Ações e FuturosInvestimentos

O que é a análise técnica de ações e como funciona

Por 24 de janeiro de 2018 Nenhum comentário

A análise técnica, também conhecida como análise gráfica, estuda o comportamento dos preços e do volume negociado dos ativos ao longo do tempo. É um método muito utilizado para avaliar ações, contratos futuros e outros ativos de bolsa, e identificar os melhores momentos para comprá-los e vendê-los em operações de curto prazo.

O movimento dos preços dos ativos de renda variável gera gráficos, onde é possível identificar padrões que indicam o timing de compra e venda. Mas é fundamental ter atenção a um ponto: a análise técnica – como qualquer outro método de análise de ações – não trabalha com certezas, mas com probabilidades.

“Quem está começando na análise técnica muitas vezes tem a sensação de que é muito fácil ganhar dinheiro, mas não é bem assim. Nem sempre você ganha. Não é bola de cristal. Nenhuma escola de análise de ativos de bolsa gera 100% de certeza”, diz Igor Graminhani, analista técnico da GENIAL Investimentos.

Graminhani explica que a análise técnica é um método indicado para quem deseja realizar operações de curto prazo, isto é, de menos de um ano. Ela pode ser usada para operações de:

• Day-trade: operação iniciada e encerrada no mesmo dia. Por exemplo, comprar uma ação e vendê-la no mesmo dia. Esse tipo de operação tem uma vantagem particular, que é a de não correr o risco do movimento dos preços na abertura do mercado;
• Swing trade: operações iniciadas e encerradas em um prazo que varia de dois dias a um mês;
• Position trade: operações iniciadas e encerradas em um prazo inferior a um ano, mas que varia de um mês a alguns meses.

“A análise técnica é voltada para operações de giro, para rentabilizar no curto prazo. Passou de um ano, melhor priorizar a análise fundamentalista”, diz o analista.

A análise fundamentalista é um método de análise que leva em conta os fundamentos do ativo, isto é, suas perspectivas de longo prazo com base, por exemplo, em fatores macroeconômicos e políticos.

No caso de uma empresa, é preciso analisar, além dos fatores macro, a estratégia do negócio, a competência da gestão, a governança, as perspectivas para o seu setor e seus demonstrativos financeiros, para avaliar itens como receitas, despesas, nível de endividamento, lucro ou prejuízo.

Enquanto a análise técnica fixa-se na avaliação dos movimentos dos preços no curto prazo com base no seu desempenho histórico, a análise fundamentalista é mais profunda e se baseia nas perspectivas para o desempenho do ativo no longo prazo.

Por isso mesmo, a análise fundamentalista é mais complexa, o que a torna menos acessível ao investidor que tem menos tempo e não se dedica profissionalmente aos investimentos.

“Pode-se dizer que a análise técnica é a porta de entrada da pessoa física na bolsa, pois não exige grandes conhecimentos de economia e contabilidade”, diz Graminhani.

Vantagens da análise técnica de ações

O fato de ser mais acessível à pessoa física sem dúvidas é uma das vantagens da análise técnica. Não que seja desnecessário estudar. Mas para aprender suas técnicas não é preciso ter conhecimento prévio para além do básico da compra e venda de ativos na bolsa.

Uma vez aprendido o método, o investidor já pode imediatamente aplicá-lo, e quanto mais praticar, melhor. A análise fundamentalista, ao contrário, exige estudo e análise aprofundada e constante das empresas e dos possíveis cenários econômicos.

Por isso mesmo, a análise gráfica pode atender aos anseios de investidores que querem ter ganhos mais robustos em operações com mais risco, mas que não têm tempo de se dedicar tanto a estudos mais aprofundados.

Em outras palavras, é ideal para quem quer ganhar dinheiro na bolsa, mas não tem muito tempo – por exemplo, quem não é investidor profissional, trabalha o dia inteiro com a sua profissão, mas deseja uma rentabilidade diferenciada na carteira.

Assim, a bolsa se torna uma segunda fonte de renda. “O investidor pode, por exemplo, ter o trabalho dele e estudar os gráficos à noite, já em casa. No dia seguinte de manhã, monta suas operações no home broker, fecha e vai para o trabalho”, descreve Graminhani.

Outra vantagem é a possibilidade de obter ganhos de curto prazo, o que é particularmente interessante para um investidor tão afoito como o brasileiro. “Brasileiro não quer ganhar daqui a cinco, dez, 20 anos, deixar para a aposentadoria. O brasileiro quer ganhar dinheiro hoje”, observa o analista.

Como funciona a análise técnica de ações

A análise técnica se baseia no estudo dos gráficos de evolução dos preços de ativos como ações, opções e contratos futuros. Eles levam em conta, ainda, o volume negociado.

“Tudo que os investidores fazem, sejam os estrangeiros, as pessoas físicas, os grandes fundos, os clubes de investimento, se reflete nos gráficos”, diz Graminhani.

