Quando se pesquisa condições ofertadas por instituições financeiras, é comum se deparar com o spread bancário. Mas você sabe o que ele significa? Apesar de ser frequente nas operações, muitas pessoas não conhecem o conceito.

No entanto, compreender esse termo e a sua relação com o mercado é relevante para entender os movimentos da economia. Além disso, o spread bancário afeta o acesso ao crédito e tem impactos no dia a dia da população. Logo, conhecê-lo é bastante relevante.

Para ajudar você, nós, da Genial, preparamos um conteúdo esclarecendo as principais dúvidas sobre o assunto. Continue lendo e descubra o que é e como funciona o spread bancário no Brasil!

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O que é e para que serve o spread bancário?

O termo spread se refere à diferença entre o preço pago em um produto e o preço pelo qual ele é vendido depois. Dessa maneira, ele é aplicado em diversos segmentos, podendo ser utilizado como uma métrica importante em vendas, empréstimos, negociações e outras áreas.

O termo em inglês “spread” pode ser interpretado como “aumentar a distância”. No caso do spread bancário, ele trata da diferença entre as taxas cobradas pelos bancos e as que eles pagam na captação de recursos.

Você pode entender melhor essa questão com um exemplo: existem títulos de renda fixa no mercado emitidos pelas instituições financeiras visando obter capital para financiar determinadas operações.

Para tanto, o investidor faz uma espécie de empréstimo ao emissor e recebe os valores com a correção indicada na aplicação. Os principais exemplos aqui são os certificados de depósitos bancários (CDBs), as letras de crédito imobiliário (LCIs) e do agronegócio (LCAs).

Ao mesmo tempo, as instituições financeiras oferecem diversas linhas de crédito, como empréstimos e financiamentos. Assim, elas podem usar os recursos levantados por meio dos títulos de renda fixa para financiar essas atividades.

Nesse cenário, o spread se dará pela diferença entre as taxas pagas pelo banco nas aplicações financeiras e os juros cobrados nas linhas de crédito. Portanto, o spread afeta diretamente o quanto a instituição lucra com as operações e de quanto dispõe para manter suas atividades.

Como funciona o spread no Brasil e no mundo?

Com essas informações, você já sabe o que é o spread bancário e seus detalhes. Porém, embora os países utilizem a mesma metodologia, os resultados são diferentes entre eles.

Nesse sentido, segundo uma pesquisa referente ao período de 2003 a 2017, o Brasil apareceu com o segundo maior spread bancário do mundo. O total foi de 45%, perdendo apenas para Madagascar, um país ao leste da África.

Entretanto, nos anos seguintes, houve uma melhoria nesse sentido. Em 2021, por exemplo, o spread bancário foi de quase 16%. Ainda assim, o valor é considerado bastante elevado e pode chegar a três vezes a média mundial.

Convém notar que, mesmo em 2020, quando a taxa Selic atingiu a mínima histórica de 2% ao ano, o spread continuou elevado. O problema é que esse indicador mais alto faz com que o consumo seja afetado. Afinal, o crédito fica mais caro e menos acessível.

Por que isso acontece? Em relação aos motivos para que o spread bancário brasileiro seja tão alto, vale destacar a inadimplência. Diante do risco quanto ao não recebimento dos valores emprestados, o spread se torna maior. Isso porque os bancos precisam cobrar juros mais elevados para se proteger.

Outro ponto que afeta a distância entre as taxas cobradas e as taxas oferecidas é a concentração bancária. Com menos instituições no mercado, a competição também diminui e as condições não precisam ser tão favoráveis aos consumidores.

Por outro lado, o aumento da concorrência no setor tende a contribuir para reduzir o spread ou parte dele. Quando há um volume maior de instituições, surge um estímulo para a oferta de condições mais atraentes para os clientes.

Como é calculado o spread bancário?

Há uma fórmula própria para determinar o spread bancário. Dessa maneira, é possível determinar qual foi o spread em determinado período ou mesmo manter uma média para avaliação de possíveis empréstimos.

A fórmula é a seguinte:

Spread bancário = taxa de aplicação – taxa de captação

Para compreender melhor, suponha que um banco oferece um CDB para captar recursos, apresentando um retorno de 6% ao ano. Por outro lado, ele oferta um empréstimo com taxa de 12% ao ano, utilizando o capital levantado.

Nesse caso, o spread é de 6% — que é a diferença entre 6 e 12. No entanto, é preciso ter em mente que a divergência não significa, necessariamente, lucro. Isso porque o spread bancário inclui outros custos da instituição com a operação financeira, além da lucratividade.

