Não adianta pensar em poupar e investir dinheiro se você tem dívidas em aberto ou, pior ainda, está inadimplente.

Antes de investir, você deve renegociar e quitar dívidas, pelo menos as mais caras. Afinal, não vale a pena ter dinheiro aplicado enquanto se pagam juros em empréstimos e financiamentos.

Se você vive no vermelho ou simplesmente está passando por um momento difícil e não sabe por onde começar, este guia traz um passo a passo direto ao ponto para você reorganizar suas finanças, livrar-se das dívidas e tornar-se um investidor.

1. Liste todas as suas dívidas

Faça um inventário de todos os seus empréstimos e financiamentos, incluindo parcelas do cartão de crédito e cheque especial. Para cada dívida, anote saldo devedor, valor das parcelas, prazo e Custo Efetivo Total (CET).

Caso esteja inadimplente, anote também eventuais valores de multa e juros.

Se você não tiver todas as informações sobre o que está devendo, peça-as ao credor, seja ele um banco, uma concessionária de serviço público, uma operadora de cartão ou uma loja. Você tem o direito de receber seu saldo devedor atualizado.

Caso o credor se recuse a fornecer as informações ou você ainda tenha dúvidas sobre os valores, procure uma entidade de defesa dos direitos do consumidor, como os Procons estaduais.

2. Descubra se você está com o nome sujo

Se você estiver inadimplente, verifique se o credor já colocou seu CPF em um cadastro de inadimplentes. Caso você esteja com o nome sujo, terá restrições ao crédito.

Mesmo que você não esteja com contas e empréstimos em atraso, vale a pena verificar a situação do seu CPF.

Pode ser que ele ainda esteja negativado em razão de uma inadimplência passada, já solucionada. Nesse caso, o antigo credor deve retirar seu CPF imediatamente.

A Boa Vista SCPC possibilita a checagem de CPF gratuita on-line no seu site. Já a Serasa Experian só oferece consulta gratuita on-line para quem esteja devendo às empresas que fazem parte do seu Feirão Limpa Nome On-line.

Para verificar a situação do seu CPF em relação a outras empresas, é preciso comparecer a um dos postos de atendimento da Serasa, munido de documento de identificação com foto e CPF. O SPC Brasil, por sua vez, só permite a consulta presencial (veja a relação de postos).

3. Anote todas as suas receitas e despesas

Antes de partir para a renegociação e quitação das dívidas, você deve primeiro verificar se será capaz de honrar esses compromissos. Para isso, você deve montar uma planilha com todas as suas receitas e despesas mensais. Baixe a planilha de gastos da GENIAL.

Para não subestimar seus gastos anotando apenas os mais recorrentes, como as despesas fixas e variáveis, o ideal é que você anote tudo que ganha e gasta durante um período de pelo menos três meses.

Durante esse prazo, talvez você se surpreenda com gastos excessivos dos quais nem havia se dado conta.

Será que você não tem muitas despesas com serviços que não está utilizando, como TV a cabo, academia de ginástica ou alguma assinatura de serviços on-line? Não anda gastando demais com táxi, jantares fora durante a semana ou peças de vestuário?

O objetivo desse exercício é justamente identificar os gastos excessivos, que muitas vezes passam despercebidos, para descobrir onde é possível cortar.

4. Reduza e corte gastos

Procure reduzir as despesas variáveis, aquelas que são de primeira necessidade, mas que podem variar de um mês para o outro, como as contas de luz, gás, água e supermercado.

Corte qualquer gasto excessivo, mas procure manter algum dinheiro para o lazer, para que você não tenha dificuldade de manter o planejamento e acabe perdendo o controle de novo.

Se seu caso for mais grave, talvez seja preciso cortar totalmente as despesas com lazer ou reduzir bruscamente custos fixos. Por exemplo, vendendo o carro ou trocando o imóvel por um mais barato, o que também acaba liberando recursos para pagar as dívidas.

Não se esqueça de envolver sua família: converse e peça a colaboração de todos. A ideia é que a situação de aperto seja temporária.

5. Verifique se você pode aumentar suas receitas

Se for possível ganhar mais, invista seu tempo nisso. Considere vender o carro, roupas de marca, aparelhos eletrônicos ou qualquer outro item não essencial que possa gerar uma boa quantia em dinheiro.

Hoje em dia não faltam formas de anunciar e vender seus produtos – sites de classificados, bazares em casa, classificados da empresa, redes sociais e por aí vai.

Se você tiver alguma habilidade, procure fazer bicos e trabalhos como freelancer. Aproveite também se tiver a oportunidade de fazer horas extras.

6. Monte um orçamento, abrindo um espaço para quitar as dívidas

Use a planilha para montar um orçamento em que suas despesas sejam inferiores às suas receitas. Neste post, você encontra um passo a passo para montar adequadamente um orçamento pessoal.

A ideia é abrir um espaço para que, todo mês, você consiga destinar parte dos seus rendimentos à quitação das suas dívidas. Este será um trunfo importante na mesa de negociação com o credor.

