assim como em uma dívida comum, deixar de pagar a sua fatura no prazo determinado pode resultar na cobrança de juros de mora. Eles representam uma penalidade pelo atraso no pagamento do que foi convencionado.

Sendo um tipo de juros legal (previsto em lei) para qualquer tipo de dívida, a sua cobrança é limitada a 1% ao mês sobre o valor devido. Caso o atraso não complete 1 mês, é comum que ele seja cobrado de modo proporcional (0,0333% ao dia).

Vale dizer que os juros de mora não são o mesmo que a multa cobrada em casos de atraso. A multa, em caso de inadimplência, possui um valor fixo sobre o total devido. Ademais, ambos os encargos podem estar presentes diante do não pagamento de uma fatura de cartão.

Juros rotativos

A inadimplência de uma fatura de cartão de crédito pode gerar diversas consequências para o usuário do cartão. Entre elas, estão a suspensão imediata do limite de crédito, o vencimento antecipado das compras a prazo, o cancelamento do cartão e a negativação do nome do devedor.

Para evitar esses efeitos prejudiciais ao cliente, os fornecedores de crédito passaram a permitir o pagamento parcial de uma fatura de cartão de crédito. Ou seja, você pagará um valor menor que o devido e o remanescente será lançado na próxima fatura com o acréscimo dos juros rotativos.

Isso seria como um empréstimo dentro da sua fatura de cartão, para evitar os efeitos do não pagamento. Muitas vezes, a própria fornecedora apresenta o valor mínimo que deve ser pago em cada fatura para que ela não configure a inadimplência.

Destaca-se que essa é uma das modalidades mais caras de juros praticadas no mercado. Conforme o site do Banco Central (Bacen), em março de 2023, os juros rotativos estavam entre 0,63% a 24,03% ao mês. Anualmente, isso representa o mínimo de 7,78% e o máximo de 1.225,06%.

Para contextualizar melhor a cobrança de juros rotativos, confira os dois exemplos abaixo:

Pagamento do valor mínimo da fatura

Suponha que a sua fatura de cartão tenha fechado em R$ 3.000,00 e que o pagamento mínimo exigido é de R$ 450,00. Ademais, imagine que você somente tenha R$ 1.500,00 disponíveis na sua conta naquele mês e decida pagar o mínimo exigido.

Nessa situação, o montante que não foi pago (R$ 2.550,00) será enviado para a próxima fatura com o acréscimo dos juros rotativos. Usando uma média de juros rotativos de 14% ao mês, isso representaria um aumento de R$ 357,00 ao valor devido.

Logo, a sua próxima fatura seria composta pelas compras realizadas somadas aos R$ 2.550,00 que não foram pagos anteriormente e os juros rotativos de R$ 357,00. A depender dos valores gastos e dos juros rotativos cobrados, isso pode gerar uma dívida muito difícil de ser quitada.

Pagamento parcial da fatura

Aproveitando os mesmos dados do exemplo anterior, suponha que você decida usar os R$ 1.500,00 disponíveis na sua conta para realizar o pagamento parcial da fatura de R$ 3.000,00. Nesse caso, o valor destinado para a próxima fatura será de R$ 1.500,00, mais os juros rotativos (14% ao mês).

O resultado desse cálculo totaliza R$ 1.710,00 (1.500,00 + 15%), que deverá ser acrescido ao montante gasto na próxima fatura. Perceba que o pagamento parcial diminui o montante final devido, mas ainda poderá formar uma dívida expressiva.

Vale acrescentar que em ambos os exemplos não foram computados os eventuais custos, encargos e impostos que incidem sobre essas operações. Isso significa que os valores devidos podem ser ainda maiores quando uma fatura não é paga integralmente.

Juros parcelados

Com o surgimento dos juros rotativos, muitas pessoas começaram a ter problemas para sair de dívidas de cartão de crédito. Assim, em 2017, o CMN (Conselho Monetário Nacional) alterou as regras sobre a cobrança de juros em caso de pagamento parcial da fatura de cartão.

A partir daquele ano, não é mais possível o pagamento do valor mínimo da fatura por diversos meses seguidos. Com isso, foi criada a figura dos juros de cartão de crédito parcelado — que são menores do que o crédito rotativo.