Outro ponto importante a saber é que os juros bancários costumam acompanhar as movimentações da taxa Selic. Logo, as altas na taxa básica de juros costumam elevar o spread, enquanto as quedas podem baixar esse valor.

Spread bancário no Brasil: o que o compõe?

Você já aprendeu o que é o spread bancário e como é feito o cálculo para chegar até o seu valor. Agora, convém conhecer quais são os custos relacionados aos bancos e o que compõe o spread bancário para sua taxa de aplicação.

Confira a seguir os principais fatores que compõem o spread bancário:

Custos operacionais da instituição financeira

Para uma instituição financeira disponibilizar recursos — como por meio de empréstimos e financiamentos —, há uma estrutura a ser mantida. Nesse sentido, os bancos precisam pagar despesas de suas próprias operações.

Entre elas estão incluídas:

  • gastos com todos os empregados e terceirizados;
  • custos com os imóveis e os equipamentos utilizados;
  • transporte de valores;
  • contratações de empresas prestadoras de serviço.

Considerando que o spread funciona como uma forma de obter ganhos com as operações, a taxa precisa cobrir todos os custos operacionais e ainda gerar lucros.

Risco de inadimplência dos clientes

Também é preciso considerar que existe o risco de crédito associado à oferta de empréstimos e financiamentos aos clientes. Existem chances de que o cidadão tomador de crédito fique inadimplente, exigindo preparo da instituição para lidar com a questão.

Essa falta de pagamento pelos clientes é um risco e leva a prejuízos. Assim, o banco aumenta as taxas para que as quitações realizadas em dia consigam cobrir a parcela de inadimplentes.

Como o spread é sempre calculado considerando a média de inadimplência, ele afeta todos os clientes — inclusive os que são considerados bons pagadores.

Por isso, o valor cobrado na operação deve cobrir todos esses custos para que a atuação no mercado seja economicamente viável. Ademais, não esqueça que existe a necessidade de obter lucro a partir da operação.

Impostos diretos

Para a composição do spread bancário, também é preciso considerar que o banco paga impostos e outros tributos nas suas operações. É comum que, por serem instituições financeiras, as alíquotas sejam mais altas do que outros setores.

Veja alguns custos que integram essa categoria:

  • Imposto de Renda (IR);
  • Imposto sobre Operação Financeira (IOF);
  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
  • Programa de Integração Social (PIS);
  • Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Depósito compulsório

O Banco Central exige o depósito compulsório das instituições financeiras. Ele incide sobre todas as captações de investimento em poupança, depósitos à vista e a prazo. Esse recolhimento permite controlar o dinheiro que está em circulação e promover segurança ao sistema financeiro.

Uma parcela do valor é destinada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Assim, a instituição ajuda a garantir a segurança dos correntistas e investidores de certas aplicações, permitindo a recuperação de valores até o limite estabelecido pelo fundo.

Custo do crédito

Outro elemento que compõe o spread bancário é o quanto o banco paga em relação ao crédito. Ou seja, quais são as taxas de juros pagas nos títulos que foram emitidos para captar recursos e financiar as operações da instituição. Essa é a rentabilidade do investidor.

Como você viu, há os certificados de depósitos bancários (CDB), letras de crédito imobiliário (LCI), do agronegócio (LCA) e outras opções de renda fixa. Para atrair investidores, os bancos podem oferecer uma taxa de juros maior sobre o valor investido.

Ao mesmo tempo, a instituição utiliza parte dos recursos captados para oferecer crédito a um custo mais elevado aos seus clientes. O spread, portanto, considera o custo de crédito, já que é a diferença entre o que o banco cobra na oferta de linhas de crédito e o que paga aos investidores.

Considerando todos esses pontos, há uma espécie de incidência de markup (formação de preço de venda), que busca gerar lucro em relação ao que é cobrado. E essa dinâmica dá origem ao spread bancário.

Qual é a relação entre Selic e spread bancário?

Em relação à composição do spread, também é importante considerar que existe uma relação direta dele com a taxa Selic. Essa é a taxa básica de juros da economia e serve como referência para as demais taxas incidentes em operações financeiras.

Por exemplo, devido ao seu impacto na economia, a Selic é usada como referência para os investimentos de renda fixa. Logo, os títulos prefixados, pós-fixados e híbridos são impactados pelo comportamento da taxa.

Afinal, um aumento na curva de juros tende a elevar o rendimento, enquanto a queda costuma reduzir o retorno obtido. Por sua vez, a relação da Selic com o spread pode variar dependendo do cenário. Em certas situações, a Selic pode subir e ser acompanhada pelo aumento do spread.