O orçamento é uma projeção de receitas e despesas para o ano. Ele será seu guia para gastar com inteligência o seu dinheiro.

7. Planeje o pagamento e a renegociação das suas dívidas

Não dá para dizer com certeza quais dívidas se deve priorizar na hora de pagar ou renegociar. Tudo depende do quanto você está devendo e há quanto tempo.

Mas de forma geral, priorize aquelas que podem, em breve, te trazer péssimas consequências. Por exemplo, se você estiver em vias de ser despejado por dever o aluguel, é por aqui que você deve começar. Ou ainda se você está prestes a ser preso por dever pensão alimentícia.

Financiamentos com alienação fiduciária podem fazer você perder o bem financiado em caso de inadimplência.

No caso do carro, isso pode não ser tão terrível, caso você não dependa do veículo. Pelo contrário, pode ser uma solução. Mas no caso da casa própria, bem, você não quer perder sua casa, certo?

Também tem consequências desastrosas a inadimplência de serviços essenciais. Se você não pagar a conta de luz, o serviço pode ser cortado. Dependendo da sua situação de saúde, o plano de saúde também se encaixa nesta categoria.

Em seguida, dê preferência às dívidas com os juros mais altos, como a fatura do cartão de crédito e o cheque especial.

As dívidas mais baratas e que não tenham um bem como garantia, como o empréstimo pessoal, podem ficar por último.

8. Renegocie dívidas em atraso

Se você estiver inadimplente ou no caminho da inadimplência, procure seu credor para tentar renegociar sua dívida.

Informe-o sobre a folga no seu orçamento e eventuais reservas financeiras que permitam uma quitação à vista com desconto. Caso não seja possível quitar a dívida, peça uma redução nos juros ou um alongamento de prazo, com parcelas menores.

Não aceite nenhuma proposta que não caiba no seu orçamento. Caso você não honre as novas condições, será difícil conseguir renegociar novamente.

A renegociação é o caminho mais apropriado para você limpar o seu nome. Uma vez renegociada a dívida em atraso, seu CPF deve ser retirado imediatamente dos cadastros de inadimplentes pelo credor.

9. Troque dívidas caras por dívidas mais baratas

Outra opção na hora de renegociar é trocar várias dívidas caras por uma única dívida mais barata. Essa saída pode ser usada mesmo por quem não está inadimplente, mas quer pagar juros mais baixos.

Por exemplo, você pode fazer um empréstimo pessoal ou crédito consignado, que são linhas com taxas de juros menores, para quitar suas contas em atraso, a fatura do cartão, o cheque especial e outras despesas importantes.

Apenas certifique-se de que a prestação da nova linha de crédito caiba no seu orçamento.

10. Amortize suas dívidas

Quem não está inadimplente, mas busca se livrar das dívidas o quanto antes, pode usar qualquer reserva financeira ou rendimento extra para amortizar seus empréstimos e financiamentos.

A amortização vale a pena porque você paga apenas o principal da dívida e deixa de pagar os juros que incidiriam sobre aquela quantia. Ainda que não seja possível quitar a dívida, seu prazo pode diminuir drasticamente.

Se o dinheiro que você pretende usar para amortizar a dívida estiver investido, faça a seguinte análise: a rentabilidade da aplicação financeira é maior que o juro da dívida? Se sim, vale mais a pena não amortizar e manter o investimento, pagando as prestações em dia.

Caso contrário, cabe se perguntar: é possível migrar o investimento para uma aplicação financeira com rentabilidade maior que a taxa de juros da dívida?

Em caso afirmativo, vale mais a pena fazer a migração do que amortizar a dívida. Se não, vá em frente e amortize, pois você perde dinheiro ao pagar juros altos enquanto tem dinheiro investido a juros baixos.

No entanto, cabe avaliar se vale a pena você se descapitalizar totalmente. Se você estiver desempregado, por exemplo, pode ser que precise dessas reservas para sobreviver. Não compensa destiná-las às dívidas e depois se endividar de novo para pagar contas do dia a dia.

Por outro lado, se você estiver empregado e envolvido em dívidas que possam te trazer péssimas consequências, talvez seja bom considerar consumir todas as reservas, se isso for solucionar o seu problema. Depois você se preocupa em reconstruí-las.

O ideal é tentar manter, tanto quanto for possível e vantajoso, uma reserva de emergência.

Especificamente nos financiamentos imobiliários, amortizações periódicas podem ser muito interessantes. E você pode até usar seu FGTS para isso.

Mas como os prazos são muito longos e os juros costumam ser baixos, pode não ser vantajoso usar totalmente as suas reservas para amortizar.

É melhor sempre manter uma reserva de emergência mínima em investimentos conservadores. Prefira as aplicações mais rentáveis que os juros do financiamento e continue pagando as prestações.

Em relação à fatura do cartão de crédito, só convém adiantá-las se você conseguir algum desconto. Do contrário, é melhor simplesmente continuar a pagá-las em dia, como suas demais contas mensais.

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Publicado por Genial

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