Os juros desempenham um papel muito importante na economia, gerando impactos nos investimentos, no planejamento das corporações e na rotina de consumo da população. Logo, o conhecimento sobre a curva de juros é essencial na educação financeira.
Assim como outras métricas, é necessário conhecer os seus tipos e saber como interpretá-los. Com isso, você pode tomar decisões de investimentos mais embasadas.
O que é curva de juros?
A curva de juros é uma representação gráfica essencial no universo financeiro, principalmente para investidores que buscam entender a dinâmica das taxas de juros ao longo do tempo. Ela consiste em uma projeção sobre como essas taxas podem variar no futuro.
Desse modo, a curva de juros proporciona um panorama sobre as possíveis evoluções dos juros ao longo de meses ou anos. Para quem investe em renda fixa, por exemplo, entender esse conceito é especialmente relevante.
Afinal, ele ajuda a identificar as tendências de retornos de diversos investimentos, sejam eles títulos públicos ou privados.
Por exemplo, ao avaliar um título do Tesouro Direto ou um certificado de depósito bancário (CDB) atrelados à Selic ou ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), a curva de juros fornece informações sobre o comportamento esperado deles ao longo do tempo.
Como os juros também influenciam as emissões de títulos com taxas prefixadas, a análise colabora para avaliar os riscos e oportunidades desses investimentos.
Por fim, a curva de juros é essencial para o investidor que deseja analisar a economia de modo geral. Ela pode ser utilizada para entender as perspectivas do mercado sobre as taxas de juros, tomar decisões de investimentos e compreender o cenário econômico nacional.
Que fatores influenciam a curva de juros?
Ao saber o que é a curva de juros, é comum se questionar sobre quais são os fatores que podem influenciar a movimentação dela, certo? Há uma série de situações que podem impactar as projeções sobre os juros no mercado.
Uma delas é a Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira. A alta da inflação também costuma estar relacionada a esse processo, desempenhando um papel importante.
O motivo é que as taxas de juros mais altas costumam ser utilizadas pelo Banco Central (Bacen) como um mecanismo de controle da alta de preços generalizada. Assim, quando a inflação está elevada, a tendência é que a Selic suba.
O movimento contrário também acontece. Se a economia estiver estagnada, o Bacen costuma reduzir a taxa de juros como forma de estimular o consumo. Além disso, eventos econômicos e políticos podem alterar as expectativas sobre as taxas de juros futuras, embutindo um prêmio de risco que se reflete curva de juros.
Quais são os tipos de curva de juros?
Após entender o conceito de curva de juros, é importante saber quais são os seus tipos. De modo geral, ela se divide em três modalidades:
- normal;
- invertida;
- fortemente inclinada.
A representação da curva normal é uma linha ascendente, que costuma ser côncava. Isso indica que as taxas de juros de curto prazo são menores do que as de longo prazo, sendo entendida como um sinal de crescimento econômico estável.
Por outro lado, a curva invertida é descendente. Nesse caso, as taxas de juros de longo prazo são menores do que as de curto prazo, sendo interpretada como um indicativo de que a economia está na iminência de entrar em um período de recessão ou então que já se encontra nele.
A curva de juros fortemente inclinada é representada por uma linha ascendente muito acentuada. Esse tipo de curva pode sinalizar um potencial de crescimento econômico, mas também tende a indicar desafios no controle da inflação.
Por que considerar a curva de juros ao investir?
Agora que você já sabe quais são os tipos de curva de juros, chegou o momento de entender por que você deve considerá-la ao investir. Geralmente, ela influencia a economia e os mercados financeiros, auxiliando o investidor a tomar as melhores decisões de investimento.
Confira com mais detalhes, a seguir!
Compreender conjunturas do mercado
Uma das principais razões pelas quais você deve considerar a curva de juros ao investir é que ela ajuda a decifrar diferentes conjunturas do mercado financeiro e da economia. As mudanças na direção dessa representação podem fornecer informações se o mercado está otimista em relação ao futuro econômico do país.
Como visto, quando a curva de juros está inclinada para cima, pode indicar que o mercado espera uma elevação nas taxas de juros. Esse cenário sugere que a economia está em fase de expansão, e há uma preocupação com o aumento da inflação.