Segundo as novas regras, os fornecedores de crédito não podem permitir que um cliente fique mais de 30 dias nos juros rotativos. Depois desse período, eles devem fornecer opções de pagamento parcelado e com juros menores.

Apesar dos juros parcelados serem inferiores aos rotativos, as taxas praticadas no mercado ainda são elevadas. O site do Bacen revelava que, em março de 2023, a menor taxa estava em 0,63% e a maior em 19% ao mês.

Como fazer um cartão de crédito?

Ao chegar até aqui, você já possui um conhecimento relevante sobre o conceito e funcionamento do cartão de crédito. Então agora é hora de saber como obter essa facilidade.

Com o crescimento da internet e das tecnologias que envolvem os pagamentos virtuais, muitas companhias surgiram no mercado de cartões de crédito.

Se antes essas soluções eram oferecidas somente por grandes instituições bancárias, hoje elas já estão disponíveis em fintechs e bancos digitais. Dessa maneira, atualmente, é relativamente simples conseguir fazer um cartão de crédito.

Na realidade, basta procurar por uma instituição ou empresa de sua confiança que forneça esse tipo de serviço, o que pode ser feito pela internet.

Normalmente, a instituição exige que você faça um breve cadastro, fornecendo os seus dados de identificação, comprovante de residência e de renda. Também podem ser solicitadas fotos do solicitante, para que a fornecedora consiga confirmar a veracidade dos dados e da solicitação.

A instituição ainda fará uma análise de crédito e consultará o seu histórico de pagamentos. Pessoas com o nome negativado ou com baixa pontuação de score de crédito podem ter maiores dificuldades em acessar um cartão de crédito ou podem ter um limite reduzido, por exemplo.

Superada essa fase e com a aprovação do cadastro, a instituição enviará ao seu endereço um cartão de crédito físico para utilização. Se for de seu interesse, é possível solicitar a criação de um cartão virtual para realização de pagamentos digitais.

Isso tende a ser feito pelo próprio site, setor de atendimento ao cliente ou aplicativo disponibilizado pela fornecedora de crédito. Cada cartão terá uma numeração específica, além de uma data de vencimento e um código de segurança (CVV) próprios.

Como usar o cartão de crédito pela primeira vez?

Depois de solicitar o cartão de crédito e recebê-lo, você precisará saber como usá-lo pela primeira vez. Por questão de segurança é normal que o cartão esteja bloqueado ao chegar na sua residência. Ele estará em um envelope com as instruções de desbloqueio.

Elas costumam envolver a validação de dados cadastrais junto à fornecedora de crédito e a definição de uma senha. Essas etapas podem ser concluídas pela internet, telefone ou pelo aplicativo da instituição financeira (se houver).

Após o desbloqueio do cartão, você poderá utilizá-lo para fazer compras em lojas físicas ou virtuais. Em uma compra presencial, o atendente digitará o valor da compra na maquininha e a quantidade de parcelas desejada.

A você caberá conferir os dados e o valor de pagamento, inserir o cartão na maquininha (ou aproximá-lo) e digitar a senha cadastrada para a utilização do cartão (se solicitado). Estando tudo em ordem e havendo limite disponível, o pagamento será concluído e um recibo será emitido com os dados da operação.

O pagamento de compras pela internet segue um procedimento diferente. Nele, é preciso informar o número do cartão, o nome do titular, eventualmente o seu CPF, a data de vencimento e o CVV do cartão.

Como essas informações podem ser usadas para processar qualquer tipo de compra pela internet, é importante ficar atento e somente disponibilizá-las em sites confiáveis e seguros. Caso contrário, há risco de os seus dados, permitindo que golpistas façam compras usando o seu limite de crédito.

Como usar cartão de crédito a seu favor?

Sabendo que o cartão de crédito é uma modalidade de pagamento que pode envolver a cobrança de juros, chegou o momento de aprender a usá-lo a seu favor. Para isso, nós, da Genial Investimentos, separamos algumas dicas sobre o uso inteligente do cartão.

Confira!

Não use o cartão como complemento da renda

Considerando o que você aprendeu, o cartão não representa uma quantia complementar à sua renda mensal. Na verdade, embora a sua utilização permita postergar o pagamento das compras para uma data posterior, será preciso ter o dinheiro para pagar as faturas.