Os gráficos permitem ao analista identificar os padrões de comportamento dos investidores e traçar tendências de alta ou queda dos preços. Indicam, ainda, possíveis reversões de tendência e os momentos em que é mais provável obter ganhos com a compra ou venda do ativo analisado.

A operação do analista técnico pode ser contra ou a favor da tendência. Com isso, é possível ganhar mesmo com o mercado em queda.

“A análise possibilita comprar os papéis com tendência de alta e vender aqueles com tendência de baixa, independentemente da direção geral do mercado ou do momento econômico”, explica Graminhani.

Ou seja, é possível operar comprado – comprar o ativo e ganhar com a sua alta – ou vendido – isto é, vender um ativo sem tê-lo e ganhar com a sua queda. Para operar vendido, é preciso alugar o ativo de outro investidor, operação pela qual se paga uma taxa referente ao aluguel.

Vende-se, então, o ativo alugado, para recomprá-lo no futuro e devolvê-lo ao seu dono. Se o preço do ativo realmente cair, o investidor irá recomprá-lo por um preço inferior ao da venda, lucrando na diferença.

As análises seguem três etapas principais:

1. A identificação da tendência atual, momento em que o investidor define se vai operar comprado ou vendido;
2. A elaboração de uma estratégia bem definida, como a escolha do tipo de ativo, da quantidade, do preço e do stop-loss, que é o limite aceitável de perda para que a operação seja desmontada;
3. A disciplina de manter a estratégia até o fim, resistindo à tentação de mudar o stop definido inicialmente na esperança de recuperar o que foi perdido.

O stop-loss

O uso do stop-loss é um ponto crucial das estratégias envolvendo análise técnica. Consiste em determinar uma perda máxima para limitar o prejuízo do investidor caso os preços não se comportem como o esperado. Atingida a perda máxima, a operação é desfeita automaticamente e o investidor não perde mais do que estava disposto inicialmente.

Também é possível determinar um stop-gain, para estabelecer o ganho máximo da operação. Esses limites ajudam o investidor a tirar o fator emoção da operação e a permanecer na estratégia definida inicialmente.

“Suponha que você compre uma ação a 20 reais e defina seu stop para 19,50 reais. Sua perda máxima, caso a ação desvalorize, será de 50 centavos por ação. Determinando o alvo de lucro e o prejuízo máximo antes de iniciar a operação, você tira o fator emocional, e não vira um torcedor”, exemplifica Igor Graminhani.

sala genial

A teoria de Dow e os princípios da análise técnica

Os princípios da análise técnica têm origem na teoria de Dow, nome dado atualmente aos fundamentos identificados pelo jornalista americano Charles Dow em seus estudos do comportamento dos preços das ações.

No final do século XIX, Dow e seu sócio, o também jornalista Edward Jones, fundaram o Wall Street Journal e criaram os mais antigos índices de ações do mercado americano, o Dow Jones Transportation Average e o Dow Jones Industrial Average.

A partir da observação do comportamento dos preços das ações e dos seus índices, Dow foi capaz de formular os princípios que regem a formação de padrões nos mercados e que permitem a previsão do movimento dos preços.

Em função disso, Dow é considerado o pai da análise técnica. São seis os princípios da Teoria de Dow:

• O mercado tem três tendências: uma primária, de longo prazo e mais dominante; uma secundária, de médio prazo, com altas e baixas que acabam seguindo a tendência primária; e uma terciária, de curto prazo e formada entre as secundárias.

• A tendência primária tem três fases: uma inicial, em que os investidores que primeiro identificam a tendência compram ou vendem as suas posições (fase de acumulação, na tendência de alta, e distribuição, na tendência de baixa); uma fase de alta ou baixa sensível, em que mais investidores já perceberam a tendência e começam a segui-la; e uma terceira fase de compra (euforia) ou venda (pânico) mais intensa.

• Os preços descontam tudo: os preços e, consequentemente, os índices incorporam todas as informações importantes e conhecidas sobre os ativos, como os dados dos demonstrativos financeiros das empresas, as perspectivas macro e microeconômicas, fatores políticos, notícias e as expectativas dos investidores.

• O volume deve confirmar a tendência: o volume de negociação reforça a tendência. Quanto maior o volume negociado, mais forte a tendência, isto é, mais provável que ela continue. Se o volume começa a enfraquecer, isso sinaliza uma reversão da tendência.

• A tendência precisa ser confirmada por outros índices: indicadores secundários do mercado – por exemplo, outros índices de ações além do principal índice da bolsa – devem indicar a mesma tendência do índice principal e vice-versa.

• A tendência é válida até ocorrer a reversão: os gráficos mostram sinais de reversão de tendência, que o analista técnico aprende a identificar. Assim, é possível saber se é provável ou não haver uma reversão de tendência.

