A atuação das instituições financeiras no mercado tem diversas particularidades, como é o caso do spread bancário. Na prática, esse termo interfere no custo de diversas operações e, para tomar decisões melhores, é fundamental conhecê-lo.

Além de afetar os clientes dos bancos, esse spread pode interferir nos resultados de investidores e outros operadores do mercado financeiro. Portanto, compreender essa relação com o mercado e com os resultados pode ajudá-lo na hora de executar sua estratégia.

A seguir, você poderá descobrir o que é o spread bancário e entender de que formas esse conceito aparece no mercado. Confira o que o nosso time, da Genial Investimentos, preparou sobre o tema!

O que é spread bancário?

O termo em inglês “spread” pode ser interpretado como “aumentar a distância”. No caso do spread bancário, ele corresponde à diferença — ou distância — entre a taxa de juros que o banco paga e a que ele cobra de seus clientes.

Portanto, o spread afeta diretamente o quanto a instituição lucra com as operações e de quanto dispõe para manter suas atividades.

Como o spread bancário é composto?

Para entender o spread bancário, você deve aprender como é o cálculo e, principalmente, o que o compõe. Assim, vale a pena começar pelos custos relacionados aos bancos.

Para uma instituição financeira disponibilizar recursos — como por meio de empréstimos e financiamentos —, há uma estrutura a ser mantida. Além dos custos operacionais (como dos funcionários ou dos espaços físicos), existem encargos fiscais e obrigações previstas pelo Banco Central.

Ainda, existe o risco de crédito associado a essa oferta. Afinal, há chances de que o cliente tomador de crédito fique inadimplente, exigindo preparo da instituição para lidar com a questão.

Por isso, o valor cobrado na operação deve cobrir todos esses custos para que a atuação no mercado seja economicamente viável. Ademais, existe a necessidade de obter lucro a partir da operação.

Dessa forma, há uma espécie de incidência de markup (formação de preço de venda), que busca gerar lucro em relação ao que é cobrado. E essa dinâmica dá origem ao spread bancário.

Outro elemento que compõe essa diferença bancária é o quanto o banco paga em relação ao crédito. Isso ocorre porque as instituições financeiras podem emitir títulos para captar recursos que financiam operações.

É o caso do certificado de depósito bancário (CDB), da letra de crédito imobiliário (LCI), da letra de crédito bancário (LCA) e outras opções. Para atrair investidores, os bancos pagam uma taxa de juros sobre o valor investido, como forma de rentabilidade dessas aplicações.

Ao mesmo tempo, a instituição utiliza parte dos recursos captados para oferecer crédito a um custo mais elevado aos seus clientes. O spread, portanto, é a diferença entre o que o banco cobra na oferta de linhas de crédito e o que paga aos investidores.

Qual é a relação entre Selic e spread bancário?

Em relação à composição do spread, também é importante considerar que existe uma relação direta com a taxa Selic. Essa é a taxa básica de juros da economia e serve como referência para as demais taxas incidentes em operações financeiras.

Por exemplo, devido ao seu impacto na economia, a Selic é usada como referência para os investimentos de renda fixa. Logo, os títulos prefixados, pós-fixados e híbridos são impactados pelo comportamento da taxa.

Afinal, um aumento na curva de juros tende a elevar o rendimento, enquanto a queda costuma reduzir o retorno obtido. Por sua vez, a relação da Selic com o spread pode variar dependendo do cenário. Em certos cenários, a Selic pode subir e ser acompanhada pelo aumento do spread.

Nesse caso, significa que o custo do crédito foi repassado ao mercado. Por outro lado, pode acontecer de a Selic baixar e o spread não descer na mesma medida. Aqui, é sinal de que o barateamento do crédito não chegou aos clientes das instituições.

Já o cenário composto por uma Selic maior e um spread bancário menor representa que o encarecimento do crédito não atingiu o mercado. Por fim, a Selic pode baixar e o spread acompanhar, em um repasse equivalente a quem adquire as linhas de crédito.