Nesse contexto, utilizar o cartão de crédito além da sua capacidade de pagamento pode arruinar todo o seu orçamento. Além disso, você poderá ficar endividado e, considerando a dinâmica dos juros, a dívida poderá alcançar um patamar difícil de ser quitado.

Planeje seus gastos do cartão de crédito

Para não se ver endividado ou em uma situação financeira apertada, vale planejar os gastos feitos no cartão de crédito. Isso significa definir estratégias e os motivos para escolher o cartão como forma de pagamento em cada ocasião.

Vale destacar que não é raro encontrar pessoas que gastam todo o seu salário, antes mesmo de recebê-lo. Isso tende a acontecer quando a pessoa não se programa e utiliza o cartão de crédito com frequência. Viver nessa dinâmica amplia as chances de você se endividar.

Evite fazer muitos parcelamentos

Fazer múltiplas compras parceladas pode consumir o seu limite por muito tempo, prejudicando a sua organização financeira. A falta de limite poderá fazer você gastar o dinheiro reservado para o pagamento da fatura em outras obrigações financeiras, prejudicando as suas finanças.

Então seja ponderado no momento de pagar a prazo e, se possível, dê preferência para compras à vista — desde que estejam dentro do seu orçamento. Lembre-se, ainda, de que a quitação à vista costuma proporcionar descontos.

Acompanhe os seus gastos

O cartão de crédito pode ser um ótimo aliado quanto ao controle financeiro. Isso porque na sua fatura estarão todas as compras que você fez com ele, permitindo identificar quais são os seus maiores gastos.

Ter esse controle é fundamental para saber como agir e quais são as despesas que podem ser reduzidas para sobrar mais dinheiro. Além disso, o acompanhamento de gastos o ajudará a identificar se é preciso suspender o uso do cartão e se você conseguirá pagar a fatura do mês.

Pague a fatura no dia correto

Outra dica para o uso inteligente do cartão de crédito é o pagamento da fatura no dia correto. Como você já sabe, o pagamento atrasado pode gerar uma série de encargos e transformar a dívida do cartão em uma bola de neve impagável.

Então organize-se para ter sempre à disposição o montante para o pagamento integral de cada fatura. Caso a situação saia do controle, o pagamento parcial ou do valor mínimo poderá dar um fôlego a mais naquele mês, mas demandará a busca por renda extra para pagar a fatura seguinte.

Aproveite programas de cashback, milhas e pontos

Muitos cartões de crédito oferecem programas de vantagens para incentivar o seu uso. Entre os principais benefícios oferecidos estão:

  • cashback: devolve um percentual do valor da compra;
  • pontos: cada real (ou dólar) gasto é convertido em pontos que podem ser trocados por produtos ou serviços;
  • milhas: semelhante aos pontos, os gastos no cartão são convertidos em milhas que podem ser trocadas por passagens aéreas, acomodações em hotéis, entre outros.

Portanto, antes de solicitar um cartão de crédito, é interessante verificar se ele conta com programas de benefícios. Desse modo, você poderá usar o seu cartão de forma estratégica para tirar melhor proveito dessas vantagens.

Afinal, vale a pena usar cartão de crédito ou não?

Após conferir todo esse conteúdo, você pode ter dúvidas se, de fato, vale a pena usar cartão de crédito. Como não há somente uma resposta para esse questionamento, a decisão dependerá da análise da sua organização financeira e dos prós e contras desse meio de pagamento.

Tenha em mente que se você tem dificuldades de se organizar financeiramente, costuma atrasar o pagamento de contas ou está endividado, deverá ter cautela ao solicitar um cartão de crédito. Lembre-se de que os juros que incidem sobre a modalidade de pagamento podem ser altos.

Por outro lado, a utilização consciente do cartão de crédito pode ser benéfica por diversos fatores, como:

  • parcelar compras;
  • agilizar pagamentos;
  • facilitar a realização de compras pela internet;
  • acompanhar e fazer o controle de gastos;
  • ter acesso a benefícios como cashback, milhas e pontos;
  • entre outros.

Como você acompanhou, saber como usar o cartão de crédito é essencial para aproveitar todos os benefícios que ele traz, além de evitar ter problemas com juros rotativos e multas. Se você pretende utilizar essa forma de pagamento, não esqueça de buscar uma instituição de sua confiança.

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