Isso significa que o custo do crédito foi repassado ao mercado. Por outro lado, pode acontecer de a Selic baixar e o spread não descer na mesma medida. Aqui, é sinal de que o barateamento do crédito não chegou aos clientes das instituições.

Já o cenário composto por uma Selic maior e um spread bancário menor representa que o encarecimento do crédito não atingiu o mercado. Por fim, a Selic pode baixar e o spread acompanhar, em um repasse equivalente a quem adquire as linhas de crédito.

Portanto, você deve acompanhar o comportamento da Selic para entender, em comparação, como o spread tem se comportado. Essa pode ser uma forma de saber se o crédito está barato ou caro, considerando as condições do mercado.

Evolução do spread bancário no Brasil até 2022

Você já aprendeu como funciona o spread bancário no Brasil e no mundo, além de verificar que o nosso país tem uma das taxas mais altas. Nesse contexto, você pode estar interessado em conhecer a evolução do spread no Brasil com mais detalhes.

Foi possível ver que, a partir de 2017, o spread bancário teve um movimento de queda. Conforme informações do Banco Central, utilizando uma metodologia de cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a baixa foi de quase 24% em 2017 para cerca de 14% em 2020.

No entanto, a partir de 2020, o spread bancário entrou em uma nova tendência de alta. Após a mínima de 14,20% em novembro de 2020, o spread em janeiro de 2021 chegou a quase 16%.

Ele teve mais uma queda até setembro de 2021, quando atingiu a marca de 14,44%. A partir de então, o spread bancário brasileiro vem subindo. Em junho de 2022, por exemplo, ele chegou a 17,72% — o maior número desde março de 2020.

O que explica esses movimentos? Como você viu, o spread bancário tem certa relação com a taxa Selic, tendo em vista os empréstimos realizados pelos bancos. Assim, a pandemia de coronavírus afetou bastante esse cenário e a Selic teve uma alta histórica.

Isso pode justificar a variação de alta no spread bancário a partir de 2021. Isso porque, durante esse período, tanto a inflação brasileira quanto a taxa básica de juros também subiram.

Por que o spread bancário no Brasil é tão alto?

Ao saber que o spread bancário brasileiro é alto e está entre os maiores do mundo, vale a pena conhecer detalhadamente as causas dessa situação. O spread bancário elevado é resultado de problemas estruturais e macroeconômicos do país, inclusive os riscos envolvidos nas operações.

Como você aprendeu, o alto volume de inadimplência, colabora com as altas taxas cobradas. Vale destacar que, em junho de 2021, existiam mais de 62 milhões de brasileiros inadimplentes. Isso em um cenário que demonstrava um aumento nas pendências.

A expectativa se concretizou e, em julho de 2022, o número de inadimplentes no Brasil subiu para 67,6 milhões de pessoas. Esse é o maior número de inadimplentes que nosso país já registrou desde 2016, quando começaram as pesquisas.

Logo, os bancos precisam compensar essa insegurança com os pagamentos para ter lucratividade. Uma forma de fazer isso é aumentando o spread: cobrando taxas mais altas, os prejuízos em potencial podem ser diminuídos.

Outro fator, conforme dados levantados pelo Banco Central (Bacen), demonstra que a concorrência influencia o spread. Em um nível menor, a concentração das operações em menos instituições também é um elemento que afeta as taxas.

Essa é uma regra básica do mercado: quanto maior a concorrência, melhores são as condições para os consumidores. Afinal, os bancos precisam disputar entre si as operações de crédito. Com isso, eles precisam oferecer possibilidades mais benéficas para se destacar e atrair clientes.

Em um mercado mais competitivo, os consumidores podem encontrar mais facilmente bancos com menos spread, por exemplo. Por outro lado, diante da pouca concorrência, não há um estímulo relevante para a diminuição do spread das instituições.

Como conhecer o spread bancário das instituições?

Sabendo da importância desse conceito, vale a pena conferir e acompanhar o spread das instituições do mercado brasileiro. Para tanto, é possível utilizar as informações sobre a taxa, pois elas são divulgadas para garantir transparência nas instituições.

Com base nos dados médios de retorno pago pelos títulos de renda fixa e nos custos de crédito das instituições, você pode encontrar o total referente ao spread. Ainda, existe a chance de avaliar o spread a cada situação, como na hora de contratar um crédito.