Nessa situação, o Banco Central tende a optar por aumentar a taxa básica de juros como uma medida para conter a inflação. Dessa forma, uma curva ascendente pode ser interpretada como um sinal de otimismo econômico.
Por outro lado, uma curva invertida pode indicar pessimismo em relação ao crescimento econômico futuro, sinalizando que o mercado está se preparando para tempos mais desafiadores. Esse fenômeno aponta para uma desaceleração econômica, e que o Banco Central pode decidir diminuir a Selic para estimular a economia — incentivando o consumo e o investimento. Então, ao acompanhar a curva de juros, o investidor pode identificar momentos de mudança no mercado e se preparar para elas.
Entender a movimentação de preços dos investimentos
Outro motivo pelo qual você deve considerar a curva de juros ao investir é porque ela possibilita que os investidores tomem decisões mais informadas. Isso ocorre por conta do impacto que as variações nas taxas de juros têm sobre diferentes classes de ativos, tanto na renda fixa quanto na renda variável.
Na renda fixa, uma elevação nas taxas de juros faz com que alguns títulos se tornem mais atrativos, como os pós-fixados. Nesse caso, aplicações atreladas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ou à Selic passam a oferecer rendimentos mais elevados.
Esse processo aumenta o seu apelo para investidores que buscam segurança e retornos mais consistentes. Por sua vez, novos títulos prefixados também oferecem taxas mais altas para competir com a atratividade das taxas de juros elevadas.
Porém, nesse caso, os prefixados emitidos anteriormente podem passar a ter uma precificação mais baixa no mercado. Se houver necessidade de um resgate antecipado, eles podem reduzir ganhos ou, até mesmo, gerar perdas. O mesmo costuma acontecer com as aplicações com remuneração híbrida.
Na renda variável também pode haver efeitos. Confira!
Impactos na renda variável
Um cenário de juros altos costuma deixar a renda fixa mais atrativa, por conta da segurança, como visto. Então há uma tendência de alguns investidores migrarem parte de sua alocação que estava na renda variável.
O movimento de venda de ativos pode gerar quedas nos preços de investimentos na renda variável — o que também pode criar oportunidades de compra. Afinal, ativos descontados, ou seja, vendidos por preços inferiores ao seu valor intrínseco, podem representar boas oportunidades de valorização no longo prazo.
Nesse sentido, os investidores que entendem esse movimento podem aproveitá-lo para adquirir ações e outros ativos de renda variável a preços atrativos.
Por outro lado, há empresas e fundos de investimentos que podem se beneficiar dos juros altos, podendo atrair investidores — o que tende a gerar uma valorização nas ações e cotas.
Já quando as taxas de juros caem, a atratividade da renda fixa diminui. Os retornos mais baixos levam alguns investidores a investir em ativos de renda variável, em busca de maiores ganhos, com tendência a impulsionar seus preços.
Aproveitar a marcação a mercado
Acompanhar a curva de juros permite que você aproveite a marcação a mercado. Esse conceito se refere à precificação diária dos investimentos, que pode variar conforme as expectativas do mercado em relação às taxas de juros.
Assim, ao monitorar a curva de juros, os investidores podem antecipar movimentos nas taxas e ajustar a carteira de investimentos de forma estratégica. Por exemplo, se houver uma expectativa de queda nas taxas, muitos costumam optar por títulos prefixados de médio a longo prazo.
Como aprendido, quando os juros da economia caem, os títulos prefixados emitidos anteriormente, com taxas mais altas, tendem a se valorizar no mercado secundário. Isso acontece porque os novos títulos emitidos terão taxas menores, tornando os antigos mais atraentes.
Essa valorização dos títulos prefixados pode fazer com que os investidores obtenham uma rentabilidade maior do que a inicialmente prevista ao vendê-los antes do vencimento. No entanto, é bom lembrar que a análise da curva de juros deve ser parte de uma estratégia de investimento diversificada, tudo bem?
Confiar apenas nessa representação gráfica pode ser arriscado, já que as projeções nem sempre se concretizam. Logo, diversificar o portfólio de investimentos é importante para equilibrar os riscos e aproveitar oportunidades em diferentes cenários.
Neste conteúdo, você entendeu que considerar a curva de juros ao investir é importante para que os investimentos possam proporcionar retornos conforme os seus objetivos. Portanto, lembre-se de analisar essa representação na hora de realizar os próximos aportes.
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