Portanto, é importante acompanhar o comportamento da Selic para entender, em comparação, como o spread tem se comportado. Essa pode ser uma forma de saber se o crédito está barato ou caro, considerando as condições do mercado.

Para que serve o spread bancário?

Agora que você sabe o que é o spread bancário, é interessante reconhecer para que serve esse conceito. Como você viu, para as instituições bancárias, o spread serve para estabelecer a sua remuneração. Então, é uma forma de o banco obter lucros que sustentam, viabilizam e fortalecem suas operações.

Para o cliente, o conceito de spread bancário pode ajudar na avaliação da situação do crédito. É uma maneira de identificar o comportamento das taxas em relação à Selic e ao rendimento da renda fixa, por exemplo.

O spread bancário também pode servir como elemento de comparação entre as próprias instituições. Os bancos podem escolher manter determinado nível médio ou alterar as taxas cobradas para se tornarem mais atrativos para os consumidores.

Dessa maneira, é possível encontrar diferentes condições nos contratos de empréstimo e financiamento.

Como funciona o spread bancário no Brasil e no mundo?

Com essas informações, você já sabe o que é o spread bancário e como ele é calculado. Porém, embora os países utilizem a mesma metodologia, os resultados são diferentes entre eles.

Nesse sentido, segundo uma pesquisa referente ao período de 2003 a 2017, o Brasil apareceu com o segundo maior spread bancário do mundo. O total foi de 45%, perdendo apenas para Madagascar.

Entretanto, nos anos seguintes, houve uma melhoria nesse sentido. Em maio de 2021, por exemplo, o spread bancário foi de 21,7%. Ainda assim, o valor é considerado bastante elevado e pode chegar a três vezes a média mundial.

É importante notar que, mesmo em 2020, quando a taxa Selic atingiu a mínima histórica de 2% ao ano, o spread continuou elevado. O problema é que esse indicador mais alto faz com que o consumo seja afetado. Afinal, o crédito fica mais caro e menos acessível.

Em relação aos motivos para que o spread bancário brasileiro seja tão alto, vale destacar a inadimplência. Diante do risco quanto ao não recebimento dos valores emprestados, o spread se torna maior. Afinal, os bancos precisam cobrar juros maiores para se proteger.

Outro ponto que afeta a distância entre as taxas cobradas e as taxas oferecidas é a concentração bancária. Com menos instituições no mercado, a competição também diminui.

Por outro lado, o aumento da concorrência no setor tende a contribuir para reduzir o spread ou parte dele. Afinal, um volume maior de instituições estimula a oferta de condições mais atraentes para os clientes.

Na comparação, em outros países, é comum encontrar uma definição de spread mínimo. Essa costuma ser uma taxa mais baixa, que é aplicada à maioria das operações.

Como conhecer o spread bancário das instituições?

Sabendo da importância desse conceito, vale a pena conferir e acompanhar o spread das instituições do mercado brasileiro. Para tanto, é possível utilizar as informações sobre a taxa, pois elas são divulgadas por motivo de transparência.

Com base nos dados médios de retorno pago pelos títulos de renda fixa e nos custos de crédito das instituições, você pode encontrar o total referente ao spread. Ainda, existe a chance de avaliar o spread a cada situação, como na hora de contratar um crédito.

Outra possibilidade é realizar a comparação do nível de spread entre as instituições. Essa atitude permite escolher uma instituição menos onerosa ou identificar as melhores oportunidades de ganhos quanto aos títulos emitidos. Com isso, pode ser uma forma de apoiar sua tomada de decisão.

O que é spread no mercado financeiro?

Apesar de o conceito de spread bancário ser importante, ele não é o único existente no mercado. Também há o spread no mercado financeiro, com relação ainda mais direta com os investimentos e seus resultados.