Os gráficos

O gráfico de um ativo pode abarcar diferentes janelas de tempo. A escolha dependerá do prazo da operação que se deseja fazer.

Os gráficos intraday ou intradiários são aqueles que abarcam períodos inferiores a um dia – por exemplo, 15 minutos ou uma hora. Os gráficos podem, ainda, ser diários ou contemplar um prazo de alguns dias, semanas ou meses.

O gráfico de uma ação, índice ou outro ativo de bolsa traz a evolução de seus preços ao longo do tempo, bem como os preços de abertura e fechamento por período, os preços máximos e mínimos e o volume negociado, que também pode influenciar na movimentação dos preços.

A partir do estudo da análise técnica, o investidor torna-se capaz de reconhecer uma série de figuras nos gráficos que indicam padrões e tendências de alta ou baixa, continuidade ou reversão dos movimentos de preços.

Algumas dessas figuras têm nomes curiosos – como Enforcado, Bebê Abandonado e o sempre citado Ombro-Cabeça-Ombro – que chamam a atenção mesmo dos investidores que não se interessam por análise técnica e operações de curto prazo.

Além dos padrões gráficos que ajudam a prever o comportamento dos preços, a análise técnica usa ainda uma série de indicadores, que são representações gráficas de fórmulas matemáticas aplicadas aos preços.

Eles podem ser utilizados isoladamente ou combinados aos padrões gráficos para confirmar as tendências identificadas por eles. Há inúmeros indicadores, mas eles se dividem basicamente em três grandes grupos: rastreadores, osciladores e volumétricos.

Cuidados na utilização da análise técnica

Segundo Igor Graminhani, analista técnico da GENIAL, os principais cuidados que o investidor deve ter ao usar análise técnica é manter o foco, a disciplina e a estratégia. É fundamental determinar a estratégia antes de montar a operação no home broker, definir os stops e manter-se na operação até a sua conclusão.

No caso de day-trade, principalmente, é preciso ter foco e atitude. “Não ficar só na análise, é preciso fazer a operação efetivamente. Algumas operações duram menos de um minuto”, diz o analista.

Além disso, buscar conhecimento é fundamental. “Bolsa não é cassino. Quem ganha dinheiro na bolsa na base da sorte vai quebrar, pois não vai ter sorte a vida inteira. É como jogar na roleta. No mercado financeiro, o sucesso requer conhecimento, tempo, dedicação e prática” diz Graminhani.

Principais erros do investidor ao usar análise técnica

Graminhani destaca quais são, na opinião dele, os principais erros do iniciante ao usar análise técnica:

• Investir todo o capital em uma única empresa;
• Falta de metodologia e controle de risco – por exemplo, não usar o stop-loss;
• Negligenciar taxas e custos operacionais (conheça os custos de se investir em ações);
• Confundir especulação com investimento;
• Falta de preparo e de conhecimento;
• Comprar na alta e vender na baixa;
• Viés de confirmação – o preço do ativo está caminhando na direção contrária ao esperado, mas o investidor não admite que errou e tenta achar justificativas para o que está ocorrendo, mantendo a esperança de que o preço vai se recuperar (saiba mais sobre os vieses comportamentais e cognitivos que atrapalham o investidor);
• Ganância;
• Medo – por exemplo, após uma perda;
• Soberba – ter sucesso em uma operação e achar que sabe tudo;
• Anestesia – por exemplo, ver o preço do ativo cair e não fazer nada a respeito.

Análise técnica na GENIAL

O analista técnico da GENIAL, Igor Graminhani, comanda todos os dias a sala ao vivo, evento on-line com recomendações de operações e orientação personalizada aos clientes. Ela pode ser acessada aqui.

Antes de o mercado abrir, Igor recomenda operações de day-trade com minicontratos futuros de dólar e índice (entre 9h e 9h30) e de swing trade com ações (entre 9h30 e 9h45).

Nos 15 minutos que antecedem a abertura do mercado, o cliente fica por dentro das principais notícias que podem afetar o mercado.

Entre 10h e meio-dia e das 14h às 16h, o analista dedica-se a indicar operações conforme as oportunidades vão surgindo e a atender os clientes que têm dúvidas e pedem operações específicas.

“Eu faço análises personalizadas para os clientes, sob demanda. São cinco horas de sala ao vivo todos os dias, e ao fim do dia, mando um relatório de performance para os clientes cadastrados com todas as operações recomendadas no dia, operações fechadas no mês e estatísticas de desempenho”, explica.

Quem não tiver como acompanhar a sala ao vivo pode, ainda, seguir as recomendações de swing trade que o analista cadastra no home broker da GENIAL.

sala genial

Genial

Genial

A Genial é a plataforma de investimentos que está democratizando o acesso aos melhores produtos do mercado, de forma simples, ágil e eficiente, através de uma assessoria financeira isenta, transparente e qualificada.