Outra possibilidade é realizar a comparação do nível de spread entre as instituições. Essa atitude permite escolher uma instituição menos onerosa ou identificar as melhores oportunidades de ganhos quanto aos títulos emitidos. Essa pode ser uma forma de apoiar sua tomada de decisão.

Spread e mercado financeiro: qual a relação?

Apesar de o conceito de spread bancário ser relevante, ele não é o único existente no mercado. Também há o spread no mercado financeiro, que tem relação ainda mais direta com os investimentos e seus resultados.

Na prática, ele representa a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um ativo. Se você quiser entender o que é o spread da bolsa de valores, por exemplo, pode considerar a diferença de preço de venda e de compra entre ativos negociados nesse mercado organizado.

Dessa forma, o spread do mercado financeiro pode ser aplicado a diversas alternativas, como ações, cotas de fundos imobiliários e outros ativos ou derivativos. Nesse caso, há um cálculo próprio para determinar a métrica aos interessados.

Aqui, existem dois conceitos relevantes: bid e ask. O bid corresponde ao melhor preço de compra do ativo — ou seja, o maior preço, que fica no topo do book de ofertas. Já o ask corresponde ao menor preço que o mercado está disposto a pagar pelo ativo.

O spread da bolsa de valores, portanto, é variável, considerando a diferença entre bid e ask. Como as cotações de ações (e de outros ativos) variam com o tempo, esses preços também flutuam.

Fora da bolsa, é possível perceber o spread financeiro em aplicações de renda fixa e cotas de fundos de investimento. Na renda fixa, ele pode ser utilizado para comparar investimentos. Se um título tem rendimento de 5% ao ano e o outro tiver retorno de 8% ao ano, o spread entre eles será de 3%.

Quais são outras aplicações do spread no mercado financeiro?

Além dos modelos que foram acompanhados até aqui, o mercado financeiro pode observar outros tipos de spread e aplicações desse conceito. Existe, por exemplo, o chamado spread cambial.

Ele é dado pela diferença entre o que uma instituição cobra para vender moedas internacionais em suas operações e o quanto paga para adquirir esses recursos. O spread cambial também pode ser entendido como a cotação do câmbio e o efetivo custo de uma transação nessa moeda.

Portanto, o spread representa um acréscimo, de modo que a transação não considera apenas a conversão direta da cotação adotada.

Além disso, vale a pena saber que o conceito da taxa spread se aplica a operações estruturadas e uso de derivativos. Perceba, então, que o conceito pode se estender a diversas áreas e faz parte do cotidiano — em especial, de quem investe.

Qual o impacto do spread bancário nos investimentos?

Diante de todas essas informações, é possível notar que o conceito de spread pode afetar diretamente os investidores. Como você viu, o spread do mercado financeiro, por exemplo, se relaciona aos resultados obtidos com a venda de um ativo.

No entanto, o spread bancário também impacta aqueles que investem. Veja os principais reflexos:

Conhecimento de questões econômicas

É importante entender o comportamento da taxa de juros e seus efeitos nas condições gerais dos investimentos. Ao identificar o nível de spread bancário, você pode tirar conclusões sobre outras questões da economia.

A partir disso, é possível avaliar melhor o cenário econômico e questões relacionadas ao estímulo ou não ao crédito. O spread também ajuda a avaliar o potencial de retorno de investimentos e a comparar diferentes empréstimos ou financiamentos, por exemplo.

Investimento em ações

Ademais, o spread bancário pode impactar quem investe em ações. Ao adquirir ações de bancos, há como receber parte dos resultados decorrentes de um spread elevado. Como esse fator tende a aumentar o nível de lucro, é possível que os resultados sejam distribuídos entre os investidores.

Especulação na bolsa de valores

Já o spread da bolsa de valores, por sua vez, pode ser bastante útil para quem especula e faz análise de ações. Essa é uma forma de identificar tendências de preço e movimento, o que pode ajudar a definir o momento de abrir ou fechar uma posição.

Para day traders, essa diferença entre compra e venda pode trazer informações relevantes para planejar as operações. Ainda, podem existir outras aplicações do spread, tornando essencial que investidores e especuladores estudem o conceito para entender todos os impactos que ele traz.

Como você acompanhou, o spread bancário indica o nível de lucro das operações de um banco, considerando o quanto ele paga e o quanto cobra de juros. Porém, o spread também se aplica ao mercado financeiro — então vale a pena acompanhar essa dinâmica ao longo da sua jornada enquanto investidor.

Achou essas informações úteis? Para continuar seu aprendizado, aproveite e confira o nosso canal do YouTube com muito conteúdo sobre finanças e investimentos!

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