Na prática, ele representa a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um ativo. Se você quiser entender o que é o spread da bolsa de valores, por exemplo, pode considerar a diferença de preço de venda e de compra entre ativos negociados nesse mercado organizado.

Dessa forma, o spread do mercado financeiro pode ser aplicado a diversas alternativas, como ações, cotas de fundos imobiliários e outros ativos ou derivativos. Fora da bolsa, é possível percebê-lo em aplicações de renda fixa e cotas de fundos de investimento.

Como funciona o spread do mercado financeiro?

Continuando o aprendizado sobre o spread do mercado financeiro, é hora de compreender como é feito o cálculo. Na prática, há dois conceitos importantes: bid e ask. O bid corresponde ao melhor preço de compra do ativo — ou seja, o maior preço, e que fica no topo do book de ofertas.

 Já o ask corresponde ao melhor preço que o mercado está disposto a pagar pelo ativo. O spread da bolsa de valores, nesse caso, é variável. Como as cotações de ações (e de outros ativos) variam com o tempo, o bid e o ask também flutuam.

Na renda fixa, o spread pode ser utilizado para comparar investimentos. Se um título apresentar um rendimento de 5% ao ano e o outro tiver retorno de 8% ao ano, o spread entre eles será de 3%.

Quais são outras aplicações do spread no mercado financeiro?

Além dos modelos que foram acompanhados até aqui, o mercado financeiro pode observar outros tipos de spread e aplicações desse conceito. Existe, por exemplo, o chamado spread cambial.

Ele é dado pela diferença entre o que uma instituição cobra para vender moedas internacionais em suas operações e o quanto paga para adquirir esses recursos. O spread cambial também pode ser entendido como a cotação do câmbio e o efetivo custo de uma transação nessa moeda.

Portanto, representa um acréscimo, de modo que a transação não considera apenas a conversão direta da cotação adotada. Além disso, vale a pena saber que o conceito da taxa spread se aplica a operações estruturadas e uso de derivativos.

Perceba, então, que o conceito pode se estender a diversas áreas e faz parte do cotidiano — em especial, de quem investe.

Qual o impacto do spread bancário nos investimentos?

Diante de todas essas informações, é possível notar que o conceito de spread pode afetar diretamente os investidores. Como você viu, o spread do mercado financeiro, por exemplo, se relaciona aos resultados obtidos com a venda de um ativo.

No entanto, o spread bancário também impacta aqueles que investem. É importante conhecer o comportamento da taxa de juros e seus efeitos nas condições gerais do investimento. Ao entender o nível de spread bancário, é possível tirar conclusões sobre outras questões da economia.

A partir disso, é possível entender melhor o cenário econômico e questões relacionadas ao estímulo ou não ao crédito. Ele também pode ajudar a avaliar o potencial de retorno de investimentos e a comparar diferentes empréstimos ou financiamentos, por exemplo.

Ademais, o spread bancário pode impactar quem investe em ações. Ao adquirir ações de bancos, há como receber parte dos resultados decorrentes de um spread elevado. Como esse fator tende a aumentar o nível de lucro, é possível que os resultados sejam distribuídos entre os investidores.

Já o spread da bolsa de valores, por sua vez, pode ser bastante útil para quem especula. É uma forma de identificar tendências de preço e movimento, o que pode ajudar a definir o momento de abrir ou fechar uma posição.

Para day traders, essa diferença entre compra e venda pode trazer informações relevantes para planejar as operações. Ainda, podem existir outras aplicações, tornando essencial que investidores e especuladores estudem o conceito para entender todos os impactos que ele traz para a carteira.

Como você acompanhou, o spread bancário indica o nível de lucro das operações de um banco, considerando o quanto ele paga e o quanto cobra de juros. Porém, o spread também se aplica ao mercado financeiro — e se torna importante acompanhar essa dinâmica ao longo da sua jornada enquanto investidor.

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